Em Cada Ponta Do Infinito

26 Uma semana pensando nele.


Notas iniciais
Heey Genth

Aquele foi o momento que descobri que gosto realmente dele. Eu havia subido lá em cima pra resolver algumas coisas, e quando desci, percebi que eles já estavam se beijando. Fiquei parada na entrada do anexo sem reação, e quando dei por mim, a Lu já estava descendo as escadas e gritando alguma coisa que eu nem prestei atenção. Lucas virou imediatamente pra trás, e me viu. Fixei meu olhar no dele por um misero segundo, e depois olhei pra Rayane.

E oque eu fiz? Virei-me e fui embora.

Sentei no primeiro degrau da escada e quando viu minha cara, Lú parou de tagarelar na hora.

Ficamos em silencio, e eu percebi que, mesmo a Lu sendo super animada e tal, sabe ser boa conselheira com seu silencio.

Uns dois minutos depois, Lucas apareceu e tentou se explicar, mas resolvi trata-lo com total e completa ignorância. Ele resolveu não vir atrás de mim, mas também não queria vê-lo.

Tentei ao máximo me concentrar e atender bem os clientes, que apareciam de meia em meia hora. Mas não dava. A imagem do Lucas com aquela nojenta me deixava atônita.

– Já pode ir se quiser – Maria falou, quase duas horas depois. Agradeci mentalmente e fui embora.

Resolvi ir direto pra casa e vi a Pri parada no portão da minha casa, provavelmente me esperando.

– Está aqui há muito tempo? – Perguntei, enquanto abria o portão.

– Acabei de chegar – Respondeu – Por que essa cara?

Optei por não responder e subi pro meu quarto, enquanto ela me seguia calmamente.

– Vai me ignorar e não responder? – Perguntou, quando me joguei na minha cama – Fala sério Tayse, odeio quando você faz isso!

– Chama a Elisa pra mim, por favor – Falei, encarando o teto – Depois eu conto tudo. Quero que vocês durmam aqui, também quero pedir várias pizzas e comer brigadeiro até o amanhecer. E acho que não vou a escola amanhã. Liga pra locadora também e aluga os filmes que você mais quer assistir. Não se preocupe, eu pago.

Ela me olhou sem entender nada e ligou pra Elisa.

– Ela vai vir – Falou – Pizza de que?

– Muito presunto, muito queijo – Falei suspirando, ainda encarando o teto – E muito, muito, muito molho.

Percebi que ela deu uma risada e continuou a fazer várias ligações seguidas.

– — -

Estávamos rindo que nem umas loucas, enquanto enfiávamos vários e vários pedaços de pizza na boca.

– Não pode falar de boca cheia Priscila – Falei rindo, enquanto a minha estava entupida de molho e pizza.

– Vocês são loucas – Elisa falou rindo – Acho que sou a única normal aqui.

Olhamos pra ela e começamos a rir mais ainda.

– Tá bom chega – Elisa disse séria – Quero saber o motivo de nós dormirmos aqui hoje.

Fiz uma pausa, pensando no que falaria. De repente a porta se abriu e entrou meu pai, junto com Lívia. Ela deu um sorriso enorme quando me viu com minhas amigas.

– Uhuu – Disse, enquanto se juntava com a gente no tapete da sala – Vou voltar ao colegial – Continuou, e pegou um pedaço de pizza.

Começamos a rir da ousadia dela, e percebi que meu pai também riu.

– Então qual era assunto? – Lívia perguntou, e eu ruborizei.

– Tayse ia falar o motivo de ter chamado a gente pra dormir aqui – Elisa disse.

– Argh – Lívia disse – Pensei que iriamos falar sobre garotos. Esse aqui – Falou se referindo ao meu pai – Não é um gatinho?

Começamos a rir de novo. E meu pai também.

– Ele beija tãããããõ bem – Continuou, e começamos a rir feito loucas.

Lívia se levantou e disse que deixaria nós conversamos em paz.

– Tayse amorzinho, eu e seu pai vamos sair – Finalizou, enquanto segurava a mão do meu pai – Cuidado com o fogão e não abre o portão pra ninguém.

Percebi que era uma brincadeira e voltamos a rir de novo.

Quando ela saiu, infelizmente, Elisa voltou a tocar no assunto.

– Também quero saber o motivo Tayse – Pri falou – Hoje de manhã você estava toda alegrinha com sua volta a popularidade, e agora estava toda triste.

– Ah – Falei – Vi uma coisa hoje que eu não gostaria de ver.

– Um cara mijando na rua? – Pri continuou rindo.

– Vou contar desde o inicio – Comecei séria – Hoje na hora do intervalo, acabei encontrando Rayane por acaso no banheiro. Ela começou a falar umas coisas ruins pra mim e eu resolvi revidar. Falei pra ela se olhar no espelho e parar de se achar a tal, por que o Marcelo pode até ter beijado ela, mas ele veio atrás de mim – Parei pra ver a reação das duas, e ambas estavam sorrindo com minha ousadia – Ela ficou com o rabo entre as pernas. Acontece que, hoje, na sorveteria, eu subi lá em cima pra resolver umas coisas, e quando desci, peguei o Lucas e a Rayane se beijando. E o a pior coisa é que ele nem tentava impedir ela. Eles estavam se beijando mesmo.

– E o que você fez? – Elisa perguntou.

– Eles acabaram me vendo, mas eu simplesmente entrei no anexo.

– Que idiota, ele não veio falar com você? – Pri disse.

– Veio, mas tratei-o com ignorância – Respondi.

Elas ficaram pensando um pouco.

– Acho que vejo ciúmes no ar – Elisa disse.

– Por que não assume que gosta dele de uma vez Tayse? – Pri perguntou.

– Isso não importa – Falei – Ele está com Rayane e eu não tenho nada a ver com a vida dele. Pra mim, ele que se estrepe.

– — -

Faz uma semana que eu não troco uma palavra com Lucas. Às vezes o vejo chegando de mãos dadas com a nojenta, mas mesmo assim ele não esboça nenhum sorriso. Já o peguei me olhando algumas vezes, mas ignorei. Certo dia resolvi pegar o ônibus, e ele estava lá. Não me importei e me sentei o mais distante possível.

Também me aproximei muito de Lívia nessa semana. Meu pai passou a me cumprimentar quando desço pra tomar café, e eu sempre respondo com um sorriso radiante.

Minha popularidade tem voltado a mil. Algumas pessoas sempre me recebem com um sorriso, e outras me cumprimentam.

Rayane também não me estressou mais, mas às vezes me manda um sorrisinho debochado.

Minha amizade com a Lú tem aumentado a cada dia. Ela sempre me faz companhia quando estou na sorveteria, e isso impede que o Lucas se aproxime.

Lucas. Apesar de ter conversado com ele poucas vezes, sinto sua falta. Ele me fazia rir e me deixava feliz. Contudo, não falei com ele mais, e acho que não pretendo falar. Penso nele antes de dormir, e às vezes até me dá insônia.

Penso nele rindo, penso nele me fazendo rir, penso no cabelo dele, e penso naquele sorriso perfeito. Mas por fim, penso nele beijando a Rayane em algum lugar, enquanto estou pensando nele. E isso me dá um enjoo tremendo.

Por isso, resolvi de uma vez por todas ignora-lo. Resolvi fazer igual a alguns filmes. Quando começo a pensar nele, me dou um beliscão. O problema é que nunca dá certo, por que ele sempre volta a vagar nos meus pensamentos. Tenho ódio de mim mesma. Tenho ódio por não consegui parar de pensar nele.

Igual eu não parava de pensar no Marcelo.

Notas finais
hahahahahahahahahahah espero que tenham gostado.