Em Cada Ponta Do Infinito
3 Um sorriso com deboche.
Notas iniciais
Assim que colocamos o pé no pátio, dei com cara com a nojenta. Mas coloquei o sorriso mais falso do mundo no rosto e fui em direção a secretaria com a Pri e o Gui. O Gui começou a procurar o nosso nome na parede, enquanto eu me agachava e amarrava o cadarço do sapato. Admito, levei um susto quando me levantei e dei de cara com o Math, quase colado em mim. Afastei um pouco dele, e com a maior ignorância do mundo, perguntei o que ele queria.
– Credo Tayse! Precisa falar assim com o menino? – A Pri perguntou, mas resolvi ignorar.
– O que você quer Math? – Repeti – Mal começou o ano e já veio me atormentar?
– Calma Tayse... Só vim te desejar um feliz aniversário – Ele falou, enquanto me dava um abraço totalmente forçado. Fiquei tentando me afastar dele o máximo possível, mas, antes de afasta-lo totalmente ele sussurrou no meu ouvido – Que você continue sempre sendo a gostosa da escola, e que a cada ano fique mais safada.
Revirei os olhos e comecei a bater nele.
– Seu idiota! – Gritei, enquanto dava socos nele e ele se encolhia de dor rindo.
– Calma Tayse! – O Gui falou, enquanto tentava me afastar do Math. – Vai querer arrumar encrenca no primeiro dia de aula?
– Você ouviu o que seu primo disse? – Falei, com muita raiva.
– Math, vai embora! — O Gui falou – Você só sabe arrumar encrenca viu.
Vi ele se afastar, e quando Math estava distante o suficiente, o Gui me soltou.
– O que ele disse Tayse? – A Pri perguntou.
– “Que você continue sempre sendo a gostosa da escola, e que a cada ano fique mais safada” – Falei, imitando a voz irritante dele.
O Gui e a Pri começaram a rir. Fiquei com raiva.
– Ele só estava te elogiando Tayse! – A Pri falou.
– Mas precisava elogiar desse jeito? Deu a impressão que eu sou uma cachorra.
Eles continuaram a rir.
– Parem! – Falei – Seus idiotas.
Eles continuaram a rir, e resolvi ignorar e procurar sozinha em que turma eu iria ficar.
– Pelo menos vamos ficar juntos na mesma sala – Falei, assim que terminei de olhar a folha – 2ºM3.
– E por acaso o Math vai ficar na nossa sala? – Ela falou, enquanto acabava com as risadinhas idiotas.
Revirei os olhos, e olhei mais uma vez a folha na parede.
– Não! – Sorri, e comecei a rir quando vi que era verdade – Não! Ele não tá na nossa sala!
Comecei a dar pulinhos de alegria. Esse era, com certeza, e sem sombra de dúvida, o momento do dia mais feliz da minha vida.
– E agora Gui? A sala vai perder a graça.
– É... O Math, por incrível que pareça, fazia a gente rir pra caramba. – O Gui respondeu.
Revirei os olhos pela (eu acho) terceira vez no dia, e comecei a andar em direção a sala 12, onde teríamos nossa primeira aula, pelo que indica a folha, aula de sociologia.
Enquanto caminhávamos, fiquei observando os novatos confusos pelos corredores da escola, e ignorando o Gui e a Pri se lamentando pela perda inconsolável.
– Ele era o engraçadinho da sala. – A Pri falou. E ela e o Gui continuaram a ficar se lamentando.
– Calem a boca vocês dois. – Falei séria. – Sabem que eu o odeio e ficam falando isso pra me provocar.
Parei em frente à sala de aula e tratei de colocar um sorriso enorme no rosto. Falso, mas acho que deu pra enganar algumas pessoas. A nojenta estava sentada em algumas das mesas, com aquele cabelo preto que a vaca lambeu dela de sempre, e rodeada daqueles que antes eu chamaria de amigos. Até o Duca, estava todo animadinho falando com ela.
– Pare de olhar Tayse – A Pri falou, assim que me sentei.
– Sinto falta dele. – Sussurrei. A Pri se sentou atrás de mim e o Gui logo atrás dela.
– Não fique demonstrando isso. Ele que abandonou a gente. – Ela falou. – Parece que não colocaram nenhum novato na sala.
– Nem reparei se tinha algum nome diferente na folha... Fiquei feliz demais por faltar um nome lá. – Falei e dei um sorriso.
– Eu não queria que ele tivesse saído, mas também fico feliz só por ver que a nojenta vai ficar triste.
Sorri e vi o mesmo professor do ano passado entrar na sala. Eu amava ficar rindo da careca dele.
– Será que a careca dele esquenta? – a Pri falou, enquanto ria.
Comecei a tirar meu material da bolsa e a lamentar pelas férias terem acabado. Eu havia passado as férias todinhas na fazenda com minha avó, por que meu pai não me queria por perto. Senti falta dos meus amigos, mas adorava o cheiro das lavandas que minha avó produzia pra vender nas floriculturas das cidades. Ela era viúva, mas tinha alguns empregados com ela.
– Tayse... – A Pri sussurrou, enquanto se inclinava pra frente. – Acho que a nojenta tá falando de você lá do outro lado da sala.
Olhei pro lado e vi a mesma rindo. Fiz uma cara de deboche pra ela, e falei pra Pri não ficar olhando. Ela iria se ver comigo no intervalo.
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