Em Cada Ponta Do Infinito
11 Um dia antes de um desastre.
Notas iniciais
Eu fui despedida.
Joguei-me na cama e soltei um suspiro longo e profundo.
Quando me dei conta que havia perdido meu ponto, quase tive um colapso nervoso. Saí correndo sem nem me despedir do garoto e pedi que o motorista parasse no mesmo instante. Corri que nem uma idiota pela rua, mas mesmo assim não consegui chegar a tempo. A lanchonete em que trabalho fica há uns trinta minutos pra chegar de carro. O máximo de tempo que eu tinha era chegar em casa, e sair correndo pra pegar outro ônibus. Desci correndo do ônibus e cheguei em casa em menos de cinco minutos. Joguei minha mochila no chão assim que abri a porta de casa e me troquei praticamente voando. Quando cheguei ao ponto pra pegar o ônibus que me levaria pro trabalho, ele estava saindo e eu tive que ir correndo. Resultado? Cheguei meia hora atrasada e fui despedida.
Fiquei vagando pela rua assim que fui despedida e cheguei em casa por volta das sete horas da noite. Fiz uma macarronada (como sempre) e fiquei esperando meu pai chegar, que chegou por volta das dez.
– Demorou hoje – comentei, sem ao menos tirar os olhos da tevê.
– E que te importa? – ele respondeu, e subiu pro quarto.
Olhei pra ele e senti uma pontada. Tudo bem, Tayse. Um dia tudo vai voltar a ser como era antes.
Levantei-me e sai em direção à cozinha. Peguei dois pratos, dois copos, dois garfos, e um refrigerante. Resolvi fazer o prato dele, pra ver se o agradava, e enchi de comida, assim como ele sempre come. Dois minutos depois ele desceu e se sentou, preparando-se pra comer.
– Fez muitas contas hoje? – perguntei, querendo puxar assunto. Ele me olhou, mas não respondeu nada – Ah, qual é pai? Vai ser pra sempre assim?
– Quem sabe um dia você não decidi ir pra um internato e me deixa em paz.
– Por que você não me manda? – retruquei e fiquei feliz quando ele não respondeu nada.
– Que droga de comida é essa? PORRA Tayse, será que nem um macarrão você sabe fazer direito? – ele gritou e puxou o prato pra longe – Quando Laura volta?
– Amanhã – sussurrei, e acho que ele nem ouviu. Ele nunca reclamou e eu sei que está apenas fazendo pirraça.
Subi pro meu quarto e me joguei na cama.
– Now I never, never get to clean up
The mess I made
And it haunts me every time I close my eyes
It all just sounds like ooh, ooh, ooh, ooh, ooh – Cantei e logo em seguida dormi.
***
Que bom que você voltou meu amor – A Pri falou, enquanto dava um abraço exagerado no Gui.
Estávamos na casa dele, poucas horas depois dele chegar de viajem.
– E eu nem se quer tive tempo de me despedir – Falei e me sentei na cama dele.
– Não se preocupe com isso Tayse – ele respondeu.
– E então, como foi o Canadá? – ela perguntou, animada.
– Foi praticamente uma guerra. Math não queria ficar lá de jeito nenhum. E imagina o motivo dele querer ficar no Brasil? – O Gui falou e em seguida olhou pra mim.
Revirei os olhos.
– Será que nem no Canadá esse garoto retardado me esquece? – Falei emburrada.
– Ele estava todo animadinho com um beijo que você deu nele – o Gui falou – É verdade?
– Mas é claro que não! – Falei e me levantei da cama nervosa.
– Mas quase – A Pri completou.
Bufei de raiva quando o Gui disse que iria querer saber dessa história detalhes por detalhes depois.
– Mas pode esquecer o Math – a Pri falou – Tayse já está em outro.
– Nem ouse Priscila – Falei e me direcionei até ela com raiva. Tapei sua boca, enquanto o Gui me afastava.
– Não adianta tentar tapar a boca dela agora – o Gui falou, enquanto tentava me tirar de cima da Pri – ela vai acabar contando depois.
Ele conseguiu me tirar e sem nem muito esforço me sentou na cama.
– Eu falei que seus dias na academia iriam servir pra alguma coisa um dia meu amor – ela falou, enquanto se levantava.
Revirei os olhos mais uma vez.
– Pra que falar Pri? – perguntei – vocês podem fazer coisas mais interessantes do que falar de mim.
– Podemos – ela falou, e olhou maliciosamente pro Gui – Mas a noite. Nosso assunto é você, e ponto final.
– Então eu vou embora – falei – não vou ficar ouvindo você contar pra um GAROTO, que outro GAROTO trocou minha roupa.
Antes de sair vi o Gui ficar boquiaberto e praticamente desci as escadas correndo.
– Já vai minha flor? – Amélia, a vó do Gui, perguntou.
– Sim – falei, mas antes de sair, resolvi jogar um veneno – Se eu fosse você, ficava de olho bem aberto.
Ela arregalou os olhos e saiu subindo as escadas, enquanto gritava o nome do neto.
Cheguei praticamente rindo em casa. Às vezes aquela velhinha é uma piada. Não sabe de nada aquela inocente.
Abri a porta e senti um cheiro enorme de torta. Dei um sorriso enorme ao me lembrar que Laura estava em casa.
– CHEGUEI LAURA – Gritei, e ela veio correndo da cozinha.
– Demorou minha filha – ela respondeu, enquanto secava as mãos em um pano qualquer.
– Assim que saí da escola fui à casa do Gui – falei, enquanto subia as escadas pra trocar de roupa – Ele chegou de viajem hoje.
Ela respondeu alguma coisa que eu não entendi, mas ignorei. Uma das coisas que aprendi com Laura é que ela não gosta de ficar repetindo as coisas. Pode parecer algo bem ruim, mas não é. Ficar pedindo pra uma pessoa repetir as coisas te faz de idiota. E faz a outra pessoa de idiota também.
Olhei a hora no celular e só então percebi que já era 18h54min.
Tirei meu uniforme e fiquei de calcinha e sutiã. Só então percebi que a janela estava aberta.
– Que perigo – murmurei e saí em direção à janela, pra fecha-la. Dei graças a Deus por não ter ninguém na rua.
– Tayse, vem jantar – Laura gritou – Depois seu pai janta sozinho.
– Tudo bem – Gritei em resposta.
“a companhia dele não iria fazer diferença mesmo” – pensei.
Desci as escadas correndo e me sentei. Laura colocou um prato com arroz, feijão, batata frita e bisteca na minha frente.
– amanhã o jantar vai ser mais saudável, viu mocinha? – ela disse, enquanto se direcionava pra sala.
Não respondi e comi tudo sem dó nem piedade. Juro, que se eu pudesse, repetiria, mas assim eu colocaria meu corpo sexy em jogo.
Assim que terminei, me despedi da Laura e subi pro meu quarto.
Dormi, e senti que meu dia seguinte seria cheio de surpresas.
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