Em Cada Ponta Do Infinito
9 Super gato
Notas iniciais
Assim que o pai da Pri buzinou no dia seguinte, saí correndo pra dentro do carro e me juntei com ela no banco traseiro. Ela me recebeu com um sorriso, como se nada tivesse acontecido.
Estranhei, mas fiquei em silencio. Fomos o caminho inteiro assim, mas logo que descemos do carro e o pai dela deu partida, ela começou com o falatório.
– Tayse, o que te deu? – Ela falou – tipo, depois que você entrou na casa eu não te vi mais... E quando fui te procurar pra ir embora, você tinha de-sa-pa-re-ci-do!
Abaixei a cabeça e fiquei em silencio, eu já devia esperar isso.
– E pra piorar a minha preocupação você não responde as minhas mensagens e nem minhas ligações – ela continuou – e ainda por cima, falta no dia seguinte na escola!
Levantei a cabeça e olhei pra cara dela. Não aguentei ao ver aquele bico dela quando está brava e comecei a rir.
– Não tem graça Tayse! – ela falou, mas começou a rir também.
– Quantas vezes eu vou ter que falar pra você não fazer esse bico? – falei rindo – você briga com o Gui assim também?
– Sua idiota! – ela falou rindo e em seguida me puxou em direção à entrada da escola – mas porque você foi embora daquele jeito?
– Você nem vai acreditar... – Comecei e em seguida contei toda a história resumidamente. Ela ficou prestando atenção com calma, mas na hora em que eu falei que o menino havia me trocado, ela ficou toda empolgadinha. Fiquei corada e pra mudar de assunto me sentei em uma das mesas e perguntei sobre o Gui.
– Ele foi pro Canadá com o Math... – ela continuou triste – por isso que eu não fui a sua casa ontem... Fui com ele pro aeroporto e ele só vai voltar daqui três dias.
– Três dias passam rápido... – Falei.
– Eu sei, mas... Ah, sei lá, não queria que ele tivesse ido.
– Eu sei que você não queria. Mas porque eles foram?
– Math vai morar com o tio dele agora.
Ergui minha cabeça e olhei pra ela com um sorriso enorme no rosto.
– Sério mesmo?
Ela revirou os olhos e me olhou séria.
– Ah, qual é Tayse? Eu aqui triste por causa do Gui e você praticamente pulando de alegria por que o Math foi embora?
Continuei com um sorriso no rosto e por mais que eu tentasse parar de rir, não conseguia. Ela revirou os olhos mais uma vez e se levantou no mesmo instante que o sinal tocou. Levantei-me com ela, e começamos a nos direcionar pra sala de aula.
– Nossa sala fixa esse ano é a sete, e não a doze ok? – ela falou – e a coordenadora passou o horário ontem...
– Ok – respondi, tentando me desviar de alguns alunos imbecis que me empurravam.
Paramos em frente à sala sete e a encontramos a sala ainda vazia. Por sorte, conseguiríamos escolher o melhor lugar, e acabamos optando pela fila da janela bem no fundo.
A Pri se sentou na minha frente, e com o tempo os restos das pessoas foram chegando. Os mesmos retardados e metidas do ano passado e infelizmente nenhum novato ou novata.
– Qual a primeira aula Pri? – Perguntei.
– Inglês – ela respondeu – Ontem nós tivemos aula com um professor novo. Ele é de História e é super lindo.
Dei um sorriso.
– Mal o Gui viajou e você já esta reparando em outras pessoas? Ainda por cima em um professor?
– Posso ter um namorado, mas não sou cega – ela respondeu, e deu um sorriso também.
Vi a professora entrar na sala, mas resolvi ignorar o que ela falava lá na frente.
– Já esqueceram a nossa pegadinha com a nojenta da Rayane? – perguntei – não vi ninguém comentando mais nada e nem rindo da cara de estrupício dela...
– infelizmente esqueceram – ela respondeu.
A professora mandou nós ficarmos em silencio e se virou em direção ao quadro. Revirei os olhos e comecei a tirar meu material da mochila.
– Chata – murmurei e fiquei de cabeça baixa. Afundei minha cabeça na mesa, tipo aqueles meninos folgados que adoram dormir na aula de matemática, e ignorei tudo que a professora estava passando no quadro.
Em menos de cinco minutos, eu esqueci completamente que estava na sala de aula. Por isso, quando meu celular vibrou quase dei um pulo de susto. Peguei-o do bolso e continuei de cabeça baixa.
“Ai-que-tudo! Ai que cabelo, ai que corpo, ai que rosto, ai que músculo, ai que gato!”
Assim que li a mensagem da Pri fiquei sem entender nada. Mas foi só erguer a cabeça pra saber o que era. Era ele.
– Desculpa – ele falou ainda na porta – tive que resolver uns papéis na secretaria ainda... Por isso me atrasei.
A professora olhou pra ele e pareceu pensativa. Mas por fim, disse:
– Of course! but that's the last time!
Ele ficou desnorteado, parado na porta. Tipo, aquela professora só fala inglês com a gente, e com certeza ele não entendeu nada, coitado. E ele ficou assim, parado entre o vão da porta e revezando o olhar entre a sala e a professora. Confesso, foi cômico. Comecei a rir baixinho, e ele pareceu notar minha presença ali, bem no fundo da sala. Olhei pra ele e assenti de leve com a cabeça, indicando pra ele entrar. Ele suspirou aliviado, e finalmente entrou, fechando a porta atrás de si.
– Esse menino super gato não veio ontem – a Pri falou, enquanto inclinava o corpo pra trás, mas não tirava o olho do garoto.
Fiquei o encarando, enquanto ele procurava algum lugar vago. E onde tinha esse lugar? Rayane mandou uma de suas amigas sair da sua frente só pro garoto sentar perto dela. Nojenta safada.
– Esse menino super gato – sussurrei pra Pri, assim que sai do transe – é o garoto que me viu agarrada com o Math, me carregou até em casa no colo e ainda por cima trocou minha roupa.
Ela abriu um pouco a boca, como se não acreditasse nisso.
– Você não me disse que ele era super gato – ela respondeu e em seguida olhou pro garoto.
– Isso não importa. A safada da Rayane nojenta mandou uma das amigas imbecis dela dar lugar pro garoto sentar perto dela. – respondi.
Pri olhou com escárnio e nojo em direção a Rayane.
– No termino da minha contagem regressiva, ela vai se virar e falar com ele – ela falou – cinco, quatro, três, dois, um e... – Nesse mesmo instante, Rayane virou com um sorriso enorme pra trás e começou a conversar animadamente com ele.
– idiota- murmurei, e em seguida virei o rosto, tentando ao máximo ignorar a cena de sedução-paquera ao meu lado.
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