Em Cada Ponta Do Infinito
1 Prólogo.
Notas iniciais
Cara, eu simplesmente não suportei ver aquela cena na minha frente. Eu acho que, eles sentiram minha presença ali, pois, em menos de um minuto, eles abriram os olhos e fitaram os meus bem diante deles. Meus olhos que, antes, saltavam de alegria e dançavam a cada musica que tocava se encheram de lágrimas, que caíram intensamente pelo meu rosto. O que eu fiz? Saí correndo feito uma boba. Atropelei todos que estavam na minha frente e corri em direção à rua deserta. Ouvi alguém gritar atrás de mim, mas simplesmente ignorei e continuei correndo. Quando eu estava na metade da rua, parei ofegante pra descansar um pouco. E foi exatamente nesse momento que vi ele parar no meu lado, também ofegante e cansado.
– Eu não quero te ver nunca mais na minha vida. – falei, assim que recuperei o folego.
– Tayse... Desculpa, por favor. – ele falou, e fitou os meus olhos.
– Desculpa Marcelo? Esse era pra ser um dia de alegria... – falei, e senti meus olhos, que já havia secado se encherem de lágrimas novamente.
– Tayse, eu errei – ele falou – Eu sei... Mas a gente pode consertar isso. Deixa-me resolver isso, por favor...
Ele tentou pegar na minha mão, mas não deixei, e quando tentou olhar nos meus olhos, virei o rosto.
– Tayse... Por favor... – ele continuou – Pelo menos tente me escutar!
– Escutar Marcelo? Eu vi, não tem mais volta – eu disse – Vê se me esquece, OK?
Me virei e comecei a andar novamente. Ás lagrimas que eu tanto segurava, foram caindo a cada passo que eu dava. Mas ele não desistiu, e voltou a andar na minha direção novamente.
– Tayse... Por favor! – ele pegou no meu ombro, e fez me olhar pra ele novamente.
– No meu aniversário Marcelo? – falei, em meio aos soluços – Ou melhor, no nosso aniversário?
Ele abaixou a cabeça e fitou o chão. Tudo o que consegui ver foi seus cabelos bem negros e seus olhos tristes.
– Eu sei que oque eu fiz foi errado... – Ele ergueu novamente a cabeça, e vi seu rosto repleto de lágrimas. Era a primeira vez que eu o via chorando. – Mas e se a gente esquecer o que aconteceu?
– Não tem como esquecer Marcelo – falei – eu realmente queria, mas não dá.
Ele pegou no meu rosto com as mãos, e limpou minhas lágrimas, como sempre fazia. E dessa vez não me afastei.
– Você sabe que eu amo você – Ele sussurrou.
Em seguida, ele se aproximou de mim novamente, a ponto de me dar um beijo. Mas eu não fiz nada. Fiquei parada. Imóvel. Senti a boca dele encostar na minha e fiquei quieta, sem fazer um movimento se quer.
Quando ele se afastou, percebi que ficou a espera de uma reação. Então com a mão, limpei a boca e as lágrimas que ainda caiam.
– Tenho nojo da sua boca agora Marcelo. Muito nojo. – Falei, tentando finalmente reerguer a cabeça, mesmo sabendo que logo as lágrimas cairiam de novo.
Ás lágrimas dele continuaram a cair, e ele nem se esforçou pra limpa-las. Pensei que aquele era o fim, e voltei a andar. Mas ele me segurou de novo, e me puxou pra perto.
– Você não pode fazer isso comigo – ele sussurrou – Por favor... – o vi fixar os olhos dele bem nos meus – Eu me arrependi, não é o suficiente?
– Você se arrepender não vai mudar o que aconteceu Marcelo, muito menos me fazer esquecer. – as lagrimas voltaram a cair, e mesmo com a garganta seca, voltei a falar. – Eu quero esquecer que você existe. Não quero mas pronunciar e nem ouvir seu nome. Quero esquecer que já te abracei, quero esquecer que já te beijei, quero esquecer que eu já disse um “Eu te amo” pra alguem, quero esquecer as corridas de bicicleta, quero esquecer a única aula de violão que tivemos, quero esquecer nossa guerrinha de sorvete e a nossa expulsão da minha sorveteria preferida – dei uma pausa, mas voltei a falar novamente – Quero esquecer e jogar no lixo, todas as fotos, presentes, e tudo que tenha vindo de você. – falei, mesmo sabendo que tudo que eu estava dizendo seria impossível – Quero esquecer onde você mora, seu numero de telefone e até seu sobrenome. Tudo. Quero esquecer tudo que tenha relação com você. Tudo.
Ele começou a limpar as lágrimas, mas elas continuaram a cair violentamente.
– Tayse, tem certeza que você quer isso?
Fiquei sem responder e ele se aproximou de mim e me deu outro beijo. Afastei-me e limpei a boca, ao mesmo tempo em que fazia uma careta sinalizando quanto nojo eu sentia.
– Acabou Marcelo. É o fim. Não tem mais volta. E agora, eu tenho mais certeza disso ainda.
Ele levou a mão à cabeça, e se ajoelhou no chão, como se não aguentasse ficar de pé. Dei as costas e voltei a andar. Consegui ouvir o choro dele diminuindo a cada passo que eu dava, e senti que o mundo estava caindo ao meu redor.
– Eu te amo Tayse – Ele gritou – E nada, nem ninguém, vai mudar isso.
Ignorei e continuei a andar.
– A vida não é um conto de fadas – Murmurei pra mim mesma – e não existem finais felizes.
Continuei a andar, e, depois desse dia, nunca mais minha vida foi à mesma.
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