Em Cada Ponta Do Infinito
18 Fazendo alguém feliz.
Notas iniciais
Hoje, fui à escola e o Lucas continuava a falar com a Rayane. Ou melhor, a nojenta. Resolvi ignora-los ao máximo, e quando Lucas veio combinar comigo em que horas deveria passar na minha casa, fui bem direta.
– Passa lá as três... Duca, Pri e Gui vão me ajudar a carregar tudo – Respondi, sem nem ao menos olhar na cara dele. Depois disso, ele não disse mais nada, mas pareceu estranhar minha frieza.
No final da terceira aula, não evitei e olhei pra eles novamente.
– Tayse – A Pri falou, enquanto se inclinava pra frente – Se gosta, corre atrás.
Não respondi e fixei meu olhar na camisa do Duca, que estava na minha frente. Ouvi a Nojenta dar uma risada alta, o professor se incomodou, mas não disse nada. Tentei mudar minha expressão e cutuquei o Duca.
– Ei Duca – Falei num sussurro – O que acha de chamarmos Elisa pra sentar com a gente no intervalo?
Os olhos dele brilharam e ele deu um sorriso. Não evitei e sorri também.
– Também podemos chama-la pra ir à casa das crianças – Completei – Não acho que se incomodaria.
Ele deu um sorriso mais luminoso ainda, e pude ver que seus olhos brilhavam e dançavam.
– — -
Às duas horas da tarde, Pri e Elisa chegaram em casa. Elas prometeram me ajudar com algumas caixas
– Mas Tayse – Pri disse – Essa blusa custou quase cem reais!
Olhei pra ela e revirei os olhos. Elisa também revirou, mas com um sorriso.
– É linda mesmo – Disse – Mas tenho certeza, que as crianças irão amar.
– Pode ser vai – Pri disse quase como um choramingo.
– Pri – Falei – Tem certeza que vai de salto?
Ela pareceu se tocar e olhou minha roupa e pra roupa de Elisa. Eu estava com uma regatinha e um short simples, e a Elisa de calça jeans. Por um momento, pensei que ela iria entrar em desespero por estar usando uma roupa diferente da nossa, mas ela simplesmente balançou os ombros e disse que seria fonte de inspiração. Eu e Elisa rimos, mas continuamos a dobrar roupas e roupas pra colocar na caixa.
– — -
Desci as escadas correndo e pedi pro Duca e pro Gui esperarem no sofá. Subi as escadas novamente e desci com três caixas.
– Gui carrega duas, já que é mais forte – Falei, ele fez uma careta, mas concordou.
– Ei – Duca disse indignado – Tá querendo me humilhar?
Olhei pra escada e vi Elisa rindo.
– Quer saber? – Ele disse, fazendo pose de durão – Vou carregar três.
Eu e Elisa rimos mais uma vez.
– Tem mais três caixas lá em cima. São suas então – Respondi, e ele começou a subir as escadas.
Lucas chegou uns cinco minutos atrasado, mas nem me importei. Acabou que Duca carregou três caixas, e Gui duas. Lucas carregou duas com alimentos e as meninas e eu carregamos sacolas. Duca foi praticamente morrendo o caminho todo, mas não quis se rebaixar perto de Elisa. Apesar de cansados, nós riamos feitos loucos na rua.
– Que idiota – Pri falou, rindo de alguma piada do Gui – Mentira gente, eu nunca fiz isso.
– Fez sim – Gui retrucou.
– Ah é seu idiota? Você é meu namorado e quer me fazer passar vergonha? Tá do lado de quem afinal? – Respondeu. Apesar de a piada ser feita contra ela, ela ria como uma louca.
Não pude evitar de reparar como a risada de Lucas era perfeita. Engraçada, pra ser mais sincera. Era tipo uma gargalhada rouca, do tipo que faria você rir da risada da pessoa, e não da piada.
Ele se encolhia um pouco enquanto ria e seus olhos brilhavam. Incrível.
– Tayse! – Pri gritou, como se me chamasse há horas.
– Ai, calma! – Reclamei – Que foi?
– Chegamos né! – Respondeu, e começou a caminhar com o resto do grupo. Apressei meu passo, e dei graças a Deus por ninguém ter reparado nada. Se alguém tivesse me visto encarando o Lucas, eu morreria.
Lucas foi o primeiro a entrar, e como na primeira vez, não havia ninguém na sala. Ele chamou e todos vieram correndo, inclusive a moça que cuida deles, em que eu esqueci o nome.
– Pessoal – Lucas falou, animado – Tayse trouxe coisas pra vocês!
Eles olharam pra mim animados e quem mais sorriu foi a adolescente. Pude ver que a Pri, o Gui, o Duca e a Elisa também sorriam. Acho que nunca devem ter feito algo do tipo, e isso os impressionou.
– Gente – Falei, perdendo a timidez de uma vez por todas – Esses são meus amigos: Duca, Elisa, Pri e Gui – Apontei pra cada um deles.
As crianças sorriram tímidas, como quando me conheceram. Lucas foi em direção à cozinha com a caixa de alimentos e a “mãe” das crianças foi com eles. Abri uma das caixas e os sorrisos das crianças se iluminaram.
– Cara – a adolescente falou, admirada – Essa bota é show!
Dei um sorriso, e no final da quinta caixa, vi todos felizes. Inclusive Duca, Gui, Pri e Elisa haviam perdido a timidez, e conversavam animadamente com algumas crianças. O único meio desanimado foi o garoto. Fiquei meio mal, mas prometi que traria coisas pra ele.
– Não posso ficar muito – Falei, me levantando – Eu vou, mas prometo que volto.
Despedi-me de cada um deles com um abraço e até mesmo a mãe me agradeceu. Meus olhos se encheram de lágrimas no final, mas de felicidade. Eu nunca na minha vida imaginei que poderia fazer alguém feliz além de mim mesma. Percebi que todos gostaram de ajudar, e Lucas era o mais animado de todos.
– — -
Saímos da casa animadíssimos. Todos ficavam falando e falando das crianças e como a adolescente (acho que foi a preferida) era linda e animada. Animada, por que mesmo na situação que vive, não deixou de sorrir em nenhum minuto.
– Será que ela daria uma boa modelo? – Pri perguntou pra todos – Tipo, ela é alta e magrinha. Se fizer um corte bem moderno e...
– E se a chamarmos pra dar uma volta qual quer dia? – Perguntei, interrompendo-a – Ou todos mesmo, quem sabe um sorvete?
Olhei pra cada um deles e percebi que Lucas estava distante, porém seus olhos brilhavam. Todos, sem exceção, concordaram e ficamos de combinar um dia. Primeiro passamos pela casa da Pri, que de todos, é a que mora mas longe, e ela entrou. Depois passamos pela casa do Gui, do Duca e por ultimo da Elisa. E quem sobrou?
Lucas e eu... ♥
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