Em Cada Ponta Do Infinito
17 Cap Com o Lucas
Notas iniciais
P.O.V Lucas
Joguei-me na cama e mais uma vez pensei nela. Passei a tarde inteira com Rayane, mas Tayse não saia da minha cabeça. Aliás, ela não sai da minha cabeça desde que a conheci. Tipo, ela tem um jeito único de ser...
No primeiro dia de aula, eu não fui, mas fiquei sabendo que haveria uma festa. Nunca gostei desse tipo de coisa, mas eu realmente estava ansioso pra saber como seriam as pessoas da escola. Eu havia acabado de me mudar e ainda não tinha feito amigos. Essa era minha chance.
Quando cheguei ao endereço da tal festa, percebi que não deveria ter ido. Vi pessoas bêbadas no jardim a alguns casais se agarrando, inclusive a Pri e o Gui. Resolvi nem entrar na casa, então fui para os fundos, onde não havia ninguém. Dei sorte, e comecei a ouvir algumas musicas no celular. Minutos depois ela apareceu. Estava sorridente e de primeiro momento nem percebi que ela estava bêbada. O lugar estava meio escuro, por isso ninguém me viu. Eu realmente pensei em sair dali, mas algo me disse pra ficar.
Ela se sentou no colo dele, e falou alguma coisa bem enrolada. Foi ai que percebi o quanto ela estava bêbada. Observei bem, e reparei no quanto ela era linda. Linda demais. Um sorriso enorme iluminava seu rosto, e ela corria em brincadeira enquanto tentava fugir do Math. Um sorriso contagiante. Ela corria e gritava de braços abertos o quanto odiava todo mundo. E foi a partir desse sorriso, que eu não consegui parar de pensar nela.
– Meu filho – Ouvi minha mãe gritar, do outro lado da porta – Tem gente na sala.
– Quem? – Perguntei.
– Rayane – Ela respondeu. Abri a porta e sussurrei bem baixo pra minha mãe:
– Diga que eu estou dormindo e com dor de cabeça. Por favor.
– Mas meu filho... A mocinha quer falar com você...
– Não mãe... Por favor, fala que eu tô dormindo – Implorei. Não quero falar com Rayane. Apesar de ela ter implorado milhões e milhões de desculpas hoje, algo me dia que não posso confiar nela – Diga que eu estou com dor de cabeça.
Vi que minha mãe quase retrucou, mas pensou melhor e desceu as escadas. Fechei a porta novamente e me joguei na cama.
Lembro que no dia em que ela saiu da festa, comecei a segui-la. Ela estava bêbada, e poucos metros depois desmaiou. A rua estava deserta, por isso minha única solução foi abrir a pequena bolsa que ela carregava. Vi seu documento e amei seu nome. Em seguida, encontrei um papel com um endereço. Hesitei, mas peguei-a no colo e carreguei até o endereço do papel. Carreguei sem esforço nenhum, pois ela era leve como uma pena. Cheguei abri o portão com uma chave que estava dentro da bolsa. Bati na porta, e como ninguém atendeu, entrei. Subi as escadas e entrei na primeira porta, onde a coloquei na cama.
– Meu filho – Minha mãe chamou novamente – A garota insiste.
Revirei os olhos e me levantei.
– Manda ela esperar – Falei, e vesti uma camiseta. Desci as escadas sem animo nenhum, e isso só fez ela se sentir mal. Eu sei, devo ter parecido um imbecil, e eu realmente não deveria ter feito isso com Rayane, ela é boa pessoa e me arranjou amigos, mas... Ela é colenta demais. Desde que cheguei, onde eu vou ela vai atrás, e isso tem me irritado.
– Lucas, eu precisava mesmo falar com você – Ray falou, assim que me viu – Será que tem como você ir até a pracinha comigo?
Assenti com a cabeça e sai porta a fora.
– Que foi? – Perguntei, enquanto caminhávamos em direção a pracinha.
– Olha, uns dias atrás você me perguntou por que eu e a Tayse não somo amigas né? – Ela falou.
– Olha, Ray, eu realmente não quero saber mais. É sério. Tá tudo bem – Falei.
– Não, Lucas, mas eu preciso te contar – Respondeu – Não quero que você fique pensando que eu sou má pessoa. Sendo que a errada nessa história toda foi ela. Sempre foi.
– Não Rayane – Falei – Eu não quero saber mesmo – Você e ela são pessoas legais, e isso que importa. Eu não tenho nada a ver com isso. Por favor, não insiste em me contar – ela fez uma carinha de menina inocente – Era só isso mesmo? – Perguntei – Eu realmente tô com dor de cabeça.
Ela assentiu com a cabeça, e antes mesmo de chegar à pracinha, voltamos a caminhar em direção a minha casa.
– Desculpa ter feito você sair de casa assim – ela disse – Eu realmente pensei que você queria saber. E eu estava com saudade.
Meu Deus era o que faltava. Se Ray estiver gostando de mim, eu realmente não vou saber o que fazer. Como? Se a única que não sai da minha cabeça é a Tayse?
Sorri sem jeito pra ela e resolvi responder nada. Tenho medo de falar algo, e magoar ela. Cheguei em frente a minha casa e me despedi. Entrei pela porta e minha mãe apareceu da cozinha.
– Mas já meu filho? – Perguntou.
Sentei-me no sofá e não respondi nada. Ela pareceu entender, mas mesmo assim não desistiu.
– Ela parece ser boa moça – Falou – Não gosta dela?
– Não mãe – Falei meio irritado. Não gosto quando ela vem com esses assuntos – Se quer saber, gosto de outra.
– E a outra não gosta de você – Completou. Olhei pra ela surpreso, e quando viu minha reação, deu um sorriso – Aconteceu a mesma coisa comigo e com seu pai. Mas prefiro não falar disso.
– Aliás, quando ele chega de viajem? – Perguntei, tentando mudar de assunto.
– Amanhã – Falou, e seus olhos brilharam de felicidade. Dei um sorriso e fiquei feliz por ela. Acho que por meu pai passar tanto tempo viajando, só aumenta a saudade que ela tem por ele. E em consequência, o amor.
– Vou esperar ele. Ele não vai chegar à tarde né? – perguntei.
– Por quê? Vai sair?
– Vou à casa das crianças, consegui umas doações e estou ansioso pra ver a cara delas.
– Que bom meu filho – Ela falou com um suspiro, enquanto se levantava do sofá – que bom.
Dei um sorriso e aproveitei um momento pra voltar ao meu quarto. Tentei dormir, mas meus pensamentos voavam em um par de olhos lindos.
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