Em Cada Ponta Do Infinito

37 A briga mais esperada.


Notas iniciais
Eita minha gente! Fic em reta "quase" final... Mas vamos prosseguindo, por que a briga mais esperada está aqui

Assim que cheguei na esquina da casa de Rayane, vi seus pais saírem de carro.

Esses safados deviam só estar esperando o papai e a mamãe saírem pra curtir a noite.

Andei com passos pesados até a casa de Rayane e quase esmurrei a porta. Bati uma... duas... três... quatro... cinco... e nada.

Virei-me de costas e olhei na rua pra ver se conseguia enxerga-la. Sentei no chão e praticamente chorei só de imaginar o que eles poderiam estar fazendo agora.

Ouvi o barulho da porta atrás de mim se abrindo e dei um pulo. Lucas me encarava sem expressão e eu o olhei com raiva.

– Dá licença – Falei e o ultrapassei com certa ignorância.

Subi as escadas daquela casa que eu conhecia muito bem e fui em direção ao seu quarto. A vi deitada e meu coração disparou. A raiva tomou conta de mim e andei em sua direção.

Peguei a chave da porta e antes que Lucas pudesse entrar, tranquei-a.

Ouvi Lucas bater do outro lado da porta.

– Tayse! O que você pensa que tá fazendo? – Ele gritou, enquanto dava batidas pesadas na porta – Abre isso agora!

– Agora a questão não é com você Lucas – Gritei – É com essa vadiazinha aqui.

Rayane me olhava sem expressão deitada na cama. Andei em sua direção e fiquei parada na sua frente.

– Tá na hora da gente ter uma conversinha aqui vadiazinha – Falei, e a tirei da cama pelos cabelos.

– AHHHH – Ela soltou um gritinho agudo. Caminhei pelo quarto enquanto a puxava pelos cabelos.

– Tá na hora, de você pagar por tudo que você me fez – Gritei. Lucas bateu mais uma vez na porta e gritou alguma coisa que foi incompreensível por causa da minha raiva. Dei um tapa nas costas de Rayane e o som do estralo da minha mão contra suas costas ecoaram pelo quarto – Esse tapa aqui, é por ser essa amiga falsa que você sempre foi.

– Me solta Tayse – Ela gritou, sem poder fazer nada – Lucas faz alguma coisa!

– Não dá – Ele gritou, do outro lado – Eu não posso simplesmente arrombar a porta da sua casa.

– Lucas! – Ela gritou mais uma vez e eu balancei seu cabelo de um lado pro outro.

– Cala a boca – Gritei – Cala agora! – Empurrei sua cabeça pra baixo, quase tocando no chão – E isso, é por ser tão mimadinha.

Soltei seu cabelo e a empurrei pra trás, fazendo-a cair deitada na cama. A encarei com fúria e escarnio e subi em cima dela.

– Isso, é por gostar de humilhar os outros – Dei um tapa na sua cara, fazendo seu rosto virar pra direita – Isso, é por inventar mentiras pro Duca – Dei mais tapas, todos na cara dela, fazendo seu rosto virar de um lado para o outro – Isso é pela pegadinha estupida que você fez com minha foto. Esse aqui, é por ser tão ridícula. Isso é por ter roubado o Marcelo de mim. Isso é por fazer, por quase um ano inteiro, a escola toda se voltar contra mim e me xingar de chifruda. Isso aqui é por falar mal da pobre da Suelen pelas costas. Isso aqui é por ser tão perua. Esse aqui é por inventar mentiras pro Lucas. Isso aqui é por me mandar caretas com deboches. E isso aqui – Falei, e ergui a mão mais pro alto, tentando que o tapa saísse com mais força – É por mais uma vez roubar de mim a pessoa que amo – Levei minha mão na cara dela e um estralo ecoou pelo quarto.

A ouvi soltar um gemido de dor e finalmente sai de cima dela. Apesar de ter batido tanto e não ter apanhado nada, ainda estava com muita raiva. Destranquei a porta e vi Lucas. Algo dentro de mim me trouxe ódio. E comecei a bater em seu peito.

– Seu desgraçado – Falei, enquanto em vão, tentava bater em seu tórax.

– Opa! – Ele falou, e me segurou pelos braços, impedindo-me de bater.

Comecei a chorar por algum motivo e inexplicável e me soltei de suas mãos. Desci as escadas correndo e quando fui embora, bati a porta com toda a minha força.

– — -

Assim que sai da casa de Rayane, fui direto pra casa. Já estava escuro e a Pri me esperava.

– Onde você se meteu? – Perguntou, e eu simplesmente entrei em casa sem dizer nada. O choro já havia cessado, mas a raiva ainda permanecia. Meu pai ainda não havia chegado e não havia sinais de Lívia em canto nem um. Laura já havia ido embora e a casa estava em total silencio.

Subi pro meu quarto e me joguei na cama, junto com um longo suspiro. Pri veio logo atrás e se sentou. Peguei meu celular e vi 32 ligações perdidas e 12 mensagens do Marcelo. Tirei a bateria do meu celular e quebrei o chip ao meio.

– Tayse! Cê tá louca? – Pri perguntou.

– Você não vai acreditar no que aconteceu hoje – Falei – Primeiro, eu dei um beijo no Marcelo e percebi que gostava do Lucas. Depois, eu fui correndo até o Lucas e nós brigamos. Sabe o que ele disse?

– ...

– Disse que ia pra cama com Rayane hoje. Sabe o que eu fiz? – Perguntei – Fui até a casa da Rayane e dei um baita surra nela.

– Meu Deus – Pri arregalou os olhos e abriu a boca – Tô chocada!

– Eu dei tantos tapas naquela carinha de estupida que você não tem ideia. Dava pra ouvir os estalos de longe.

Pri deu um sorriso enorme e ficou com esse sorriso bobo por um tempo. Depois de longos segundos, ela reparou na minha cara séria.

– Mas por que essa cara então? – Perguntou.

– Por que decidi uma coisa. Não vou deixar ninguém ficar me rebaixando mais.

Acabou. Agora, a antiga Tayse voltou literalmente. E quer saber? Vou usar roupas de meninas piranhas. E vou ficar com todos os meninos que passarem do meu lado. Todos.

– Tayse, você pirou ou oque? Você bebeu? – Ela perguntou, e se aproximou um pouco, pra ver se sentia algum aroma alcoólico.

– Estou mais sóbria do que nunca – Falei – Cansei de ser boazinha ou até difícil demais. Se ele vai pra cama com UMA, eu vou com TODOS.

Peguei minha carteira e desci as escadas correndo. Pri não veio atrás, só pegou o celular e começou a ligar pra alguém.

Dei sorte por haver um ônibus passando. Entrei nele e só desci quando cheguei em frente ao shopping. Não foi difícil comprar um top curtinho e com decote. Mais fácil ainda foi encontrar um short curto.

– Foda-se – Murmurei, assim que entrei no banheiro do shopping e coloquei minha “quase roupa”.

– — -

Dez horas da noite e eu em uma balada lotada de homens bêbados. Nem sei como me deixaram entrar.

Aliás, nem sei o que estou fazendo aqui.

Ah, lembrei. Vim ficar com todos os meninos que eu ver pela frente.

– Nossa – Um homem falou, de aproximadamente vinte anos – Não sabia que faltava pano em casa – Completou, enquanto se sentava do meu lado e dava um sorriso malicioso – Que tal uma vodca agora?

– Seria perfeito – Respondi e logo vi um copo sendo colocado na minha frente – Respondendo ao seu primeiro comentário, gostaria de dizer que preferia estar sem nem uma.

Ele deu um sorriso malicioso e eu bebi um pouco da minha bebida. E depois desse copo, foram-se vários outros, enquanto eu conversava com o carinha safado. Em certo ponto, que não sei como cheguei lá, já estava beijando o moço.

Ele me beijava com uma velocidade indescritível e quase me comia com os olhos. Mas eu nem ligava, com toda a raiva que eu estava e depois de beber não-sei-quantos-copos de bebida alcoólica, já nem era eu que controlava meu corpo.

– Então... – O cara disse, depois de uma série de beijos – Que tal um lugar mais calmo agora?

– É pra já – Respondi com um sorriso.

Ele me olhou com um sorriso e me puxou pra mais perto, logo me dando um beijo. Soltamos-nos quando o ar foi necessário, mas logo começamos de novo. Quando terminamos, ambos bêbados, fomos em direção ao carro dele.

Eu só não imaginava o que aconteceria logo em seguida.