Notas iniciais
Informações: Essa fic é inspirada apenas no anime, pois gosto e sei mais que o mangá. O enredo ocorre depois de Prólogo do Céu. As amazonas não precisam mais usar suas máscaras. Para os fãs de Shun, não fique irritados com algumas partes da fic, pois eu também amo o Shunzinho e apenas tentei juntar o pensamento das pessoas reais com a do anime. Se você não entendeu, leia, você percebera o que quis dizer, ou se não, pergunte. Boa leitura! PS: Esse capítulo é como se fosse uma introdução.

Já havia algum tempo em que Atena e seus os cinco cavaleiros de bronze haviam vencido Hades, e também Ártemis e Apolo. Cada um retomou sua vida, inclusive os cavaleiros dourados e alguns prateados, que foram revividos pelo poder de Atena.

Saori continuava sua vida corrida, ela tinha a missão decuidar do funcionamento da Fundação GRAAD e do Santuário, então ela morava um tempo em sua mansão em Tóquio e um tempo no Santuário em Atenas. A maioria dos dez cavaleiros de bronze não moravam mais com ela. Os bronzeados menores ficavam, a maior parte do tempo, no Santuário. Apenas quem permaneceu morando na mansão com Saori foi Shun, Hyoga e Shiryu. Os Cavaleiros de Aço continuavam se aperfeiçoando e fazendo trabalhos para a fundação, sempre estavam em contatocom a Saori. Mas, quem era sua companhia, como desde o inicio, era Shun que além de melhor amigo, era seu confidente. O rapaz quase sempre viajava com Saori, não somente para o Santuário, mas em suas missões pelo mundo.

Naquela tarde eles estavam dentro do jatinho particular de Saori, voltando da Grécia. A deusa acabara adormecendo e Shun estava escutando música com os fones de ouvido. Num determinado momento ele abre o zíper de sua bolsa de viagem e retira um pequeno álbum de retratos de cor preto. Gostava de levar com ele as fotos das pessoas que amava, era uma forma de sempre se sentir perto delas. Ele abriu e a primeira foto que era dele com seu irmão, quando ainda pequenos. Ele pensou:

– Meu irmão sumido, faz algum tempo que não lhe vejo, desde o fim do seu romance com Pandora. Ela quis assim, mas também esta junto dealguém que vive pensando em outra pessoa não é nada fácil. Será que você estábem? Por que nunca me acostumo com sua ausência? Creio que seja pelo fato de não entender a sua opção de se isolar do mundo. Nossa vida nunca foi fácil, não é? Éramos sozinhos nesse mundo, um era a companhia do outro. Sempre agradeci aos deuses por ter você como meu irmão... És o melhor irmão do mundo.

A próxima foto é do grupo de crianças do orfanato que conviveram com ele, juntos de Mitsumasae Saori.

– Éramos todos órfãos e fomos escolhidos para sermos futuros cavaleiros. Naquela época não tínhamos noção doque isso significava. Nos momentos de lazer, éramos como crianças comuns e até chegamos a nos divertir. Muitas daquelas crianças eu nunca mais vi, nem sei se estão vivas, provavelmente não. Diferente de mim, dos meus amigos e meu irmão, não sobreviveram ao intenso e duro treinamento para se tornar cavaleiros. Isso é lamentável! – Um suspiro. – Por que a vida tinha que ser assim? Só posso entender que é o destino de cada um. E esse destino não foi fácil para ninguém e para alguns foi mais que para outros.

Lembrou também, que desde essa época, já riam dele por ser muito chorão e depender de Ikki para tudo.

– As pessoas podem ser cruéis independentes da idade.

Outro pensamento veio em sua mente foi o fatídico dia que ocorreu osorteio para saber aonde cada criança treinaria e ele, justamente ele, o mais chorão e fraquinho de todos, tirou a Ilha da Rainha da Morte. A explicação de Tatsume sobre como era o local parecia uma fábula de terror afim de por medo em todos.

– Meu irmão, sempre querendo me proteger, desafiou o destino e foi no meu lugar. Eu não consigo ver esse ato como algo tão bom, pois ir para a Ilha da Rainha da Morte era o que o destino queria para mim. Às vezes me pergunto: como teria sido minha vida naquela ilha? Acho que não teria durado nenhuma semana ou teria aprendido a ser mais duro e menos brando. Porém, isso não tem mais importância. Afinal, não tem como presumir o que teria sido algo que não foi.

A próxima era uma em que estavam os cinco futuros Cavaleiros de Atena ainda crianças, em frente à mansão Kido. Hyoga estava sentado nos costas de Seiya fazendo-o ficar deitado no chão. Shiryu ajoelhado na frente de Seiya, rindo da expressão desesperada do menino. Ikki do outro lado e Shun se escondendo atrás dele. (1)

– Como eu amo essa foto! É uma boa amostra que tínhamos momentos bons na nossa infância.

A outra foto era da divulgação de sua luta na Guerra Galáctica, quando teve que enfrentar Jabu. A mente de Shun foi remetida ao passado. Ele, no centro do Coliseu olhando todo aquele público que gritava cheio de euforia e as garotas gritando o seu nome.

– Eu só conseguia pensar: “o que eu estou fazendo aqui?” – um leve sorriso desponta em seus lábios. – Me senti como uma agulha no palheiro. Se eu pudesse escolher, não estaria ali passando por aquilo.

E o grito das garotas? Para muitas pessoas vaidosas, como Jabu, era uma forma de elevar o ego, mas para ele era o contrário, estava deixando-o pior, totalmente desnorteado.

– Eu não estava ali por vaidade, como Jabu, estava por obrigação, aquilo não era uma diversão, era um dever. Não queria saber daquela Armadura de Ouro de Sagitário. A única coisa que me motivou a passar anos em duros treinos, na Ilha de Andrômeda, era me manter vivo e cumprir com a promessa feita a meu irmão, de nos reencontrarmos e era apenas o que eu queria naquele momento, reencontra-lo. Ah, meu irmão! Naquele mesmo dia tive que enfrenta-lo e ouvi-lo dizer, cheio de ódio: “Você será o primeiro a morrer!” – Respirou fundo – sempre que me lembro disso sinto-me angustiado. Pensar que a única pessoa da minha família que existia no mundo queria acabar comigo. Não só aquela vez, mas em vários momentos, até retomar a memória. E foi para isso, para resgatar a memória de Ikki e não deixar que ninguém o matasse, que eu me engajei na procura das partes da armadura de ouro roubada por ele e seus Cavaleiros Negros. Depois que você morreu no confronto com Dócrates, eu queria vingar sua morte e foi assim que começou, efetivamente, minha vida como cavaleiro. Porém, depois que descobrir que Saori era, na verdade, a deusa Atena, tudo tomou outro rumo. Entendi que era mais que interesses pessoais, eu precisava pensar no bem deste mundo.

A outra foto era dele e de todos os aspirantes a Armadura de Andrômeda junto de seu mestre Albiore de Cefeu. Shun lembrou-se de cada um naquela foto.

– O meu mestre foi o primeiro, e muitas vezes o único, a acreditar em mim e me estender a mão. Deu conselhos e me ensinou tantas coisas. Ofereceu-me um treinamento diferenciado, sempre me disse que eu tinha um coração nobre, e muitas vezes essa nobreza foi o meu ponto fraco. O meu mestre foi como um pai. Dos outros rapazes, não têm do que reclamar, eram bons colegas. Porém de Leda e Spica não posso falar a mesma coisa, principalmente Leda. Sempre fui escarnecido por ele, nunca gostou de mim e eu nunca soube por quê. Afinal, nunca fiz nada contra ele, ao contrário, sempre tentei ser cordial como fiz com cada um naquela ilha. Sempre acreditei ser bom e ter amigos para aliviar as dificuldades de estar ali passando por duros treinos. Mas Leda e Spica sempre me maltrataram e riam de mim, desconfiavam da minha masculinidade, e isso machucava muito. Quando será que as pessoas vão entender que ser um homem sensível e contra a força bruta não define sua sexualidade? – Respirou fundo. – E você, minha grande amiga June. Você era a pessoa que mais aliviava os meus sofrimentos e ajudava o tempo passar mais rápido. Como era bom estar ao seu lado! Vivíamos juntos, quase sempre. Andávamos pela praia, brincávamos com as ondas do mar; víamos o pôr do sol ou admirávamos o céu nas noites estreladas; jogávamos conversa fora; nos aventurávamos na cozinha, e era muito engraçado. Acho que por isso, até hoje, cozinhar é meu hobby. Eu amava pentear seus cabelos macios e cheirosos. Dividíamos sonhos, ríamos e chorávamos. Você cuidava de mim como uma irmã e sempre me aconselhou a desistir de ser um cavaleiro, tudo por pura preocupação. Lembro que você me dizia: “Você não está pronto. É impossível para um homem como você se tornar cavaleiro.” Você estava certa! Mas eu precisava tentar até as últimas consequências. Afinal, às vezes, um homem precisa lutar com a sorte e foi o que fiz – deu uma pausa. – Eu tinha vontade de ver seu rosto... Não me esqueço da última tarde que passamos juntos na praia, antes de ir embora da ilha. Naquele dia, de olhos fechados, você me deixou sentir sua face com as pontas de meus dedos.(2)Que vontade de abrir os olhos, mas respeitei sua vontade. Ainda bem que não demorou muito para eu conseguir ver seu lindo rosto, pois algum tempo depois eu consegui vê-lo no Japão, quando você foi tentar me impedir de ir ao Santuário. Naquele momento não tive tempo de elogiar sua beleza. Mas você é linda demais! E eu amo você! O que eu faço com esse sentimento? Eu não sei. Já escutei várias vezes que o amor nos enfraquece. Não sei se é verdade, mas no meu caso sim, pois me sinto totalmente sem direção e fraco por não ter a coragem de assumir o meu amor.

A próxima foto era a dos cinco cavaleiros de bronze: ele, Seiya, Shiryu, Hyoga e Ikki. Trajando suas armaduras.

– Já enfrentamos muita coisa, não? A vida de um protetor de Atena não é fácil. Enfrentamos muitas batalhas de vida e morte – olhou para o lado e viu Saori ainda adormecida. – Apesar de tudo, eu me sinto feliz, valeu apena cada gota de sangue derramado, não só por toda amizade que sinto por ela e pelos rapazes, mas também por esse mundo, tão cheio de defeitos, mas é o mundo que vivo, amo e quero conservar. Penso que tudo que passamos serviu para nos amadurecer. Éramos apenas adolescentes e tivemos que enfrentar combates com os Cavaleiros Negros e depois comos Cavaleiros de Prata. Também tivemos que enfrentar os Cavaleiros Fantasmas de Éris, onde quase fui morto por Orpheu de Harpa. Logo mais à frente, foi à vez de enfrentar Ur, um Guerreiro de Asgard, que na época era governada por Durval. A espada de Ur cortava tudo facilmente e me deixou em apuros. Mas o maior desafio, até aquele momento, foi à batalha das Doze Casas do Zodíaco. Foram grandes aprendizagens. Eu, por exemplo, tive que despertar meu sétimo sentido e usar minha técnica Tempestade Nebulosa contra Afrodite de Peixes. Mostrei para muita gente naquele dia que eu era capaz de vencer um inimigo poderoso sem a ajuda de ninguém e, principalmente, sem chorar – novamente uma pausa – Mas, enfrentar Mime de Benetnasch, em Asgard, foi bem complicado, não só por sua forma de lutar. O fato é que Mime foi um dos adversários mais enigmáticos que enfrentei, até minhas correntes não o viam como inimigo, o cosmo dele não era agressivo e ele parecia ler minha mente. Quase me convenceu em desistir de lutar. Ele me achava inocente demais para ser um cavaleiro. É, naquele tempo eu era... Quase morri pelo seu Réquiem de Cordas. A história de Mime deixou Ikki e eu bastante comovidos. Agora a luta com Shido de Mizar foi muito boa! Ele tinha uma autoconfiança extrema, pensou que eu não tinha outra forma de ataque além das minhas correntes e tentou congela-las, se enganou, eu o venci com minha Tempestade Nebulosa. Na verdade, eu não queria ter usado meu golpe. Porém, foi necessário pela promessa feita aos meus amigos. Agora, com Bado de Alcor, a sombra de Shido, a situação foi bem complicada, nem eu, nem a Shina conseguimos atingi-lo, só o Ikki mesmo para vencê-lo. E eu fique bem emocionado com a história triste desses dois irmãos. Porém, foi na luta com Iode Scylla, Guerreiro Marina de Poseidon, tive a oportunidade de usar as várias possibilidades de defesa da minha corrente, mas antes, fui atingido muitas vezes pelos seus golpes e por suas seis bestas. O grande erro de Scylla foi não ter me atacado com toda sua força, por isso o venci. Infelizmente, ele resolveu se sacrificar para proteger o Pilar do Pacífico Sul. Mas não foi minha intenção tê-lo tirado a vida. Kasa de Lymnades foi um dos adversários mais asquerosos que lutei, brincava com os sentimentos de seus adversários para conseguir matá-los. Ele conseguiu me tirar do sério. Porém, fui muito fraco contra ele, eu sabia que não era meu irmão, eu sabia que era uma técnica de metamorfose. Mesmo assim, quase fui morto, para variar. Então fui ajudado por Ikki. Sorento de Sirene, esse sim foi um oponente poderoso, mas assim como eu, tinha um coração puro, acreditava na reconstrução de um mundo novo e purificado. No início de nosso confronto, não queria lutar comigo, pois julgava que eu estava fraco para enfrenta-lo. Realmente, naquele momento, meu corpo já estava bastante ferido e eu estava muito cansado, mas nunca desistiria e acabei vencendo Sorento com a minha Tempestade Nebulosa. Mas, enfrentar deuses como Abel, Ártemis, Apolo e Hades e nossa sina. Até Lúcifer enfrentamos...

Os olhos do cavaleiro deslizaram para a próxima fotografia. Mais uma foto dos cinco, com vestimentas civis junto de Saori. O rapaz deu um belo sorriso.

– Por agora, podemos respirar mais aliviados, as lutas parecem ter dado uma trégua. Mas até quando? Não sei. Só sei que estávamos sempre juntos para enfrentar qualquer situação. Como se fossemos uma família. Agora, cada um está seguindo com sua vida pessoal, isso inclui também a sentimental. Hyoga já ficou um período com a Fleer, depois da segunda batalha em Asgard, mas ele sempre gostou mesmo foi da Eiri. Nada contra a Fleer, mas a Eiri combina mais com meu amigo. E agora estão noivos. Seiya antes da batalha das Dose Casas estava com a Mino, depois desmanchou com ela, ficou um bom tempo sozinho. Então admirou a todos ao assumir um romance com Shina, agora estão morando juntos no apartamento dele em frente à praia. Essa decisão deixou Saori arrasada. Mas ela só confessou isso a mim. Cada um com suas escolhas. O que deixou todos felizes por ele foi o reencontro com Seika. Realmente, foi emocionante! Eu, para variar, tive que chorar – sorriu. – O Shiryu também ficou por um tempo com a Hilda, e depois da batalha contra Hades, resolveu namorar a Shunrei, mas acabou desmanchando com ela. “Na verdade, o que sinto por ela é amor de irmão.” – lembrou-se das palavras do amigo. – A surpresa mesmo foi quando ele conheceu uma brasileira e resolveu namorar com ela, tenho que dizer que a Rubi é uma pessoa muito querida, conquistou todos. O Ikki estava bem com a Pandora, queria mesmo que os dois permanecessem juntos, ela estava fazendo bem ao meu irmão. Só que o “fantasma” da Esmeralda nunca deixou Ikki livre de verdade e chegou uma hora que Pandora não aguentou mais, ela voltou para seu país. – Olhou mais uma vez para o lado. – A Saori, embora tenha muitos fãs, continua sozinha e não tem o quem faça isso mudar, a não ser que Seiya resolva admitir seu amor por ela. E agora eu, quem sou eu para falar de resolver admitir alguma coisa?

Nesse momento, interrompendo os pensamentos de Shun, o piloto do jato anunciou que pousaria em estantes. O rapaz tirou o fones de ouvido, guardou a álbum e acordou Saori, para que ela pudesse colocar o sinto de segurança.

– Ah... Obrigada, Shun. Eu dormi a viagem inteira?

– Praticamente.

O jatinho pousou e já havia um carro a espera deles. Logo estavam na mansão e cada um foi para seu quarto. Mas antes, Saori agradeceu a Shun:

– Obrigada, meu amigo. Por me acompanhar mais uma vez em minhas viagens.

– Você sabe que é um prazer.

Shun entrou em seu quarto, era uma suíte de ambiente claro, apesar das cortinas estarem fechadas. Havia na parede oposta à entrada a sua cama de casal com algumas almofadas, ao lado um criado mudo com uma fotografia dele e de seu irmão, um abajur branco e um telefone fixo. Na parece, um relógio que marcava 14 horas. Mais à esquerda, perto da janela, uma cadeira acolchoada e na parede posterior a cama, uma armário de duas portas. Deixou sua mala num canto.

– Depois eu desarrumo você – pensou alto. – Vou tomar um banho.

Entrou em seu banheiro que possuía ladrilho verde claro. Despiu-se de sua roupa e entrou no Box, ligou o chuveiro e deixou a água quente escorrer pelo corpo. Terminando o banho, enxugou-se, enrolou-se em sua tolha e foi ao seu quarto. Abriu o armário escolheu uma roupa e se vestir. Estava um pouco cansado da viajem e resolveu descansar um pouco, deitou-se na cama e relaxou. Em sua mente logo surgiu a lembrança de seus pensamentos no jatinho.

– Dentre todos os combates travados por nós, com Hades foi um dos mais críticos e também, o mais surpreendente. Os Cavaleiros de Ouro mortos na batalha das Doze Casas reviveram a serviço de Hades, isso já havia acontecido uma vez, mas os dourados estavam a serviço de Abel. Porém, no período de Hades, não foi somente isso que espantou a todos e sim quando descobrimos que o meu corpo foi o escolhido para ser o hospedeiro do senhor do mundo dos mortos. Meu irmão sempre dizia para não ter sentimentos na hora de uma luta, mas ele não conseguiu me matar quando eu pedi. Ele também deixou o sentimento o enfraquecer. De certa forma, tenho que agradecer. Na verdade, eu precisei de muita força para conseguir expulsar Hades do meu corpo, pensei que não fosse conseguir, mas fui bem sucedido graças a Atena. Quando chegamos aos Campos Elíseos foi muito complicado o confronto com Thanatos e Hypnos, os deuses gêmeos. Mas foi nessa luta que conseguimos a Kamui. Como eram belas! Não tem como me esquecer do combate de Atena e Hades – fechou os olhos. – Eu preciso assumir, em muitos combates lutei sem vontade. Tinha sempre comigo a velha ideia que não ferir ninguém. Como um cavaleiro podia pensar assim? Com certeza sofria muito por conta desse conceito! Por muitas vezes poderia ter finalizado logo uma luta, mas acabei prorrogando ao máximo. Com tudo, preciso reconhecer também que, depois de tanto tempo, mudou algo dentro de mim. Continuo pensando que a violência não é a melhor arma para vencermos. Porém, sei que na hora de uma luta não posso pensar assim. Percebi isso na batalha contra a Hades e com Ártemis e Apolo. Por Atena, tudo é valido. – Então se lembrou das palavras que Ikki disse para Teseu, na luta em que Shun e Ikki travaram com o Anjo de Ártemis – “Mesmo que Atena não nos quisemos mais. Nós continuaremos sendo seus leias guardiões. A prova que somos cavaleiros não é a armadura ou a existência de Atena. Cada cicatriz de nosso corpo é uma prova que somos cavaleiros de Atena. Ela querendo ou não.” E por isso que vou continuar sempre. Porque o destino quis que eu fosse um cavaleiro e sempre vou honram meu título. – Bocejou. – Ora, o que me deu hoje? Tirei o dia para recordar todo meu passado? Vou tirar um cochilo...

Ele acabou adormecendo. Acordou com o barulho de seu telefone tocando. Ainda sonolento, atende:

– Alô. – Atendeu, percebendo através da janela que já era noite.

– Shun?

– Uhum...

– Shun, sou eu, Albiore.

– Mestre! – Acordou de vez e sentou na cama. – Aconteceu alguma coisa?

– Na verdade, aconteceu.

– Algo grave com o senhor ou com alguém da ilha? – Perguntou demonstrando preocupação.

– Grave, depende do seu ponto de vista – deu uma pausa. – A June está namorando o Leda.

– O quê? A June e o Leda? Eles nunca se deram bem pelo fato de dela ser minha amiga!

– Muitas coisas mudaram. Agora, eu quero saber o que você vai fazer com essa notícia.

– O que o senhor espera que eu faça, mestre?

– Você ainda me pergunta, rapaz? Você continua amando a June?

– Sim, muito.

– Então não perca mais tempo. Venha para cá e se declare para ela.

– Não acredito que estou ouvindo esse conselho do senhor! Se eu fizer isso serei um mau-caráter. Eu tive todo o tempo do muno para me declarar e agora que ela está namorando, eu não tenho esse direito. Ainda mais com o Leda, que me odeia.

– Eu entendo e concordo com o que está dizendo. Porém, eu tenho certeza absoluta que a June não ama Leda, ela ama você, Shun. Ela só aceitou o pedido de Leda pois ele vem insistindo por muito tempo. Ele venceu pelo cansaço. Mais sinto que esse namoro não será bom nem para ele, nem para ela. Essa história tem conserto e é você que precisa conserta-la.

– Vou pensar o que fazer, mestre. Obrigado pelo conselho!

Shun desligou o telefone e jogou seu corpo para trás, deitando novamente na cama.

– Por Atena! O que eu faço?

Então sentiu sua barriga reclamar de fome. Desde a Grécia não havia comido mais nada. Levantou-se, pois um chinelo e saiu o quarto. No corredor, Shun encontrou Hyoga saindo de seu quarto.

– Oi amigo! – O esverdeado cumprimentou.

– Oi Shun. Fez boa viagem?

– Sim. Vai sair?

– Vou encontrar-me com a Eiri. E você?

– Vou preparar alguma coisa para comer.

Os dois desceram as escadas conversando, quando chegaram ao centro da sala, Hyoga perguntou:

– Você está bem?

– Sim – respondeu com uma voz duvidosa.

– Shun, eu te conheço o bastante para saber que aconteceu alguma coisa.

O Cavaleiro de Andrômeda respirou fundo:

– Depois conversamos, não quero atrapalhar seu encontro.

– Estou adiantado, posso te ouvir um pouco.

Os dois amigos se dirigiram para cozinha e enquanto Shun preparava um sanduiche eles conversavam.

– Você aceita um?

– Não se preocupe, logo vou jantar com a Eiri.

– Certo.

– Agora me fale, o que aconteceu?

– Acabei de receber uma ligação do meu mestre. Ele me contou que a June está junto com o Leda, acredita?

– Leda é aquele cara que foi seu colega de treino, né? Que não gostava de você e te atacou aqui no Japão? – Shun balançou a cabeça positivamente. – Parece surreal a June namorar ele.

– Concordo – bebeu um gole de suco. – E você não sabe o que meu mestre aconselhou: Ele disse para eu ir a Ilha de Andrômeda me declare para June.

– E ele não tá certo?

– Você também acha isso?

– Tanto eu, como seu mestre, sabemos o quanto você a ama. Você quer realmente deixá-la ficar com outro sem nunca ter tentado se declarar e conquista-la? Sei o quanto você é correto, não quer parecer um canalha em tentar roubar a namorada de outro, mas você a ama. Precisa tentar, nem que seja uma única vez. Você já perdeu tempo demais se questionando. Agora e hora de agir. Siga o conselho de seu mestre e busque sua felicidade.

Shun ficou parado observando o russo.

– Bem Shun, preciso ir – falou levantando-se da cadeira.

O loiro foi encontrar sua noiva e Shun ainda ficou sentado à mesa bebendo o ultimo gole de seu suco. Lavou a louça, pensativo e antes de sair do recinto, ainda encontrou a cozinheira e a cumprimentou. Dirigiu-se ao quarto, sentou na cama. Lembrou-se de quando uma noite ele e June conversaram:

“Sonhar é fundamental para qualquer ser humano, sem sonho somos vazios. Mas acredito que não podemos só ficar no nível do sonho, devemos ir à luta para que ele se torne realidade. Sonho sem ação e apenas devaneios.”

O rapaz sorriu.

– Você estava certa. Eu vou parar de sonhar com você e lutar pelo seu amor.

Ele olhou para sua bolsa de viagem e a pegou, tirou as roupas que estavam guardadas, separou o que estava sujo. Abiu a porta do armário pegou mais alguns pertences e arrumou a bagagem novamente. Saiu do cômodo e bateu na porta do quarto de Saori e ela atendeu.

– Preciso falar com você, Saori.

– Claro, Shun. Pode entrar.

O quarto de Saori era bem maior e mais luxuoso que o seu, é claro, com uma decoração bem mais detalhista e feminina.

– Você me parece agitado – a herdeira Kido comentou.

– E estou. Preciso saber se posso ir amanhã bem cedo para a Ilha de Andrômeda. Preciso fazer meu sonho se tornar real. Você me entende?

– Vai atrás da June? – Perguntou com um sorriso despontando nos lábios.

– É – respondeu firme. – Não sei se conseguirei ser bem sucedido, mas preciso tentar.

– Shun, vai com tudo. Não pense, aja. Não seja com eu, que deixei várias oportunidades escaparem pelas mãos e hoje fico me lamentando. Promete-me isso?

– Eu prometo!

– Você pode ir com um dos jatinhos da fundação. Se bem que eu acho melhor você ir de helicóptero. Vai ser mais rápido.

– Obrigado!

– Mais uma coisa: Se tudo der certo, pode trazê-la para morar aqui na mansão.

Shun sorriu, saiu do quarto de Saori e teve uma ideia, foi ao shopping. Quando voltou foi se deitar, mas mal conseguiu dormir, tamanha era sua ansiedade. Sentia-se um menino que estava para ganhar o presente mais esperado de todos. No dia seguinte, ele se dirigiu para Ilha de Andrômeda. Com apenas uma certeza:

“Eu nunca vou me arrepender se não tentar.”

Notas finais
(1) Eu escolhi o essa imagem, pois eu a amor. http://images.dvds-home.net/Upload/uploadfiles/saint-seiya-chibi-big.jpg
(2) Essa cena de June e Shun foi inspirada em um fic li aqui no site, mas não consegui encontra-lo novamente. Não é plágio, ok? Só achei a ideia muito boa e resolvi cita-la. Se a autora ler, se identifique ou alguém sobre quem é me fale, ok?
Espero que tenham gostado. Eu tentei fazer me aprofunda nos sentimentos do Shun. Ficou parecido com ele? Espero conseguir postar logo o próximo capítulo. Será a hora da verdade. Comente. E se tiver algo de errado, me avisem, ok?