Notas iniciais
E ai meu povinho, espero que gostem do capitulo, fiz ele com muito amor e carinho... Bjs Boa leitura

Dentro da casa se encontrava os doze saqueadores mais uma mulher de estatura mediana, cabelos branco perolado, olhos acinzentados onde se podia ver a mais pura maldade estampada e com curvas sinuosas apesar de estar um pouco acima de seu peso ideal.

–Porque demoraram tanto meus filhos?

–Recebemos mais uma missão quase impossível do conde!

–O que aquele ser desprezível quer dos meus bebes agora?

–Ele só quer, note o sarcasmo no só, uma sereia ou nereide para dar de presente para o príncipe!

–Para?

–Para que ela lhe sirva de escrava!

–Aquele maldito, descarado, pensa que só porque ele é pai de vocês pode ficar mandando e desmandando! Vocês não deveriam seguir as ordens daquela lula, ele acabara pondo vocês em perigo e de quebra ira expor o nosso mundo para aquela raça imunda!

O líder pegou a frágil mão da mulher e lhe sorriu docemente.

Mamãe, nós estamos sempre em perigo, faz parte da vida de um saqueador!

–Eu sei querido e dou graças a Poseidon por vocês serem o que são e não ter saído igual ao paspalho do irmão de vocês!

As feições amáveis dos rapazes endureceram e transformaram-se em uma careta de nojo.

–Meio-irmão mamãe, apenas meio-irmão, até podemos ter a mesma mãe, mas não o mesmo pai!

–Eu sei meu querido, eu sei, mas se ao menos aquele homem houvesse deixado eu ciar o pequeno talvez ele não tivesse crescido e se tornado o idiota honroso que é hoje!

–Quem sabe se a nossa influencia não seja o suficiente para que ele se torne um de nós?

–Dificilmente, ele nasceu em uma época onde eu ainda era uma boba inocente, cheia de sonhos de romances que caiu na lábia de um idiota honroso que servia a droga do rei e não possuía intenções de trai-lo e tomar o trono, me arrependo até hoje por não ter dado ouvidos para a mamãe!

–Nathaniel é um idiota por preferir aqueles esnobes da coroa a nós mamãe, apenas esqueça aquele bastardo!

–Esse bastardo, como você diz querido, esta mais próximo de se tornar rei do que o pai dele um dia sonhou, ele ira se casar com a princesa que ira um dia assumir o trono!

Peter sorriu de canto.

–Pelo menos esse bastardo puxou algo da senhora, minha mãe, ele possui a sua ambição!

Salácia não conseguiu mais ouvir nada, em sua mente as palavras ”casamento”, “Nathaniel” e “princesa” rodavam deixando-a zonza. Seus olhos ardiam por causa das lagrimas que ali se acumulava, sua garganta doía com o bolo que se formava ali e antes que ela caísse em prantos e tivesse seu esconderijo descoberto ela nadou de volta a superfície.

Ela não chorou enquanto caminhava pela praia, não se permitiu derramar uma única lagrima durante todo o caminho de volta ao navio e não se permitiu ser fraca diante do homem por que nutria uma paixão desde o inicio de sua puberdade.

Seu corpo estava pingando agua salgada no meio do deque do navio. Nos olhos da pessoa que ela não gostaria de ver, ela podia ver uma legitima preocupação, mas ela já não lhe era bem vinda.

– O aconteceu com você prin...

Salácia fechou as mãos em punhos e o interrompeu falando por entre dentes.

–Não diga nada!

–Mas...

Salácia fechou os olhos enquanto se controlava para não se desmanchar em lagrimas na frente dele.

–Eu mandei você não falar!

Ao encarar o olhar da garota ele se assustou com o que viu ali dentro, ali ele não enxergou a garotinha que devia proteger a sua frente estava uma mulher forte e determinada que já não precisava mais de sua proteção, isso foi como receber um murro no estomago, lhe tirou todo o ar e causou uma dor profunda dentro de si que ele não saia como explicar e ali ainda havia o brilho da decepção e magoa, algo que jamais vira nos olhos da garota, nem quando a mesma pensava em sua mãe.

Sem esperar por mais uma palavra dele Salácia passou feito um raio pelo homem e foi direto para sua rede onde ficou deitada pelos três dias de viagem, sem mover um único musculo. Ela se alimentava apenas quando Gregory lhe trazia algo e aos outros distribuía o mesmo tratamento, ela apenas os ignorava.

Kallel encarava agarota da porta de entrada do dormitório, seus olhos mostravam o quanto estava furioso por ver a garota se deixar ficar naquele estado e Salácia apenas o encarava de volta com o olhar sem brilho, totalmente mergulhada em sua depressão. Para ela nunca fora fácil lidar com um coração partido, da ultima vez ficara naquele estado durante semanas até Nathaniel tira-la dele, porem já não tinha ele para fazer isso, já não podia contar com ele para ajuda-la, seu ultimo bote salva vidas havia sido levado por outro naufrago.

–Eu não sei o que aconteceu e nem me interessa saber, mas eu quero que você pare de bancar a mulherzinha desprotegida, pois isso é algo que você não é!

Salácia sentou-se e riu sem humor algum.

–Não sou? Tem certeza disso Kallel?

–Sim!

–Pois não deveria você não me conhece o suficiente, tudo o que conhece é a casca criada para minha própria proteção, nunca fui uma pessoa forte, sempre precisei de alguém para me apoiar, eu não sou autossuficiente!

–Então já passou da hora de você ser Salácia, não precisamos de alguém que não seja forte o suficiente, você já não é mais uma criança que precisa de alguém para lhe dar colo, você precisa crescer e se precisar mandar todo mundo pros quintos dos infernos, mande, mas eu preciso que você seja uma adulta agora, Aisha e Solon precisam de você!

Ao ouvir o nome das crianças a lembrança de ter feito a promessa de que as recuperaria voltou a sua mente. Salácia respirou fundo e encarou novamente seu capitão.

–Você esta certo, agora eu tenho que ser forte preciso encontrar essas crianças e descobrir o passado da minha mãe, não há tempo para lamurias de um coração partido! Quando iremos invadir?

Kallel sorriu de canto e cruzou seus braços.

–Iremos nos infiltrar esta noite, já tenho nossos convites, você será minha acompanhante e eu serei um príncipe nórdico convidado apenas por cortesia!

–Então serei sua escrava?

–Exatamente, umas das varias dançarinas que raptei enquanto passava pelas ilhas do sul!

Salácia sorriu de canto com um brilho malicioso no olhar.

–interessante meu mestre, permita que esta pobre dançarina lhe acompanhe no baile real!

–Esteja pronta antes do sol tocar as aguas do mar!

–Sim, mestre!

Kallel se retirou do local com o mesmo sorriso malicioso que Salácia lhe lançara momentos atrás, mas o mesmo morreu no momento em que dera de cara com Nathan.

–Como ela esta?

–Já esta fazendo piadinhas, então já deve estar bem melhor!

–Eu vou ir...

–Eu não lhe aconselharia ir lá a menos que queira vê-la se trocar!

–Ela... ?

–Ela ira como minha acompanhante para o baile!

Nathan suspirou e se retirou junto ao Kallel. Salácia lentamente se despiu, seus movimentos eram lentos e pesados, afinal passara dias sem se movimentar, sem se preocupar se alguém entraria ela pôs a vestir a ultima roupa que comprara uma roupa de odalisca em degrade de vermelho e preto, joias não lhe era necessário, só um pendante com uma agua marinha em forma de lagrima lhe caia entre o vale dos seis, seus cabelos caiam em graciosas ondas escarlates por cima de seus ombros, chegando até a baixo da curva do seio, em meio as madeixas fios de prata com pequenos cristais estavam entrelaçados, a maquiagem que passara destacava seus olhos verdes e por fim se cobrira com um velho manto que lhe esconderia a roupa, o penteado e seu corpo, afinal ainda gostaria de causar certa surpresa.

Ao sair ela pode ver que novamente estavam atracados, mas já era entardecer, o céu estava alaranjado e algumas estrelas já davam o ar de suas graças.

–Já esta pronta, escrava?

Salácia levantou uma sobrancelha e deu um leve sorriso enquanto se voltava para o homem bem vestido que estava as suas costas. Kallel usava um fraque vitoriano negro, sem camisa ou gravata, seus cabelos estavam amarrados em um pequeno rabo por uma fita de cetim negro.

–Sim, mestre, perdoe-me pela demora!

Uma leve reverencia fez com que todos os homens ali presentes petrificarem e o mais espantado com a cena era o que vestia um uniforme de guarda real, Nathan.

–Princesa, como assim mestre? E que reverencia é esta? Você não deveria reverenciar a este homem!

Salácia olhou de forma fria e cortante para sua antiga paixão.

–Por esta noite, Kallel será meu mestre e eu nada mais do que uma escrava que fora comprada nas ilhas dos sul, não sou mais uma princesa e nesta noite será como se eu nunca o tivesse sido, portanto, Nathaniel, espero que você siga com o seu papel de guarda real e não estrague nossos disfarces!

Kallel sorriu e de forma presunçosa pegou a mão da garota e levou-lhe a seus lábios.

–Então vamos, pois iremos chegar atrasados!

Sem esperar por mais ele lhe deu as costas e partiu em direção a uma carruagem que lhes esperava.

Salácia fora sentada ao seu lado, quieta e coberta por sua manta, esperava que todos os treinamentos de sua madrasta lhe servissem de algo.

–Porque esta brava comigo?

–Não é da sua conta!

–É claro que é princesa, se esta brava comigo preciso saber o porquê para ver se tem a necessidade de eu me desculpar!

Salácia se mantinha encolhida na sombra, mas em sua aura era possível sentir a ira, já Kallel preferiu ignorar aos dois, apesar de estar atento a conversa.

–Você não precisa se desculpar!

–Mas que inferno Anny, o que foi que eu fiz?

–Cala a boca Nathaniel, eu não estou brava por algo que você fez e sim por algo que não me disse!

Nathan olhou espantado para a garota, mas não podia ver seus olhos apenas sentir sua raiva.

–Co... Como?

–Porque não me contou que estava noivo da Susana?

Nathan olhou para a janela e sua voz não saiu mais do que um sussurro.

–Eu ia te contar!

–Quando? Quando o casamente já estivesse marcado ou quando você e ela já estivessem de partida para a lua de mel?

–Eu ia te contar quando você largasse essa loucura de andar por ai com piratas e voltasse para casa!

–Casa? Que casa? Eu não tenho casa, eu não tenho família eu não tenho porque voltar!

–Você tinha a mim!

–Tinha? Não brinque comigo Nathaniel, você esta comprometido com a minha irmã, porque eu voltaria para você se só iria me magoar?

–Se magoar?

Kallel revirou os olhos e resolveu intervir antes de ver a sua carruagem ser destruída pela ruiva.

–Qual é, a ruiva aqui é loucamente apaixonada por você e você ainda quer que ela volte para casa para lhe ver casando com a irmã dela? Tenha dó rapaz!

–Ela o que?

–Cala essa maldita boca Kallel, não pedi para que você me defendesse e Nathaniel eu sinceramente tenho dó de você, herdar o reino e ainda ter a minha madrasta como sogra, vai ser um inferno, pena eu não estar lá para assistir a isso, seria o maior barato, iria rir muito do seu pequeno e particular inferno!

Nathan ia abrir a boca para revidar, porem a porta da carruagem fora aberta e Salácia saltou para fora, Kallel suspirou e a seguiu, enquanto que o outro ficou a ver navios.

–Você é uma princesa?

–Agora não é o momento de falarmos sobre isso Kallel!

–E quando será?

–Daqui uma eternidade, que tal?

–Quem são vocês?

Os dois se viram parados diante de um guarda, provavelmente escalado para não deixar penetras como eles entrarem em uma festa real.

–Principe Bernardo de Gales e sua acompanhante Anny de Kanpur!

–Aproveite a festa majestade!

–Obrigado!

Sem dirigir um segundo olhar para o guarda os dois entraram na festa. O salão era iluminado por velas e candelabros, as paredes decoradas com diversas tapeçarias e panos, mesas com comidas, bebidas e acentos eram divididos por todo o espaço, musica e muito barulho preenchiam o local, até que os olhos da garota se puseram no local onde estavam os presente e uma enorme redoma de vidro chamou sua atenção.

–Vamos recupera-los não se preocupe!

Salácia olhou nos olhos do capitão e sorriu.

–Você e os rapazes pegam o ouro, deixe as crianças comigo!

–Quem é o mestre aqui?

–Você majestade, mas as crianças são minhas, não as deixarei nas mãos daquele monstro!

–Conhece o Endimion?

–Sim, aquele homem é o pior pesadelo de uma mulher!

–Tem certeza?

–Meu bem, você pode até se considerar o terror da mulherada, porem o Endimion é um monstro, ele não se importa com ninguém apenas com seu próprio prazer, ele faz você parecer um príncipe encantado saído direto das fabulas que as mães leem para seus filhos e eu não quero que uma nereide e um tritão caiam nas mãos dele!

–Como vai carrega-los?

–Não preciso!

Ela apontou para a janela e ele podia ver as gotículas de agua salgada que salpicavam de tempos em tempos o vidro.

–Aquilo?

–É agua salgada, as ondas batem direto na parede, eu só vou precisar quebra-lo e jogar as crianças mar a dentro, ele irão se virar!

–E como planeja fazer isso?

–Só irei precisar de uma distração de um pirata bêbado dando em cima de todos a torto e direito!

Kallel sorriu de canto.

–Pode deixar comigo, já tenho ate um alvo!

Seus olhos caíram na rainha que cumprimentava alguns convidados.

–Senhorita, gostaria de retirar seu manto?

Salácia se virou assustando, dando de cara com Gregory que lhe sorriu de forma cumplice, mas sem deixar seu papel.

–Claro, obrigado!

Com delicadeza ela retirou o manto, revelando suas roupas mais que diáfanas. Kallel manteve sua expressão neutra, mas seus olhos revelavam um brilho malicioso quase denunciando o que se passava em sua mente, porem Gregory e os convidados olharam-na com espanto.

–Vamos, não tenho tempo para estas bobagens!

Salácia abaixou seus olhos com humildade, mas sua vontade era de cair na gargalhada ou dar um tapa na cara dele.

–Sim, mestre!

Os dois caminharam sob o olhar atento de todos naquele ambiente, até chegarem a sua vitima.

–Obrigado pelo convite majestade!

–Oh, príncipe Bernardo você veio mesmo, seja muito bem vindo a minha festa, espero que se divirta!

–Sim, irei me divertir muito aqui!

–Quem é a sua digníssima acompanhante?

Os olhos do príncipe brilhavam com luxuria e quando Salácia o encarou pode ver esse brilho aumentar diante o seu inocente sorriso.

–Está é Anny, uma escrava que roubei nas ilhas do sul!

–Oh, uma bela escrava, posso ver!

–Mas possui péssimos modos, mas ainda a estou adestrando!

Salácia quase rosnou, mas não pode deixar de olhar com ódio para Kallel, aparentemente ele estava aproveitando mais do que devia daquela encenação.