Em Busca de Um Olhar
9 Capítulo sete
Notas iniciais
Bella PDV
Continuei parada o observando, tão concentrado enquanto tocava, entregue a musica, como nunca mais estaria a vida.
Era estranho observá-lo agora, era como se eu o visse de outra maneira. Com seu novo visual, ele realmente me parecia diferente.
Agora era possível ver seu olhar triste vidrado no nada.
E me fazia ver como antigamente seus olhos alegres encantavam-me tanto e que naquele momento eu sentia falta deles.
Edward tinha razão... ele havia mudado. Ele não era mais o mesmo e talvez nunca mais voltasse a ser o mesmo e eu deveria acostumar-me com esse seu novo eu.
Ele mudou por mim... pela minha teimosia em não acreditar que ele havia realmente mudado, que o antigo Edward não existia mais nele e que esse novo Edward era alguém que nem ele mesmo gostaria de conviver e que para ele o certo era eu afastar-me.
Mas isso era algo que com certeza ele não conseguiria. Afastar-me dele, depois de tudo... depois desse turbilhão de sentimentos que estavam dominando-me agora.
Era estranho vê-lo de outra maneira.
Edward para mim sempre fora um dos garotos mais admiráveis, por sua determinação e força de vontade e agora o que via era um rapaz que tinha medo dos perigos do mundo e solitário.
Que agora como amiga, só tinha a mim.
Mas ele não tinha outros amigos porque ele não se permitia, porque ele não queria. Ele mesmo se isolara do mundo.
Apenas tentando seguir a vida, que ele às vezes gostaria de nem participar, do jeito mais sem graça e que dava.
Era triste vê-lo assim.
-Sabe, Bella, você não é muito boa em fingir que não esta nos lugares. -murmurou Edward, tentando parecer engraçado.
-Você já sabia que eu estava aqui? -indaguei.
-Sim, senti o seu perfume. -respondeu sem pensar e logo ficou vermelho. Adorável. -Sabe, quando se é cego os outros sentidos tornam-se mais aguçados. -tentou se explicar nervoso.
-Sei... -falei sorrindo feito boba, não sabia o motivo, mas amei saber que ele conseguia sentir quando eu estava por perto.
Ele virou-se de frente para mim em sua cadeira do piano e olhou para mim sem nada ver. Ele encarava-me. Aposto que passava-se mil coisas em sua cabeça, provavelmente como seria minha expressão agora.
O problema era certamente que, já se passará anos desde que nos vimos pela última vez e isso significava que ele não sabia como eu estava agora, se eu tinha mudado.
Isso com certeza o deixava curioso.
Caminhei em sua direção e sentei ao seu lado.
-Então Edward, quem fez isso no seu cabelo? -perguntei, segurando levemente em uma de suas madeixas.
-Minha mãe. -riu ao responder. -Ela até assustou-se quando a pedi para cortar, ela falou que eu amava tanto meus cabelos. -falou casualmente, já tateando em cima do piano, aposto que em busca dos óculo escuro. Peguei-o e entreguei a ele. Que um pouco irritado –aposto que por eu tê-lo ajudado. -o pois no rosto tampando as belas orbes verdes.
-Não gosto disso. -falei sem pensar.
-Do que? Do meu cabelo? Ta tão ruim assim? -indagou preocupado e eu apenas ri.
Agora que já tinha falado. Se estar na chuva é para se molhar.
-Quando você põe os óculos e esconde os seus olhos. -disse baixinho.
-Tem pessoas que não se sentem a vontade. -murmurou meio desconfortável.
-Eu me sinto muito à vontade. -respondi-lhe sorrindo. -Na verdade, eu adoro os seus olhos. São lindos. -confessei envergonhada, já corando.
Edward apenas sorriu torto com a minha declaração. O que fez-me ficar mais vermelha e agradecer por ele não poder enxergar. Balancei minha cabeça, amaldiçoando-me por ter pensado tal coisa.
Ficamos em um silencio desconfortável. Sentei-me ao seu lado e permanecemos daquela maneira.
-Eu queria poder te ver. -disse Edward baixinho, mas por eu estar perto consegui escutar. Sorri feito boba por sua declaração, podia ver suas bochechas ficarem levemente vermelhas, só de imaginar que eu havia escutado.
-Por que não tenta? -indaguei, ofegante.
-Por que eu não enxergo? -Mais pareceu uma pergunta do que uma resposta.
Apenas sorri e toquei em suas mãos, as segurando delicadamente e as levando até o meu rosto. -Apenas sinta. -sussurrei largando suas mãos em meu rosto. (N/A: nem digo que fiquei com os olhos brilhando agora, até confesso: Que lindo!)
Ele levemente começou afagar o meu rosto, assim tentando distinguir cada traço de minha face e creio que tentando imaginar como eu seria.
Fechei os olhos quando ele passou o polegar lentamente por minhas pálpebras e logo desceu por minhas bochechas demorando-se em meus lábios, descendo por meu pescoço, causando-me arrepios- e parando em minha nuca.
Abri os olhos e notei que ele havia retirado o óculos e olhava-me desfocado com seus grandes olhos verdes. Olhos que me encantavam desde sempre.
Suspirei pesadamente por ele ser tão desejável, ainda mais assim, tão perto. A centímetros de meu rosto estavam seus lábios, que naquele momento ele umedecia, um subto desejo de beijá-lo apoderou-se de mim.
Queria tanto simplesmente enconstar meus lábios no seu.
Ele quebrou um pouco da distância, fazendo-me notar sua boca mais ainda, quando sua respiração forte bateu em meu rosto. Eu também respirava descompassadamente, tentando controlar-me para não o agarrá-lo e selar nossos lábios naquele exato momento.
Foi então que sem eu esperar, Edward puxou-me para mais perto, assim fazendo com que nossos lábios se encostassem, timidamente. Finalmente.
Fechei os olhos assim que senti a textura macia dos lábios de Edward. E ficamos assim, parados por alguns segundos, apenas, sentindo o toque tímido dos lábios um no outro.
O beijo começou tímido. Até que Edward, finalmente, pediu-me permissão com a língua para aprofundar o beijo e eu sem hesitar, lhe concedi.
O beijo que estava calma começou a se tornar voraz, desesperado e cheio de significados que eu não conseguia distinguir naquele momento.
Afastamos quando o ar tornou-se escasso, eu o encarava atônica pelo que acontecera. E Edward apenas ajeitara-se, virando-se para frente, como se pudesse ver meu rosto e isso o trouxesse a lembrança do que acontecera agora.
-Er...e-eu. -gaguejei por ser a primeira a dizer algo. Eu nem sabia o que dizer, apenas precisava sair da li urgente. -Eu preciso ir. -disse já levantando-me e saindo correndo da sala, encontrando-me com dona Esme na porta.
-Querida, aonde vai tão apressada? -perguntou minha sogra, digo, Esme.
-Meu pai esta me chamando. -apenas disse automaticamente, saindo correndo ainda nas nuvens pelo beijo.
Eu acho que sorria feito boba e ao invés de seguir para casa, retirei minhas sandálias e comecei a caminhar pelas areias frias da praia, sentindo a maciez de seu toque à sola de meu pé.
Eu não conseguia parar de sorrir e o beijo não parava de passar de antes de meus olhos, em câmera lenta, como se estivesse acontecendo naquele exato momento.
Eu estava em êxtase pelo que havia acontecido entre Edward e eu.
Seu beijo era melhor do que eu já tivera imaginado ou sonhado.
Sim... eu o amava e agora não dava mais para esconder... de ninguém e acho que nem mesmo dele.
Parei em frente ao mar e fitei o horizonte e no final, apenas podia vê-lo lá.
Edward PDV
Eu ainda não conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer.
Estava no mesma posição de quando Bella saíra correndo, ainda em choque pelo beijo que acontecera entre nós. Como aquilo fora acontecer? Como fomos chegar a esse ponto?
Eram essas as perguntas que assombravam minha mente.
-Edward você esta bem? -perguntou minha mãe, nem notara sua presença de tão concentrado que estava em obter resposta de como Bella e eu chegamos ao ponto de nos beijarmos.
Será que ela sentia algo por mim? Será que eu sentia algo por ela?
A duvida era minha pior inimiga e no momento minha única companheira.
-Estou Bem. -disse sério, tentando tranqüilizar dona Esme. -Só estou um pouco cansado, vou apenas me deitar, boa noite mãe. -falei, levantando-me rapidamente e passando por ela, lhe dando um leve beijo em sua bochecha.
-Primeiro Isabella sai estranha e agora você vai dormir cedo, esses jovens. -murmurou e pude sentir que estava sorrindo.
Apenas sorri de leve e comecei a subir devagar as escadas.
-Boa noite filhote, tenha bons sonhos e o cabelo ficou ótimo. -disse orgulhosa pelo corte e eu apenas ri.
Fui vagarosamente para meu quarto e quando lá, sentei em minha cama e joguei-me nela.
-Isabella. -sussurrei, ouvindo seu nome ser proferido por mim mesmo e sem conter-me, lembrando do beijo que trocamos.
Um beijo que eu precisava entender o que significou, tanto pra mim quanto para ela, se não descobrisse, apenas enlouqueceria.
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