Em Busca de Teu Perdão

7 Capítulo 7 - Mais brandos


Notas iniciais
Acompanha o capítulo a canção Ciego de Reik https://www.youtube.com/watch?v=V3GTbTg4H7w Lembrem-se de comentar, recomendar e favoritar ;)

***

Maria estava abatida. Foram longas horas ao lado da filha doente. Somente a deixou porque realmente viu que ela estava bem. Mas avisou a Carolina que estaria lá no dia seguinte à primeira hora. Isabel era seu tesouro. A pessoa que lhe deu forças para seguir em frente depois do desamor e das perdas. E, além de tudo, era fruto do amor. Do amor que, ao menos da parte dela havia sido infinitamente sincero. E era bonito que um amor como aquele, tão intenso, tenha tido continuidade em uma filha. Era incrível, Isabel apenas começava a balbuciar suas primeiras palavras, há pouco havia dado seus primeiros passos e ocupava toda a mente e o coração de Maria. Ela queria um futuro para a criança, se preocupava pelas convenções da sociedade e pelos preconceitos dos quais ela podia ser vítima. Por isso também não considerava separar-se de Esteban.

Naquele momento ela entendeu a atitude dele de reclamar-lhe, ela havia estado muitas horas longe de casa, chegado tarde da noite, mas não podia dizer-lhe a verdade, não queria.

_ Vamos, Maria, não fique calada! Onde é que você esteve durante toda a tarde e a noite?

_ Eu tive um compromisso importante...

_ Por favor! Compromisso... – repetiu ele cínico – Eu vi quando você saiu dessa casa correndo e entrou na carruagem. Você estava aflita como se tivesse algo urgente para fazer.

Esteban não podia disfarçar sua alteração. Ainda mais ao dar-se conta que Maria não tinha intenção de dizer-lhe a verdade.

_ Sim, era algo urgente. Graças a Deus está tudo resolvido e eu pude chegar em casa. Estou muito cansada. Vou preparar um banho e descansar porque amanhã preciso sair muito cedo.

Disse Maria começando a caminhar e ameaçando passar por Esteban que a deteve segurando-a fortemente pelo braço.

_ Você não vai a lugar nenhum antes de me dizer onde esteve! – ele gritou

_ Por favor, Esteban, me solte! – disse puxando o braço e soltando-se dele – Abaixe a voz, você está louco? Quer que todos saibam as verdadeiras condições do nosso casamento?

_ Todos? – Ele repetiu esboçando um sorriso – Que todos? Todos estão dormindo nessa maldita casa! A distância para os vizinhos é imensa. Ou você não se deu conta que passa das 11 da noite?

_ Eu peço desculpas. – Maria tentou abrandar o seu tom. – De fato me envolvi demais no meu compromisso. Não devia ter chegado a essa hora. Ainda mais que amanhã, você sabe, temos uma reunião com alguns amigos.

_ Que vá para o inferno! – gritou Esteban descontrolado. – Que vá para o inferno essa maldita reunião, quem quer saber de festas numa hora dessas?

_ Ora, Esteban... Entre nós quem mais se encantava por esses eventos sociais típicos de pessoas ricas era você. Inclusive essa reunião eu estou fazendo para agradar ao meu marido e ao estilo de vida que ele tanto ambicionou. Eu nunca me iludi com esse tipo de vida.

Maria às vezes desfrutava de humilhar Esteban e deixar claro quais eram suas condições dentro daquele casamento. Nos momentos que ela mencionava, mesmo que de maneira velada, cada um de seus defeitos ele se sentia o pior dos homens. Era nesse momento que ela se mostrava mais altiva e inalcançável para ele e isso o desesperava.

_ Até quando, Maria? – Ele voltou a gritar – Até quando você vai me humilhar e atirar em minha face os meus muitos defeitos? Eu já sei que fui um néscio e te magoei. E não consigo me perdoar por isso. Mas será que você... – se aproximou dela e a segurou pelos braços surpreendendo-a – Será que você nunca vai conseguir deixar de me ver com tanta mágoa?

Fui un ciego

Por sentirme seguro de ti

Hoy no te tengo

Me perdí en otros labios, caí

Todo fue un juego

Y destrocé tu corazón

Me arrepiento

Se acabó nuestro amor

Y empezó

Un otoño eterno

Que dejó en el silencio a mi sol

¿Cómo detengo este camino de dolor?

Maria tentou afastar-se dele, mas ele a segurou forçando o corpo dela contra o dele. Esteban embrandeceu sua expressão e a olhou súplice. A meia luz daquela sala, a solidão que a noite inculcava, o imenso desejo contido de cada um dos dois, a irritação daquela discussão e aqueles olhares... Tantos sentimentos juntos, tanta sensibilidade aflorada. Maria olhou nos olhos de Esteban e olhou a boca dele ainda tentando evitar o que, na verdade, ela queria com desespero. Ele soltou seus braços e a atou com firmeza junto a si envolvendo-a.

_ Você é tão maravilhosa. Tão linda e... E perfeita. Será que no fundo, bem lá no fundo você não tem um pouquinho de vontade que seja de me perdoar? – disse ele ofegante se aproximando dela.

_ Esteban me solte! – ela pediu não muito segura.

_ Eu não posso. – ele disse emocionado. – Eu não aguento mais de vontade de te beijar outra vez...

Antes de terminar a última palavra envolveu seus lábios e subiu sua mão direita até os cabelos dela para segurar a cabeça dela junto de si, mas não era necessário. Maria cedeu ao primeiro contato com sua boca. Amparou suas mãos em suas costas e se deixou levar pelo beijo tão apaixonado do marido. Havia muito tempo que ela também fantasiava como seria voltar a beijá-lo. Como seria sentir os lábios e a língua do homem que amava percorrer sua boca. Ao mesmo tempo, seus corpos milimetricamente encaixados respondiam àquele afago apaixonado. Maria mal podia suster-se sobre suas pernas. Estava tomada pela sensação arrebatadora daquelas carícias. Esteban abria a boca ofegante e girava seu rosto e o dela tentando de alguma maneira saciar aquela agonia de possuí-la. Não beijava sua boca, a devorava. Não pensava em parar, não queria parar nunca mais de sentir seu calor e o gosto de alfazema de Maria.

Maria se soltou dele ainda extasiada com as sensações do beijo e totalmente sem controle de si, quase caiu. Esteban a segurou com os dois braços e, olhando-a terno, voltou a beijá-la e novamente foi correspondido. Maria sentia seus lábios, suas mãos acariciando suas costas e pensava: Deus, por que eu estou permitindo isso? Por que o estou beijando? Mas, por mais que racionalmente não quisesse, não conseguia deixar de fazê-lo. Ela parou de beijá-lo lentamente e se afastou dele um pouco mais decidida.

_ Isso não devia ter acontecido! – Foi o que conseguiu dizer.

_ Sinto muito não poder concordar com você. Foi maravilhoso. Quero te beijar a vida toda... – aproximou sua mão do rosto dela para acariciá-lo, mas ela se afastou.

_ Nunca mais algo como isso vai se repetir! – ela tentou aparentar segurança e olhar firme para Esteban, mas sua altivez estava desfeita depois de beijá-lo.

_ Sim, minha senhora. Jamais vai se repetir... Caso você não queira. – ele disse com um leve sorriso de vitória enfatizando o fato de o beijo ter sido consentido.

_ Exatamente isso que eu disse! Isso jamais vai se repetir.

_ Jamais! – Ele repetiu quase num sussurro sorrindo para ela. – Eu te amo, Maria. Te amo! – Não pôde mais resistir à declarar seu amor por ela. – E tenho certeza que vou te amar por toda a vida.

_ Eu vou para meus aposentos. Com licença!

Maria virou-se para tomar o corredor que dava para os quartos, mas ele segurou sua mão estremecendo-a. Ela pensou que ele voltaria a reclamar-lhe o local onde ela havia estado até tão tarde, mas ele olhou sua mão, olhou nos seus olhos e disse:

_ Boa noite, amor.

Ela soltou levemente sua mão e deu um pequeno sorriso para ele. Estava muito confusa e perturbada com aquele contato. Em um dia comum, jamais teria se deixado ver tão vulnerável por Esteban e muito menos o teria beijado. Mas naquele dia que havia acompanhado Isabel durante uma febre alta sentia-se inexoravelmente suscetível à ele e com palavras tão doces, tão apaixonadas...

Ao entrar em seu quarto sentou-se em sua cama sentindo que dentro de si tudo estava arrevesado, caótico. O amava? Claro que sim! Mas aquele amor não seria possível, ela não podia perdoá-lo, não conseguiria. O que ele fez era imperdoável, mas, às vezes, às vezes o amor parecia palpável e, nesses momentos, ela se sentia totalmente confusa.

Voy contra el viento

Cuando te fuiste se apagaron mis latidos

Cada recuerdo

Me va dejando en este sueño mal herido

Me estoy muriendo

Cayendo en esta soledad

Esteban entrou em seu quarto e teve o impulso de ir até a porta que o ligava com o quarto de Maria. Aquela mesma câmera nupcial em que ela o havia humilhado alguns dias atrás. Apoiou-se na porta como que tentando ouvir algum som de dentro do quarto dela, como que tentando apreender aquele cheiro de alfazema que havia ficado impregnado nele depois de beijá-la. Comprimiu seu lábio superior sobre o inferior e fechou os olhos. Queria o perdão de Maria, precisava dele para viver. A realidade era uma relação cheia de mágoas, humilhações, abandono, mas seu sonho era recuperá-la. Não poderia viver sem recuperar seu amor e seu respeito.

¿Cómo cambio esta cruel realidad?

Con tu adiós

Soy un extraño

Sin tu amor que habitaba mi voz

Me estoy quemando

No queda nada entre los dos

Voy contra el viento

Cuando te fuiste se apagaron mis latidos

Cada recuerdo

Me va dejando en este sueño mal herido

Me estoy muriendo

Cayendo en esta soledad

Fui un ciego

Por sentirme seguro de ti

Hoy no te tengo...

***

Quando Esteban chegou da repartição, na tarde seguinte, a casa já estava totalmente preparada para a recepção daquela noite. Maria havia feito poucas reuniões sociais, mas era extremamente hábil em tudo a que se propunha. Ele estranhou que ela tenha conseguido organizar tudo tão bem especialmente porque de manhã, quando saiu para o trabalho, ela não estava em casa, havia ido para mais uma daquelas saídas misteriosas que tanto o intrigavam. Mas no meio da tarde, quando chegou do trabalho, a casa estava impecável. Não perdia para a decoração e organização de nenhuma das reuniões sociais de pessoas ricas que ele havia frequentado na corte. Se encontrou com Maria no meio da sala posicionando um vaso de flores. Ela o cumprimentou como se não tivesse acontecido nada:

_ Esteban, que bom que você chegou. Quero te pedir uma coisa.

_ Você sabe que, quanto a mim você não pede, você ordena. – O sarcasmo não podia deixar de aparecer.

_ Encomendei um smoking francês para você. Por sorte chegou esta manhã. Você seria tão amável de usá-lo esta noite?

_ Prefiro usar um dos meus ternos.

_ Esteban...

_ Estão em ótimas condições, Maria. Nem que eu me vestisse como um esfarrapado para que você tivesse que me comprar roupas.

_ Qual é o seu problema? – ela reclamou-lhe séria.

_ Do que você está falando?

_ Você tem 5 carros, e mais de 20 cavalos à sua disposição nessa casa, mas vai e volta do seu trabalho a pé.

_ A caminhada me faz bem.

_ Até o centro? É quase meia hora.

_ Sim, caminhar é bom para a saúde.

_ Eu sei que não é isso. Ainda mais agora que você recusou o smoking francês. Eu preparei um guarda-roupas com as mais finas roupas para você, com cortes nobres como você sempre gostou e nunca te vi usando nenhuma das peças que deixei no seu armário. Vai ao trabalho a pé, é como se meu dinheiro agora o ofendesse. Sem contar essa assiduidade em um trabalho que, até se casar comigo, você não dava a mínima. Daqui a pouco irão dizer que eu me casei com um avarento.

_ Entre as minhas obrigações como seu marido não estão fazer uso de todos os luxos oferecidos por seu dinheiro, ou sim?

_ Não... – ela gaguejou.

_ Então?

_ Esse seu assomo de dignidade me incomoda, Esteban! – ela disse o que de verdade queria dizer desde o começo da conversa.

_ E por que te incomoda? – ele disse se aproximando provocando perturbação nela.

_ Eu já disse porque me incomoda. Todos vão dizer que eu me casei com um avarento!

_ Eu aposto que não é por isso.

_ Achava que você já tinha abandonado o mau hábito de apostar. – disse ela se virando.

_ Aposto que você se incomoda porque tem medo de voltar a ver virtudes em mim que não conseguia. – ele respondeu segurando seu braço obrigando-a a ficar de frente com ele.

Maria deu um sorriso cínico e se afastou dele. O sorriso dela o feriu.

_ Você está otimista demais. É impossível que eu volte a ver virtudes em você. Nenhuma das que um dia eu vi eram reais.

_ Eu não nego isso. Que o Esteban de dois anos atrás foi um homem totalmente despojado de caráter e especialmente com você. Mas isso não é irremediável.

_ Eu vou te provar que nada é impossível ou irremediável. Quero voltar a ser um homem digno e admirável para você, Maria.

_ E como você vai conseguir isso? Negando-se a usar um smoking francês, meus carros e meus cavalos? – Indagou Maria com um leve sorriso triste.

_ Como eu não sei. – se aproximou outra vez dela e segurou sua mão. – Mas tenho certeza que vou ser um homem merecedor de seu amor. Esteja segura disso! – disse Esteban confiante.

Maria se retirou tocada pelas palavras do marido. No dia anterior o havia beijado e agora ele lhe dá mostrar que quer recuperar sua admiração, seu respeito para ser de novo digno de seu amor. Seria isso possível? Poderia confiar em Esteban outra vez depois de tudo o que aconteceu? Tinha medo, medo, e esperava não ceder às investidas de Esteban. Eu preciso manter-me firme e lembrar de todas as razões que nos trouxeram à essa situação, disse Maria para si.

Esteban, por sua vez, se encerrou em seu quarto para preparar-se para a recepção de à noite. Recordou o beijo que deu em Maria no dia anterior, a maravilhosa sensação de envolver seu corpo entre seus braços, de sentir sua boca, seu gosto, sua entrega. Queimava de desejo por ela. Tanto que temia não conseguir se controlar à tentação de estar sob o mesmo teto, tendo a tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Refletia sobre as coisas que os separaram e em como havia sido tolo. Por ambição. Por ambição, repetiu, por ambição perdi a mulher incrível que tudo o que fez foi me adorar. Te amo, Maria. Te amo e vou ter você de volta.

Ele sabia que não seria fácil recuperar seu respeito e admiração porque reconhecia que agiu como um canalha com ela. Toda sua vida até aquele momento havia sido a de um canalha e só agora ele se enfrentava à essa cruel realidade. Estava perdido em seus pensamentos quando Maria bateu à porta de seu quarto. Ele abriu e ficou fascinado com a visão daquela mulher frente à ele. Maria usava um vestido de gala cor de rosa. O espartilho e o decote desenhavam o mais lindo torso de mulher que ele já viu e comparava com o de uma deusa. As saias sobrepostas do vestido davam um balanço que, mesmo que Maria estivesse parada como naquele momento, parecia que deslizava. Os cabelos presos para cima com uma tiara de ouro a assemelhavam a uma rainha. Isso era Maria, uma rainha, nada menos que isso!

_ Uau! – ele disse sem se dar conta. – Você está lindíssima.

_ Obrigada. – ela agradeceu sorrindo. – Meu marido seria muito amável de me acompanhar até a sala para que recebamos juntos os convidados? Dona Úrsula veio avisar que já começaram a chegar.

_ Nada me deixaria mais honrado. – Respondeu Esteban estendendo-lhe o braço.

***

Maria não gostava das reuniões sociais justamente porque elas juntavam pessoas que se odiavam sob máscaras de uma amabilidade hipócrita que a enojavam. Naquela situação não era diferente. Até mesmo Ana Rosa estava na reunião acompanhando seu pai e todos conheciam seu passado e o de Esteban. Ao chegar à sala, todos os que já estavam presentes ficaram petrificados ante à figura do casal. Sobretudo pela beleza única de Maria.

Estestan percebeu os olhares interessados dirigidos à sua mulher e logo se incomodou. Com Maria sorriu e cumprimentou a todos os presentes com um sorriso nos lábios, como teria que agir um marido como o que Maria havia adquirido. Quando se encontrou com Eduardo, sua expressão enrijeceu. Eduardo estendeu a mão direita para ele:

_ Minhas sinceras felicitações, Esteban.

_ Pelo quê? – indagou Esteban apertando rapidamente sua mão.

_ Por haver se casado com a mulher mais bela de todo o Rio de Janeiro e pela linda recepção.

_ Eu agradeço. Mas nos dois casos os méritos são de Maria.

Ele fez cara de não entender as palavras dele.

_ A recepção foi toda organizada por ela e você sabe... Uma mulher como Maria jamais é manipulada por outra pessoa. Sempre faz o que quer. Então, eu só tenho que me considerar bem aventurado de ter sido alvo de sua eleição entre tantos homens que duelavam por seu amor. – disse Esteban fitando-o firme.

_ Por favor, cavalheiros. Eu não sou digna de tantos galanteios. – Maria tentou diminuir a animosidade entre os dois. – Eduardo, seja bem vindo à minha casa. Desde que me mudei para o Rio de Janeiro é a primeira vez que você me visita.

Esteban observava o comportamento dos dois enquanto conversavam como que espreitando as reações dela ao estar perto de Eduardo que sempre havia sido totalmente apaixonado por ela.

_ Eu fico agradecido pelos muitos convites que fui comunicado que você me enviou, Maria. Esse último ano eu passei na Europa. Haviam coisas que eu precisava curar e nessa cidade eu não conseguiria.

_ Fico feliz que você tenha voltado. Homens honrados são escassos nessa cidade e eu sempre te tive na mais alta estima.

Esteban não estava mais conseguindo controlar seu incômodo com aquele diálogo e puxou Maria pelo braço.

_ Com licença, Eduardo, mas eu estou ansioso para dançar com minha mulher, se você nos permite.

_ À vontade. – respondeu Eduardo amável.

Maria não gostou da forma como Esteban quase a obrigou a dançar com ele e o acompanhava sem nenhum entusiasmo, claramente irritada.

_ Se você continuar com essa cara, os convidados vão notar a nossa situação. – Ele disse tentando amenizar sua raiva.

_ E como você quer que eu esteja? Puros sorrisos? Você praticamente me arrancou do lado do Eduardo...

_ Acredite, foi melhor assim.

_ Melhor para quem, Esteban?

_ Se ele continuasse se cortejando descaradamente na minha frente daquela maneira eu teria pulado no pescoço dele e o escândalo seria maior.

_ Você não seria capaz. – Maria duvidou.

_ Sim, eu seria! Eu te amo e não quero que nenhum homem se aproxime de você.

_ E como você mesmo disse: eu sou dona de mim e de minhas escolhas. Sou responsável e sei bem o que decido.

Não se deram conta que a música parou. Eduardo se aproximou e estendeu a mão como um cavalheiro.

_ Esteban, você me permite uma contradança com a linda anfitriã?

_ Claro que não! – Respondeu Esteban seco.