Em Busca de Teu Perdão

16 Capítulo 16 - Deixar Ir?


Notas iniciais
Acompanha o capítulo a canção de Samo "Sin Ti" Podem ouvir aqui ~> https://www.youtube.com/watch?v=_lVezyvULQk E não se esqueçam de comentar, recomendar e favoritar!!

***

Esteban ainda sentia o gosto do triunfo com aqueles papéis colados ao corpo quando Cecília entrou no quarto, surpreendendo-o.

_ Filho, o que de tão importante você está procurando. Já é muito tarde, sua esposa há de estar preocupada.

Cecília não notou a alteração na expressão de Esteban. Desde que se casou era um homem com um ar carregado, subjugado, submisso. Seus amigos o viam como um homem sisudo, como quem agora carregava a seriedade de ser um homem casado, de ter sob sua responsabilidade uma família. Mas sua sisudez e austeridade não vinham da mudança de condição de solteiro para casado e sim das condições peculiares daquele matrimônio. Agora, pela primeira vez, se via com um ar triunfante, algo que ele havia perdido desde que se tornou escravo de Maria.

_ Não se preocupe, mamãe. Minha mulher não dará nenhuma importância ao fato de que eu chegue tarde hoje. – Ele disse em um tom que Cecília estranhou.

_ Vocês dois estão com problemas? – Cecília perguntou diretamente.

_ Que casamento não os têm, minha mãe? — Esteban disfarçou.

_ É que vocês pareciam muito unidos quando eu estive doente. Maria se preocupou tão sinceramente por minha saúde. Cuidou de mim como se eu fosse alguém de seu sangue.

_ Não há nenhuma dúvida das qualidades de Maria e em como ela pode se doar... – Esteban observou nostálgico – mas o que quase ninguém sabe é em como ela também é boa para cobrar.

Cecília observou o filho com um ar preocupado. Era uma mulher austera, elegante e, principalmente, muito consciente do lugar das pessoas nessa vida. Alguém que, a despeito de sua idade, possuía muita sabedoria. Caminhou até Esteban, o tomou pela mão como um menino desorientado e o levou até a cama. Sentou-se ao seu lado e acariciou o rosto do filho. Para uma mãe não importa a idade de um filho, ele sempre vai ser alguém a quem aninhar e cuidar.

_ Você disse algo muito certo, Esteban. Todos os casamentos tem problemas. Mas sabe uma coisa que nem todos os casamentos possuem?

Esteban não disse nada, somente a observou com ar interrogativo.

_ Aquele amor que eu pude constatar entre você e Maria aqui nessa casa enquanto eu estive doente.

_ Por que a senhora diz isso?

_ Porque poucas mulheres sentem daquele modo a dor de um homem. A não ser que o ame intensamente. Maria te ama tanto que o teu bem estar é mais importante que o dela própria e ela fez notar isso naquela ocasião.

_ A senhora acha mesmo que Maria me ama tanto assim? – Esteban ainda estava incrédulo.

_ Não tenho nenhuma dúvida. O amor é isso que aparece despretensiosamente. O cuidado diário inconsciente, involuntário, instintivo. Quando o amor é verdadeiro uma pessoa coloca de lado seus próprios sentimentos quando sente uma ameaça ao ser amado. Maria te demonstrou amor quando você precisou e isso, isso sim não se encontra em qualquer matrimônio.

As palavras de Cecília tocaram profundamente a Esteban. Poucas vezes ele havia olhado para os sentimentos de Maria. Porque estava claro que ela tinha um sentimento forte de vingança por ele e, sim, que sentia desejo, por isso se entregou nos momentos de intimidade que tiveram, mas amor... Amor parecia algo tão distante da realidade deles, sobretudo da dela. E agora, ao pensar naquela criança... Não! Não queria pensar em Isabel naquele momento, se recusava a pensar e se perder no que queria fazer. Entretanto as palavras de Cecília, aquelas palavras deixaram-no confundido.

_ Eu vou para casa, mamãe. Boa noite! — despediu-se dando um beijo na testa de Cecília.

Deu água e um pouco de feno para Faraó que estava cansado da jornada fatigosa daquele longo dia. Montou o animal e se dirigiu apreensivo para a chácara onde vivia com sua esposa.

***

Os fatos vivenciados naquele dia deixaram Maria exausta. No meio da tarde deixou a casa da filha sentindo-se exaurida, extenuada, quase que doente. Mas sim estava doente. Doente não no corpo, mas na alma. Sentia-se com o coração ferido, um sentimento de perda, uma dor incontrolável. Acima de tudo, sentia que era o fim, que aquela história com Esteban estava encerrando um ciclo ou, talvez, o que era pior, encerrando-se para sempre. Pior?

Ao chegar em sua casa não quis comer. Evitou a conversa de dona Úrsula e sentou-se em um sofá ao fundo da sala que dava para a janela da biblioteca. Ali ficou perdida nos seus pensamentos por um tempo, dolorosamente remoendo sua dor, suas alegrias, suas experiências. Levantou-se e caminhou até a lareira que ficava no centro da sala, um pouco mais de um metro afastada do belo tapete persa que decorava a sala já era noite. Observou um enorme quadro que, desde a véspera, decorava sua suntuosa mansão. Era um quadro pintado com as imagens dela e de Esteban, como haviam estado no dia do casamento. Ela havia encomendado essa pintura como sinal de sua vitória, de seu triunfo, o símbolo da posse de Esteban.

Ela estava vestida de noiva, de pé atrás de uma cadeira na qual Esteban aparecia sentado. A cabeça erguida sob a renda do chapéu que cobria implicitamente parte de seu rosto. No seus lábios, um meio sorriso de vitória. Esteban, por sua vez aparecia mais como resignado. Quando o pintor fez o esboço da pintura ele já conhecia sua condição e ela se refletia naquele olhar. O olhar resignado dele contrastava com o olhar vitorioso de Maria na pintura. Porém, agora, olhar o quadro ele lhe remetia à uma certa amargura. Serviu-se um trago de vinho e começou a beber olhando a pintura. Olhou os olhos de Esteban no quadro, com um opaco brilho que a amargura não embaçava, mais verdes do que sua figura viva e não pode evitar reviver os momentos de paixão com ele.

Recordou a sensação de estar em seus braços. E recordou de maneira tão viva que parecia ser real, estar vivendo aquela emoção sublime. Sentiu suas mãos grandes deslizarem por sua pele sedosa, levemente amorenada, tão característica dela. Sentiu seus beijos cálidos percorrendo seu pescoço e quase podia vivenciar a torturante emoção das mordidas de desejo que ele pespegava em seu ombro. E quando ele mordiscava seus lábios, ahhh quando ele mordiscava seu lábio inferior... Maria sentia um arrepio que nascia no fundo de seu peito e alastrava-se por todo seu corpo e inevitavelmente inflamavam suas partes mais sensíveis como a pérola da feminilidade e a ourela da extremidade de seus mamilos. Jamais teria aquela sensação de novo porque não podia, sabia que não poderia voltar a ser de nenhum homem. Só poderia ser de Esteban, só a Esteban pertencia de corpo e alma. Esteban não merecia aquele amor tão devotado. Não voltaria a dedicar-lhe esse amor. Tragaria todo aquele desejo, aquela vontade de entrega, aquele amor. Tragaria-no por respeito a si mesma, ninguém poderia amar assim, não era correto.

Fuí por ti un ave que no se atrevió a volar

Creí en ti y así me fui olvidando de mi

Viví muriendo por estar siguiéndote a ti

Y a tus sueños

***

Quando entrou na chácara Esteban sentiu um peso que parecia estar no ar. Olhou pelas frestas dos vidros das janelas e percebeu alguma luz vindo da sala, devia ser da lareira. Quase pôde contemplar a imagem de Maria sentada frente à ela, iluminada pela luz do fogo, devia ser uma imagem divina. Por que entre os dois a situação estava tão complicada? Por que não poderia simplesmente entrar e tomá-la em um beijo arrebatador quando entrasse pela porta de casa? Por que não o fazia? Sentir seu calor, seu corpo trêmulo de desejo entre seus braços, a maravilhosa sensação de tocar sua pele. Tocar não, devorá-la. E se o fizesse? Com esse pensamento ficou olhando a porta da mansão tomando coragem para entrar e hesitando. Não hesitando sobre o que teria que fazer, mas hesitando porque não sabia o que fazer. Apesar disso sabia que aquela noite seria decisiva. Sabia que naquela noite algo definitivo acontecia entre Maria e ele.

Hoy ya sé que tus mentiras fueron mi realidad

Y a quien amabas era solo tu vanidad

Ya ves no fue mi culpa solo fueron tus miedos

Ao adentrar pela porta Esteban observou a figura grave de Maria. Frente ao quadro com aquela taça de vinho na mão, era como uma pintura. Ela o olhou friamente tentando fazer com que se desvanecessem aqueles pensamentos voluptuosos que tomavam sua mente segundos antes. E se ele se aproximasse? E se ele a tocasse? Sabia que não resistiria. Deus, que espécie de amor era aquele?

_ Boa noite – cumprimentou Esteban num tom grave.

_ Boa noite, meu marido. Achei que não voltaria mais para casa... – deu uma pequena pausa desfrutando da expressão de desentendimento de Esteban – quero dizer, hoje.

_ Ah, Maria... Estou muito cansado. Foi um dia demasiado esgotante, creio que o melhor é me recolher, tomar um banho e dormir. – Mostrou-se indisposto a discutir.

_ Então é isso? Você vai se recolher, seguir a vida como se nada? Como se o que aconteceu naquela casa não fosse nada? – referiu-se à revelação da verdade sobre a filha dois dois.

_ Não é isso. – ele disse suspirando. – Tenho certeza que nada nunca será como antes. Que eu nunca mais serei o mesmo depois de hoje, mas é que... – não conseguiu seguir. – Boa noite, Maria, falamos amanhã.

Preferiu tentar encerrar a conversa porque a presença dela naquela sala escura era muito perturbadora. Há quanto tempo não estavam juntos, não sentia seu corpo junto do seu e o silêncio daquela noite era como se lhe murmurasse ao ouvido: “Aproveite a oportunidade, faça-a a sua, talvez isso nunca mais volte a acontecer”. Quando ele tomou o caminho do corredor Maria correu e interpôs-se entre ele e o corredor que daria para os quartos e fitou-o firme nos olhos. Durante alguns segundos permaneceram assim, com esse olhar fixo e uma enxurrada de sentimentos e instintos que os empurravam um para os braços do outro enquanto a razão lhes fazia deter-se e não entregar-se aos desejos.

_ O que mais eu poderia esperar de você? – disse Maria com os olhos vívidos e provocativos. – Você é um completo covarde! – atacou como para prevenir-se de suas emoções. – Como esperar que Esteban San Roman tenha uma atitude estoica diante de algo?

Esteban a olhou mortificado. O desejo o consumia e por que ela o tratava assim? Será que Maria nunca o respeitaria? Será que ele nunca ganharia o respeito da mulher que amava? De todas as mulheres do mundo, Maria era a única que interessava a Esteban possuir seu respeito, sua admiração, mas não os tinha.

_ Maria, você brinca com fogo, sabia? – disse desafiador. – Te parece correto desafiar um homem assim? Chamá-lo de covarde, pisotear a sua honra todo o tempo? E se...

_ E se o quê? – ela fitou-o ainda mais firme levantando o pescoço – O que você pretende fazer para me provar que não é um covarde? Vai me bater? Me empurrar? Me tirar de sua frente à força? Por que eu devo acreditar que você não é um covarde, Esteban? – Maria estava quase gritando.

Esteban a olhou mais uma vez atingido em sua honra. De alguma maneira ele deixaria claro para Maria que era um homem! Um homem de verdade! Não permitiria que ela o tratasse assim!

_ Por isso! – afirmou em um impulso.

Segurou-a pelos dois braços prensou seu quadril contra a escrivaninha que ficava ao lado do corredor e a tomou em um beijo arrebatador. Maria resistiu de início, mas era tão difícil fazê-lo ao ter seu corpo junto do dela, seus lábios nos dela. Um beijo tão arrebatador quanto imaginara antes de entrar em casa. Seu gosto, seu gosto era maravilhoso, estava com sabor do vinho que tomava quando ele entrou. Maria que, de início resistiu, não pôde lutar porque estava com os braços seguros pelas mãos fortes de Esteban e o corpo prensado contra a pequena mesa. Além disso, aquele beijo... Ah como o desejava. Entregou-se e ele levemente foi soltando seus braços que ela conduziu inconscientemente a rodear pescoço dele e segurar todo o corpo do marido junto a si.

Esteban se inclinou sobre o corpo dela que já estava desamparado sobre a mesa e olhou-a com os olhos abrasadores. Fixando-se em seu decote, curvou-se e friccionou seus lábios desde seu colo subindo até seu pescoço e alcançando novamente sua boca. Um arrepio de desejo incendiou todo o corpo de Maria que ela pode sentir de imediato a umidade em sua feminilidade. Quase sem perceber, rodeou as pernas de Esteban com as suas. Ele beijou-a como se fosse a última vez, suplicante, ofegante. Invadiu sua boca com a língua e Maria sentiu-se delirar de desejo, como seu gosto era maravilhoso. Com sua língua também explorou a boca de Esteban queria sentir o gosto do marido, queria sentir-se dentro dele. Esteban parou de beijá-la de súbito e voltou a segurar seus braços firmes sobre a mesa, mas dessa vez, sem resistência, olhando-a nos olhos. Maria se deu conta que suas pernas rodeavam a Esteban e soltou-as.

_ Eu não sou um covarde, Maria! Não sou um covarde e vou te provar isso! – disse sem tirar os olhos dela e daquele decote.

Maria suspirou fundo. Era difícil recobrar os sentidos depois de um beijo dele, um beijo como aquele, tão desejado, tão intenso, tão violento e ao mesmo tempo tão terno. Seu coração palpitava de uma maneira que fazia-a sentir que ia pular para fora do peito, não conseguia pensar com razão. Seus cabelos se haviam desordenado na mesma proporção que os sentimentos dela dentro do peito.

_ Como?

Maria voltou a desafiá-lo olhando fixamente sua boca úmida da saliva dos dois misturadas após o beijo. Quanto desejava sua boca, como ele podia lhe dar tanto prazer apenas com aqueles lábios, dentes e língua? Quase lhe estava suplicando que a tomasse de novo nos braços e a beijasse. Tudo mais eles resolveriam depois.

– Me levando para a cama? – ela disse fazendo um movimento quase convidativo com a cabeça.

Esteban soltou-a e se virou. Maria se colocou de pé e fechou os olhos levando os dedos à boca como que para apresar o sabor daquele beijo. Ainda que não havia solução, como era maravilhoso sentir...

Me voy porque contigo piso en falso una vez más

Me voy porque el silencio pesa más que tu verdad

Me voy sin miedo a equivocarme

Hoy pongo fin a lo que nunca empezó

Esteban permaneceu de costas. Se a olhasse não poderia resistir, a beijaria. Diria que “Sim! Minha maior vontade é te levar para a cama! Fazer-te minha, para sempre minha!” Mas estava claro que para Maria tudo não passava de um jogo. Era só um jogo. Fechou os olhos como apreendendo todas as deliciosas sensações daquele beijo, o corpo dela junto ao dele e o decote... “Deus, como resistir ao convite desses seios tão maravilhosos?”

_ Desculpe-me! – ele disse decepcionando Maria – Você me desafiou, não pude me conter. Não quero que você pense que eu não te respeito.

“Ao diabo com o maldito respeito!”, pensou Maria que queria mais, muito mais. Hoje precisava de mais dele. Entretanto, a razão lhe dizia que era melhor assim.

_ Isso não foi nada! – respondeu Maria tentando aparentar frieza, mas ainda não tinha conseguido tirar os dedos de seus lábios.

“Claro que não foi nada! Para ela não é nada enquanto que para mim...” Esteban se martirizou. “Ela nunca vai sentir nada, nunca vai sentir como eu!”, concluiu. Virou-se de súbito fazendo com que Maria se assustasse e tivesse que rapidamente sustentar sua expressão de aparente indiferença.

_ Eu quero te fazer um convite. – disse Esteban com um falso sorriso.

Sin ti la vida duele menos

Sin ti camino por el cielo

Y así soy todo lo que quiero

Tengo un mundo tan perfecto sin ti

Sin ti ahora soy tan libre

Sin ti ya nada es imposible

Y aquí el tiempo ya no vuelve

Y aunque a ti te duele que yo sea feliz

Ya estás lejos de mi

_ À mim? – surpreendeu-se Maria – Que espécie de convite?

_ Tenho algo muito importante que dizer-lhe, creio que entre nós há muitas coisas que precisam ser conversadas, sobretudo, depois de hoje.

Maria baixou os olhos ao se dar conta que iludia-se. Por um momento pensou que ele poderia querer falar da situação e dos sentimentos dos dois, talvez até em encontrar uma maneira de que ele, ela e Isabel fossem uma família de verdade como tinha que ser, como tinha que ter sido desde dois anos atrás. Porém, logo se deu conta que os fatos de hoje que ele se referia só poderiam dizer respeito à Isabel, unicamente à bebê, não a incluíam. E o que mais de importante que havia entre eles? “Tantas coisas... todo o meu maldito mundo é você seu miserável”, reclamou Maria para si mesma triste.

_ E o que você sugere? – Maria seguia esforçando-se para sustentar sua falsa indiferença.

_ Um jantar! – disse Esteban com uma estranha expressão no rosto o que intrigou Maria.

_ Quer que jantemos em algum restaurante importante da cidade? – procurava entender aquela atitude de Esteban tão distinta.

_ Não! – ele negou firme – Em um restaurante não! Aqui! Só nós dois, na câmara nupcial.

Que Esteban quisesse estar com ela na câmara nupcial era ainda mais estranho. Maria sabia que ele odiava aquele ambiente desde a noite de núpcias dos dois. Sempre que podia deixava isso claro. O que ele podia querer ali?

_ Está bem! Darei ordem aos criados que preparem um jantar especial para nós dois e que seja servido na nossa câmara nupcial.

_ Às 7 horas está bem para você? – Indagou Esteban

_ Está perfeito! – concordou Maria intrigada.

Esteban desapareceu pelo corredor que ligava aos quartos da casa. Maria ainda seguiu alguns instantes na sala pensando no que estaria por trás da atitude de Esteban. Ela havia insistido tanto que ele iniciasse os trâmites do desquite... Talvez fosse isso. Talvez Esteban finalmente houvesse se decidido a encerrar o casamento dos dois, só podia ser isso. “Ele está indo embora!”, concluiu Maria. “Talvez seja melhor assim! Ele já levou tanto de mim, não merece nada mais. Que se vá de uma vez! Se a intenção de Esteban é se desquitar de mim e colocarei de uma vez fim a esse amor que já começou condenado! Que se acabe de uma vez o que nunca começou!”

Tú te ves en un espejo y se convierte en papel

No hay más que un corazón vacío

Pido piedad por ti

Que no mereces nada de lo que yo te di

Me voy porque contigo piso en falso una ves más

Me voy porque el silencio pesa mas que tu verdad

Me voy sin miedo a equivocarme

Hoy pongo fin a lo que nunca empezó

***