Em Busca de Teu Perdão

5 Capítulo 5 - Por Toda Nossa vida


Notas iniciais
Nesse capítulo, acompanha a canção Un Siglo Sin Ti do cantor Chayenne. Link ~> https://www.youtube.com/watch?v=KYZlT2iYRh8 E lembrem-se de favoritar, comentar e recomendar que não faz mal a ninguém e me faz muito bem kkkk Ótima leitura ;)

***

Rio de Janeiro 1870

Úrsula pareceu se assustar com o atrevimento de Esteban. Ela conhecia alguns detalhes daquela história, alguns que Esteban ignorava totalmente também, mas não tinha tanto conhecimento do que seria a vida íntima dos dois. Até porque Maria não era só imponente como sempre se mostrava, mas também imprevisível. Maria, por sua vez, não se intimidou, olhou-o o firme e perguntou se ele queria lagosta, que era uma das iguarias servidas no farto almoço típico de uma casa de uma família abastada como era agora o casal San Roman e a parenta de sua esposa que os acompanhava, a senhora Úrsula. Esteban se impressionava com a perfeição em que Maria conduzia seus gestos, mesmo naquele momento tão atípico.

_ Posso te servir lagosta, meu marido? – indagou Maria com uma tranquilidade que chegava a irritar Esteban.

_ Eu devo comer? – ele indagou sarcástico.

_ Não tem fome, meu amor? – ela embarcou em seu tom sarcástico.

_ É a felicidade, ela tira totalmente o apetite. – ele respondeu ensaiando um sorriso.

_ Se é assim, eu não poderia ter nenhuma fome. Por que, há mulher mais agraciada que eu? – ela respondeu devolvendo o sorriso.

Os dois pareciam estar disputando uma partida de qual era mais sarcástico que o outro. Como se estivessem testando se conseguiriam encenar o número a que se haviam proposto desde a noite anterior: a de um apaixonado casal. Mas, nas pequenas palavras e nos gestos toda a animosidade entre eles era visível e notável, especialmente para eles mesmos. A pergunta que estava no era até onde chegariam com esse jogo de se machucarem mutuamente?

_ E, por isso mesmo, por tanta felicidade, que me impressionou tua disposição de sair logo pela manhã. – Esteban voltou a tocar o tema que o deixava extremamente intrigado.

_ Depois do almoço falamos sobre isso. Teremos uma tarde toda para uma agradável conversa, não é mesmo, meu marido?

Maria sempre utilizava essas palavras, meu marido, de uma maneira especial, como se elas representassem sua vitória dentro daquela disputa que travava com Esteban. Talvez não a vitória total, porque essa ela sabia que seria mais trabalhosa e talvez fosse até pesada demais para ela. Mas a vitória em uma batalha, aquela que ela acreditou que iria destruí-la, a de seu abandono.

_ Sim, não só esta, como muitas outras tardes por toda nossa vida. – Respondeu Esteban sorrindo, cedendo às escapadas de Maria do assunto.

Por toda nossa vida. A frase representava realmente um triunfo para Maria, o triunfo sobre aqueles tragos amargos que ela havia conhecido há dois anos.

🎵Mil y una historia me he inventado

Para estar aqui aqui a tu lado...

Y no te das cuenta que

Yo no encuentro ya que hacer🎵

***

Flashback On

Rio de Janeiro 1868

Já havia quase um mês que Maria e Esteban haviam estado juntos na casa de seu amigo Antenor quando Maria recebeu aquela carta. A carta era direcionada a Sofia, mas o remetente era Esteban e ela desconfiou de seu conteúdo. Não queria entregar à sua mãe e ser a portadora de um desgosto tão grande ainda mais que sua saúde era tão delicada. Ele havia visitado-a algumas vezes, como seu pretendente que era, mas ela percebeu nele uma mudança e uma frieza. Ele lhe garantia que haver estado com ela foi o momento mais lindo de sua vida, mas que se sentia culpado por isso. Essa sua postura fazia Maria desconfiar. Se ele tinha intenções de casar-se com ela como dizia, por que sentir-se tão culpado de haver feito amor com ela consentidamente?

Maria era apaixonada por Esteban. Tinha por ele uma veneração um amor imensurável. Quando lhe havia dito que não queria que ele se casasse com ela por sentir-se obrigado depois de havê-la levado para a cama, estava sendo completamente sincera. Seu coração e sua alma eram daquele homem e ela não se arrependia de entregar-lhes o seu melhor, mesmo que ele não pudesse retribuir da mesma maneira. Mas com aquela carta era diferente, Maria sentia que seu conteúdo representasse algo definitivo e hesitou algumas horas antes de abrí-la. Não necessitava estar casada com Esteban para sentir-se sua mulher e satisfeita em seu amor, mas estar sem ele seria demais para ela, era um dor para a qual ela não estava preparada.

🎵Sé que piensas que no he sido sincero

Sé que piensas que ya no tengo remedio

Pero quien me iba decir que sin ti no sé vivir

Y ahora que no estas aqui

Me doy cuenta cuanta falta me haces🎵

No fim da tarde, juntamente com os últimos raios de sol do dia, Maria juntou coragem, dirigiu-se a um banquinho fundo do quintal, embaixo de uma grande mangueira, onde costumava sentar-se e brincar com seu pai quando era criança e abriu a carta de Esteban. Antes de começar a ler, lágrimas escorreram por seus olhos, era o fim, ela sabia.

Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1868

Minha cara senhora Sofia

Sei do grande respeito que a senhora nutre por mim e de como foi amável abrindo sua casa para que eu pudesse pretender à sua filha Maria. Eu sabia que ela possuía pretendentes em melhores condições que eu, como o senhor Eduardo, mas a senhora não só respeitou que Maria me escolhesse como nos apoiou e nos ofereceu sua benção. Do fundo do meu coração eu desejava esse compromisso. Maria despertou em mim um amor terno, profundo, sincero, desinteressado desses que só podemos ver nos grandes romances, que de tão intensos nem sequer merecem ser vividos na realidade.

Há um momento, em que as responsabilidade nos cobram escolhas e nos cobram caro. E se lhe escrevo essa carta para deixar claro que a senhora não se enganou quando disse que acreditava em minha honra e em meus bons sentimentos por Maria. E é justamente movido por esses bons sentimentos que estou nesse momento encerrando nosso compromisso. Não poderei cumprir o que prometi à senhora e à ela, não poderei ter a grande honra de ser seu marido.

Espero, de coração que algum dia possam entender e que nem a senhora e nem Maria me odeiem por essa atitude que tomei neste momento movido pelos compromissos e responsabilidades que a vida me exige. Maria merece a mais linda vida desse mundo e sei que ela não poderá tê-la ao meu lado. Do fundo do coração, desejo-lhes toda a felicidade do mundo.

Cordialmente

Esteban San Roman

Maria sentiu que seu coração ia explodir naquele momento. As lágrimas desceram quentes, salgadas por sua face rosada e pela abundancia em que brotavam de seus olhos, facilmente desceram por sua garganta e alcançaram seu colo. Ela segurava a carta junto ao peito e chorava como se tivesse perdido o chão, toda sua base de sustentação. Como viver sem Esteban, como? Não entendia o que havia feito de errado, por que não despertou nele o mesmo amor que ele havia despertado nela. Para ela não existia Eduardo, que sempre se disse totalmente apaixonado por ela, não existia homem algum, somente Esteban. Ele era o único homem que ela queria sentir que a amava, mas ele rompia com ela e a deixava sem possibilidades. Sentia que havia perdido tudo, tudo! Em que havia falhado, em quê?

🎵Si te he fallado te pido perdon de la unica forma que sé

Abriendo las puertas de mi coraz[on

Para cuando decidas volver

Porque nunca habrá nadie que pueda llenar

El vacío que dejaste en mí

Has cambiado mi vida me has hecho crecer

Es que no soy el mismo de ayer

Un dia es un siglo sin ti🎵

Depois de mais de uma hora naquele banquinho em que costumava dividir momentos alegres com o pai experimentando a mais amarga dor de sua breve vida, Maria voltou a si ao ter a impressão de ouvir a mãe chamando-a. Sofia estava fraca e o médico não havia sido muito feliz no prognóstico em sua última visita. Ela havia sido diagnosticada com pneumonia e Maria se esforçava muito para conseguir os remédios e atendê-la como ela precisava mesmo com recursos escassos.

Sofia chamava a Maria porque havia sido surpreendida com a visita de Eduardo.

_ Filha, eu sei que não é de bom tom que uma moça solteira, ainda que comprometida, receba sozinha uma visita, mas eu não me sinto bem e vou me deitar. Você faz companhia para Eduardo que foi muito amável em vir saber notícias minhas?

_ Claro que sim, mamãe. Vá se deitar, logo eu vou até lá. Dona Úrsula foi entregar umas encomendas e logo estará de volta. – disse Maria disfarçando seu tom de voz.

Sofia estava muito debilitada e não notou que a filha estava triste, mas Eduardo, que considerava Maria como seu mundo, como não notaria? Quando Sofia se retirou, Maria pediu que ele se sentasse e ofereceu um café.

_ Não quero nada, eu estou bem. – ele recusou

_ Então você veio saber da mamãe? – Maria indagou – Que amável de sua parte.

_ Sempre vou ser amigo de vocês, ainda que não possa te pretender, Maria. Você sabe que eu tenho à você e à sua família em alta estima.

_ Eu agradeço a amizade. Como você deve ter notado, mamãe não está muito bem, estou muito preocupada com ela.

_ Eu sei, por isso vim. Falei com o doutor Ramos, ele me falou do estado dela. Eu trouxe isso.

O rapaz amavelmente estendeu um pacote de papel pardo em direção à Maria que estava sentada a seu lado.

_ O que é isso, senhor Eduardo?

_ Já te pedi que me chamasse de você. Essas formalidades são tão desnecessárias.

_ Estou de acordo com você – disse Maria esboçando um sorriso pela primeira vez.

_ São alguns medicamentos para o tratamento de sua mãe. Os que doutor Ramos me indicou. Sei que você e dona Úrsula estão se esforçando trabalhando para conseguir pagar seu tratamento, mas não é algo fácil.

_ Não é. – Maria suspirou. – Eu agradeço tamanha demonstração de amizade.

_ Maria você pode contar comigo para qualquer coisa, o que você precise. – ele disse segurando a mão dela e olhando-a terno.

_ Eu agradeço de novo. – disse Maria tirando a mão e se levantando. Sentia que ia chorar, não podia, precisava manter-se firme.

_ É por isso que você está assim? – ele indagou levantando-se aproximando-se dela por trás.

_ Como? – ela disse com dificuldade contendo o choro sem coragem de voltear-se para ele.

_ Tão triste. – disse Eduardo tocando ternamente seu ombro.

_ Eduardo, eu quero te fazer uma pergunta. – disse Maria tentando se desviar do assunto.

_ O que você quiser.

_ Você se casaria com uma mulher que não fosse mais virgem?

Maria disse estranhamente sem inibição. Sua antipatia pelas convenções fazia com que ela agisse, muitas vezes, de maneira surpreendente. Porém ela não ousou se virar. Ainda que não tivesse tido inibição de fazer aquela pergunta para o amigo, não tinha coragem de olhá-lo enquanto ele respondia. Eduardo estranhou a pergunta, mas não demonstrou.

_ Se eu a amasse... Se eu a amasse isso não seria uma barreira. – Respondeu Eduardo sincero.

_ É por isso que eu admiro você. – Maria finalmente se virou. – Eu sabia que você me responderia assim. – disse sorrindo.

_ E eu posso saber porque você me fez essa pergunta?

_ Curiosidade. Curiosidade para entender algo da lógica masculina. E, respondendo à sua outra pergunta, não! Não é só por isso que estou assim. Esteban rompeu nosso compromisso.

Eduardo não pôde disfarçar sua felicidade. O que passava pela cabeça de Esteban? Ele daria o mundo para estar com uma mulher como Maria, para ela o escolhesse para ser sua esposa e Esteban abria mão desse privilégio. Sabia que ele não era de fiar-se desde que ele resolveu fazer-lhe concorrência com relação à Maria. E desde o primeiro momento ele viu que era uma guerra perdida, os olhos dela eram somente para Esteban, ela nunca lhe dirigira um olhar sequer como os que dedicava a Esteban. Não se surpreendeu quando foi avisado por dona Sofia que Maria estava comprometida com o jornalista que era funcionário público.

_ Você não diz nada? – Maria indagou.

_ Prefiro não dizer nada porque não quero te magoar e nem mentir para você. Eu amo você, Maria, te amo há muito tempo. Então não posso dizer que fico triste com o fim de seu compromisso. Por outro lado, nada que faça brotar lágrimas de seus olhos me agrada.

_ Acho que o amor é assim, não é? Nos leva a fazer escolhas erradas. Você não devia me amar porque eu não posso te corresponder. E eu não devia amar à Esteban, porque ele não pode me corresponder... Parece que está tudo fora de lugar.

_ O tempo coloca de novo cada coisa em seu lugar, minha querida. – disse Eduardo recolhendo seu chapéu imbuído de uma pequena esperança.

Flashback Off

***

Rio de Janeiro 1870

Esteban parecia entediado. Volta e meia tirava o relógio do bolso e consultava-o entre uma folheada e outra do jornal. Dona Úrsula bordava a uma distância dos dois, queria dar privacidade ao casal em seu primeiro dia como marido e mulher. A Esteban lhe consumia saber onde Maria havia ido e ao mesmo tempo não se sentia no direito de perguntar outra vez, ainda tinha na boca o gosto amargo da humilhação que ela lhe impingira em sua noite de núpcias. Não queria correr o risco de ser humilhado de novo.

_ Por que meu marido consulta tanto seu relógio, sente-se incomodado com minha companhia? – Maria atacou.

_ Não é isso. – Esteban disfarçou. Era raro que ele não tivesse uma postura agressiva. – É que acho que teu relógio está atrasado.

_ Ah, vou pedir a Kalebe que o conserte. Ele é hábil nesse tipo de coisas.

_ Agora, talvez a você não agrade minha companhia, visto que se ausentou de casa no primeiro dia depois que nos casamos.

_ As circunstâncias de nosso casamento ficaram claras ontem à noite, mas isso não significa que eu vou faltar com respeito ao seu sobrenome e ao meu próprio.

_ Eu não disse isso...

_ Então por que tanto te interessa saber onde eu fui?

_ Você não pode negar que é intrigante, Maria. Foi você quem me disse que queria desempenhar um papel de um casal feliz e apaixonado frente à sociedade. O que vão dizer se te veem sozinha na rua um dia após haver contraído bodas comigo? E o que eu vou dizer quando me mencionem isso.

_ Você conseguirá dar uma boa desculpa, você é bom nisso, Esteban. – ela lançou a fagulha sorrindo. Desfrutava de ferir à Esteban e jogar com suas culpas.

_ Então isso significa que você não vai me dizer? – ele ignorou seu tom agressivo e insistiu.

Maria e ele não estavam casados em circunstâncias normais. Era divina, maravilhosa. Se ela não aceitava o amor dele, podiam facilmente arrebatar-lhe tão preciosa joia, e isso ele não suportaria. Não queria que outro homem descobrisse o quão maravilhosa era ela e assim, perder a oportunidade de reconquistá-la. Queria manter Maria junto a si da maneira que fosse.

_ Não! – Maria respondeu seca levantando-se – Pense o que você quiser.

Esteban mordeu o lábio com tamanha violência que quase arrancou sangue. Como Maria lhe tirava do sério!

_ Se fosse algo comum, você não teria problema em me dizer! – afirmou Esteban.

_ O que você tem que ter claro é que é algo que eu vou fazer sempre. É um compromisso que eu tenho e também faço com muito gosto. Ao contrário de muitas pessoas nessa sociedade hipócrita, sempre cumpro meus compromissos.

_ O que você quer dizer com isso? Que vai ser algo constante? Saídas misteriosas?

_ Dê a elas o nome que você quiser, mas há um lugar onde eu preciso ir todos os dias e agora você já sabe!

_ Diga a verdade, Maria! É um homem, você tem alguém! – ele não viu quando lançou essas palavras de ataque à honra de Maria.

_ Assim você questiona minha honra! Como ousa fazê-lo? – Maria indagou imponente.

_ Perdão! – ele disse se aproximando. – Mil perdões, não foi minha intenção. É que esse mistério me intriga. Eu jamais quis te magoar ou ofender.

Maria se incomodou com a proximidade. Ele segurou seu braço e ela olhou para sua mão no braço dela e estremeceu quando levantou o rosto e olhou-lhe nos olhos.

🎵Mil y una historias me he inventado

Para demostrarte que he cambiado

Ya lo que pasó pasó

Rescatemos lo que nos unió

Que todos aprendemos de nuestros errores

Solo yo te pido que ahora me perdones

Pero quien me iba decir

Que dificil es vivir

Y ahora que no estas aqui

Me doy cuenta cuanta falta me haces🎵

***

Flashback On

Rio de Janeiro de 1868

Pouco mais de um mês depois Maria voltou para casa com dona Úrsula completamente só. Até aquele dia perder Esteban fora o trago mais amargo de sua vida. Ainda mais ao descobrir por Alfredo os verdadeiros motivos pelos quais ele havia se comprometido com Ana Rosa: o dote de 30 contos de réis. Isso destruíra a imagem de homem admirável que ela tinha dele, havia feito com que ela visse que o homem que ela amou, jamais existiu. Mas agora nada disso importava, naquela tarde havia enterrado sua mãe. Sofia, sua companheira. Parecia que estava no momento de perdas em sua vida. Primeiro o homem que amava e agora sua mãe. Como seguir só nesse mundo e ainda mais com o que tinha agora?

Dona Úrsula entrou no quarto, também tomada pela tristeza e se compadeceu por Maria.

_ De novo chorando, minha filha? Assim você vai ficar doente e isso entristeceria totalmente Sofia.

_ Está muito difícil suportar a morte de minha mãe dona Úrsula, nunca enfrentei uma tristeza tão aguda, mas eu tenho que superar, eu preciso.

_ Sim, temos que aprender a viver sem Sofia. Ela não ia querer ver que a morte dela nos destruiu.

_ A senhora tem razão. Além do mais, agora eu tenho um motivo, um motivo para seguir, um motivo para seguir a vida em frente...

_ Do que você está falando, minha filha? – Dona Úrsula indagou intrigada.

Maria levou as duas mãos sobre o ventre e com lágrimas escorrendo pelo rosto sorriu. Dona Úrsula levou as mãos à boca e arregalou os olhos com a impressão.

_ Você está grávida? Grávida, Maria?

🎵Porque nunca habra nadie que pueda llenar

El vacio que dejaste en mi....

Has cambiado mi vida me has hecho crecer

Es que no soy el mismo de ayer

Un dia un siglo sin ti...🎵