Em Busca de Teu Perdão

13 Capítulo 13 - Barreiras (+18)


Notas iniciais
Lembrando que me encanta favoritos, comentários e recomendações ;)

***

Maria se arrepiou de cima abaixo com suas palavras e seu olhar malicioso. Seu corpo parecia agir por conta própria quando se tratava de Esteban, estremeceu de desejo. Ele seguiu acariciando sua coxa e beijando-a abrasador. Ao sentir suas carícias sobre sua pele Maria se sentia inflamar e que não podia controlar seus instintos.

_ Você está louco! Pare com isso! – Ela o empurrou ofegante.

_ Isso é realmente o que você quer? – ele perguntou fitando-a firmemente nos olhos. – Seu corpo, seus beijos dizem o contrário. – voltou a beijá-la ardentemente.

Maria sentia perder-se no vazio. Queria se entregar, mas ao mesmo tempo receava confiar novamente no amor de Esteban e sair machucada. Ele não era de confiança e isso ela tinha que recordar sempre!

_ Esteban, sexo não vai resolver os problemas que nós temos. – ela disse com os olhos fechados entre um beijo e outro que ele lhe roubava. Roubava não, ela não só consentia como correspondia.

_ Você tem razão. – ele disse sem parar de beijá-la. – Mas... Por que não? – indagou olhando-a súplice. – Eu quero, você quer, eu te amo!

_ Nós podemos nos machucar com esse jogo, Esteban. – advertiu Maria sem poder deixar de beijá-lo.

_ Não é um jogo. E nós não vamos nos machucar. Eu não vou te magoar nunca mais. Eu prometo.

Disse essas palavras roçando seus lábios nos dela que ardiam por beijá-lo mais e mais.

_ Eu não quero acreditar de novo em suas promessas. – ela disse sincera baixando o rosto.

Ele a beijou na bochecha, carinhoso e levantou seu queixo afável. Tanta ternura confundiam-na e deixavam Maria estremecida.

_ Então viva o momento. Vamos viver esse momento. Não temos nada a perder. Desde que estivemos juntos aquela vez na carruagem não sabe como fantasio com isso, como sonho em te fazer minha aqui, em te levar ao céu.

Maria sorriu tímida baixando os olhos. Ele entendeu que, com esse seu gesto ela não se negava e envolveu seu corpo entre seus braços e sua boca com seus lábios beijando-a ávida e vorazmente. Maria se sentia sem fôlego, o coração disparado, que as pernas não a obedeciam. Abraçou-o e se entregou totalmente no beijo e nas carícias. Ele subiu novamente as mãos por debaixo de suas saias e delicadamente tirou suas roupas íntimas. Quando seu dedo abscindiu por sua feminilidade úmida ela soltou um gemido abafado. Ele sorriu e seguiu beijando-a e dando-lhe prazer com seu dedo. Maria se descontrolava a cada movimento dele, as pernas não a obedeciam e pareciam ter vida própria.

Debatiam-se, cruzavam-se uma contra a outra, impactavam-se com o braço de Esteban que estava entre elas. Com suas mãos ela agarrava o pescoço de Esteban como que refugiando-se dos espasmos provocados pela estimulação de Esteban. Ele beijava-a no pescoço e brincava com a língua em sua orelha fazendo-a sentir amada dos pés à cabeça e esquecer-se de todo o demais.

Algo em sua mente dizia que aquilo não estava certo, que ela não devia fazer amor com Esteban com tantas mágoas e dúvidas entre eles, mas, havia certos momentos em que o amor falava mais alto e quando ele agia tão terno e sedutor ela não podia resistir às carícias. Porque, à despeito das dores e mágoas, ela o amava. Amava-o inevitavelmente e aquele amor era como uma faca de dois gumes. Quando ele a fazia recordar porque tinha se casado com ele e o que representava, de fato, aquele casamento, sentia seu coração se encher de amargura e sede de vingança. Ao mesmo tempo, quando ele agia terno e pícaro, seduzindo-a para fazer amor com ele, sentia-se no céu, com imensa vontade de pertencer a ele, de sentir prazer nos braços do homem que amava, de sentir que seus corpos eram um só.

Esteban seguia dando-lhe prazer intensamente e Maria soltou-se dele e comprimiu seu corpo contra a parede da carruagem, sem poder controlar. Segurava-se com as mãos abertas, tentando comprimir os gemidos o quanto podia para que não fossem ouvidos por Alceu, mas. às vezes não podia quando os dedos de Esteban tocavam-lhe em um ponto mais sensível. Quando deu por si havia estalado de prazer a atingido o orgasmo ali na carruagem. Respirava ofegantemente quando Esteban deu lhe um beijo libidinoso introduzindo a língua em sua boca e recebendo a dela enquanto ela recuperava-se dos espasmos do orgasmo. Ela acariciou sua ereção agitada e ele fez menção de sentá-la em seu colo de frente para ele para penetrá-la quando ela foi acometida por um pensamento que encheu-lhe de tensão.

_ Não! Isso não! – recusou-se.

_ Você não quer ser completamente minha. Garanto que eu posso te dar prazer muito mais intensamente entrando em você... – Esteban queimava de desejo por ela, queria possuí-la completamente e sentir sua suavidade e incandescência consigo dentro dela.

_ Eu não posso. Estou no meu período... Eu posso ficar grávida.

Esteban se surpreendeu com a preocupação dela. A carruagem foi diminuindo e se deram conta que haviam chegado à chácara em que viviam. Maria se ajeitou e desceu da carruagem e ele a seguiu pensativo. Jamais havia pensado na possibilidade de ter um filho com Maria. Seria maravilhoso um bebê fruto daquele amor, da única mulher que ele amava. Por que ela demonstrou tanto repúdio pela possibilidade? Maria não entrou em casa, foi para o jardim e Esteban sentou-se lá com ela.

_ Você não pretende ter filhos? – ele indagou pensativo.

_ Não sei... – ela divagou. De fato aquela possibilidade a deixava muito confusa.

E, entre tudo aquilo, havia Isabel que parecia estar vivendo com sua vida em suspenso pela indefinição da situação de seus pais. Jamais poderia colocar outra criança no mundo naquelas condições, seria algo inconcebível.

_ Eu adoraria ter filhos com você. – garantiu Esteban.

_ Esteban, você acha que, realmente na nossa história, estamos em momento de falar sobre filhos? – Maria indagou um pouco engasgada de emoção.

_ Maria, eu sei que está tudo contra nós. Tudo e todos e, às vezes parece que essa situação toda não tem solução. Mas eu te amo! Te amo como minha própria vida e tudo que quero e te reconquistar e ser outra vez merecedor do seu amor.

_ Alguma vez você foi? – ela perguntou amarga.

Esteban baixou os olhos, sabia que a acusação embutida naquela pergunta tinha razão de ser: ele jamais havia sido merecedor do amor de Maria e se agora lutava por ele é porque reconhecia que tinha muitas faltas que reparar com ela.

_ Eu me penitencio todos os dias pelo mal que te fiz, Maria. Fui um canalha, imbecil.

Ela não respondeu. Mirou algumas flores no jardim perdida em seus pensamentos.

_ Mas eu te amo e quero ser digno desse amor que você me devotava. Quero ser digno desse amor que sei que você ainda sente.

_ Por que você tem tanta certeza que eu ainda te amo? – Maria desafiou-o a decifrá-la.

_ Porque eu sinto sua entrega em meus braços. Porque eu vejo nos seus olhos. Porque eu senti em como você me apoiou quando eu soube de minha mãe. Por que eu percebo que, apesar de tudo, você quer estar comigo, como estivemos juntos agora na carruagem.

_ Mas isso não é coisa de amor... – ela começou e ele se incomodou ao perceber a direção de suas palavras.

_ Você vai outra vez dizer que é “só” sexo? Que não tem sentimento? – alterou-se Esteban.

_ Por mais que eu às vezes me entregue à você e façamos amor... Fazer amor... – ela repetiu sorrindo amargamente. – Esteban, o fato de fazermos sexo não apaga tudo o que existe entre nós. Eu não posso esquecer! Não posso esquecer todas essas coisas que nos separam.

_ Talvez você tenha razão. Mas se você se entregar... Se você se entregar aos poucos, eu prometo ser capaz de ganhar seu amor e, dessa vez, sem te defraudar.

Maria o olhou descrente. Levantou-se e entrou na casa. Foi para seu quarto querendo tomar um banho. Precisava acalmar os anseios de seu corpo, os anseios que aquelas carícias tão intensas de Esteban lhe produziam. Ah, como era maravilhoso fazer amor com ele, como ele a fazia sentir uma mulher completa, intensa, plena. Como queria poder resistir à suas carícias e dizer não, mas quando ele a beijava... Quando ele a beijava sentia-se visitando o céu, tamanha era a sensação de entrega que a invadia. Era como se seu corpo necessitasse do dele, como conseguiria resolver essa situação?

***

Com o passar dos dias, apesar de que as asperezas e a animosidade desapareceram entre Esteban e Maria, poucas coisas mudaram. Cecília se recuperou da doença para alegria da família. Maria não queria que Esteban tivesse que enfrentar a dor de perder sua mãe como ela enfrentou e na chácara dos dois tudo seguiu como sempre. A Esteban seguia incomodando que Maria saísse todos os dias para um destino que ele desconhecia, mas, muitas vezes, os dois se punham um pouco românticos e se deixavam levar pela paixão. Depois Maria voltava a se deixar tomar pela mágoa e pelo fato de não conseguir confiar em Esteban e se esforçava por construir uma barreira entre eles. Outras vezes, Esteban lhe reclamava tanto mistério, o que ela fazia todos os dias que ele não podia dizer.

Por sua parte, Esteban amava cada dia mais à Maria e por isso se deixava tomar completamente pelos ciúmes de suas saídas misteriosas. Nisso a palavra de Maria se concretava: entre eles havia ainda muitas barreiras por derrubar, não podiam ser completos um com o outro, se entregar completamente ao amor. No fim de uma manhã de domingo os três almoçavam tranquilamente quando Maria teve uma ocorrência.

_ Esteban, já estamos há mais de um mês casados e é de boa educação retribuir a visita dos nossos amigos da sociedade que nos lisonjearam com sua presença em nosso casamento e dias depois. Vamos começar amanhã.

Ela voltou a assumir sua postura de senhora que Esteban reconhecia muito bem. Quando ela agia assim ele se limitava a realizar seus caprichos por recordar as regras que regiam aquele casamento. Regras essas que estavam claras desde a noite de núpcias.

_ Está bem! – ele aceitou sem resistência.

_ Que bom que você concorda. Saímos amanhã ao meio dia! – ela sentenciou.

_ Meio dia? Não podemos ir à tarde?

_ Por quê? Alguma razão específica? – ela fez-se de desentendida.

_ Não gostaria de faltar ao trabalho. – Ele recordou.

_ Olha só, dona Úrsula! Quer me trocar por um bando de homens numa repartição, isso é possível?

Dona Úrsula sorriu e fez que não com a cabeça.

_ Está decretado! Agora com mais razão, vamos ao meio dia. – definiu Maria.

_ Isso não vai atrapalhar ao seu compromisso de todos os dias? — ele indagou um pouco agressivo.

_ De nenhuma maneira. – Maria demonstrou despreocupação com sua negativa. – Posso ir no meu compromisso pela manhã ou pela noite.

Quando ela falou que poderia ir à noite, Esteban arregalou os olhos. Queria reclamar-lhe, mas não o fez. Engoliu a raiva e disse com o cinismo já característico entre eles

_ Como queira, senhora!

Passaram, como de costume, a tarde juntos na sala da casa conversando amenidades. Por vezes Maria tocava piano, distração que havia aprendido com seu pai que trazia seu sangue nobre nas veias. Outras vezes conversavam sobre as notícias do jornal ou ouviam Esteban recitar poemas. Quando dona Úrsula se perdeu um pouco deles na sala, Maria indagou curiosa:

_ Quando eu te conheci você não era tão empenhado no trabalho. Não tinha problema em faltar, se atrasava. E agora que você é rico...

_ Eu não sou rico. Você é rica! – ele deixou novamente claro a distância que havia entre eles.

_ Agora que você está casado comigo se dedica a seu trabalho como alguém que quer muito algo. Você tem algum interesse aí?

_ Há um cargo que vai vagar nos próximos dias. Interessa-me o posto, estou batalhando por ele.

_ Vai pagar mais do que seu atual posto?

_ Sim, paga 5 contos de réis.

_ Você precisa disso? – Maria desdenhou novamente jogando em sua cara a condição de diferença que existia entre eles.

_ Preciso! – Afirmou Esteban muito seguro.

_ Você acha que não fazer uso do meu dinheiro muda o fato de... Muda a maneira como as coisas se deram entre nós? É apenas uma maneira de alimentar seu ego e seu orgulho. – Maria atacou.

_ Que seja! Mas eu sinto que alguma dignidade eu tenho que conservar. Ainda mais... – disse ele se aproximando dela com olhar arrebatador – que eu tenho a intenção de algum dia você volte... Você me veja com admiração.

Maria se perturbou com o contato e não disse nada. No dia seguinte fizeram várias visitas e Esteban se comportava como o mais apaixonado e dedicado dos maridos, atendendo a cada um dos caprichos de Maria. Em todos que eles visitaram deixaram uma impressão de casal harmônico e feliz. Os sarcasmos e ironias que costumavam pairar entre eles quase não era perceptível para as pessoas com quem eles conviviam porque os dois haviam aprendido a fazer uso das palavras de uma maneira cuidadosa. Maria foi se tornando mais resistente às investidas de Esteban, não se sentia à vontade para fazer amor com ele e logo recordar tudo o que existia entre eles. Estava machucando-a aquela situação e ela se sentia ainda mais desvalida que quando se casou com Esteban.

Precisava encontrar uma maneira de conversar com Esteban com tranquilidade. Um dia, no início da tarde, ao voltar para casa depois de visitar Isabel, passava pelo centro da cidade onde ficava a repartição em que Esteban trabalhava e resolveu tomar coragem e procurá-lo pela primeira vez, jamais havia feito isso. Estava próximo das 3 da tarde, hora em que encerrava-se o expediente e ela sentiu que era um momento para tentar resolver algo da situação dos dois. Ao entrar ali e procurar pelo marido, algumas pessoas indicaram uma sala no fundo da repartição. Maria caminhou insegura até lá, todos os seus medos se agolpeavam no peito. Ao chegar próxima da porta viu que ele estava acompanhado de uma mulher e, sem fazer ruído, reconheceu a voz de Ana Rosa:

_ Ah, Esteban, é que às vezes eu sinto saudade de nossas conversas, eu me divertia tanto com você... – dizia a volúvel Ana Rosa muito acaramelada.

Maria sentiu-se engasgar pelo nó que se formou em sua garganta. Como podia havia sido tão imbecil em pensar em limar asperezas com Esteban e dar uma oportunidade aos sentimentos deles? Talvez aqueles sentimentos sequer fossem sinceros. Não deu tempo para ouvir a resposta de Esteban e se virou para o caminho da saída da repartição. Esteban ouviu o ruído e tentou sair, mas Ana Rosa o segurou:

_ Eu te faço uma declaração tão sincera e você não me diz nada?

Esteban a olhou sem saber o que dizer. Algo dentro dele dizia que aquela situação seria um grande problema para ele. Sem muita paciência com as investidas de Ana Rosa, logo a dispensou e pediu que ela não voltasse a visitá-lo no trabalho.

_ É que eu tinha vontade de te ver e me pareceu melhor vir aqui do que em sua casa. – justificou-se deixando ainda mais claras suas intenções.

_ Ana Rosa, eu não sei quais seus interesses, mas você sabe que eu sou um homem casado. Nossa... amizade não será vista com bons olhos pela sociedade, o melhor é que nos mantenhamos afastados.

Ana Rosa ainda insistiu manhosa, recusava-se a aceitar estar distante de Esteban, mas ele conseguiu, depois de um grande esforço conseguir que ela fosse embora.

Quando Maria subiu na carruagem já estava aos prantos. “Eu não vou me permitir ser enganada por ele de novo! Não vou dar à Esteban o poder de me machucar de novo!” Mas... o que ela dizia? Já estava completamente machucada, envolvida, cheia de ciúmes de que Ana Rosa o estivesse cercando sem nenhum pudor de que ele estava casado com ela. E se ela soubesse que o casamento dos dois não era uma união comum, como agiria? O perderia para sempre? Mas, como perdê-lo se ela não o tinha, se aquele amor não se realizava por completo. Ao chegar em casa retirou-se diretamente para seu quarto, dizendo à dona Úrsula que estava indisposta e não pretendia jantar.

Quando Esteban pegava seus pertences para dirigir-se à sua casa, um de seus colegas o deteve:

_ Que linda a sua esposa, hein! Eu só a havia visto no dia de seu casamento, mas hoje ela estava realmente radiante.

_ Minha esposa? Quando você a viu? – surpreendeu-se Esteban.

_ Ela esteve aqui ainda há pouco, perguntou por você e eu indiquei sua sala para ela.

_ Ah... – limitou-se Esteban a responder.

Maria o havia surpreendido com Ana Rosa e agora, provavelmente, tudo seria mais difícil. Todos os avanços e esforços conseguidos com ela iam por água abaixo naquele momento. Ele sabia que, se Maria não havia entrado, não os havia interrompido é por que, de fato, havia ficado chateada com a situação que presenciou. Como todos os dias, se dirigiu à pé para casa, pensando em como falaria com Maria depois daquele incidente. E se ela não quisesse ouví-lo? E se ela quisesse desistir e pôr fim em tudo?

***