Em Busca Da Sobrevivência
8 A Fúria Do Renegado
Notas iniciais
Os três estavam paralisados, a tensão que exalava deles era quase palpável, não faziam ideia do que fazer.
— Silêncio. — Sussurrou Gabriel assustado. — Vou sair e distrair ele, vocês fujam para o nosso esconderijo assim que eu sair.
— Mas você vai morrer se sair. — Bruna falou com a intenção de fazer-lo mudar de opinião. — Deixa que eu vou.
— Não, eu tenho mais habilidade para isso. — Gabriel falou decidido. — E além do mais, se Ana se meter em perigo, você poderá salvá-la.
— Como assim? — Indagou Ana.
— Geralmente, um bruxo desperta seu verdadeiro poder, quando alguém que ele ama fica em perigo. — Respondeu Gabriel.
— Então significa que se a Ana tiver perigo, eu vou despertar meu verdadeiro poder? — Perguntou Bruna.
— Sim. — Gabriel respondeu e logo em seguida saiu correndo para fora da casa. O lobisomem o perseguiu.
— Vamos. — Bruna puxou Ana pelo braço.
[...]
Todos que puderam já estavam a salvo na casa, Nayara observava por uma janela da sala, varrendo os olhos pelo local, se certificando de que não havia nenhum perigo. Ela intercalava seu olhar entre seus amigos que estavam do lado de dentro, e entre a janela, sempre atenta a tudo a sua volta.
— Droga, cadê eles? — Nayara reclamou usando um tom de voz alto.
— Fala baixo. — Berrou Julio.
— Fala baixo você. — Gritou Nayara.
— Eles são sempre assim... Divertidos? — Perguntou Leticia ao observar os dois discutindo.
— É, mais ou menos assim. — Thalia sorriu e seguiu em direção a cozinha.
[...]
— Meu pé está preso. — Exclamou Ana quando não conseguiu mais mexer sua perna esquerda.
— Ela está presa no meio das raízes dessa árvore. — Bruna se agachou para tentar solta-lá.
Tudo estava muito quieto, coisa que parecia ser um bom sinal.
Ouviram-se uivos por todos os lados, as meninas se sobressaltaram, arrepiando-se com o som estridente. Bruna apressou sua tarefa, mas estava muito difícil.
— Droga, eu não estou conseguindo soltar sua perna. — Bruna se esforçava, usava toda a sua força, mas não conseguia.
— Faz alguma coisa... Você é uma bruxa usa um feitiço. — Ana falava tentando achar uma possibilidade.
[...]
— Isto está muito estranho, eles não chegam. — Julio estava aflito com a demora dos outros. — Eu vou procurá-los.
— Está ficando maluco? — Perguntou Nayara. — Eu vou junto.
— Não quero que mais gente se perca por ai, eu irei sozinho. — Julio seguiu em direção a porta.
— Tá. Se você quer ir sozinho tudo bem, mas leve isso. — Nayara pegou em cima da mesa da cozinha a faca que Gabriel tinha dado a ela.
— Tudo bem. — Julio pegou a faca da mão de Nayara e seguiu em direção a rua.
[...]
— Droga, não aguento mais correr. — Gabriel parou por um segundo para ver se o lobisomem ainda estava atrás dele.
Ele mal conseguiu olhar para trás, pois subitamente o lobisomem pulou em cima dele.
— Ah, Droga! Sai de cima de mim, Matheus. — Gabriel empurrou o lobisomem para o lado dele.
— Como você sabia que era eu? — O lobisomem falou ao se transformar em um homem alto, com barba mal feita, olhos vermelhos, cabelos escuros um pouco comprido que atrapalhava na visão do mesmo. Ele estava completamento despido, por conta da transmutação.
— O único lobisomem que eu conheço com olhos vermelhos, é você. — Gabriel sorria enquanto falava.
— Me esqueci deste detalhe. — Matheus se sentou no chão. — Estou muito cansado de correr atrás de você.
— Mas afinal, porque você queria nos matar? — Gabriel perguntou ao seu amigo.
— Eu não me lembro direito. — Matheus parecia confuso. — Eu só me lembro de uma tal de Morgana.
— Morgana? Eu conheço uma Morgana, será que ela te controlou, e mandou você para nos matar? – O semblante de Gabriel estava sério.
— Não sei. — Matheus se levantou. — Eu já vou indo.
— Até. — Gabriel se despediu de seu amigo.
— Espera, eu to me lembrando de algo. — Matheus passou suas mãos na cabeça.
— O que? Diz! — Gabriel começou a ficar nervoso.
— Morgana... Ela mandou um recado. — As memórias de Matheus voltavam aos poucos. — Ela mandou dizer que não medirá esforços para completar o sacrifício da bruxa substituta, nem que ela tenha que matar todo mundo que ela ama.
— O que?! — Gabriel berrou confuso.
— Eu não sei de mais nada, desculpa não poder ajudar. — Matheus saiu correndo em meio à floresta.
[...]
A pequena floresta começou a se aquietar com a ida dos lobisomens.
— Finalmente consegui te soltar. — Bruna usou a magia que fazia com que ela soltasse fogo das mãos para queimar as raízes e soltar sua irmã. Ela havia aprendido isso com Gabriel, a bruxa já havia presenciado várias vezes a cena em que Gabriel fazia isso.
Bruna mal conseguiu comemorar, pois se viu cercada por zumbis, que surgiram de todos os lados sem que elas percebessem.
— Bruna me ajuda! — Ana gritou por socorro quando um zumbi fez com que ela caísse no chão, ela seguia em direção a ela lentamente, prolongando assim sua agonia.
— Eu não sei o que fazer. — Bruna ficou parada enquanto o zumbi continuava a ir em direção a sua irmã, seu rosto mostrava sua agonia — Não!
Ao gritar, as raízes das árvores prenderam o zumbi; um barulho de tiro soou direto na cabeça do zumbi.
— Será que isso com as raízes, foi o poder que o Gabriel falou? — Bruna estava falando baixinho.
— Vocês estão bem? — Julio apareceu com sua arma em mãos.
— Ah, foi você que atirou? — Perguntou Ana, ela estava ofegante, o medo ainda percorria por suas veias.
— Sim, mas quem é você? — Julio perguntou a garota.
— Sou Ana, irmã da Bruna. — Respondeu Ana sorrindo.
— Pessoal, finalmente. — Do nada Gabriel surge naquele local. — Achei que estava perdido.
— Ainda bem que não. — Julio sorriu. — Vamos voltar pra casa.
Os quatros se dirigiram a casa; todos se reuniram na sala, e fizeram as devidas apresentações.
— Pessoal tenho um comunicado a fazer. — Gabriel se dirigiu ao meio da sala. — Bruna é a bruxa substituta.
— Bruxa substituta? Que história é essa? — Perguntou Bia.
— É uma história longa. O que interessa, é saber que antes de morrer, eu precisava achar alguém que me substituísse e agora que encontrei... Quando chegar à hora poderei morrer em paz. — Gabriel parecia contente consigo mesmo.
— Não estou muito bem posso ir ao banheiro? — Lucas se levantou e saiu da sala.
Cinco minutos se passaram e nada do Lucas aparecer, Gabriel resolveu ir até seu quarto— que na realidade era antiga despensa que ficava no andar de baixo—, ao chegar lá encontrou o seguinte bilhete:
"Eu buscarei vingança, eu que deveria ser o bruxo substituto e não Bruna. Começarei pela Ana assim que possível"
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