Em Busca Da Memória
1 Despertar
Notas iniciais
Um capítulo curto, mas é só para iniciar.
Boa leitura...
Aquela imagem ainda ecoava em minha mente, meus pais sendo massacrados por aquela criatura de um olho só. Abri meus olhos em tentativa de escapar daquela imagem, mas a luz acabou por ferir meus olhos. Tentei novamente desta vez devagar, percebendo estar em uma espécie de enfermaria, mas não era como de hospitais ou de colégios, longe disto. Ao meu lado estava uma garota de cabelos castanhos e olhos verdes, usava uma blusa verde com algumas palavras em grego antigo que eu estranhamente entendi, “Filha de Deméter”.
- Está viva! – Ela disse com um semblante feliz – Como se sente?
Abri a boca, queria dizer que estava bem, mas palavra alguma saia da minha boca, pisquei incrédula, então tinha perdido a fala? Senti-me desesperada, mas ela apenas sorria, dizendo para que eu me acalmasse, pois tudo iria ficar bem. Respirei fundo e após alguns minutos tentei novamente.
- O que aconteceu? – Disse com voz falha.
Ela chamou um garoto do lado de fora, era um pouco alto e visivelmente tímido, tinha os cabelos encaracolados com duas coisas pontudas saindo deles, usava uma blusa laranja escrita Acampamento Meio-Sangue, suas pernas eram peludas e no lugar dos pés tinha cascos de bode.
- Você está em um lugar chamado Acampamento Meio-Sangue, aonde os filhos dos Deuses com mortais vêm para aprender a sobreviver, a lutar contra monstros e para orgulhar seus pais divinos. – Ela deu um sorriso – Você foi trazida para o acampamento inconsciente por Matt, ele vai explicar melhor para você, agora se me permite...
Ela disse saindo do quarto, deixando-me com Matt, ele parecia nervoso, fitava o chão enquanto tentava dizer algo que eu não entendi muito bem. Ele suspirou e sentou-se ao meu lado, dando um sorriso bem fraquinho.
- Oi Lucy. – ele disse em voz baixa. – Sei que deve estar se perguntando o que sou eu, acho que não se lembra de muita coisa que aconteceu.
Acenei positivamente com a cabeça, olhando fixamente para ele, por alguma razão ele parecia um ser tão inofensivo, que eu achava um pouco difícil ele ter me salvado das mãos daquele ser de um olho só.
- Eu estava procurando um meio-sangue como você naquele local, mas não conseguia achar de maneira nenhuma, estava quase voltando para o acampamento quando vi você correndo de um Ciclope, eu iria correr, mas tinha que te ajudar, era o correto a fazer.
Dei um sorriso fraco, colocando a minha mão sobre a sua e apertando um pouco, ele fitou-me finalmente nos olhos, eu podia não me lembrar de que ele me salvou, mas sabia que devia agradecê-lo.
- Matt... – Disse eu com voz fraca – Obrigada.
Ele sorriu mais confiante, e continuou sua explicação, até que surgiu um garoto loiro, de olhos azuis, aparentemente ele dormia muito, pois ainda estava de pijama, um pijama muito estranho, pois era azul claro com alguns travesseiros desenhados nele, em minha opinião aquilo era muito, muito vergonhoso.
- Matt, Quíron pediu para levar a nova campista para a casa grande. – O garoto disse sem olhar para mim.
- Certo. – Respondeu Matt – Está pronta Lucy?
Afirmei me levantando devagar da cama, tomando cuidado ao tocar o chão com os pés calçados. Apoie-me ao sátiro, caminhando com dificuldade para fora daquela enfermaria, foi quando pude ver o lado de fora. Havia adolescentes com arcos e flechas, espadas, escudos e outras armas, algumas mulheres diferentes de coloração esverdeada, outros sátiros como Matt correndo atrás dessas mulheres. Fui guiada até um campo completamente cheio de morangos, com alguns sátiros tocando flauta e a plantação dando sinal de vida, como se estivesse dançando.
À frente estava um gigantesco casarão azul, onde eu avistei dois homens, um de cadeiras de roda e um baixinho que tinha a aparência de um bêbado, usava uma camiseta havaiana com um tigre desenhado nas costas, uma bermuda de cor creme e sandálias de borracha.
- Olá Lucy, que bom que você está melhor. –Disse o homem de cadeira de rodas, ele tinha um semblante agradável, o rosto de um tio bonzinho.
Ainda não entendia como aquele homem sabia o meu nome, afinal eu estava ali há quanto tempo? Um dia? Algumas horas?
- Você está aqui há duas semanas Lola Cyrus. – O homem de camiseta estampada falou.
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