Em Busca
25 Operação Texugo
Notas iniciais
Killian, Emma, Natalie e Regina passaram dois dias preparando a Operação Texugo (apelidado por Natalie) que já está pronta para ser colocada em prática.
Killian e Emma, com Capitão junto no carro, buscam Natalie na escola logo depois de terem deixado a pequena Annie com Mary Margaret (pois a única creche da cidade teve todos os canos vazados e a energia elétrica pifou, acabando sendo interditada) e partem direto para a casa de Regina.
—Tudo certo aí atrás, princesa? – pergunta Killian, pegando e apertando um pouco na mão da filha por trás de seu banco, enquanto eles vão indo para a casa de Regina.
—Tá tudo sim, p... Killian. Tá sim. – diz Natalie, esfregando levemente a boina de seu falecido pai, que está debaixo do seu casaco, e olhando fixamente a paisagem de fora do carro.
Killian repara na auto-correção da filha, mas não fala nada a respeito. Ele fica muito feliz quando ela está prestes a chamá-lo de pai, mas um pouco triste quando a mesma não o realiza.
—Você sabe ao que me referi. – ele por fim fala em resposta rápida.
Vendo que não pode mais se esquivar, Natalie suspira pesadamente e fala:
—Honestamente? Estou com medo. Tenho medo de que minha... mãe da Floresta Encantada esteja... você sabe, morta ou que ela fique com raiva de mim por eu ter saído de casa de repente, sem avisar nada à ela e a deixado preocupada e tudo.
—Ei, querida... – diz Emma, acariciando o braço da filha – se a sua mãe continuar viva e morando naquela casa (o que eu acredito fielmente) ela não vai ficar com raiva de você. Tudo bem, ela vai muito brava mesmo com você, isso é um fato, mas com certeza não por muito tempo, principalmente pelo o que te levou a fazer tal ato.
—Obrigada, Emma.
Eles por fim chegam na residência dos Mills-Hood. Killian só deu uma buzinada e Regina e Robin saíram no mesmo instante de casa. Regina, com uma enorme sacola rosa com estampas de ursinhos e Robin segurando uma mamadeira e um patinho de pelúcia, usando uma espécie de mochila do lado errado e com pernas. Natalie vai para a ponta do banco, Capitão vai para a “cachorreira” do carro e Regina e Robin entram.
—Oi, Natalie! – diz Regina, a abraçando com ternura pelo ombro e dá um carinho no babão Capitão. – Oi, Killian! Oi, Emma!
—Olá, Natie! – diz Robin, incapacitado de abraçá-la, mas lhe dando um carinho pelo ombro com a mão, quase como uma massagem e dá um carinho de leve em Capitão. – Oi, Killian! Oi, Emma!
—Por que trouxeram Willow? – pergunta Killian.
—Sim, por que não a deixaram com alguém? – pergunta Emma.
—Bem, olá também, mas como devem saber, a única creche da cidade foi interditada e não tinha ninguém dos nossos contatos disponível para cuidar dela na Storybrooke inteira. – diz Robin.
—Belle está cuidando dos trigêmeos (obviamente), Ruby tem um ultrassom agora depois do almoço, Granny está cuidando da lanchonete (como sempre), Cinderela trabalhando, Ronald foi viajar para Nova York com a escola e o resto está trabalhando ou cuidando dos filhos. – diz Regina, um pouco estressada.
—Tinha o João Pequeno, mas você não confia nele... – diz Robin.
—Não é que não confie nele, Robin, mas eu só acho que... ele não tem muita especialidade em cuidar de bebês.
—Ele já cuidou de Ronald diversas vezes quando ele era pequeno.
—Mas ele não era um bebê recém-nascido, Robin.
—Minha mãe está cuidando de Annie, mas talvez possam... – começa a dizer Emma.
—Amor, você saiu com pressa e não ouviu: sua mãe vai ter que ir pra escola agora depois do almoço, pois uma professora quebrou o braço, então Annie vai ficar na delegacia junto com David. – interrompe Killian.
—Mas... ele pode fazer isso?
—Ele disse que se tivesse que lutar contra o crime ele iria deixar Annie com a secretária.
—Então... podemos ir agora? – diz Natalie, que até então só ficou ouvindo a conversa.
—É, acho que Natalie tem razão. – diz Emma – Vamos... antes que Annie comece a brincar com os grampeadores da delegacia.
Killian dá a partida no carro e eles vão em direção à floresta de Storybrooke. Ele estaciona o carro em frente ao lago Middle Lake e as cinco pessoas, o bebê e o cão saem do carro e vão caminhando pela floresta seguindo as instruções do mapa de Regina que leva-os até o portal para a Floresta Encantada que, no caso, é a árvore em que Natalie apareceu meses atrás.
Eles enfim chegam. Emma tira do bolso do casaco um pequeno frasco de vidro com um conteúdo colorido e Regina tira da bolsa de fraldas um frasco de mesmo tamanho mas com um conteúdo azul marinho, tão escuro, que beira quase ao preto.
—O que é isso? – pergunta Robin.
—Duas poções que eu e Emma fizemos que combinadas quebram o feitiço do portal. Levei uma noite e uma madrugada inteira para fazer este feitiço. – responde Regina.
—Após a quebra do feitiço, iremos usar um pózinho mágico de teleporte que as fadas me deram. – diz Emma.
—Por isso não te vi na cama antes das três da manhã. – diz Robin.
—Mas eu te falei que eu iria fazer a poção para quebrar o feitiço do portal e que eu iria provavelmente demorar muito com aquilo! – diz Regina.
—Desculpe, mas eu estava quase dormindo lendo aquele livro besta para a Willow; eu só ouvi a parte que você iria demorar muito com aquilo.
—Gente... vocês são meus amigos e tudo mais, mas acho que é melhor quebrarmos logo o feitiço do portal. – diz Killian.
—Tem razão. – diz Regina.
Emma e Regina começam a despejar os conteúdos de seus respectivos frascos ao mesmo tempo. Após aproximadamente trinta segundos, uma bolha laranja com uma fumaça preta dentro começa a crescer até englobar toda a árvore. Todos se afastam. Quando a bolha engloba o último galho da árvore, ela estoura, mas ao invés de ter um monte de um líquido gosmento ser espalhado por toda a floresta, a bolha na realidade se dissolve e vira um pózinho laranja brilhante que é levado embora pelo vento; a fumaça preta também se dissolve e vira um pózinho (só que preto e não brilhante) e literalmente some, não pelo vento ou entre as folhas, simplesmente some.
—Muito bem, é a hora da verdade... – diz Emma para si mesma.
—Vamos em pares e cada um deles irá pegar um pouco do pózinho, entrar dentro do buraco do tronco, falar Floresta Encantada antes de jogar ele, jogar o pózinho dentro do buraco e o próximo par espera toda a fumaça baixar antes de se teletransportar. Entendido? – diz Regina.
Todos balançam a cabeça em concordância.
Natalie está muito nervosa, não de se teletransportar, afinal, já fez isso duas vezes, mas sim de se encontrar com sua mãe da Floresta Encantada.
—Muito bem. Eu e Robin iremos primeiro e quando chegarmos lá esperaremos por todos vocês. – diz Regina já pegando um pouco do pózinho rosa.
Os dois entram dentro do buraco do tronco (é uma árvore bem grande) ; Robin e Regina protegem a pequena Annie.
—Boa viagem! – diz Killian, acenando com o gancho.
—Se cuidem! – diz Emma.
—Até logo! – diz Natalie, abraçada fortemente em Killian e muito nervosa.
—Lembrem-se: falem Floresta Encantada. – diz Regina.
—Sim senhora. – diz Robin sorrindo e dá a mão para Regina que também sorri e o dá um beijo.
—Floresta Encantada! – os dois falam ao mesmo tempo, Regina joga o pózinho e uma grande fumaça rosa se forma dentro do tronco.
Natalie nem olha, somente se abraça fortemente em Killian e enterra o rosto em sua jaqueta. Killian a abraça e Emma esfrega a mão nas suas costas.
—Eles estão bem, querida. – diz Emma – É impossível alguém se machucar com um feitiço de teletransporte!
—Não é o teletransporte que eu estou nervosa, – diz Natalie, ainda com a cara enterrada na jaqueta de Killian – e sim de me encontrar com a minha mãe, se é que eu vou encontrar!
Emma pega Natalie pelos ombros e a olha em seus azuis escuros aguados.
—E-eu estou com medo, Emma. A última vez que falei com minha mãe nós brigamos e... eu não quero que essa seja a última conversa que eu tive com ela!
—E não vai ser! – diz Emma com veemência – Natalie Alden Swan Jones, a menina mais corajosa que conheço não está com medo! Certo?
—Certo. – ela então bota a mão dentro do casaco, aonde está a boina, e começa a esfregá-la.
—O que houve, Natie? – perguntou Killian.
—O quê? – ela perguntou, já tirando a mão de dentro do casaco.
—Dentro do seu casaco. Está com alguma dor? – perguntou Killian.
Natalie suspira pesadamente e tira de dentro do casaco a surrada boina e mostra aos pais.
—Está era a boina do meu pai da Floresta Encantada. Ele não a tirava por nada, às vezes nem para dormir e... em seu leito de morte, ele pediu para a minha mãe da Floresta Encantada dar a boina dele para mim. Eu então tenho ela desde então.
—Eu nunca vi você com esta boina. – diz Killian.
—Mas agora vai. – diz Emma, pegando a boina das mãos da filha e botando em sua cabeça. – Seu pai estará sempre com você, tanto Killian quanto o seu pai da Floresta Encantada. Agora vamos lá achar a sua mãe!
—Deixa que eu vou na frente com Capitão. – diz Killian.
—Tudo bem. – diz Emma – Eu vou com Natalie.
Killian pega Capitão no colo e o bota dentro do buraco do tronco junto de si, Emma o estende um pouco de pózinho e eles se dão um selinho.
—Te vejo no outro lado. – diz Emma.
—Te vejo no outro lado. – diz Killian.
Emma se afasta e Killian grita:
—Floresta Encantada! – e joga o pózinho, fazendo surgir uma grande fumaça rosa.
Emma e Natalie esperam a fumaça sumir totalmente e então entram no oco do tronco.
—Pronta? – pergunta Emma.
—Pronta. – afirma Natalie confiante.
—Floresta Encantada! – As duas falam em uníssono.
Emma joga o pózinho no chão do oco do tronco e elas somem de dentro dele. Elas acabam parando em uma caverna escura e úmida, cheia de teias de aranha, outros insetos, ratos, grande balcões de pedras já tomado pelas mais diversas criaturinhas, com os diversos frascos e livros sobre eles já todos empoeirados e mofados (no caso dos livros) e uma cama de palha já totalmente podre e decadente. Por sorte, lá já estavam Killian, Regina, Robin e Capitão.
—Até que enfim! – diz Regina – Estavam demorando muito!
—Eu conheço esse lugar... – diz Natalie.
—E que lugar é, Natalie? – pergunta Robin.
—É onde Whitney morava e fazia suas maléficas poções e feitiços. Foi aqui que ela tentou me matar pela primeira vez, mas eu consegui atravessar o portal que ela fez para Storybrooke, de algum jeito. Deve ter sido aqui que ela pregou a praga no nosso reino...
—Como assim? Que praga? – perguntou Regina.
—É que foi Whitney quem lançou um feitiço no nosso reino que secava todo o solo de todas as plantações e florestas e matava todos os animais de fazendas e de florestas.
—Bem, não se preocupe com relação à isso, Natalie, pois como Whitney morreu, seu feitiço também se foi. Acontece com todos os magos, feiticeiros ou qualquer outra coisa que possua o poder da luz e das trevas ao mesmo tempo: o feitiço deles acaba quando eles morrem.
—Sério?! Mas como o campo de força não foi quebrado?
—Essa é a exceção: não tem como quebrar um campo de força sem usar um feitiço, nem mesmo no caso do poder Whitney.
—Bem, que ótimas notícias (por um lado). – diz Natalie.
—Realmente, mas acho melhor irmos embora daqui. – diz Emma.
—Me surpreende como nenhum urso ou algum outro bicho desse tipo não habita esse lugar. – diz Killian, enquanto saem da caverna.
—Deve ter sim, mas acho que o bicho foi caçar ou qualquer outra coisa e ainda não voltou. – diz Robin.
Eles então finalmente saem da caverna.
—Ah, Floresta Encantada! – diz Regina – Quanto tempo que não venho neste lugar!
—Ainda me lembro de meus tempos como Robin Hood, o Defensor dos Pobres. – diz Robin.
—Nós passamos bons momentos aqui, não Killian? – diz Emma – Quem dera se meus pais estivessem aqui, eles iam adorar.
—É, passamos mesmo, Swan. Há quanto tempo não vínhamos pra cá... – diz Killian.
—Olhem! – diz Natalie – As plantações, as florestas! Estão todas verdes e crescentes novamente! Graças à Deus!
—Não falei, Natalie, o feitiço dela foi quebrado. – diz Regina.
—E olhem! Dá até para ver a minha aldeia daqui! – diz Natalie.
—Muito bem, Natalie, você sabe o caminho daqui até sua casa?
—Claro que sim! Não é mesmo, Capitão? – e o cão dá um forte latido e sai em disparada para a aldeia – Ele já sentiu o cheirinho de casa! Vamos!
E todos começam a seguir Natalie e o alegre cão Capitão até à sua casa, descendo a montanha abaixo e atravessando algumas florestas.
É aproximadamente uma hora da tarde e eles já percorreram a metade do caminho. Acabam parando para descansar e comer um pouco. Regina vai para um canto para amamentar Willow junto com Robin que está comendo uma barra de cereal, Killian tira de dentro da sua mochila uma barra de chocolate que é repartida entre ele, Emma e Natalie.
—Acha que falta muito, filha? – pergunta Emma.
—Não muito, m... Emma. Mais uma hora e meia em passo rápido e chegamos lá.
Tanto Emma quanto Killian reparam na auto-correção da filha, mas ambos não falam nada.
—Ainda está nervosa? – pergunta Killian.
—Não. Estou bem mais calma na realidade. Só espero que minha mãe... da Floresta Encantada, não tenha um treco quando me ver.
—Bem, independentemente se ela tiver um treco ou não, uma coisa é certa: ela vai ficar muito feliz em vê-la. – diz Killian sorrindo para filha e a abraçando pelo ombro.
Regina e Robin então voltam.
—Willow não estava com muita fome, mas realmente estava precisando trocar as fraldas. – diz Regina.
—Podemos continuar ou querem descansar mais um pouco? – pergunta Robin.
—Me sinto muito bem, então tudo bem por mim. – diz Regina.
—Eu já me sinto bem descansada. – diz Emma.
—De acordo. – diz Natalie.
—Já estou bem descansado. – diz Killian.
Todos se levantam e voltam a seguir Natalie e Capitão a já não tão longa viagem.
Finalmente, quando já são por volta de duas horas da tarde, eles finalmente chegam à aldeia. Natalie volta a ficar nervosa, mas não como antes. Ela guia todo o grupo para aonde era sua casa. Ainda se lembrava do caminho décor, dos infinitos atalhos e esconderijos que descobrirá quando ainda era metade do seu tamanho atual. Flashbacks começam a aparecer repentinamente em sua cabeça, desde quando era tão pequena quanto Annie até pouco tempo antes de partir em sua jornada; e num piscar de olhos, já estavam lá, logo à frente a casa em que viveu toda a sua vida. Ela nem tinha percebido o tempo passar, a última coisa que lembra foi avistar a aldeia.
—Então... é aqui, querida? – pergunta Emma, reconfortando a filha pelo ombro.
—Sim. – diz Natalie, num tom seco como nem estivesse prestando atenção em Emma e esfrega de leve a ponta da boina.
Neste momento, ela esquece de todos. Não tem Emma, Killian, Regina, Robin. Em sua cabeça é só ela e a porta, a porta e ela. Natalie respira fundo, como se estivesse em uma corrida e a qualquer momento irão dar a largada e empurra a porta bem devagar. Quando finalmente abre a porta o suficiente para que consiga passar, Emma impede Killian de ir junto, que logo entende o porquê. Natalie adentra na casa junto à Capitão. Tudo está igual, nada mudou de lugar; a mesa ainda ao lado da pequena lareira de pedra, que ainda fica em frente ao grande banco acolchoado de couro de boi e lã de ovelha em que dormia, e logo ao lado da mesa, a pequena cozinha, com as mesmas duas e velhas bancadas e o grande caldeirão de comida. Mas mesmo com tudo igual, há algo diferente no ar, literalmente: o cheiro de uma comida boa. Fazia tempos que Natalie não sentia um cheiro de comida que não fosse o de pão seco e lebres, esquilos ou ratos sendo cozinhados. Um pequeno fio de lágrima percorre pelo rosto de Natalie.
De repente, pela porta ao lado da cozinha entra alguém muito apressado, cortando legumes e os botando no caldeirão: é ela. Natalie engole seco, se segura para não chorar descontroladamente até a hora certa e começa a andar apressada em direção à mãe, até que chega perto o suficiente para abraçá-la pelas costas como se não fosse largar nunca mais e então finalmente soltando o choro descontrolado. A mãe leva um susto, mas logo repare que conhece aquelas mãos que a circundam, se vira numa velocidade sobre-humana e começa a chorar também.
—Minha filha! – ela põem as mãos no rosto de Natalie para analisá-la e então começa a chorar ainda mais, mal conseguindo falar direito – Você voltou! – ela então perde a força nas pernas e se ajoelha, Natalie a acompanha e as duas ficam num abraço que parece eterno e choram em sincronia.
Após aproximadamente cinco minutos, as duas começam a se acalmar e se levantam.
—O que raios deu em você para fazer uma coisa dessas, Natalie! Sair de casa desse jeito, sem mais nem menos! Depois de todo esse tempo até passou pela minha cabeça que, talvez... você estivesse morta! – diz a mãe extremamente indignada e com um pouco de raiva na voz, quase que gritando com Natalie e a segurando firme e tenso pelos ombros. – O que te deu na cabeça para ir embora desse jeito!?
—É que... – Natalie começa falar com um pouco de medo na voz e não olhando a mãe nos olhos – além de eu não agüentar mais a situação que vivíamos e querer tentar resolver aquilo, fiquei realmente muito frustrada por descobrir que era adotada, porque eu achei que você não me amava de verdade e que somente me suportava, que somente me acolheu como filha ou por pena ou porque ninguém queria tomar conta de mim e também... porque pensei que meus verdadeiros pais haviam me abandonado e que não me amavam... – todos lá fora escutam e conseguem ver nitidamente a cena. Emma deixa escorrer alguns fios de lágrimas pelo seu rosto e Killian tenta segurar ao máximo as suas, mas ambos respiram pesadamente e abaixam suas cabeças ao ouvir essa última fala de Natalie.
—Oh, minha filha! – a mãe volta a abraçar Natalie – Eu sempre te amei e sempre vou te amar, não importa se você tem meu sangue ou não! – a mãe então volta a analisar Natalie – vejo que está com a boina do seu pai. – ela diz emocionada e orgulhosa ao mesmo tempo, acariciando o rosto da filha – ele ficaria muito orgulhoso de você, se estivesse aqui. Ele te amava muito mesmo, Natalie.
—Eu também amo muito ele, mãe, e também te amo e a meus pais biológicos também. – Emma e Killian se emocionam muito e Killian finalmente derruba uma lágrima. Os dois estavam se controlando com todas as forças para não entrarem lá e abraçarem sua filha.
A mãe fica com olhar confuso, Natalie então olha para a porta e faz sinal para as pessoas do lado de fora entrarem. Killian, Emma, Regina e Robin se surpreendem, mas entram mesmo assim. A mãe leva um susto, não esperava que haveria outras pessoas ali, então limpa suas lágrimas na mesma hora.
—Mãe, esses são Emma Swan Jones e Killian Jones, meus pais biológicos.
A mãe faz uma careta de espanto.
—Muito pra... – Killian estendeu sua mão para somente um aperto de mão, mas que é repelido por um terno abraço da mãe de criação de Natalie. Killian (e as outras pessoas) se surpreende, mas acaba respondendo ao abraço.
—É muito bom conhecê-los. – diz a mãe, que logo abraça Emma com a mesma ternura. – Meu nome é Mernie.
—E esses são Regina Mills, Robin Hood e a filhinha deles, Willow. Eles me ajudaram muito quando cheguei ao mundo deles. – diz Natalie.
Mernie também os abraça, mas toma cuidado para não esmagar muito Willow no colo de Robin.
—Então vocês não são desse reino, hein? Bem, claramente que não por essas roupas esquisitas. – diz a mãe.
—Não, não somos mesmo, somos na realidade de outro mundo e moramos em lugar chamado Storybrooke. – diz Emma.
—Storybrooke? Bem, enfim, que tipo de anfitriã eu sou?! Por favor, sentem-se e fiquei à vontade! Devem estar exaustos! Eu já estava terminando de preparar o almoço!
Eles ficam lá até umas quatro horas da tarde. Eles contaram à Mernie a história de Natalie quando ela nasceu e quando chegou em Storybrooke alguns meses atrás. Ela ficou abismada e aliviada por Whitney estar bem longe. Após isso, ela ficou contando sobre como era Natalie quando bebê e criança, tanto fisicamente quanto de personalidade. Se parece muito com Killian, mas tem o jeito da Emma! Ela disse. Até que eles finalmente perguntaram à ela:
—Então, Mernie... – começa a dizer Emma – nós estávamos pensando: quando voltarmos hoje para Storybrooke, você não quer vir conosco?
Mernie se espanta com a pergunta, suspira profundamente e até põem a mão no peito.
—Bem... – ela começa a responder – eu nunca pensei em sair da minha aldeia, muito menos da Floresta Encantada. Deixar minha casa, animais e vida aqui para ir à um mundo totalmente diferente e novo que nunca ouvi falar na vida... – Mernie olha para Natalie, que começa a desaparecer um pouco o sorriso. Mernie então sorri e fala com veemência: – Mas por minha filha eu faço qualquer coisa, então sim, eu vou com vocês!
Natalie fica tão feliz que pula direto no colo da mãe e a abraça com ternura.
—Partiremos hoje ainda, de preferência antes do sol se por! – diz Killian alegremente.
Enquanto Natalie está do lado de fora da casa com Capitão se relembrando do lugar aonde passou a infância, Mernie começa a preparar suas coisas, pegando somente alguns pertences pessoais.
—Esta tudo bem mesmo? – pergunta Emma, se sentando ao lado de Mernie.
—Estou sim, Emma, obrigada. A casa vai ficar bem, uma vizinha já reclamava como a casa dela era cheia de familiares e que estava desesperada em busca de uma outra. Quando estivermos indo vou falar com ela. Emma... – chama Mernie, parando de guardar suas coisas – tenho que lhe perguntar uma coisa: você e Killian se importam muito se Natalie continuar me chamando de mãe?
—Mernie, claro que não. Foi você quem criou ela, quem viu seus primeiros passos, ensinou a falar, a te chamar de mamãe pela primeira vez...
—Emma, sério, você se importa que ela me chame de mãe?
—Não, Mernie eu realmente não me importo, só... fico realmente bem triste em pensar que não a vi crescendo de perto.
—Mas a culpa não é de vocês e sim daquela monstra da Whitney! E mesmo assim Natalie ama muito vocês, vejo isso nos olhinhos dela e ela realmente deve adorar chamar vocês de mãe e pai!
—Bem, sobre isso... ela nunca nos chamou assim.
—O quê? Nunca? – pergunta Mernie meio surpresa.
—É, mas ela me explicou, não era porque ela nunca quisesse ou não sentisse a vontade de nos chamar de mãe e pai, mas sim porque disse que se sentia culpada quando quase nos chamava de mãe e pai (que já ocorreu algumas vezes) e também de certo modo traindo você e seu falecido marido, que Deus o tenha.
—Oh! Pobre, Natalie.
—É, mas acho particularmente que é só uma questão de tempo até ela se sentir confortável emocionalmente, mas continuarei a amar minha filha do mesmo jeito ela me chamando de mãe ou não.
—Eu também espero que só seja uma questão de tempo, Emma. Bom, é melhor eu continuar arrumar as minhas coisas! Pode até ser verão na Floresta Encantada, mas o sol logo, logo irá se pôr!
—Tem razão, Mernie. Muito obrigada pela conversa. – Emma esfrega afetuosamente o ombro de Mernie e se levantando do seu lado.
Após Mernie ter terminado de arrumar sua pequena bagagem, eles finalmente partem. Mernie se despede da casa um pouco cabisbaixa, mas com um sorriso no rosto. Natalie também se despede meio tristonha da casa, mas levanta a cabeça e também se mantêm com um leve sorriso no rosto. O mais complicado foi com Capitão, que se recusou a seguir o grupo, mas após quase cinqüenta metros de distância entre eles, o cão babão cede e vai correndo em direção à dona. Eles então vão até a tal vizinha e Mernie conversa com ela, que aceita com alegria a proposta de ela ficar com a casa. Depois, eles então vão rumo à árvore com o portal para Storybrooke. Os últimos raios de sol desse dia se vão assim como Mernie, Natalie e Capitão se vão de sua casa.
Quando chegam ao portal já está praticamente noite, com somente alguns vestígios de um céu levemente roxo no céu. Eles vão em pares e um trio, Mernie e Natalie são as ultimas a entrarem no portal.
Ao chegarem no centro de Storybrooke, os olhos de Mernie se arregalam à todas aquelas luzes iluminando a cidade e aos prédios tão diferentes de sua antiga aldeiazinha.
—Então... – começa ela – essa é Storybrooke.
—É sim, mãe, mas é somente uma parte dela! – diz Natalie.
—É ainda maior?! Nossa! Isso é que é uma aldeia grande!
—Aqui nos chamamos isso de cidade.
Um carro então passa na rua e Mernie leva um susto e dá um pulo pra trás, tentando proteger Natalie de um possível perigo. Natalie solta uma alta gargalhada.
—Do que está rindo, Natalie?! O que era aquela coisa?! – diz Mernie, já um pouco mais relaxada por causa da risada da filha.
—Mãe, aquilo ali é só um carro! – diz Natalie, ainda rindo bastante.
—O que é um carro?
—É tipo uma carroça só que sem cavalos ou bois, se move sozinha.
—O que acham de jantarmos no Granny’s? – pergunta Killian.
—Acho uma ótima idéia! – diz Natalie.
—O que é o Granny’s? – pergunta Mernie.
—É tipo uma taverna, só que mais agradável, limpa e com uma comida muito melhor! – responde Natalie.
Eles então jantam no Granny’s e lá encontram Mary Margaret, David, Nolan e a pequena Annie, que assim que vê os pais e a irmã vai correndo em direção a eles. Após muita conversa, a comida finalmente chega e Mernie devora seu hambúrguer com fritas em menos de cinco minutos; nunca comera algo tão gostoso em sua vida inteira.
—Acho que estou me adaptando a esse mundo mais rápido do que pensei! –diz Mernie.
—Você nunca comeu hambúrguer antes? – pergunta Annie.
—Não, querida, nunca comi! – responde Mernie.
—Por quê?
—Porque não tem essas comidas deliciosas aonde eu morava.
—Mamãe, papai, eu nunca quero morar aonde a Mernie morou! – diz Annie bem inocente.
Todos riem e continuam a conversar, enquanto terminam suas refeições e já pedindo a conta.
—Mernie eu e Emma estávamos conversando, você não gostaria de morar um tempo lá em casa? Só até você achar uma para você? – pergunta Killian.
—Não Killian, imagina! Não quero atrapalhar ninguém.
—Claro que você não atrapalharia! – diz Emma – Desde que meu filho mais velho saiu de casa o quarto dele virou um quarto de hóspedes, você pode ficar nele.
—Vai, mãe por favor!
—Killian, Emma e Natalie, muito obrigada mesmo pela oferta, mas eu vou recusar, porque aquela casa é o núcleo familiar de vocês.
—Mas você faz parte da família! – diz Natalie.
—Eu sei, querida, e eu me sinto parte dessa família, mas eu não faço parte desse núcleo familiar entre vocês quatro.
—Mas... – começa a dizer Emma, mas é interrompida por Regina.
—Emma, sem querer ser intrometida, mas acho que eu sei o Mernie quer dizer. – interrompe Regina – É como se eu e você morássemos juntas por algum motivo na época que Henry era menor. Nós somos da mesma família, mas nossos núcleos são diferentes, e como temos o mesmo “papel” atrapalharia um pouco o desenvolvimento da nossa relação com Henry, não porque ele tem duas mães, mas sim porque nós duas não somos um casal nem nada, temos nossas próprias vidas individuais, temos nossos próprios núcleos familiares.
—É exatamente isso, Regina! – diz Mernie – Natalie, minha filha, eu te amo muito, mas eu não quero atrapalhar o seu relacionamento com sua mãe e concordo plenamente com o que Regina falou.
Natalie suspira e diz:
—Tudo bem, eu entendi. – e dá um forte abraço em Mernie.
—Mernie,– começa Killian – então faremos o seguinte: alugaremos um quarto para você em uma pousada local até você achar um trabalho fixo e que pague bem ao ponto de você comprar ou alugar sua própria casa.
—Combinado? – pergunta Emma.
—Combinado. – diz Mernie.
Todos então se despedem e vão para suas casas. Killian, Emma e Natalie levam Mernie até a pousada e Emma empresta algumas roupas suas a ela. Killian explica para ela como funciona cada coisa do banheiro e Natalie sobre como usar o telefone do quarto e a televisão.
—Tem certeza que ficará bem aqui? – pergunta Emma.
—Ficarei sim, não se preocupem.
—Mesmo? – pergunta Killian.
—Mesmo.
—Vou sentir saudades. – diz Natalie, abraçando forte a mãe.
—Bem, se conseguimos suportar as saudades e preocupações uma com a outra esse tempo todo, conseguiremos suportar isso. – Mernie bate de leve com o dedo indicador no nariz de Natalie – Aliás, você pode vim me visitar aqui se quiser durante a semana, mas sem faltar a escola claro, e eu visitar a casa de vocês.
—Sempre estaremos de portas abertas para você, Mernie. – diz Killian.
—Mamãe, papai, Natile vamos pra casa, eu to com sono. – diz Annie bem dengosa e se abraçando no colo do pai.
—Tudo bem, querida já vamos. – diz Killian, dando um beijo no topo da cabeça da fillha.
—Tchau, mãe! – diz Natalie, dando um beijo e um abraço na mãe.
—Tchau, querida! Tchau, Capitão! – ela diz dando um gostoso afago no cão, que fica lambendo seu rosto.
—Fica bem, Mernie. – diz Killian.
—Qualquer coisa é só nos ligar! – diz Emma.
—Fiquem tranqüilos, pessoal, vou me virar nesse quarto cheio de bugigangas estranhas!
Eles saem da pousada rumo a casa e Natalie se abraça em Emma e Killian até chegarem lá.
Natalie já está deitada na cama, com seu pijama posto, bebendo um copo de leite e lendo um gostoso livro antes de dormir, com um leve e expressivo sorriso estampado no rosto. Uma leve batida na porta surge e Emma entra acompanhada de Killian. Natalie logo repara e já fecha seu livro e o põem sobre a cabeceira. Emma e Killian se sentam na beirada da cama de Natalie.
—Então... gostou do dia? – pergunta Killian.
—Gostei sim! Foi muito engraçado quando eu e Capitão estávamos do lado de fora da minha antiga casa porque ele tentou caçar um esquilo, mas acabou batendo a cabeça contra uma árvore! – diz Natalie bem verdadeira.
—Coitadinho, por isso está com esse galo na cabeça! – diz Emma afagando de leve Capitão – Acho que ele estava tão concentrado no esquilo que acabou nem vendo a árvore.
—Eu também acho, mamãe! Mas se você e o papai estivessem lá vocês teriam caído de tanto rir, principalmente o papai! – Natalie está tão empolgada que nem reparou no que disse, mas quando repara, logo se envergonha um pouco, perdendo um pouco a empolgação.
“Mamãe” pensa Emma “eu esqueci como era ouvir essa palavra pela primeira vez, os vários sentimentos que trazem e a alegria que se espalha da ponta do dedão até o topo da cabeça, e ainda por cima vindo de minha Natalie!” .
“Papai” pensa Killian "minha filhinha disse papai pela primeira vez! Desde que ela nasceu eu havia imaginado esse momento, mas nunca desse jeito, por que quer saber? É bem melhor do que todos os jeitos que eu imaginei!” .
Os dois começam a lacrimejar levemente e sorriem como se fossem dois pais-babões-de-primeira-viagem e automaticamente, os dois abraçam Natalie ao mesmo tempo, que não está mais envergonha, mas sim feliz.
—Ah! – Eu quase esqueci de falar uma coisa para vocês que eu deveria ter falado há muito tempo... – diz Natalie, se separando um pouco dos pais e os olhando nos olhos – obrigada por me botarem nesse mundo com tanto amor e carinho, por nunca desistirem de me procurar e sempre terem tanta paciência comigo. Eu te amo, mãe; eu te amo pai.
Emma e Killian começam a chorar mesmo e voltam a abraçar Natalie com um abraço parecido com o de urso, porém delicado e cheios de beijos na cabeça de Natalie.
Os três ficam abraçados durante uns dois ou três minutos fungando, rindo e com Emma e Killian beijando a cabeça de Natalie constantemente ou a acariciando pelos cabelos ou costas, até que eles finalmente se separam e voltam à suas posições iniciais.
Emma respira fundo enquanto olha admirada para a filha.
—Bem, é melhor irmos dormir! Amanhã será outro dia! – Emma se aproxima de Natalie e lhe deposita um beijo na testa, mas é surpreendida por um abraço, mesmo que de curta duração, da filha que também lhe dá um beijo, porém na bochecha. – Boa noite, meu amor.
—Boa noite, meu pinguinho de esperança. – diz Killian, também depositando um beijo na testa da filha que também o abraça e lhe dá um beijo na bochecha.
—Gostei do apelido novo. – diz Natalie, enquanto abraça o pai.
—Eu também. – diz Emma sorrindo.
—Vou então começar a te chamar assim, mas não se preocupe, não vou te chamar assim na frente da escola ou dos seus amigos!
—Leu minha mente, pai.
Os dois então se levantam e vão à caminho da saída do quarto.
—Boa noite, mãe! Boa noite, pai! – diz Natalie já na posição de dormir e com os olhos fechados, porém com o mesmo sorriso de antes no rosto.
Killian e Emma sentem um confortável calor em seus peitos se espalhar pelo corpo, se entreolham, sorriem docemente um para o outro, apagam a luz e fecham a porta do quarto e saem.
Após botarem seus pijamas e estarem deitados os dois lêem um pouco antes de dormir os respectivos livros que estão acompanhando. Até que Emma fecha seu livro, deita sua cabeça no peito de Killian e o abraça.
—Nós temos boas filha. – diz Emma sorrindo.
—Nós temos ótimas filhas. Emma...
—O quê?
—Obrigado por me dar os melhores presentes que já ganhei na vida, obrigado por me tornar um pai.
—Oh, Jones.... – diz Emma, dando um beijo intenso em Killian – eu digo o mesmo.
Emma então sobe em Killian e continua a beijá-lo intensamente. Killian deixa seu livro de lado e começa a tirar as roupas de Emma enquanto ela tira as suas. Quando os dois já estão até sem as partes de baixo, Emma fala um pouco desesperada e ofegante:
—A porta, Killian! Tranque ela, rápido!
—Tá, tudo bem, mas só se você vier comigo. – então ele puxa ela contra si e os dois vão numa “valsa erótica” e se beijando ao mesmo tempo até a porta, aonde Killian rapidamente a tranca.
—Não vamos fazer muito barulho se não as meninas acordam! – diz Emma entre os amassos.
—Não se preocupe, amor, eu sou um mestre em não fazer muito barulho.
Killian então Emma joga delicadamente na cama e começa a penetrá-la e os dois começam a se ligar um ao outro.
—Eu te amo, Killian. – diz Emma baixinho e ofegante.
—Eu te amo, amor. – diz Killian, também ofegante.
Os dois então dormem abraçados tranquilamente, enquanto a noite em Storybrooke segue silenciosa e calma e com um céu decorado de estrelas brilhantes, com nem se quer uma nuvem no céu.
Fale com o autor