Em Busca
1 O Passado De Uma História
Notas iniciais
Era um fria e silenciosa noite de inverno em Storybrooke. A única coisa que se podia ouvir na calada da noite, era o angustiante sibilo do vento. Os pássaros dormiam tranquilamente em seus ninhos, grilos não faziam barulho naquela noite e nenhum cão latia.
No hospital, a mesma coisa. O movimento era muito pouco naquela noite; os únicos pacientes eram um homem que havia quebrado a perna, uma mulher que sofreu uma contusão e... Emma Swan. Sala de espera, totalmente em silêncio e quase vazia. Nela, somente estavam David, Mary Margaret (que segurava o pequeno Neal) e Henry, esperando ansiosos por qualquer notícia.
Em uma sala ao lado estava Emma, Killian e o médico Dr. Whale, que disse: Força! E então, o silêncio da noite se quebra. Vem a tona um forte e angustiante grito de dor e logo em seguida, é escutado um agudo e totalmente reconhecível choro de bebê, e não era de Neal. Killian chora um pouco, e da um beijo em Emma.
Muito apreensivos, David, Mary Margaret e Henry se levantam imediatamente de suas cadeiras. Depois de um tempo, da sala logo ao lado da sala de espera sai Killian Jones, usando uma roupa toda azul por cima das suas roupas (agora já normais) com algumas poucas lágrimas no rosto.
—É uma menina! – ele disse sorridente, limpando as lágrimas do rosto.
Mary Margaret e Henry dão um abraço um Killian, enquanto David somente o dá um abraço de lado nele.
—Querem vê-la? –perguntou Killian.
Nenhum dos três precisou responder, apenas se entre olharam com olhares óbvios e entraram na sala. Nela, estava Emma deitada na cama de hospital, com os olhos meio vermelhos e levemente lacrimejados, segurando a pequena e a olhando totalmente fascinada. Um pequeno pacote de embrulho rosado com um par de olhos azuis, era no que se resumia a bebê. Assim como Emma, todos se fascinaram instantaneamente por ela.
—Oh meu Deus, Emma... – disse Mary Margaret já chorando, deixando David (que também já chorava um pouco) segurar Neal, e indo abraçar a filha. – E, qual seria o nome dela? – ela acaricia os poucos fios de cabelos castanhos do bebê.
Emma e Killian se entre olharam e sorriram.
—Decidimos escolher o nome Natalie Alden. Killian queria o nome Natalie, e eu, o nome Alden. E bem, nós dois achamos que os dois nomes ficaram perfeitos juntos.
—Natalie Alden... – disse Mary Margaret pensante – gostei. – assim como todos na sala.
Henry abraça com veemência a mãe e logo em seguida, David.
Todos adoraram a pequena. Henry não tinha muito jeito pra pegar ela no colo, mas se apaixonou instantaneamente pela irmãzinha. David se esqueceu de sua leve implicância com Killian, e só teve olhos para a neta. E Mary Margaret, bem... nem precisa falar. Só Neal, que ficou com um pouquinho enciumado.
Então foram embora. David e Mary Margaret levaram Henry para casa deles, enquanto Killian ficava com Emma. Só naquele momento, Killian teve a oportunidade de pegar a filha no colo. Emma a colocou cuidadosamente nos braços de Killian, que tomou extremo cuidado com a sua nova prótese de silicone (pais de primeira viagem...). Emma já havia adormecido, mas Killian se sentou no sofá do quarto e continuou com a pequena no colo, brincando com as mãos e fascinado por ela, sem tirar por um segundo os olhos dela.
—Ei Natalie... – ele falou baixinho – sabia que papai te ama? Vou te ensinar a andar, a falar e também a navegar. Sempre estarei com você. E não vou deixar ninguém te machucar. – a pequena então agarra com força o dedão de Killian e sorri levemente. Killian abre um sorriso de orelha à orelha, e percebe que no dedinho indicador da filha há uma pequena manchinha marrom em formato de coração, mas era somente uma marca de nascença.
—Ela é incrível, não? – Emma havia acordado – Quem diria em, Hook. Nunca, desde que eu te conheço, imaginaria você como pai.
—Eu sei. – ele ri um pouco, sem tirar os olhos da filha – Pra ser bem sincero, ainda não me caiu muito bem a ficha. E admito, Swan, quando você entrou em trabalho de parto... e-eu não poderia estar com mais medo. O que afinal, um pirata sabe sobre paternidade? Desde quando um homem com um gancho afiado e que usa brincos e anéis daria um bom pai? Nunca, em toda a minha vida, me imaginaria nesse tipo de cena. Mas vendo ela assim... tão pequeno e tão frágil, e pensando que eu, quer dizer, que nós a fizemos, acabei perdendo todo o medo e insegurança. E posso sentir, que sou capaz de ser um bom pai.
—Mas... Hook – disse Emma meio espantada – você nunca tinha me contado nada disso.
—Piratas são muito reservados com suas emoções.
De repente, a bebê começa a chorar. Killian se assusta um pouco, e olha para Emma meio desamparado e assustado, mesmo já tendo lido todos os livros de bebês existentes. Emma estende os braços pedindo pela filha. Killian deixa ela em seus braços com todo o cuidado do mundo.
—Ela vai ficar bem? – perguntou Killian preocupado.
—Vai sim, – ela disse rindo um pouco – só está com fome.
Emma termina de amamentar a filha, que logo adormece. Killian pega ela no colo e a coloca cuidadosamente no pequeno berço de hospital.
—Se não se importar... – ele falou, se deitando ao lado de Emma – eu gostaria de ficar deitado junto com minha esposa.
—Claro que não me importo. – ela disse rindo – Na verdade, já ia quase te pedir para se deitar comigo.
Killian então a beija com muita intensidade, quase já indo em cima dela, mas Emma o impede.
—Mas só para ficar. –ela falou – Nada a mais.
—Tudo bem, “nada a mais”. – ele fala tentando imitar Emma, que ri um pouco e o rouba um beijo – E então, o que acha? Ela é mais parecida comigo, ou com você?
—Bem... ela tem seu olhar e seus olhos.
—Seu perfil de rosto...
—Seu cabelo... – Emma.
—O queixo... – Killian.
—A boca... –Emma.
—As maças do rosto... – Killian.
E ficaram fazendo isso durante um tempo, até Emma ficar exausta de cansada e se abraçar em Killian.
—Emma... – ele chamou por ela, que estava quase adormecendo e que respondeu em um resmungo – eu... tinha esquecido de te dizer isso antes: eu te amo. – e a beija na testa.
—Também te amo Killian... também te amo, meu amor.
E os dois abraçados, acabam adormecendo tranquilamente.
Sem ninguém perceber, na calada da noite, alguém entra no quarto. Não era uma enfermeira, muito menos Dr. Whale, e sim uma figura feminina encapuzada, com o rosto sem identificação. Ela nem se quer entre pela porta, e sim, pela janela. Emma e Killian estão dormindo profundamente, sem perceber nada. A mulher então se aproxima do bebê, que também dorme. Ela a pega no colo, mas então a pequena começa a chorar. Killian e Emma acordam imediatamente.
—Mas o quê... – Killian vê a figura com sua filha no colo que some pela janela.
Furioso como um touro, Killian pula da janela e corre atrás da figura, que entra na floresta até chegar em uma grande árvore e pula para dentro de seu oco, soltando um pouco de fumaça azul de dentro dele. Killian tenta entrar no oco, mas um campo de força foi posto ali. Pode sair, mas não pode entrar. Ele tenta olhar para dentro do oco, mas não vê nada. Killian caiu de joelhos no chão, chorando e grita um forte e veemente: Não! Enquanto Killian olhava para baixo, viu um pequeno semicírculo azul em volta do campo de força, com um pequeno bilhete no seu centro o apanha e o lê:
Sua filha está viva, mas não a procurem, pois não irá adiantar. Eu a mandei para a Floresta Encantada, mas ninguém mais poderá entrar ou sair, pois um feitiço eu lancei, que só eu poderei desfazer. E eu voltarei, assim que um feitiço eu terminar. Vocês podem não me conhecer, mas para Regina, esse nome não é estranho: Whitney Collins.
—Meu Deus... – disse Killian – Regina, o que foi que você fez?
E ele volta correndo para o hospital.
Num outro mundo, chamado Floresta Encantada, onde ainda era noite, uma figura encapuzada aparece de uma árvore, com um choroso bebê no colo. Por sorte, havia uma simples e pequena fazenda logo a frente, onde a figura deixa o bebê na frente da casa da fazenda, uma pequena cabana de madeira. E ela vai embora, desaparecendo numa fumaça azul, e deixando a pequena indefesa chorando. De repente, alguns lobos começam a aparecer, se aproximando aos poucos do bebê. E então, de dentro da cabana, surgem um casal, por volta de seus quarenta anos, espantando os lobos. A mulher olha a bebê e a recolhe do chão.
—Como você veio parar aqui? – disse ela, tentando acalmar a pequena. Ela então acha um pequeno bilhete na manta da criança – Natalie Alden? Deve ser o seu nome. Bem diferente, mas bonito.
—Vamos entrando querida, – disse o marido – é melhor entrarmos do ficar com esses lobos.
E eles entram na cabana, acolhendo a chorosa menininha.
Amanheceu em Storybrooke, e amanheceu triste. Fria e com um céu todo nublado, chovendo um pouco e alguns corvos nos fios dos postes. Mary Margaret, David e Henry já souberam da trágica notícia, eles e o resto da cidade. Emma ganhou alta do hospital, e foi pra casa, junto com Killian e... uma cadeirinha de bebê vazia.
Chegando na casa deles, (um apartamento logo ao lado do de Mary Margaret e David) eles encontram Henry, David e Mary Margaret esperando por eles. Assim que chegaram, Henry foi correndo abraçar com força a mãe, que contribuiu e também o abraça, já chorando novamente. Mary Margaret abraça Killian e o dá um pouco de apoio. David, tentando segurar as lágrimas, abraça a filha de um jeito que nunca tinha abraçado antes. E pela primeira vez, David tem compaixão por Killian, e dá um abraço másculo nele e um pouco de apoio. Mary Margaret chora junto com a filha e a dá um suporte, juntamente com David e Henry, enquanto Killian bebia um pouco de rum.
Depois, Mary Margaret e David foram embora. Henry foi para o seu quarto ler alguns quadrinhos, pois entendia que a mãe e Killian precisavam de um momento sozinhos. Killian tomava mais rum. E Emma foi até o quarto da filha. Um quartinho pequeno, pintado de amarelo; uma cadeira de balanço marrom toda acolchoada posta no canto; um pequeno armário branco, com detalhes de borboletas de várias cores; um móbile logo acima do berço, com vários bichinhos pendurados; e um berço de madeira rústica, com um ursinho marrom dentro e uma roupinha de bebê cor de rosa, toda delicada e bonitinha, que havia sido feita por Granny, como um presente de chá de bebê. Em cima da roupa tinha um papelzinho, escrito: É uma menina! Que foi deixado por Henry, assim que tinham saído do hospital, pois ele sabia que aquela era a favorita de Emma. Mas ele havia se esquecido de tirar.
Emma acaricia a madeira do berço, pega a roupinha cor de rosa na mão e puxa a cordinha do móbile, que solta uma doce e típica musiquinha de ninar. Emma soluça e começa a chorar novamente, cai de joelhos na frente do berço e abraça a roupinha cor de rosa contra o peito. Killian ouve o choro, e vai correndo até o quarto. Ele vê Emma de joelhos chorando, caminha até ela e também fica de joelhos, a abraçando e acariciando seus cabelos loiros. Ele começa a chorar, quase tanto quanto Emma, mas tenta esconder o máximo possível.
—Emma, me escute. – ele disse limpando as lágrimas, mas continuando a abraçar Emma – Nós vamos encontrar ela, não importando quanto difícil seja e quanto tempo demore, eu sei que vamos encontrar a nossa pequena Natalie!
—Mas como, Killian? – ela chorava muito, e disse entre soluços – Você também leu aquele maldito papel e também viu aquela maldita mulher sumir com nossa filha!
—Eu não sei como, Emma, nem quando. Mas temos amigos... e Rumplestiltskin; que podem e vão nos ajudar a achar nossa pequena. Não se preocupe Emma, vai acabar tudo bem no final.
—Espero que esteja certo, Killian. Eu realmente espero...
E eles continuaram abraçados até suas e mãos e pernas ficarem dormentes; sem falar mais nada, somente com um som de choro preenchendo o vazio e o silêncio do pequeno quarto. E não era de um bebê.
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