Em Algum Lugar do Passado
4 Capítulo 4
Capítulo 04 –
Amanda já havia entrado na Sala do Precisa várias vezes para os encontros da AD. Mas agora, ela não estava nem um pouco ansiosa como naquelas ocasiões.
Trouxera pelo menos um casaco, então podia se cobrir, já que sua camisa não adiantava tanto... Mas, a julgar pela temperatura lá fora, devia ser maio ou junho, a mesma época em que ela saíra da outra Hogwarts.
Que loucura! Será que ela calculara direito? Será que realmente havia pensado em alguma coisa? E como conseguira se safar com algo como um Vira-Tempo (protegido pelo Ministério e suas inúmeras Leis) durante dois anos?! Amanda Rice sentiu-se insignificante em vez de sortuda, pois se ninguém nem desconfiou dela e Granger nem se lembrou dela a ponto de reportá-la a McGonagall... Triste, mas pelo menos, funcionou a seu favor.
Ou não. Agora ela estava de frente para rostos impiedosos. Não sabia o nome de ninguém. Nem queria saber... Mas todos a fitaram como se pensassem sobre ela exatamente o contrário.
– Severus. – Saldou-o ninguém menos que Lucius Malfoy. Chegou bem a tempo. E veja só. Trouxe sua... namoradinha.
O sorrisinho de escárnio e o tom pejorativo de Malfoy não passaram despercebidos a Amanda, mas ela resolveu não falar nada. E pelo jeito, Snape também.
– Deixe-me apresentar o nosso... grupo, senhorita...?
– Amanda Rice. – ela respondeu, meio que sendo pega de surpresa.
– Sim. – e, Lucius Malfoy gesticulou em direção à Sala um tanto escurecida, a uma mesa em que várias pessoas estavam sentadas em volta, reunidas. "Assustador...". Parecia uma espécie de "Távola Redonda do Inferno" – Estes são: Mulciber, Avery, os irmãos Lestrange, Barty Crouch Jr., Regulus e Bellatrix Black e Pedro Pettigrew.
Amanda tentou disfarçar (sem sucesso) o choque por ver ninguém menos que Wormtail naquele meio. Estava fazendo o que ali? Colhendo informações é que não era! Felizmente, Lucius pareceu nem perceber.
Todos aqueles nomes ela já conhecia. Todos, e mais alguns. Ela sabia que "grupo" era aquele... Nem precisava perguntar. "Oh, Snape... Como pôde..."
– Parece nervosa, milady. Aviso que agora já não há retorno. – A voz de Lucius Malfoy era fria, impassível, bem como seu olhar duro. Amanda não se deixaria abalar. Agora era tarde...
– Claro que não. – ela respondeu, dando um passo a frente. – Vamos ver do que se trata. Isso tudo parece muito interessante.
– Querida – disse Lucius, puxando-lhe uma cadeira e por sua vez, sentando-se à cabeceira da mesa, como se fosse o Líder – Você não imagina o quanto.
Snape ficou bem longe de Amanda, que ficou ao lado de uma garota tão esquisita... Mas tão linda, cabelos cacheados e negros, extremamente longos e uma pele perfeita, de alabastro. Dava vontade de ficar olhando pra ela, e de repente a garota se voltou, fitando Amanda com profundo desprezo. Amanda, mesmo com dificuldade para parar de olhá-la, se virou. Que triste. Essa devia ser Bellatrix Lestrange, e por tudo o que Amanda já estudara sobre ela, essa mulher era pior que o demônio. Lucius a apresentara como "Bellatrix Black".Hum, era algo a se pensar...
– Caros companheiros... A Reunião de hoje pode não parecer importante para vocês, mas Nosso Senhor das Trevas com certeza ficará satisfeito com as mudanças implementadas aqui.
Calafrios percorriam o corpo de Amanda. Como alguém podia proferir tais palavras com tal absurda solenidade...
– A começar pelo nome... Devemos mudar o nome do nosso... "Grupo", por assim dizer. Não nos levarão a sério quando realmente mostrarmos ao mundo o que é certo. "Knights of Walpurgis" é algo chique demais para quem não entende as referências e não estamos aqui para ensinar nada a nossos amigos Sangue-Ruins além do que eles conseguem entender. A mensagem deve sempre ser clara.
Um dos presentes levantou a mão, ao mesmo tempo em que se pronunciou:
– Concordo que deve ser o mais intimidante possível, Lucius... Mas você tem uma ideia melhor que a do Nosso Senhor das Trevas? Sabe se ele vai concordar?
– Mulciber, se ele me deixou como Líder, então com certeza deve confiar nas minhas decisões. Me comunico com ele periodicamente, quando necessário... Eu pensei num nome, gostaria de saber a opinião de vo—
– E por quê você deveria escolher o nome? – interrompeu Bellatrix. – Logo você, ser "o Líder"! Olha de quem dependemos! Exijo que façamos uma nova votação, para escolhermos um líder decente!
A sala inteira se manifestou um tanto alto demais, todos falando ao mesmo tempo. Amanda não tinha realmente uma opinião, na verdade, achava que qualquer um lá era péssimo, então, tanto faz.
– CALEM-SE! Silencio! – Lucius usou a varinha para fazer o feitiço e todos se calarem a fim de ouvi-lo. – Escutem, imbecis. Não há votação e nunca haverá. Aproveitem esse mínimo de democracia que terão agora e deem-me a opinião sobre o nome: "Comensais da Morte".
Se Lucius houvesse pronunciado essa ideia horrenda antes, todos teriam se calado com certeza. O nome pegou, pois Amanda se lembrava dele.
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Todos, ao final da reunião, estavam se dispersando e indo embora para suas Salas Comunais. Coincidentemente (ou não) eram todos Sonserinos.
– Amanda Rice, não é? – veio Lucius, em sua direção, entrevistá-la. Os dois pararam no meio de um corredor.– Você assistiu a uma reunião muito importante, se é que me entende,Amanda. A que Casa pertence?
– Grifinória. – ela respondeu, sem titubear. Não gostou nada do tom ameaçador daquele idiota.
– Hm. Você é Puro-Sangue ou... Cria?
– Cria? Hã?
Snape chegou em seu socorro, quase tropeçando.
– Amanda é filha de uma bruxa que teve uns... probleminhas com um... Sangue-Ruim, se é que você me entende, Lucius...
Os olhos azuis de Amanda estavam arregalados, quase saltando para fora.
– Probleminhas? – Lucius, aparentemente, não estava entendendo.
– Sim, Lucius, probleminhas... – Snape o levava para longe do alcance da garota. – A mãe dela foi... bem, é uma história horrível. Eu não estaria lhe contando isso se não fosse imperativo que você a aceitasse no meio dos... Comensais.
– Então... Essa garota está aqui por vingança? Bem, é razoável. Ela tem motivos.
– Que bom. Obrigado, Lucius.
Snape já estava correndo em direção a Amanda, quando Lucius o agarrou pelo braço:
– Aonde vai?
– Como assim? A reunião já acabou! Vou embora! Me solta!
– Severus, Severus... Não íamos nos encontrar todos os dias na mesma hora e no mesmo local? – Lucius sussurrou em seu ouvido, íntimo demais.
– Está louco! – Snape se desvencilhou, um pouco rude demais. – Foi só uma vez e um momento de loucura! Não se iluda, Lucius. Você está noivo.
– Noivo! – Lucius disse, entre dentes, como se a palavra contivesse veneno. – Eu a odeio! Sabe bem porque vou me casar! Sabe porque os Black se casam! Vamos, Severus... Não seja assim... Agora você arruma um casinho e eu não sou mais nada?!
Snape olhou na direção de Amanda e viu que ela não devia poder ouvi-los, o corredor ela largo e os dois estavam sussurrando, mas ela os olhava com um olhar desconfiado...
– Lucius, desculpe... Não vou lhe dar falsas esperanças... Mas não haverá mais nada entre nós... A não ser amizade, se você aceitar. Tchau...
E Snape se foi sem olhar na cara de Lucius, que estava com tanta raiva, tanto ódio que seus olhos cinzas soltavam faíscas.
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