Em Algum Lugar do Passado
2 Capítulo 2
Capítulo 02 –

Ser sorrateira e um tanto falsa nunca fora um dom, nem a intenção de Amanda Ann Rice. Mas ela sempre admirara Hermione Granger e sua habilidade de pular de uma aula para outra num passe de mágica, até descobrir, por curiosidade, como.
E depois disso, pensar na maneira de se apoderar desse poder para usar em seu benefício.
Os treze anos foram os piores de sua vida. Amanda mal conseguira interagir com Snape e francamente, ele agira como um completo imbecil o ano todo, principalmente por acobertar e defender Draco Malfoy, que quase matara um animal inocente...
Bem, ninguém mais precisava daquele Vira-Tempo mesmo... E Hermione não se lembraria do Feitiço Confundus que Amanda usou para pegá-lo (assim ela esperava)... Pensou que recorreria à Maldição Imperius se fosse necessário, mas gostava da pobre CDF e não queria causar-lhe nenhum dano. De qualquer forma, funcionou. Nada que uma viagem à Sessão Proibida da Biblioteca não faça por você (como esses Magos vivem sem Google é o que Amanda nunca vai entender). A assinatura de Snape foi até fácil de obter, ele nem se dignou em olhar fundo em seus olhos, para evitar ver... demais. Era útil ser (relativamente) a Queridinha do Professor.
Agora que o Vira-Tempo finalmente estava em suas mãos, Amanda não sabia muito bem para onde ir, o que fazer, o que dizer...
Que pessoa mais frívola ela se tornara. Brincar com algo tão sério e precioso como o Tempo por um...
Não.Não era por um "homem". Era por um Amor. Era seu amor, e sim, ela sabia, agora, exatamente para onde ir. Quinze anos... Como seria a vida de seu amor aos quinze anos?
Mas a dela, ela sabia bem. E quem sabe nem restasse mais tanto tempo... Cada ano em Hogwarts era uma tragédia. E Amanda já esperara mais de dois anos... Não iria esperar mais dois para atingir uma suposta "maioridade" na consciência de Snape e finalmente alcançá-lo...
Se é que já não o alcançara, ou alcançaria, algum dia.
Era divertido, fazer parte da Armada de Dumbledore, defender a escola de toda aquela precariedade iminente... E Umbridge restaurando o caos...
Será que nada podia ser feito?
E como seria Snape aos quinze? Se os dois tivessem a mesma idade, teriam mais em comum...
Era triste observar o laguinho de Hogwarts tão sombrio, mesmo sendo uma linda tarde...
"Até breve, meu Amor..."
E Amanda girou o Vira-Tempo inúmeras vezes, ridiculamente, mas não podia perder a conta... Era um procedimento extremamente preciso...
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Amanda andava por Hogwarts e era... tão exuberante! Era o mesmo lugar,mas ao mesmo tempo, não era. Parecia ser um dia de Exames. Todos os felizes bruxos brincando e correndo pela grama, e até a Lula Gigante estava esquecida... (Amanda, sinceramente, era a única que tinha medo de chegar perto do lago).
Fora uma estranha comoção... Um grupinho acumulado. Amanda nunca chegava perto desse tipo de evento, mas se tratava de Hogwarts e era Hogwarts do... Passado! "Meu Deus...", ela finalmente percebeu. "Meu Deus. Estou aqui. Estou realmente, realmente aqui."
"Quem quer me ver tirar a cueca do Snivellus?" Amanda ouviu uma voz estranha cantarolar.
Aquelas pernas finas, dolorosamente brancas... E que cueca mais... cinza...
Deus, era Snape... Snape... Estavam rindo dele, o estavam humilhando por algum motivo, ele estava de cabeça para baixo e se, Amanda não reagisse a tempo, algo muito, muito ruim aconteceria...
— Expelliarmus!
A varinha de Sirius, que por acaso foi o primeiro que Amanda pensou em desarmar por nenhuma razão em particular, voou longe e caiu na grama a seus pés. Ela a pegou, e ameaçou:
— Coloquem-no de volta no chão bonitinho, e dispersem-se. Ou quebro esta varinha em pedacinhos.
Todos olharam para Amanda com um olhar de interrogação. Primeiro, ninguém a conhecia. Muito menos o dono da varinha.
Segundo: Ela era... arrogantemente bonita demais, com aqueles cabelos loiros escorridos, aquele rosto sardento e olhos azuis cheios de malícia.
E estava defendendo logo quem?
— Mas o que há com Snivelly que as mais gatas sempre o querem? — perguntou James, tão surpreso quanto Sirius, que nem conseguiu falar nada. — Olhe, querida, estou armado também. Não quero ser cruel, mas...
— Expelliarmus!— gritou Amanda e se apossou da varinha de James também. Se ninguém a conhecia, agora todos pareciam amá-la, pois riam como se não houvesse amanhã. — Idiota. Agora são duas varinhas. Façam o que mandei logo, ou quebro esses pedaços de pau de uma vez! Estou sem paciência! 1, 2...
Sirius, irado, deixou Snape ir ao chão de qualquer jeito. Amanda não parecia contente, berrando:
— Tarantallegra!
Sirius dançava como um pateta, enquanto os alunos se juntavam em massa para rir da absurda mudança dos fatos.
— Moony! Wormtail! — gritou James — Essa mulher é um demônio, ajudem-nos aqui!
Lupin parecia estar francamente se divertindo, ao passo que Wormtail parecia mais que confuso.
— Não ouse, James Potter. Oh, sim, eu sei quem você é. "Pois é igualzinho a Harry, pelo menos a cara!"- Ela não pôde deixar de observar e pensar sobre a semelhança e, atirando a varinha de Sirius o mais longe possível, disse: — Se ajudar seu amigo a recuperá-la, você será o próximo.
Sirius estava humilhado, se mexendo pior que uma aranha descoordenada, querendo correr atrás de sua varinha, mas sem saber se algum dia chegaria a ela. Enquanto isso, Amanda apontava a sua e a própria varinha de James para seu melhor amigo.
Snape sequer respirava. Parecia um tipo de sonho surreal. E talvez fosse, mesmo. Mas ele não sairia dali por nada nesse mundo.
— Okay, garota, você venceu. — James finalmente se rendeu, colocando as mãos para cima. — Devolva a minha varinha, faça meu amigo voltar ao normal e estamos quites.
— Você não está em posição de barganhar, James Potter. Acho que ainda não entendeu. Agora, eu digo o que vai ser feito aqui.
— Essa desgraçada só pode ter saído do inferno pra me destruir! — uivava Sirius, exasperado e ainda naquela dança louca.
— Garota, nós já entendemos. Se você é alguma versão demoníaca de "Anjo da Guarda" do Snivelly, então, nós o deixaremos em paz.
Amanda sorriu. Parecia satisfeita.
Ou não.
— Mas... quem é "Snivelly"?— Snape perguntou recuperando a voz, em tom sarcástico.
Amanda finalmente olhou para o objeto de toda essa confusão. Bem na verdade, ela estava perdida, se divertindo...
Snape a encarava confuso e... cheio de admiração. Um olhar tão puro, ela nunca vira tal olhar nele antes... Mas já estava de pé, com dignidade, varinha em punho.
— Meu nome não é "Snivellus", Potter. Você precisa lavar sua boca. Scourgify!
James começou a arrotar bolhas de sabão róseas e a espumar como um cão raivoso. Ele caiu, sufocando, expelindo as bolhas...
Amanda jogou ao lado de James a varinha dele. E se foi para explorar essa nova Hogwarts, finalmente satisfeita.
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Ela correu para um canto em que havia uma sombra, perto do campo de Quadribol... "Nossa, como quase nada mudou..." e desabou. Pensou que fosse vomitar. Que loucura fizera! Isso poderia ter acabado muito mal! Ela não enfrentava nem um inseto, e de repente, agiu como louca, assim...
— Quem é você?
Amanda, escondida sob as arquibancadas, se voltou e lá estava ele, olhando-a desconfiado. Também, pudera...
Severus Snape, em seus quinze, dezesseis anos. Tão desengonçado, branco feito cera, magricela... O nariz continuava igual... Os cabelos eram bem mais longos, mas ainda oleosos... Ainda era ele, sim!
— Em que ano estamos, mesmo? — ela perguntou, nervosa.
Ele a olhou, como se ela estivesse louca.
— Você é louca?
— Não importa! — Amanda ria, correndo em sua direção, e só Deus sabe porquê ele não saiu correndo também (mas para longe), provavelmente foi pavor — Não importa! Como é bom te ver! Como é bom, Professor Snape!
E sem mais, ela o abraçou e por mais que ele tentasse, não conseguia se desvencilhar. Snape queria gritar por socorro, mas estava em pânico! Não conseguia lembrar de nada perigoso que havia estudado em Defesa Contra as Artes das Trevas que pudesse ser essa mulher... Esse ser?
Espera aí... Ela o chamara de... "Professor Snape"?
Mas ele não conseguia perguntar nada, ela nem dava oportunidade. Cobria os lábios de Snape com os seus, famintos, invadia sua boca com sua língua e tocava nele, passava a mão por ele... onde queria! O que ele devia fazer?! Snape não sabia o que fazer, e na verdade, nem queria fazer nada que não fosse o que essa doida quisesse. Que homem seria ele, se tivesse medo de uma mulher? Dane-se! Seu corpo respondia, estranhamente parecia finalmente sentir... Dane-se, ele queria aquilo, queria tudo!
— Oh, Snape, como você é tarado! — sussurrava Amanda com seus lábios colados aos dele, enquanto ele lhe rasgava a camisa do uniforme, e ela nem pensava em como arrumaria roupas novas, mas enfim...
Ele parecia até mais desesperado que ela, se é que isso era possível, e pelo jeito não sabia muito bem lidar com mulheres... Amanda sentiu como se estivesse sendo invadida por uma carreta. Se Snape ficou preocupado com o grito desesperado que ela deu, não pareceu, não percebeu, ou não se importou.
Mas ela queria isso. Esperara por tanto tempo, e não iria estragar tudo agora! Por pior... Não, não pior, por mais doloroso que estivesse sendo, mas ela sabia que tudo na vida que valia a pena, exigia sacrifícios.
Valeu cada segundo de dor só por sentir ele jorrando dentro dela... Amanda se sentiu tão... completa... Podia morrer naquele momento, mas queria viver mais para experienciar mais daquilo... Por mais ambivalente que fosse toda aquela beleza.
— Uau...— ele disse, ofegante, numa voz rouca, quando tudo mal havia terminado — Eu ainda não sei quem você é... Nem sei seu nome...
— Amanda Rice — ela o agarrou pelos cabelos, olhando bem dentro dos olhos dele— para que você jamais se esqueça.
E o beijou, novamente.
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Amanda e Snape já haviam causado tanto escândalo que nem se importavam em correr pelo castelo se agarrando às risadinhas. Até pouco tempo, Amanda desprezava garotas que faziam isso.
No meio de um dos beijos, Snape parecia ter sido petrificado. Amanda se apavorou e lembrou dos "inimigos naturais" dele (e agora, também seus).
Mas parecia ainda pior.
Uma garota, cabelos longos, grossos e ruivos, olhava para os dois com fogo no olhar. Olhos extremamente verdes, esmeraldas perfeitas e redondas, e para piorar...
Ela olhava diretamente para Amanda. Cheia de Ódio.
— L-Lily! Lily, eu... — gaguejando, Snape soltou Amanda, praticamente empurrando, quase derrubando-a no chão.
Oh, não. Não, não, não. Amanda entendeu. Ela era inteligente. Não era boa em Poções, mas era inteligente, até demais para seu próprio bem...
Era inacreditável que ela tivesse deixado um detalhe importante desses passar. "Todo esse trabalho para nada!", pensou Amanda, querendo arrancar os cabelos, dela e da desgraçada ali à sua frente.
Sim, ela desistira bem antes de começar, pois pelo jeito como Snape olhava para a outra, sabia bem o que era uma causa perdida.
E sim, sabia bem quem era "A Outra".
Amanda Rice não lutava por homens... E também não chorava por homens... E agora que devia fazer os dois, não podia fazer nenhum! Parecia até que o Destino a estava castigando por ajudar alguém! O QUE MAIS FALTA ACONTECER!
— Oi.
Agitada, em turbulência, a última pessoa que Amanda queria ver era logo aquela... E de repente, ele não parecia mais tão engraçado sem seus passos mal coreografados...
Sirius Black encarava Amanda com um sorriso arrogante no rosto e sabe lá o que mais ele estaria pensando. E mesmo sorrindo, não parecia muito feliz...
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