Em Algum Lugar do Passado
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Capítulo 18 -
Amanda berrava. O grito de Amanda fez o sangue de Snape gelar. Bem como o de toda a Ordem.
Bem como o de todos os Grifinórios e curiosos prestando exames, agora distraídos exasperados, que a fitavam.
"Onde ela estava, e o que estava acontecendo?!"
A mente de Amanda estava uma confusão. Ela não sentia que estava viva, nem sentia que estava lá. Era Hogwarts, a exata Hogwarts do Futuro, onde todos pareciam estar prestando algum tipo de exame?!
A luz do sol invadia as janelas e parecia querer cegá-la. Ela não conseguia conter os espasmos que lhe invadiam a cada segundo e as vozes que gritavam dentro de sua cabeça, como se a batalha ainda estivesse ocorrendo.
"Tom, seu reinado nunca vai chegar nem ao começo. Não há lugar para você nem em Azkaban."
"AMANDA! MANDY! DESGRAÇADO! CRUCIO! CRUCIO!"
"NÃO, SNAPE! PARE!" parecia a voz de Marlene...
"CRUCIO!"
Amanda não conseguia se mexer nem reagir, e sentia que estava sendo contida, sentia pessoas, muita gente a sua volta, uma mulher exigindo para que todos lhes dessem espaço, ela estava sendo carregada, seu nariz não parava de sangrar...
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Amanda acordou dias depois. Foi o que lhe disseram. Não, foi o que Madame Pomfrey lhe disse, enquanto insistia em se esquivar de toda e qualquer "pergunta estranha" que a garota insistisse em lhe fazer, mas apenas lhe empurrava misturas garganta abaixo.
— Já disse que você está delirando. Você nunca deixou Hogwarts, menina. Está apenas sofrendo os efeitos do estresse causado pelos exames, só isso. Ficaria impressionada se eu lhe contasse com que frequência isso costuma acontecer por aqui. Mas devo confessar que você realmente ultrapassou o limite.
Realmente, não havia conversa com aquela velha maluca.
— Desejo ver o Professor Snape. Por favor.
Ela suspirou, sem disfarçar sua irritação.
— O Professor Snape. Sim. Ele tem vindo aqui com muita frequência, para meu gosto. Demonstra um interesse bastante... peculiar por você, e não acho que o Diretor vá gostar de saber disso.
— O que a senhora acha, francamente, não me interessa nem um pouco. E se fosse do interesse do Diretor, com certeza o Professor Snape não viria aqui com... "muita frequência", como a senhora mesma colocou.
Amanda sabia que estava excedendo uma autoridade que nem tinha, mas o fato de Madame Pomfrey lhe ter confessado que Snape ia vê-la... todos os dias... E um "interesse peculiar..."
Ainda bem que a enfermeira não teve tempo de retrucar. O interesse peculiar de suas afeições entrou bem na hora...
— Severus. — Madame Pomfrey disse com desprezo. — Que coincidência, estávamos falando de você.
— Bem, eu espero.
— E o que haveria de mal para se dizer? — Amanda não conseguiu se conter, quase pulando da cama. Madame Pomfrey estava indignada diante da "troca de olhares" e da tensão do "não-dito".
— Papoula... — disse Snape, da forma mais gentil que pôde. — Poderia nos deixar a sós, por favor?
— Mas... Mas o-
— Eu insisto. Por favor. — Ele exigiu.
A enfermeira se retirou, bufando de indignação.
— Snape! Snape, eu-
Snape correu até o leito em que Amanda estava sentada, tomou-a nos braços e esmagou seus lábios contra os dela. Ela esteve prestes a desmaiar novamente, ou quem sabe, ter outro colapso nervoso. Ninguém poderia culpá-la, seja lá qual fosse o caso.
— Explique isso — ela solicitou, ofegante, segurando-se nele — Como?!
— Não sei. Não sabemos. Dumbledore está estudando seu caso, junto ao Ministério. Seu Vira-Tempo, simplesmente, desapareceu. Não conseguimos chegar a absolutamente nenhuma conclusão.
— Mas, e o resultado?! E Harry?!
— Bem, quanto a isso...
Alguém bateu na porta, para se fazer notado. Era Dumbledore. Ele não havia mudado muito.
— Amanda Rice.
Ela não sabia o que isso queria dizer, então, simplesmente continuou em silêncio.
— Não sabemos exatamente, bem na verdade, não sabemos nada sobre a sua situação. Mas você... você teve muita sorte. Só perdeu cinco anos de sua vida. Não é? Mas ainda bem que quase ninguém conseguiu notar a diferença.
Amanda corou.
— Mas... Mas como? O que significa...?
— Também não sabemos. Mas foi tudo muito fortuito para nós e, inclusive, para você. Você permaneceu cinco anos numa Era que sequer era a sua e voltou de onde veio, só que aprendendo com o passado. Um paradoxo mais que bizarro, sem querer ser redundante. O Ministério deseja lhe honrar com a Terceira Classe da Ordem de Merlin, assim que você terminar seus estudos e se você nos honrar seguindo o caminho para se tornar um Auror, é claro.
Amanda não disse nada. Ficou só lá, parada, pálida e olhando para ele.
— Eu sei que, depois de tudo o que você passou, parece injusto e trivial que você deva terminar seus estudos, mas considere isso como uma punição. Afinal, você se apoderou de um artefato mágico e infringiu várias Leis. Apenas por isso, eu deveria confiná-la em Azkaban, sem direito a audiência no Wizengamot, nem nada. Mas desde que eu assumi o posto de Ministro, primo pela Justiça com menos burocracia e mais consistência. Espero que compreenda, Srta. Rice.
Amanda apenas meneou que "sim" com a cabeça. Ela... ela não compreendia muito bem, só sabia que achava que ia desmaiar, mas ouviu algo que tinha a ver com Merlin e devia ser coisa boa. Então, como Dumbledore nunca falhara com ela, era melhor concordar.
E depois, de que adiantava não terminar os estudos se ela sequer sabia aparatar?!
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Só uma coisa podia ser pior que aparatar:
Dirigir.
E se Amanda Rice conseguisse dominar esse inferno na Terra, pelo menos dirigir ela não iria precisar!
E Snape não era paciente. E sempre a fazia chorar.
Mesmo sabendo que todos estavam salvos, mesmo que Harry Potter fosse um garoto decente com um pai daqueles e que Lucius Malfoy fosse passar o resto da vida enlouquecendo em Azkaban e Draco Malfoy nunca fosse existir...
"Estrunchar" soava exatamente como "ferragens" e "fratura exposta".
— Não posso trazer você a Hogsmead no colo toda vez! — vociferava Snape. — Você já está, literalmente, grande demais para isso!
— Seu estúpido, grosso e idiota! — ela berrava, chorando. — Não vê o quanto isso é difícil?!
Snape ia se irritar, novamente, mas respirou fundo e abraçou Amanda, consolando-a.
— Não entendo você... — ele disse, soando sincero. — Salva o mundo, me dá o emprego dos sonhos e não consegue fazer a coisa mais simples.
— Não é simples!
— Que seja... — ele suspirou — Também não dá mais para esperar. Eu tenho algo para você. Estava guardando para... bem, para que servisse como uma comemoração, mas não sei quando esse dia vai chegar, sem querer desencorajá-la... E como estamos em frente a sua loja favorita... Bem...
Amanda não tinha ideia do que Snape estava falando, exceto pelo fato que sua loja favorita era a Dedosdemel.
Até que ele se ajoelhou em meio à neve, e ela percebeu.
E naquele momento, sentia-se capaz de qualquer coisa.
Ele tirou do bolso de suas vestes negras uma caixinha. Quando Amanda a abriu, nela havia um anel com uma pedra negra, ônix. Era a maior gema daquela espécie que já vira. Não muito usual como anel de noivado...
— São meus olhos. — ele disse, ainda ajoelhado na neve. — Eu sei que lhe devo muito mais, mas, por enquanto, é tudo o que posso lhe dar. Podemos nos casar assim que você aprender a aparatar e passar nesse teste. Não é uma condição, pois eu sei que você vai conseguir.
Finalmente, Amanda se permitiu chorar sem se importar. Ela o tomou pelas mãos, o abraçou, e aparatou com ele para algum lugar secreto, onde ela também pudesse confessar como se sentia.
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