E saindo do solo sagrado ela se abaixou para desenhar no solo:
–Aqui está a floresta, a Montanha Quebrada, Foxburg, São Crispim e São Tito – ela esperou até que todos tivessem visto seu mapa – dividiremos nossas forças em duas partes, a maior ficará em Foxburg, e a outra – em quanto ela desenhava a posição das tropas – a outra dará a volta na Montanha Quebrada e atacará São Crispim e São Tito.
Lorde Daring perdeu o fôlego:
–Como?! – ele escolheu as palavras com cuidado – Lady Gretel São Tito é uma cidade civil, não há motivos para atacá-la...
–Pois há. Primeiro porque lá os sobreviventes de São Crispim se refugiariam, segundo porque algum deles poderia enviar uma mensagem para a capital Sonsoc pedindo reforços e por ultimo teremos uma grande pilhagem.
Todos reconheciam que não se pode arriscar em uma guerra, mas Daring ainda era muito bondoso para reconhecer os métodos extremamente práticos de Gretel:
–Gente inocente vive lá...
–Gente inocente morrerá e os que sobrarem serão degolados no Festival do Sangue ¹.
O silêncio se tornou pesado, e até Lorde Lewis assumiu uma face de extremo desconforto.
Mesmo que não tivessem dito nada todos estavam de acordo com a estratégia:
–Mais uma vez um de seus planos nós levará à vitória certa Lady Gretel.
Fagin reconhecia nela um verdadeiro espírito para a guerra, era como se Gretel só vivesse para matar Sonsocs.
O sol decaía no horizonte, era hora dos lordes voltarem e começarem os preparativos para a futura guerra e se despedirem de suas famílias.
Cada qual pegou seu cavalo, nem uma palavra a mais foi dita nas Araucárias Arcanas e cada um seguiu seu próprio caminho.
Nenhum remorso abalava Gretel, ela se sabia a arquiteta de uma estratégia que repeliria um ataque inimigo e que preveniria uma vingança por bons pares de anos.
Ela já se aproximava de Punyburg, quando uma senhora parada à beira da estrada chamou-lhe a atenção:
–Precisa de algo senhora?
Com um sorriso, onde faltavam alguns dentes, ela respondeu:
–Não muita coisa... Apenas um trocado para a aguardente desse final de semana...
Por pena ou por se sentir obrigada a ajudar, Gretel jogou à ela uma moeda:
–Que sua generosidade seja paga em dobro minha jovem – a moça começava a seguir novamente seu caminho quando a velha a alertou – pode deixar qualquer um para trás com uma égua boa assim...
Gretel se virou para não deixar a senhora falando sozinha:
–Sim, é uma égua muito rápida.
–Pode deixar todos para trás é verdade – velha repetiu debilmente as palavras – mas o seu passado nunca ficará para trás... Ele a persegue, não é mesmo?
Surpresa, ao prestar atenção na velha logo viu que era uma bruxa:
–A senhora parece saber muito sobre mim...
–E sei, e como sei! – ela riu-se gostosamente – não se preocupe o passado a fará ter sonhos maus, mas ele dará a ti um presente!
Gretel se inclinou e acariciou o pescoço da montaria:
–E que tipo de presente será esse?
–Algo que já tiveste sem que fosse teu, que vivia preso sendo livre e na escravidão encontrará liberdade... E ainda fará de tu cativa!
–Sem enigmas minha boa bruxa, nem todos os entendem como a senhora.
Mais uma vez a velha riu-se:
–O futuro em si é um enigma, aqui ou lá será decifrado.
E sem dizer outras palavras ela se embrenhou no bosque, sumindo como se nunca houvesse estado ali...
Guardando bem as palavras da bruxa ela seguiu para Punyburg, um tanto preocupada. O seu passado só três pessoas conheciam e só uma sabia como realmente tinha terminado.
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