Notas iniciais
Sim, a descrição da estrada é igual ao do livro então por favor não digam que estou plagiando. Eu só não consegui fazer uma descrição diferente. Enfim, boa leitura e espero que gostem.

Meu tio foi na direção e Henri foi guiando do banco do passageiro. No primeiro momento achei que ele tinha se perdido no meio das estradas rurais. Mas ele dirigia tão concentrado que percebi que ele conhecia aquele caminho como a palma de sua mão.

A estrada era escura, sem nenhuma sinalização, tirando a placa que dizia “colha seus próprios morangos”. Havia algumas casas de fazenda espalhadas nas colinas. A estrada ficava cada vez mais escura e recheada de curvas.

- Como conseguiram me proteger todo esses tempo? E por que nunca me contaram a verdade? – perguntei mais para quebrar o silêncio do que para matar a curiosidade

- Tudo começou quando seu pai morreu – meu tio apertou os dedos envoltos do volante – Suas tias ficaram com medo de você

- De mim? – perguntei confusa – Por que 3 velhas ficaram com medo de uma criança?

- Sim, elas sabiam da sua mãe e do seu digamos... “padrinho olimpiano” – ele continuou olhando para frente – E então Íris me visitou pela última vez. – ele disse “Íris” com dor e tristeza em sua voz — Ela pediu para eu te proteger. Disse que Henri a ajudaria a fazer a coisas certa quando chegasse a hora.

- E essa coisa certa seria ir para o acampamento? – perguntei com os dedos cruzados

- Mais ou menos... – Henri falou com a boca cheia de doritos

- Mais para mais ou mais para menos?

- Segurem-se! – Tio Afonso girou o braço para a esquerda e o Cadilac derrapou sobre a lama

O carro não chegou a capotar, mas eles girou na pista como um pião. O cinto me salvou naquela hora evitando que eu voasse sobre o vidro.

- Caramba! – Henri contou os dedos – Estão todos aqui, relaxem.

- Qual o seu problema? – perguntei atordoada – Acabamos de derrapar e você confere os dedos?

- Desçam do carro, agora. – Tio Afonso soltou o cinto de segurança e pulou para fora do carro

Ele pegou seu canivete e rasgou o estofado do banco. Dentro do banco tinha duas armas. Não eram armas comuns, eram armas divinas.

- Presentinho dos generosos lá do Olimpo – ele olhou com cara de satisfeito para elas e depois para mim

- Talvez seja melhor ela ir agora – Henri se aproximou ajeitando o gorro sobre o cabelo ensebado

Não sei, mas ele parecia mais musculoso um arco e flecha do que segurando um pacote de doritos. Não estou dizendo que ele parecia o “capitão américa”, mas ele parecia menos magro do que ele estava acostumado a ser.

- É, mas vou ficar para ajudar vocês. – consegui falar

Aquilo soou mais confiante do que eu pretendia. Ambos olharam sorridentes para mim, como se estivessem felizes que eu estava ali.

Tirei a espada da bolsa e a segurei com firmeza. Ela era bem mais pesada do que eu imaginava que seria.

Um Impala freiou bruscamente na nossa frente. Três pessoas desceram do carro. A primeira era um garoto com mais de 2 metros de altura, tinha cabelo ralo e olhos arregalados. Suas roupas eram menores que os seus membros, o que dava impressão de que ele era um garoto de rua ou algo do tipo. Os outros dois eram Pedro e Diana, colegas do Henri.

- Te disse que nos encontraríamos em breva – Pedro bateu a porta do carro

Seus cabelos brilhavam a luz do luar. Ele parecia mais assustado do que na festa, como se ele não quisesse estar ali.

- Por que vocês não dão meia-volta? – Henri armou uma flecha

- E poupar suas vidas? Tisss – Diana sibilou como uma cobra – Acho que não.

- Já chega! Precisamos da garota, — o mais alto segurava um martelo gigante – viva de preferência. Então vamos matá-los e levá-la.

- Você pode vir conosco por bem e poupamos a vida deles – Pedro falava sério – ou teremos que forçá-la e matamo-los.

- Ou nós matamos vocês – tio Afonso apontou a arma para Pedro

- Acho que não – antes que Diana pudesse falar qualquer coisa uma flecha atravessou seu abdômen – COMO OUSA?

E ela se desintegrou como se fosse feita de areia.

- Ali – tio Afonso apontou para a colina a nossa frente – Aquele pinheiro é o limite do acampamento. Assim que chegar no topo da colina, você conseguirá ver uma casa grande. É para lá que você tem que correr.

- Arriscado deixá-la no acampamento, não acha? – Pedro se aproximou de tio Afonso – Acha mesmo que ela fará a escolha certa?

- Sou filha da Sabedoria, seu otário. Sempre estou certa. – o ataquei com rapidez, como se já tivesse feito aquilo outras vezes.

Ele se esquivou e bloquiou meu ataque. Investi novamente, dessa vez acertei a parte achatada da lâmina em seu peito. Ele me atacou. Girei para o lado e chutei sua perna. Ele se abaixou, evitando o contanto com a minha espada.

- Bom — ele recuperava o fôlego – mas previsível.

Ele deu um giro no ar e acertou sua perna em minha barriga. Cai sentada no chão sem ar. Pude ver a minha esquerda Henri e tio Afonso lutarem contra o gigante amigo de Pedro.

- O que? Já acabou? – Pedro ria na minha frente.

Levantei em um salto e o ataquei de novo. Deslizei por entre seu braço esquerdo e o acertei na costela. Ele gritou de dor e logo se virou para contra-atacar. Sem piedade, ataquei mais uma vez. Ele bloquiou minha espada com a dele sobre o ombro. Por poucos segundos, ficamos cara a cara. Pude sentir seu hálito na minha bochecha, cheirava a canela.

- Minha senhora a quer viva – ele disse – Não me faça ter que te matar.

- Alguém vai morrer hoje. E acredite, não vai ser eu.

O empurrei com minha mão livre e girei o corpo o acertando com a perna. Ele agarrou meu pé antes que eu pudesse recuar. Impulsionei meu corpo para a direita e tirei a minha outra perna do chão. Pedro caiu sentado e eu cai de costas batendo minha cabeça no chão.

- Tori! – Henri me levantou pelo braço – Você tem que ir, agora!

- E vocês? – perguntei confusa com a cabeça rodando

- Tá brincando? Vamos ficar bem. – Henri sorriu para mim – Agora vá, depressa.

Corri em disparada carregando minha bolsa nas costas até o topo da colina. Todo aquele lugar tinha cheiro de morango fresco.

- Não pode se esconder de mim! – Pedro gritou lá de baixo

Olhei para trás e vi Henri acertando um soco na cara de Pedro que desabou no chão. Ele acenou para mim e fez sinal de positivo, para que eu continuasse correndo.

Desci a colina, deixando para trás o grande pinheiro e a minha família.

Notas finais
E ai? Gostaram? Comentem, critiquem, sei lá... E obrigada por ler :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.