Elo

2 Pingente


Enquanto Antenor entregava a garotinha a Amélia, Dylan e Noah a olhavam com curiosidade e medo, Noah chegou a confundi-la com um monstro de lama. Amélia deu um banho em Pandora e a vestiu com uma blusa larga de Dylan que não gostou nem um pouco disso. Amélia a deixou na sala com os meninos, que ainda a olhavam com desconfiança, enquando fazia o jantar. A garotinha se encolheu em um canto da sala e ficou observando o retrato pintado de sua mãe que tinha em um pingente de prata com tristeza. Dylan percebendo sua tristeza se aproximou e sentou ao seu lado olhando para o retrato no pingente.

— É a sua mãe?

— Sim.

— Você deve sentir muita falta dela não é?

Pandora acentiu com a cabeça.

— Não se preocupe, meu pai vai achar ela, vocês vão ficar juntas de novo logo logo.

Pandora abraçou com força o garotinho ruivo e voltou a chorar. Dylan tentou conforta-la como pode mas não teve sucesso. A garotinha finalmente parou de chorar quando acabou adormecendo com a cabeça no colo de Dylan. O garoto não queria deixar transparecer sua tristeza para não piorar a situação de todos que tambem estavam tristes pela morte de sua mãe, mas ver Pandora chorar pela falta da mãe o fez lembrar que nunca mais veria a sua novamente e enquanto ninguém olhava chorou em silêncio. Noah estava no quarto dos pais dentro do guarda-roupa que ainda tinha roupas de sua mãe com o cheiro reconfortante dela, ele sentia falta dela que foi tirada deles tão brutalmente. Aquela noite ainda assombrava a memoria de todos. Era uma noite comum, Sophia havia colocado Dylan e Noah para dormir e tinha ido para sala ficar com Antenor que adormeceu em sua poltrona. Sophia se sentou no sofá e começou a tricotar roupinhas para sua futura filha até que ouviu um barulho na porta dos fundos e curiosa foi ver o que era, por mais que achasse que era apenas um animal selvagem. Antenor, Dylan, Noah e Amélia foram acordados pelos gritos de Sophia. Antenor correu para salva-la mas já era tarde demais. O corpo sem vida de Sophia estava no chão ensanguentado e um monstro terrivel vindo de Tenebris estava parado próximo ao corpo observando a família desolada. Antenor tentou ataca-lo em um impulso de raiva e tristeza mas o monstro desapareceu em meio a uma nevoa escura, tão escura quanto seu lugar de origem. Esse acontecimento deixou todos traumatizados e com a incesante pergunta: Por que? O que um monstro teria contra uma simples camponesa? Essa pergunta poderia nunca ser respondida. Depois de ter desistido de sua busca Antenor caminhou até sua casa pensando em como iria contar para uma garotinha que sua mãe provavelmente estava morta. Acabou optando por omitir a verdade dizendo que não a havia encontrado mas que continuaria procurando. Algum dia quando Pandora fosse mais velha e tivesse força para aguentar a verdade ele contaria a ela.