Ellosyn e o exército de Zurck
5 Determinação
Notas iniciais
As folhas caiam pelo solo fértil da floresta, os troncos se estendiam a uma altura inalcançável, a noite já estava viva, e os sons começavam a se espalhar pelo recinto.
Mesmo com a falta de luz, os druryens sabiam se localizar, se adaptavam tanto na luz quanto na falta dela, Mila sentiu que seus olhos enxergavam mais do que o normal, conseguia sentir o cheiro da terra úmida se misturando com os musgos que se alastravam pelo chão.
Estudava aquele lugar, em puro fascínio, as árvores possuíam detalhes, detalhes que com certeza alguém os fizera, estreitou os olhos e se aproximou da árvore que continha um símbolo, seus lábios se curvaram em um belo sorriso.
O detalhe eram três linhas, duas horizontais paralelas, sendo a última vertical.
–Taurak dor’k taraum...- disse ao estudar aquele símbolo com os dedos.
Tirth olhou para os outros que também continham o semblante surpreso.
Aquilo era um tipo de língua que eles não conheciam, talvez uma língua extinta.
–O que isso quer dizer? – Brumer estava ao seu lado, também olhava para o símbolo impregnado no tronco, correu seu olhar ao redor e percebeu que as outras árvores também continham aquela marca.
–É o nome desse símbolo, Taurak dor’k taraum, as duas linhas horizontais, significam confiança estão vendo? Elas andam juntas, como se fossem um, e tem essa aqui. – seus dedos seguiam pelo desenho escupido.- a que indica a coragem e determinação, ela é a única que está seguindo um caminho diferente.
–E o que isso deveria significar?- Tirth se aproximou dos dois que estavam concentrados, Mila saiu do transe virando-se para trás.
–Como você sabe disso? – Aredhel estava esperançosa, estava ciente de que ela não recordaria tão facilmente, mas seu destino era maior do que o poder daquele feitiço.
Mila encolheu-se um pouco, estreitou os olhos, como ela sabia daquilo? Negou com a cabeça, ela não sabia, apenas pronunciou as palavras que sentia em seu coração, nunca havia visto aqueles símbolos, mas sabia o que significavam, sabia ainda mais, que o lugar onde estavam, era perigoso demais.
–Algo me diz que não estamos mais em Grardor...- Suas mãos foram para a espada em sua bainha, os barulhos da noite estavam mais vivos, agora com a lua cheia dando luz aquele lugar.
–Não...Apenas estamos em território perigoso...- Tirth sussurrou, também ouvindo os barulhos que pareciam se aproximar.
–Precisamos sair daqui...- Brumer saiu do transe.- A noite é traiçoeira...E muito perigosa...
Eles andavam pela sombria floresta, cada um atento ao perigo...A cada passo que andavam o ar ficava rarefeito, as marcas ainda se encontravam nas arvores a seguir, imagens começaram a passar em sua mente, imagens em que jurava que não eram dela, crianças correndo entre as árvores, rituais em que ela desconhecia, guerra, morte, sangue, momentos da vida de outras pessoas, Mila não fazia ideia do que estava acontecendo com ela.
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–Não...Não!- gritou em desespero, a cada imagem que passava, ela sentia as emoções, sentia o medo, a raiva, a felicidade, tudo se mesclando, se encolheu no chão como se aquilo a protegesse.
–Mila?- Avrey se aproximou dela, seus músculos estavam rígidos, sua cabeça latejava de dor, levantou a mesma para ver se passava mas nada, seus olhos estavam intensos, um brilho incomum surgiu neles.
–Mila!- Aredhel se aproximou, estava começando a ficar preocupada com a amiga.
–Aredhel não!- Tirth a segurou para que ela não se aproximasse de Mila, sabia que ela estava se lembrando, sua mente voltou há anos atrás, quando teve a última conversa com Mila, lembrou-se de seu aviso, que ela sofreria para lembrar de sua vida, mas que era preciso.
De repente, algo se mesclou com os gritos da mulher a sua frente, o uivo de uma besta espalhou-se pelo recinto, Brumer se posicionou na frente de Mila, pronto para algo maior, foi acompanhado pelos três amigos, cada um pegando sua espada, Aredhel pegou sua flecha, colocou com maestria em seu arco e apontou para a escuridão.
–O que é isso?- seu coração estava acelerado, mas a determinação era mais forte do que o medo, afastou seu ponto negativo para o lado, e se concentrou em apenas um objetivo, proteger Mila a qual estava destinada a dar a vida.
–Mantenham-se em posição!- gritou Brumer.
Os barulhos se aproximavam deles, barulhos de galhos se quebrando contra a terra umidificada.
As imagens aleatórias não paravam de passar em sua mente, apertou as têmporas para que de alguma forma as impedissem, mas sem sucesso, a dor se intensificou ainda mais.
–Para!!!- gritou para seu próprio consciente. – Não...Não!
Tirth tentou ignorar os gritos, mas era impossível.
–Ela precisa sair daqui!Os gritos estão os atraindo.- olhou para as árvores a procura de algo suspeito, mas não encontrou nada, apenas os uivos em sua volta e o barulho de seus determinados passos.
–Eles estão nos cercando...
De repente, a besta saiu da escuridão atraindo suas atenções, ela deveria ter uns dois metros de altura, seu corpo era revestido por pelos negros e seus dentes eram mais afiados do que a própria espada em que carregavam.
–Lycantropo...- Aredhel sussurrou mais para si do que para seus companheiros, seus olhos percorreram a pequena clareira parando na outra besta, que seguia os passos da anterior.
–Aredhel!- gritou Avrey.
Aredhel estava pronta para atirar a flecha no coração da fera, sua mira era sobrenatural, tal como sua determinação, a criatura se aproximou deles, apresentando a sede em seus olhos.
Respirou fundo e atirou, mirando na cabeça do lycantropo, a mesma caiu a metros de distancia a sua frente, mas atraiu os que se escondiam na escuridão.
Os lobisomens haviam cercados os cinco que tentavam pensar em alguma fuga, mas era impossível.
–Só há um único jeito de sairmos aqui...- Tirth estava pronto para o ataque. – Algo me diz que essa luta será interessante.
O lobo aproximou-se dele o fazendo recuar, sem mais delongas ele deu a volta encontrando as costas peludas da besta, subiu nelas e enfiou a espada no começo de sua vertebra, descendo em seguida, provocando um grande rasgo no dorsal da criatura.
Avrey correu em direção a besta a sua frente, jogou-se no chão passando por debaixo de suas pernas as cortando, o uivo agoniante do lycantropo rasgou o céu escuro, ele não se importou com os respingos que se mesclavam com seu suor, aproveitou que a fera estava se torturando pela falta das patas inferiores e cortou sua cabeça.
Aredhel manejava as flechas com maestria, os acertando e fazendo com que impedissem de chegar perto deles, Brumer se juntou a ela, atirando com as pequenas adagas, que continha em sua bolsa de couro.
Estavam protegendo Mila, quanto mais se defendiam mais lycantropos os cercavam, mas aquilo não os desanimavam, pelo contrario, tinham mais sede por luta.
Seus movimentos eram rápidos e majestosos, pareciam que suas espadas já sabiam o caminho e cada canto que deveriam acertar.
De repente um barulho estrondoso ecoou pelo recinto, um tipo de uivo, mais poderoso, mais grave, Brumer voltou sua atenção para os lobisomens que recuaram o máximo possível, uivando também, como se tivessem recebido ordens de alguém, de repente, eles desapareceram entre as árvores, dando passagem para os barulhos comuns de uma noite tranquila.
–Eles já foram? — Avrey estava atento a cada movimento estranho a sua volta.
–Já.- disse Aredhel.- Se tivessem por perto sentiríamos o calor do corpo...- Aredhel olhou para trás seguindo os barulhos que se mesclavam com o vento da noite, não só ela, mas os outros também perceberam.
Mila abriu os olhos tentando tomar consciência do que estava acontecendo, as imagens ainda passavam, mas lentamente, levantou-se e viu pedaços de membros espalhados pelo chão, membros de algo que ela desconhecia.
Olhou para seus companheiros que prestavam atenção em algo que seus olhos não tinham encontrado, de repente, sua atenção foi para os homens que os cercavam, eram exatamente dez homens, seus corpos eram revestidos de uma vestimenta apropriada para o inverno, com pelos grossos para proteção.
Estavam prontos para os atacarem, viu que Aredhel, Brumer, Avrey e Tirth também estavam prontos para algo mais, aqueles homens pareciam uma ameaça perigosa diante deles, mas seu coração falou mais alto, sentia que eles iriam ajuda-los, sentiu que já os conhecia, de muito tempo atrás.
– Tredri trevark lovim... – disse na língua deles, seus companheiros olharam para ela assustados com o que havia acabado de dizer.
Mila não prestava atenção no espanto deles, mas sim do homem que se aproximava.
O homem segurou a grande lança, apontando para frente,seus olhos eram de um verde vivo, era de um brilho intenso, haviam algumas marcas desenhadas com tinta azul em seu rosto, seus cabelos caiam pelas costas robustas, mas que estavam presos em uma trança apertada, a barba cobria o seu rosto, dando um ar superior.
–Taandren fur’t erc, dar’c alens ... – Mila tentou respirar fundo, a voz grossa do homem a sua frente, fazia seus pelos eriçarem, não podia deixar que o medo lhe dominasse, ela estava assustada com o fato de que conseguia entende-lo.
–O que ele disse?- falou Avrey apavorado, seus olhos pediam por alguma resposta.
–Falou para irmos embora, que não somos bem vindos aqui...- Mila fitava o homem a sua frente, o estudando, de repente, lembrou-se de que, ele aparecera em uma de suas imagens, sabia quem ele era, o líder da guarda de seu povo, um bravo guerreiro, que era capaz de fazer qualquer coisa para manter seu povo em segurança...e escondido...
– Drark bumehd gorf, kerls,era tur’s duar far merc... Trer’drak tungste’l? — Mila levantou um pouco mais a cabeça, para demonstrar que não se sentia ameaçada por ele. — Ftra’r ...Dror’c..
O homem parecia pensar um pouco, mas logo assentiu para ela, olhou para os homens, levantou sua mão para que se aproximassem.
Suas mão foram amarradas por uma corda que interligava com as mãos dos outros, eles começaram a ser puxados para o leste, andando e se desviando dos galhos fracos e troncos que atrapalhavam a caminhada.
–Que língua era aquela?- Tirth sussurrou para Mila que estavam a sua frente, Mila olhou para os lados, observando os homens que mantinham o olhar para frente.
–Eu já disse...Eu sinto, minha cabeça , esta cheia de lembranças que as vezes, aparecem, dominando minha consciência por completo e...Em uma dessas imagens, eu o vi...
–Quem?- Mila apontou com a cabeça para o líder do grupo.
– O que você disse a ele?
–A tribo vive escondida, durante séculos eles vivem sob o medo daqueles que executam os não puros de raça humana, eu disse a ele a verdade, disse que sabia como viviam, o medo que eles tinham de serem encontrados, e o medo que conseguia sentir em seus olhos ao nos encontrar, pedi que nos ajudassem e prometi que eles viveriam em liberdade novamente, mas que para isso acontecer, teria que falar com o chefe deles.
–Eu não entendo ...Você nunca saiu de Zahastard, e quando a levamos para Winsgord, sempre a vigíamos... Como você sabe da existência dessa tribo?- disse mais para si do que para Mila, que também tentava encontrar uma resposta para a pergunta. – O que fez ele a acreditar em você?
– Eu conheço a língua deles, acho que tanto eu quanto eles querem saber o porque...
Eles pararam até a margem de um rio, a correnteza era forte, e o barulho da água chocando-se nas pedras era inevitável, eles foram puxados para o primeiro barco da fileira, o líder e mais dois homens os acompanharam.
Eles não tinham remos, eram levados pela correnteza, e não tinham medo de se encontrarem com uma pedra que com certeza, destruiria o barco de madeira, Mila sentiu um par de olhos a estudando, sabia que era do homem a sua frente.
– Arc lavens truri arf sor? ( pelo menos posso saber seu nome?)
–Garf aoheu deisops dersc’a... ( seria irrelevante para uma mortal que morrerá...)
– Dur’c cusan’s mued dersc’a? ( E quem disse que sou mortal?)
Eles olhavam para Mila sem entender uma única palavra, e os dois homens que entendiam faziam questão de prestar atenção para algo fora do bote, ou simplesmente para a escuridão que os cercavam.
Mila e o homem travavam uma batalha de olhares, sua atenção foi para a voz que adentrou em seus ouvidos.
–Dar’cs delavium! ( Estamos na garganta!)
Mila tentou procurar algo na escuridão mas não conseguiu.
–Uma caverna.- disse Avrey.- A nossa frente.
–É a entrada para as terras deles...
Pôde sentir que o vento já não existia no recinto, ouviu barulhos de pingos chocando-se na água, não teve dúvidas de que estava em lugar fechado.
A corrente ainda era presente, só que um pouco mais forte.
Ela perdeu a noção de quanto tempo ficaram dentro daquela caverna, seu corpo pedia urgentemente por um lugar em que pudesse se aconchegar, seus olhos já estavam pesados, se o que Aredhel disse fosse verdade, se ela também eram um druryen, então por que sua alma era de um ser humano? Até quando ela iria ficar daquele jeito? Seus pensamentos foram substituídos por uma pequena luz a sua frente, que com o decorrer da aproximação ficava maior.
Era a saída, viu que o céu era de uma cor alaranjada, estava ainda no começo do crepúsculo, não estava em condições de processar e entender algo daquele tipo.
Quando saíram da caverna, Mila pode ver o quão extenso aquele lugar era, sua boca formou um O perfeito.
https://www.youtube.com/watch?v=H3w5dHC3394 (Obrigatório)
Era um imenso complexo de pedras, havia vários pilares de rochas espalhados pelo imenso lugar, os pilares eram interligados por pontes do mesmo material, as casas ovais eram espalhadas pelos pilares, Mila olhou para o céu alaranjado e viu as grandes aves que sobrevoavam em suas cabeças, aves que possuíam o dobro de seu tamanho.
O lugar era extenso, parecia que não tinha fim, havia várias crianças correndo de pilar em pilar, explorando cada canto já conhecido por elas, haviam vários barcos no rio, todos olhavam para os caçadores que tinham acabado de chegar, com algo mais além da caça em seus barcos, homens e mulheres pescavam, cada um distribuindo a tarefa igualmente.
–É...
–Magnífico... — completou Brumer para Aredhel.
–Magnífico. — disse ela em puro fascinio.
Os nove barcos que se encontravam junto a eles se dispersaram, o homem a sua frente pegou os remos em baixo do banco e começou a remar em direção a um extenso paredão de pedra, eles chegaram mais perto e Mila pode perceber que o paredão continha várias janelas, e alguns pilares esculpidos, o portão era tão grande quanto o paredão.
O portão foi aberto dando passagem para o pequeno barco onde estava, ela se sentia minúscula em relação aquele lugar, pela primeira vez desde que chegou olhou para seus companheiros que olhavam para a imagem a sua frente, ela não era a única que estava maravilhada com aquele lugar.
Eles entraram em uma pequena caverna, Mila observou aquele lugar, haviam vários guardas dispostos, ninguém ousava os olhar, ela não havia percebido que o homem e seus colegas haviam saído do barco, seguiu-os, ainda estava amarrada, juntamente com os outros em uma corda.
Eles seguiram túnel acima, parecia que os degraus eram infinitos, fizeram várias voltas, o cansaço já estava a dominando por completo, mas a curiosidade e o medo que se mesclavam em seu coração eram maiores.
–Onde ele esta nos levando?- Brumer perguntou.
–Dranuen! ( Cale-se!)- gritou o homem a sua frente, ele teve vontade de cortar sua cabeça naquele momento, fechou os punhos contendo a raiva que crescia dentro de si, ele sabia que não podia com aquele ser, queria muito saber o que eles eram, pois apesar da aparência humana, sua altura era indiscutível.
https://www.youtube.com/watch?v=NrdYuKAGI5Y
seguiram calados até um grande salão que era iluminado pela luz que adentrava pelas grandes janelas, depois de estar em um lugar como aquele Mila pensou que nada mais a surpreenderia, mas aquele lugar, era totalmente trabalhado, desde as paredes, até as colunas que eram esculpidas de pedra.
O chão de pedra era liso e escorregadio, ela sentia certa dificuldade em caminhar, viu que seus companheiros também sentiam, menos o homem, que calçava uma bota de couro escuro.
Mais a frente, viu o trono, majestoso e de altura grande, era de aço com detalhes dourados, os detalhes eram algum tipo de descrição, que por incrível que parecia, sabia muito bem o significado delas, a história daquele povo, cravado no trono, engoliu em seco, ah, como queria respostas para aquilo, talvez em sua vida passada, conhecera aquele lugar, aquela cultura.
Eles pararam em uma certa distancia das escadas que intercediam o altar real, pois não existia apenas o trono, mas ao seu redor, vários pilares pontiagudos.
O homem que havia os guiado ate aquele lugar soltou as cordas de cada um deles, seus olhos pararam quando foi soltar os dela, Mila pensava que ele iria dizer algo, mas nada saiu da boca daquele homem sombrio e cheio de intrigas.
Sua atenção voltou-se para frente, viu que um outro homem estava os observando, seus olhos saíam faíscas, foi até o trono e sentou-se nele, seus olhares se encontraram por segundos mas logo ele quebrou o contato olhando para seu “guia” que se encontrava ao seu lado.
– Drem buer ar neits! (não aceitamos intrusos) graer ardo malavas’k Jaha... ( pensei ter deixado isso bem claro meu amigo Jaha.) Então aquele era o nome dele,Mila observou o rei, seus cabelos eram longos, passavam da cintura, era de um liso extremo, negros como a escuridão, seus olhos verdes eram escuros e intensos, haviam vários símbolos desenhados em sua face, o que diferenciava do homem ao seu lado, era a cicatriz diagonal em seu rosto, que ia do canto esquerdo de sua testa, até o canto direito de seu maxilar, provocando estragos no tronco do nariz.
Jaha apontou para ela, não perdendo o contato visual com o rei.
– meloua fofu aordem nuor. ( ela entende o que dissemos.) Seus olhos foram de desprezo para puro fascinio, o rei olhou para ela intrigado, e ao mesmo tempo surpreso, muito surpreso.
–Mauel naul...( impossível) – aquilo era realmente impossível, pois eles não tinham contato com outras nações, ninguém sabia daquela língua a não ser eles...- ohau mauer elu? ( você consegue me entender?)
– Drar. ( sim) – disse sem delongas.
Ele levantou-se de seu trono e se aproximou deles, Tirth, Brumer , Avrey e Aredhel, deram passagem para ele, que olhava intensamente para ela.
– Ormnaud par elua? ( O que é você?)
–Furmeiamn ier, maurnm oan fik...( eu não sei, esperava que você me respondesse) – ele riu daquelas palavras, sua coragem era presente nas entrelinhas, ninguém nunca falara com ele, daquele jeito arrogante, estendeu a mão para ela em forma de paz.
–Heuamf ain Faar...( me chamo Faar)- Mila olhou para a mão a sua frente, ela não entendeu aquele ato, ele estaria disposto a ajuda-la? Estaria disposto os ajuda-los? Seus olhos pousaram em seus companheiros, estavam quietos e prestando atenção nela, de repente sentiu um aperto em seu coração, eles realmente estavam dispostos a arriscarem suas vidas pela dela, talvez agora, ela conseguia entender o proposito daquela jornada, ela tinha um destino, e não era como uma simples camponesa, que sonhava em ter uma aventura em algum ponto de sua vida, mas sim uma menina que continha um grande destino para um povo, que ela mal conhecia, ou talvez... Apenas não se lembrava, mas de uma coisa ela tinha certeza, estava disposta a descobrir a verdade, e para isso acontecer, teria que esquecer “sua vida passada” , teria que esquecer aquelas lembranças que não a pertenciam, mas que de alguma forma, sempre voltavam, fazendo- se a indagar, quem verdadeiramente ela era, e naquele momento, necessitava ser outra pessoa, necessitava ser sua antiga Eu.
Apertou a mão de Faar com determinação.
– Elderyn heuamf ain Elderyn...( Elderyn, me chamo Elderyn)...
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