Notas iniciais
Este capítulo não existia originalmente, mas achei que seria necessário estabelecer uma relação entre estes dois personagens e explicar alguns pontos do universo que, se fossem explicados na sinopse, a tornariam grande demais. Divirtam-se O(≧∇≦)O

— Você precisa mesmo ir? – Alyss perguntou, não pela primeira vez naquela noite.

Ela encarava seu amigo, Elliott, que estava de costas para ela. Eles estavam no pequeno parque próximo ao centro da cidade, o local onde costumavam brincar quando eram crianças, e onde normalmente se encontravam, já que ficava próximo de suas casas. O local estava escuro, não havia muita iluminação naquela região do parque.

Ele olhou para a amiga de infância e provavelmente a única pessoa com quem ele ainda se importava. Os cabelos cor de cobre dela estavam iluminados pelo luar. Seus olhos incrivelmente azuis exibiam uma expressão sofrida.

— Você sabe que preciso, Allie. – Elliott disse – Estou procurando por respostas a minha vida inteira... sobre meus pais, a real extensão de meus poderes, e agora, encontrei uma pista. Preciso segui-la onde ela me levar.

— Então eu vou com você.

— Nem pensar! Pode ser perigoso demais, e eu sinto que preciso fazer isso sozinho.

— Mas, Eli...

Ele agarrou a amiga pelos ombros e olhou diretamente nos olhos dela

— Eu disse que vai ser perigoso demais, e você é importante demais para mim. Não suportaria perdê-la. Além disso, seus pais ficariam preocupados. E todos na escola.

— Eles também ficarão preocupados com você!

— Você sabe que não é assim... – O rosto e Elliott exibia uma expressão fria – A grande verdade é que todos, excluindo você e seus pais, me odeiam, e apenas querem me ver o mais longe possível.

— E você pretende deixar que o que aquele garoto idiota diz lhe ponha para baixo?

Alyss agora estava ficando realmente irritada com ele, os comentários maldosos da escola não deveriam abalá-lo, na verdade, nunca conseguiram, o próprio Elliott já havia lhe dito isso.

O garoto sorriu, mas era um sorriso frio, ao lembrar-se do que diziam dele na classe.

— Eu não quero parecer convencido… – Ele disse – Mas a grande verdade, é que eles têm inveja de mim, e você sabe disso, meus poderes psiônicos são muito superiores, se comparados aos outros, eu já provei isso, metade da escola já me desafiou para duelos oficiais e ninguém jamais me venceu, este maldito apelido que me deram, “O Invicto”, me persegue por causa disso.

A escola que frequentavam era uma instituição especialmente preparada para receber aqueles que eram capazes de dominar os chamados poderes psiônicos, no passado chamados apenas de magia, porém, com o passar do tempo, pesquisas foram feitas e descobriu-se que estas habilidades eram apenas a força eletromagnética do cérebro do usuário controlando o mundo a sua volta.

— Além do mais... – Elliott continuou – Você mais do que ninguém sabe quanto tempo eu dediquei para descobrir porquê minhas habilidades psiônicas reagem com qualquer coisa, diferente das outras pessoas, que só conseguem manipular um ou dois materiais, agora descobri alguém que pode me dar respostas sobre isso…

— Você não tem medo dos Corrompidos? – Ela perguntou preocupada – Ou dos caçadores? Eles podem te confundir, por causa dos seus poderes!

Os Corrompidos são aqueles que deixaram as habilidades psiônicas tomaram seus pensamentos, o poder corrompe o cérebro e eles perdem o controle, não pensam, agem apenas por instinto, que diz apenas para destruir tudo e todos em sua frente, alguns chegam a um ponto de corrupção tão grande que seu corpo se deforma e eles tornam-se extremamente poderosos, capazes de manipular a tudo, assim como Elliott. Este era o motivo de existirem escolas que ensinavam a usar esses poderes da maneira certa e impedir que seus usuários perdessem o controle. Os caçadores são as pessoas que caçam os Corrompidos, destruindo sua existência, já que é impossível recuperar-se da corrupção.

O garoto sorriu novamente, porém, dessa vez era um sorriso determinado, e isso deixou Alyss ainda mais receosa, apesar de suas tentativas de convencê-lo a ficar, ela sabia que quando Elliott decidia fazer algo, era praticamente impossível dissuadi-lo, ele era extremamente teimoso, porém, a garota precisava tentar, não queria perder o amigo de infância. Alyss o encarou em um misto de preocupação e desafio, olhou fundo em seus olhos verdes. Ele encarou de volta e se aproximou. Seus rostos estavam a alguns centímetros um do outro, quase se tocando.

— Eu sei disso, não precisa me lembrar, mas eu sei me virar.

— Você diz isso com tanta propriedade e nunca nem mesmo saiu da cidade! – Alyss retrucou, elevando a voz, sentia as lágrimas já se formando em seus olhos – O que seus tutores vão dizer? O que vou dizer a meus pais?

Elliott respirou fundo, ele sabia que aquilo aconteceria, a amiga sempre fora tão teimosa quanto ele, ainda assim, queria fazer aquilo, sentia que precisava ter esta última conversa com Alyss antes de ir embora.

— Se eu conversasse com os tutores, eles ficariam furiosos comigo e provavelmente colocariam algum tipo de guarda para mim. – O garoto disse – Quanto a seus pais… Diga ao General Aluvyre que foi um prazer aprender com ele. Diga à sua mãe que vou sentir falta da torta de maçã.

Por um breve momento, aquele até parecia ser o velho Elliott, animado e divertido, mesmo assim, Alyss não queria ceder, aquele era seu melhor e mais antigo amigo, vê-lo partir era insuportável para ela.

Ele fez menção de virar-se , mas ela o impediu, prendendo-o em um abraço, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto.

— Você não pode ir! – Ela exclamou – Sabe, nós ainda não visitamos aquele museu que você…

Elliott a afastou , segurando-a novamente pelos ombros e encarando diretamente em seus olhos.

— Pare de se enganar. – Ele disse com firmeza – Eu já disse e você sabe o quanto eu preciso fazer isso, pode parecer algo desnecessário para você, mas eu prometo te dar respostas quando eu voltar.

— E quando vai ser isso? – Ela perguntou, enxugando as lágrimas com as mãos.

— Eu não sei dizer. – Respondeu, sabendo que aquela não era a resposta que a amiga queria.

Elliott soltou os ombros dela e fez menção de virar-se, mas ela o abraçou novamente, desta vez, não era uma tentativa de prendê-lo por mais tempo, ele percebeu que era uma genuína manifestação de afeto da amiga, a pessoa com quem passara a maior parte de sua vida.

Elliott a abraçou de volta e os dois ficaram juntos por quase um minuto. Enfim, ele afastou-se, soltando-a e olhando em seus olhos, que ainda estavam marejados. E então aproximou-se novamente, unindo seus lábios aos dela. Um beijo, foi seu presente de despedida para Alyss, sua melhor amiga.

A última lembrança que ela tinha daquela noite, era de ver o leve brilho da lua nos cabelos dourados de Elliott enquanto o assistia afastando-se, rumo a um destino incerto, sem saber se algum dia veria seu amigo novamente.

Notas finais
Espero que tenham gostado (*^–^*). Lembrem-se que seu feedback é muito importante para mim! Qualquer crítica ou sugestão é bem vinda! O próximo capítulo deve demorar um tempinho, eu vou precisar reescrevê-lo inteiro, adaptando-o às novas ideias incorporadas na história. Até lá! ٩(。•ω•。)و