Notas iniciais
Demorou bem menos do que eu pensei ( ´ ▽ ` )ノ. Achei que ia ficar enrolando vários e vários dias pra completar, mas em apenas uma tarde de inspiração eu consegui conceber esta maravilha! Divirtam-se!

O Sol se punha sobre a grande cidade de Alderon, a capital do país de Ellandra. Sua luz alaranjada projetava longas sombras no jardim do palácio Lyson, o centro do governo. A rainha Helena passeava por ali, os cabelos castanhos soltos, caindo ondulando sobre seus ombros, observava as primeiras flores que começavam a aparecer, era o início da primavera. Ao seu lado estava uma jovem, com cabelos ruivos e olhos de um azul vívido, trajando o uniforme da Guarda Real, sua guarda pessoal, Alyss Aluvyre.

Naquele momento, ela estava aproveitando o fim do dia, observando as antigas árvores que habitavam aquele local desde antes de seu nascimento, e, ao mesmo tempo, estava escondendo-se de seus conselheiros, estava cansada daqueles protocolos e obrigações, precisava parar por algumas horas e respirar um ar puro.

Alyss seguia de perto a rainha. Ainda não acreditava que havia sido escolhida para ser sua guarda pessoal, uma das mais altas honras dentro da Ordem da Rosa Branca, agora ela era a pessoa mais próxima da governante do país, no sentido literal da palavra, seu trabalho era ser a última linha de defesa no caso de um ataque.

— O jardim está florescendo cedo este ano – Helena comentou.

Mas não obteve resposta de sua companheira. Ela olhou para o rosto da moça e percebeu como seu olhar parecia perdido.

— Senhorita Aluvyre? – A rainha chamou – Algum problema, você parece meio dispersa hoje.

Alyss, que estava completamente absorta em seus pensamentos, balançou a cabeça e concentrou-se na mulher em sua frente.

— Perdão, minha senhora – disse ela – Perguntou-me algo?

— Eu perguntei se estava com algum problema – Helena respondeu – Você me parece um pouco distraída hoje.

— Peço desculpas, majestade – Alyss falou – Hoje é uma data que me lembra de algo um pouco desagradável… Vou me concentrar mais.

A rainha sorriu, não estava censurando-a, na verdade, queria apenas uma justificativa para iniciar uma conversa amigável, talvez dar uma oportunidade para a moça abrir-se e falar sobre este problema, mas seus guardas nunca percebiam essas tentativas, sempre era algo oficial para eles, e era necessário manter a polidez a todo momento, suspirando, decidiu deixar o assunto de lado e deixar a jovem sozinha com sua reflexão, a presença dela era apenas um protocolo, uma guarda levemente distraída não oferecia muito perigo a sua própria vida naquele momento.

— Majestade, você tem companhia – Alyss observou.

Helena olhou para a direção em que a outra apontou e viu dois dos membros do Conselho saindo do prédio, rumando na direção do jardim que ficava no centro do palácio, em um espaço aberto no coração do local. Adalwin não era tanto problema, mas suas esperanças de resolver as coisas de forma pacífica se foram quando avistou que o outro era Zachard. Ela respirou fundo e andou na direção dos dois homens.

— Sim, eu imagino por quanto tempo você me procurou, Zachard – a rainha disse ao ver o homem grisalho fazer menção de falar algo.

— Bom… bom… – Ele replicou – Creio que, neste caso, eu não preciso ressaltar sua imprudência ao sair sem avisar ninguém?

— Meu caro Zachard! – Adalwin interveio – A jovem Helena estava apenas respirando um ar fresco, não é mesmo, senhorita? – Ele perguntou, olhando para Alyss como se pedisse uma pequena ajuda.

— Sim, a rainha pediu-me para acompanhá-la em uma caminhada no jardim, Lorde Adalwin. – ela respondeu.

— Viu Zachard? – O conselheiro falou, fazendo um gesto como se dissesse “eu não disse?” – Tudo está sob controle.

Zachard respirou fundo, e Helena sabia o que viria depois daquilo, iria escutar um discurso de pelo menos uns 15 minutos, sobre responsabilidades, protocolos e toda essa coisa de “etiqueta real”, às vezes, Zachard era pior que seu pai, na época em que este estava vivo. Apesar de tudo isso, ela sabia que o que fez tecnicamente era errado, havia muito trabalho para se fazer, e Zachard estava certo, mas ter que passar por aquilo sendo já uma mulher adulta a irritava.

Enquanto seu conselheiro “discursava”, ela olhou para os dois homens em sua frente. Adalwin, baixo, levemente acima do peso, com uma diversas rugas de expressão no rosto, a face de alguém que passou muito tempo da vida sorrindo, com cabelos castanhos já começando a dar sinais de se tornar grisalho. Totalmente oposto ao primeiro, Zachard era alto e musculoso, com olhos negros e cabelos que um dia foram da mesma cor, mas que agora já estavam quase completamente brancos. Seu rosto era severo, o que combinava perfeitamente com sua personalidade. Apesar disso, tinha um carinho especial por Zachard, ele foi o conselheiro mais próximo de seu pai, eram grandes amigos. Depois da morte do antigo rei, ele foi o conselheiro que mais a ajudou naquela transição de sua vida.

Enquanto Helena divagava sobre a personalidade do homem à sua frente e seus feitos no passado, dois homens encapuzados saltaram diretamente do telhado do palácio, pousando suavemente no chão, do outro lado do jardim. Helena, Zachard e Adalwin congelaram, e um dos homens, o mais alto, esticou a mão e algo veio voando em alta velocidade, mirando diretamente na rainha.

Alyss podia estar um pouco desatenta naquele dia, mas ainda não estava completamente alheia ao que acontecia, ao ver os dois homens caindo no jardim, sua primeira reação foi desembainhar sua espada, quando o objeto veio voando diretamente para Helena, ela rapidamente avançou, colocando-se entre os invasores e a rainha, desferindo um golpe rápido com sua lâmina e lançando o pequeno objeto, uma adaga, para longe.

Ao ver o que era o projétil, Alyss esboçou um leve sorriso, esticou a mão esquerda, que estava livre na direção da pequena arma enquanto ainda estava no ar, concentrando sua mente no objeto, depois fez um movimento rápido na direção do homem mais alto.

A adaga voltou-se na direção dos oponentes e viajou tão rápido quanto na ida, enquanto isso, Alyss gritou o mais alto que podia:

—Invasores! Guardas a seus postos! Defendam a rainha Helena!

Enquanto chamava por reforços, ela ia adiantando-se, e conseguiu perceber que o homem alto havia feito apenas um breve gesto com a mão, parado a adaga no ar, apanhando-a novamente em sua mão e guardando-a. Isso não a assustou, aquele atacante claramente era um psiônico, ainda assim correu em direção aos dois.

Conforme ia aproximando-se o invasor mais baixo, adiantou-se, retirando de dentro do seu casaco, um revólver, ele apontou para Alyss e atirou. Porém, ela já estava pronta para aquilo assim que viu o movimento do homem para pegar a arma, ela passou a mão esquerda na parte chata de sua espada, e, usando sua força mental soltou a lâmina do cabo, moldou-a e esticou-a ao máximo que podia e,com outro gesto manual, fez com que sua arma, ou o que restou dela, girasse em alta velocidade, quando o homem atirou, a lâmina giratória defletiu o disparo.

Enquanto fazia tudo isso, os reforços chegaram, dezenas de guardas começaram a surgir de todas as portas que davam acesso ao jardim, alguns fizeram um círculo de proteção em volta da rainha e dos conselheiros e começaram a dirigir-se para a saída do lado oposto aos invasores.

Os outros guardas prepararam suas armas e apontaram na direção dos invasores, enquanto um deles, algum oficial com a patente mais alta gritou:

— Parem! Larguem as armas, vocês estão presos!

Ao ouvir isso, Alyss pensou em parar, porém ela viu no rosto do homem mais alto um sorriso maléfico, ela estava ainda a alguns metros de distância dos dois, em sua cabeça tudo parecia estar em câmera lenta.

O maior dos invasores começou a erguer os braços, enquanto ela, devolveu o metal da lâmina ao cabo, largou a espada e esta, começou a flutuar, num movimento rápido, começou a sacar a própria arma do coldre. Ao mesmo tempo, todos os oficiais a postos puxaram os gatilhos de suas armas, um barulho infernal de tiros se fez ouvir, porém, o homem alto não caiu no chão. Apenas o menor dos dois, que estava à frente, caiu. Um único tiro disparado por Alyss o matou, as outras balas pararam, flutuando no ar ao redor do invasor que restou.

Todos os guardas, incluindo ela mesma prenderam a respiração. Aquele homem acabara de parar dezenas de projéteis disparados a uma distância curtíssima com o poder da mente, algo que deveria ser impossível. Até mesmo os sentinelas que estavam fazendo um círculo ao redor de Helena, Zachard e Adalwin pararam de andar.

O sorriso do invasor aumentou ainda mais. Ele fez um gesto com os braços, como se estivesse empurrando algo e todas aquelas balas saíram voando na direção dos guardas. Ao fazer esse movimento, seu capuz finalmente caiu, revelando o rosto do homem, seus olhos eram órbitas brancas e sem vida, sua pele estava toda deformada e enrugada, na cabeça, onde normalmente cresceriam os cabelos, uma série de espinhos que parecia ser feita de ossos se projetava de dentro do crânio. Um Corrompido.

Alyss viu aquele sorriso cruel e, de alguma forma, sabia que era direcionado a ela. A moça viu o projétil que rumava em sua direção, sua espada, estava longe demais para defendê-la daquele disparo. Alyss simplesmente fechou os olhos e esperou pelo pior.

Mas o fim não chegou. Enquanto esperava pela morte, foi capaz de ouvir o som da própria espada caindo no chão, ao abrir os olhos não havia uma bala vindo em sua direção, nem mesmo o invasor. Em sua frente havia um homem de costas para ela, usava um sobretudo branco, e tinha cabelos loiros, levemente desordenados. Alyss era capaz de reconhecer aquele tom dourado mesmo após cinco longos anos. Elliott Vermillion estava diante dela e acabara de salvar sua vida.

Sem nem olhar para trás, Elliott avançou em direção ao Corrompido, agitando sua mão esquerda e fazendo aparecer nela uma espada. Os guardas que estavam atrás dele assustaram-se, nunca haviam visto poder como aquele. Aquele homem com o casaco branco saltou do telhado da mesma forma que os invasores, porém, de alguma forma foram capazes de perceber que o recém-chegado estava a favor deles

Ele avançou correndo sobre seu oponente, que sacou sua adaga e os dois começaram a duelar, espada contra adaga. Elliott percebeu que seu adversário era habilidoso, porém, ele mesmo havia treinado com um dos maiores espadachins do país, e apesar de não praticar mais com tanto afinco a esgrima, ele ainda se lembrava de muitos truques.

Os guardas não sabiam o que fazer, o homem misterioso estava entre eles e o Corrompido invasor, era perigoso demais tentar abater o inimigo, pois podiam acertar aquele que, por enquanto, parecia ser um aliado, além de que agora, eles sabiam que ambos eram capazes de parar balas, eles sentiram que suas armas de fogo eram inúteis, guardaram-nas e sacaram suas espadas, aproximando-se da posição em que se encontrava a rainha e seus conselheiros, oferecendo-lhes ainda mais proteção.

Elliott continuou engajado com o Corrompido, que era impressionantemente veloz. Imaginou como aquele homem poderia ter sido alguém bem sucedido, com tamanha habilidade que possuía, mas deixou-se ser consumido pela própria energia psiônica. Enquanto pensava nisso, seu oponente fez um movimento rápido, e ele teve apenas a reação de jogar-se no chão e rolar para longe, levantando-se com um salto logo depois. O Corrompido havia puxado a espada de Alyss que ainda estava caída no chão. Logo após, ele avançou sobre o caçador, agora com duas armas, mas este continuava com uma defesa impenetrável.

Até que, num golpe que envolveu muito mais sorte do que habilidade, o invasor conseguiu desarmar Elliott, as duas espadas foram ao chão e um sorriso cruel formou-se em seus lábios. Tudo o que sua mente deturpada conseguia processar era aquele maldito homem com casaco branco impedindo-o de matar a todos naquele lugar. Ele ergueu a mão direita, girando a adaga, fazendo a lâmina apontar para o solo e desferiu o golpe, de cima para baixo, mirando o coração daquele humano miserável em sua frente.

Todos que observavam, mais uma vez, prenderam a respiração, vendo que aquele que poderia ser seu salvador tinha falhado. Alyss até pensou em arremessar sua espada com seus poderes na direção do Corrompido, chegou a ergueu o braço para concentrar suas energias na arma, mas algo a fez parar. Um som de metálico ecoou pelo jardim do palácio Lyson.

Ao ver o movimento do oponente, Elliott apenas sorriu, após seu adversário ter pegado a segunda arma, ele imaginou que aquilo fosse acontecer mais cedo ou mais tarde. Ainda assim, ele ergueu o braço direito, e o sorriso do Corrompido aumentou ainda mais, aquilo não iria ser suficiente para pará-lo, ia destruir aquele homem em sua frente agora, porém, a adaga parou no braço de Elliott, sem nem perfurar a pele. Num momento de confusão, o invasor olhou o que estava errado e, ao olhar para o punho de seu oponente viu que sua mão havia se transformado em metal brilhante, o único resultado de seu golpe foi o retinir de metal contra metal.

Elliott não deu tempo para o Corrompido pensar, e logo, um som de metal chocando-se contra algo foi ouvido novamente, ele desferiu um poderoso gancho com a mão esquerda, que também estava metalizada, e enquanto seu adversário se recuperava do golpe, sacou uma pistola negra de um coldre que esteve oculto o tempo todo pelo sobretudo, quando o Corrompido ficou ereto novamente, o cano da arma estava apontado para o meio de sua testa. Elliot não pensou duas vezes, puxou o gatilho e o invasor caiu morto no chão.

Ele então virou-se, olhando para as dezenas de rostos em sua frente, todos estavam absurdamente espantados com o que acabaram de presenciar, ele fez menção de guardar sua arma novamente, porém não teve nem tempo de fazer isso, pois foi envolvido por um abraço caloroso.

— Eli! – Alyss exclamou – Você voltou!

Elliott sorriu e largou a pistola no chão, retribuindo finalmente o abraço da amiga que não viu por cinco anos.

— Sim… – Ele respondeu – Voltei para casa.

Notas finais
Creio que essa foi provavelmente a melhor cena de luta que escrevi em toda minha vida, consigo até imaginar um anime exibindo isso (*•̀ᴗ•́*)و ̑̑. Espero que tenham gostado! Tentarei trazer o próximo o mais rápido possível! o
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.