Ella - A Verdade Por Trás Da História
45 Capítulo 44
Notas iniciais
Parte I
Quando deu por si, Ella estava junto ao pescoço de Aleh, tomando seu sangue, e não fazia menor ideia de como havia ido parar ali, apesar da mínima distância de que se encontrava dele anteriormente.
A única coisa que ela sabia era daquela sensação que o sangue lhe causava. Era, talvez, como saltar de bungee jumping repetidas vezes, ou então como dar várias voltas seguidas na Full Throttle do Six Flags Magic Moutain. Era como se nem ao menos sentisse seu corpo, ele flutuava. Essa sensação era acompanhada de pequenas e alucinantes explosões interiores, ela não podia parar... não queria... mas... era seu filho...
Ella... Ella...
Ela podia ouvir o que parecia uma voz que vinha de muito longe e chamava por ela, aos poucos a realidade começava a lhe atingir dolorosamente e ela começava a sentir seu corpo e... o peso do que estava acontecendo.
Ah, meu Deus! disse horrorizada quando se viu ensopada pelo sangue do próprio filho. E ficou ainda pior ao ver que ele estava muito mais do que simplesmente pálido, parecia algo entre uma folha de papel de seda e um pedaço de tule branco. Aleh! Aleh! ela começou a gritar pelo filho.
Venha! Zurik a pegou pelo braço e lhe estendeu uma taça cheia de seu próprio sangue Beba isso, vai completar o ritual.
Ella tomou aquele sangue, mas não sentiu nada parecido com o que havia sentido antes. Era como se tivesse bebido fel e podia senti-lo percorrer cada veia do seu corpo e, logo em seguida, essas mesmas veias começaram a arder e era como se seu corpo queimasse de dentro para fora. Logo em seguida, uma dor muito forte e aguda tomou-lhe o peito, o que ela não foi capaz de suportar e desmaiou.
Haig foi até ela desesperado, a única coisa que conseguia pensar era que perderia o filho e a mulher, e o olhar que lançou para Zurik deixava claro que, se isso acontecesse, ele daria a vida na tentativa de se vingar.
Calma, Haig! aproximou-se Iandra.
Não toque em mim! Não toque na minha mulher e nem no meu filho! Ou dessa vez eu mesmo arranco sua cabeça do pescoço! vociferou Haig, seus olhos estavam totalmente negros. Sua voz, sua aparência, ele não parecia a mesma pessoa e Zurik sabia que Iandra estaria se arriscando, pois os imortais assim o são desde que mantenham a cabeça no lugar certo.
Iandra! Zurik a fez parar onde estava e depois se dirigiu a Haig Ninguém vai tocar neles para lhes fazer mal. Mas eu preciso dar meu sangue para o garoto, senão ele certamente vai morrer! Por que não leva sua mulher para a caverna enquanto eu ajudo seu filho? Eu dou a minha palavra de que ele vai viver!
Haig levantou a mulher nos braços e lançou um olhar aos demais, estava confuso, sempre ficava assim quando era tomado pela raiva e seu lado primitivo lutava para vir à tona. Não estava convencido de aquilo era o melhor a fazer, não queria deixar o filho ali, mas não tinha alternativa. Usando todas as forças para conseguir ser o mais racional possível, e sem dizer nada, saiu carregando Ella para dentro da caverna, levando-a para o quarto que fizera para eles.
Ele vai conseguir, Zurik? questionou Iandra que, olhando para o neto, não tinha tanta certeza.
Ella fez um belo trabalho aqui. Para ser um imortal é preciso contar com o mínimo que é ter a cabeça no lugar... e lançou um olhar irônico para Iandra e o mínimo de sangue nas veias, basta saber se a mãe lhe deixou alguma gota. É melhor para o bem de todos que ela tenha deixado, principalmente para o seu. Tenho certeza de que seu filho irá colocar toda culpa disso tudo em você!
Parte II
Haig estava impaciente, a mulher estava desacordada há dois dias, pelo mesmo tempo que não via o filho. A tensão pairava no ar feito a neblina densa das montanhas. Duas vezes por dia, Ajmaani levava o sangue de Zurik para Aleh e depois trazia a parte de Ella, trazendo também notícias vagas do filho de Haig.
Ele está se recuperando, assim como a mãe! Você precisa entender que este processo não é um passe de mágica! É um processo de transformação, tudo está se transformando. Dê um tempo a eles. Dê um tempo a você. Há quanto tempo não se alimenta? Saia daqui um pouco, se quiser posso ficar com ela.
Haig estava exausto, desanimado e faminto. Não sabia o que faria da vida se perdesse as duas coisas que mais amava na vida. Provavelmente provocaria alguém até que lhe arrancassem a cabeça. Apenas assentiu com um gesto e saiu em direção à floresta.
Quando retornou, no final do dia, Ajmaani o esperava na porta. Ele logo imaginou as piores notícias, era impressionante como não conseguia ficar nenhum pouco otimista naquele momento.
O que aconteceu? ele perguntou, mas Ajmaani apenas lhe deu passagem e ele pôde ver o filho, sentado ao lado da cama da mãe. Aleh, meu filho! foi em sua direção e o abraçou. Como está se sentindo? Ah, pensei que iria perdê-lo!
Calma, pai! Já me sinto melhor! Já consigo me sustentar sobre as pernas! e riu diante da expressão preocupada do pai Sério! Está tudo bem agora, eu sinto claramente minha energia retornando ao corpo, vai ficar tudo bem, mesmo!
Claro que Haig estava um pouco mais aliviado, mas Ella parecia na mesma.
Sua mãe ainda não acordou, desde... deixou-se cair sentado num canto do rústico quarto.
Vai ficar tudo bem, pai! Eu acredito! E você deve acreditar!
Estavam todos exaustos, há dias sem relaxar ou comer. Agora que havia se alimentado, Haig foi apagando aos poucos, ali mesmo onde se deixara cair pouco mais de uma hora antes, e adormeceu enquanto falava com filho. Aleh deixou o pai descansar, saindo de fininho acompanhado por Ajmaani, que o levou até seu quarto na caverna.
Você precisa ficar quieto, Aleh! Não é porque já consegue ficar em pé que poderá andar o tempo todo! Você perdeu muito do seu sangue, quase ele todo, para ser mais sincera! Mas você é forte, acordou primeiro que sua mãe e, pelo andar da carruagem, ela ainda deve demorar a acordar. Ela ingere muito pouco do sangue de Zurik estando desacordada, por isso demora a se recuperar.
Eu não entendo porque ela está desacordada!
Ela está sofrendo uma transformação interior total, Aleh! Seu sangue percorre as veias delas transformando tudo, todas as células, os órgãos, tudo! É bem parecido com morrer para se tornar imortal como nos filmes de ficção, só que um pouco diferente, já que vocês não morrem de verdade.
Enquanto explicava a Aleh como as coisas funcionavam nessa transformação, foram surpreendidos pelos gritos desesperados de Haig que ecoavam por todas as galerias da caverna, assustando e trazendo todos ao grande salão.
Não saia daqui se quiser viver! ela disse de maneira firme a Aleh, para sair correndo em seguida, a fim de ver o que estava acontecendo.
O que foi? perguntou a Haig assim que o encontrou.
Ella sumiu, eu cochilei enquanto falava com Aleh e quando acordei nenhum deles estava mais lá!
Calma! Eu levei Aleh de volta ao quarto dele e ele está bem e em segurança! E Ella, será que acordou? Não está por aqui?
Ella não está por aqui! Eu não sei o que aconteceu! nesse momento Zurik se aproximou e Haig desferiu para cima dele toda sua ira. Foi você! Você não quer que deixemos esse lugar e sumiu com Ella, pois sabia que nós iríamos embora assim que eles estivessem bem! Eu vou acabar com você!
Haig foi em direção a Zurik, mas foi detido por dois vampiros grandalhões que o seguraram.
É impressionante como as histórias parecem se repetir nesse local! Eu não fiz nada, meu caro! Você já cumpriu com o que me prometeu, não me deve mais nada! Eu não teria por que querer segurá-lo aqui a qualquer custo. Claro que seria bom ter vocês aqui conosco, não vou mentir, mas não a qualquer custo!
Então, onde ela está?
Eu tenho uma teoria. Ela agora é uma de nós, porém acabou de se transformar, deve estar com fome e muito confusa! Com certeza saiu atrás de alimento, mas não se preocupe, já mandei batedores atrás dela, se estiver por aqui eles irão encontrá-la.
Eu vou atrás dela!
Dizendo isso, Haig saiu pela floresta congelada ao redor das cavernas e foi em direção à vila mais próxima, que afinal não era tão próxima assim, a não ser para um vampiro faminto e confuso, exatamente como Ella devia estar se sentindo agora. Ele só conseguia pensar que deveria alcançá-la antes que ela conseguisse chegar próximo de algum humano. Sabia os riscos que isso implicaria, para ela e para a segurança das cavernas.
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