Ella - A Verdade Por Trás Da História
36 Capítulo 35
Notas iniciais
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race..."
Heal the World
Michael Jackson
A lua estava alta no céu e, de tão cheia, Ella pensou se havia a possibilidade de a lua explodir. Sem sono, ficou perambulando pela casa, foi até a biblioteca, onde folheou livros antigos, depois analisou cada detalhe de cada um daqueles retratos na parede da lareira.
Haig havia saído para caçar por vota das seis da tarde, sabia que ele poderia se demorar, mas estava muito ansiosa. Sentia que o bebê chegaria naquela noite e arrependera-se de não ter falado nada com ele a respeito, por isso resolveu sair atrás dele. Não se importaria se o bebê nascesse no meio da floresta, contanto que Haig estivesse com ela.
Ella havia atravessado o vale e, depois de vencer uma pequena colina com alguma dificuldade, sentiu uma forte contração. Embora tivesse tentado, não conseguiu ir muito mais além, pois já começava a sentir as dores e elas pareciam ir se intensificando, foi quando ela teve certeza de que aquela havia sido uma péssima ideia.
Felizmente, Haig decidiu não se demorar naquela noite, o que permitiu que a ausência de Ella na casa fosse sentida a tempo e ele conseguisse chegar até onde sua esposa estava.
- O que você está fazendo aqui, sua maluca? — disse Haig, correndo em sua direção e tentando ajudá-la a se levantar.
- Haig, graças a Deus! – ela respondeu em prantos.
- O que deu em você, eu não entendo! Colocou em risco sua vida e a do nosso filho, por quê?
Ella tinha bastante dificuldade em manter-se de pé em virtude das contrações que vinham cada vez mais fortes e em espaço de tempo menor.
- Eu sabia que o bebê viria, ahhhhhh – uma forte contração a fez se dobrar — E eu queria estar com você quando ele chegasse – ela disse ofegante.
- Se você tivesse me dito eu não teria saído essa noite!
Haig recorreu à sua força de vampiro e a ergueu nos braços.
- Eu sei, mas já faz dias que você não sai – uma parada para uma contração forte – Você estava com fome, eu podia sentir. Haig?
- O que é? – ele perguntou enquanto caminhava com certa dificuldade gerada pela preocupação em carregá-la direito e o terreno acidentado do percurso.
- Eu acho que não vamos conseguir chegar antes... – Ella deu um grito que o apavorou, fazendo-o apertar o passo, mas conseguiu chegar apenas até a ponta do vale, já próximo onde começava o jardim e onde havia uma majestosa árvore, um carvalho muito antigo.
- Haig, não dá mais! Pare, o bebê está vindo! Pare, por favor!
Então ele a colocou no chão e avistou Doroty, que vinha correndo na direção deles.
- Meu Deus, filha, o que você pensa que está fazendo?
- Dando a luz... ahhhhh – disse Ella tentando fazer graça e tranquilizá-los.
A esta altura, quase todos já estavam ao seu redor, apenas a velha “Tia” Marrie vinha atrás arrastando os pés com sua bengala, ela lembrava um leão marinho macho, grande e desengonçado, com sua touca de dormir. Era algo engraçado em meio aquele caos.
Meredith chegou trazendo cobertores e era seguida de perto por Jason, que trazia lençóis. Évenice, com a ajuda de Kuzma, trazia baldes com água. Doroty começou a cantar uma canção em uma língua que eles não conheciam e Ella teve a impressão que lua chegou a baixar, ficando bem próxima à terra, todos estavam em silêncio quando Doroty parou de cantar e disse:
- Vamos, querida, apenas um forte empurrão!
E como num passe de mágica tudo tinha terminado. Não havia vento, nem um mísero som de qualquer animal que fosse, o tempo parecia parado e o único som que se ouviu após o que pareceu uma eternidade foi um choro de bebê.
Doroty entregou a criança ao pai que o ergueu em direção à grande e majestosa lua dizendo:
- Eis aqui mais um filho da terra, que os espíritos de nossos antepassados o protejam! – logo após ele gritou – Pai, eis aqui o seu neto, meu filho! E eu vou chamá-lo de Aleh Zirgov!
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