Ella - A Verdade Por Trás Da História
41 Capítulo 40
Notas iniciais
Todos estavam chocados.
Depois que Tamerlán explicou que para se tornar imortal uma das etapas seria Ella beber do sangue do próprio filho e que, provavelmente, a outra parte fazia referência a que isso deveria ser feito somente entre o povo do Clã da Lua, em um ritual que poderia impedir a morte do filho, nenhuma única palavra foi pronunciada por um longo tempo.
Ella recusava-se sequer a pensar nessa hipótese. Haig e George, por outro lado, temiam o fato de ter que ir até o Clã da Lua. Conheciam sua fama. Eles habitavam uma região inóspita e totalmente afastada de tudo e caso alguma coisa desse errado, dificilmente teriam como escapar de lá. Aleh não pensava na própria vida, não tinha medo, se havia uma possibilidade de a mãe tornar-se imortal, ele estaria com ela sem pestanejar!
A primeira a manifestar-se foi Ella.
–Vamos embora! – levantou-se deixando o cajado que descansava em seu colo cair a seus pés e caminhou em direção à saída, passando por cima dele.
–Embora para onde? –perguntou Haig, segurando-a pelo braço.
–Para casa, para Mora.
O olhar de Haig demonstrava cansaço, seu semblante era de tristeza e frustração. Passaram tanto tempo procurando por uma resposta e agora que a tinham, Ella queria simplesmente ir embora. Então sua expressão foi endurecendo e seus olhos enegreceram, ele a pegou pelos dois braços e a empurrou, prensando-a na parede.
–Você não pode fazer isso! Você sequer sabe o que passei nas viagens anteriores, mas garanto que foi bem menos confortável que essa. Há anos que venho procurando por isso, há anos que não tenho paz, estou cansado e não vou deixar você simplesmente virar as costas como uma garota mimada!
– Mimada? Então é isso que você pensa? Ainda bem que não serei eterna para viver ao lado de alguém que sequer me conhece! Me solte! Eu não tenho medo de você!
–Pai! – gritou Aleh tentando chamar o pai de volta à razão, mas isso pareceu não ter surtido muito efeito, pois ele continuava a apertá-la enquanto os olhos dela enchiam-se de lágrimas, um pouco pela dor e um pouco por decepção. Não esperava aquele tipo de reação por parte dele, jamais!
– Eu não vou beber sangue, Haig, ainda mais sendo do meu próprio filho! Posso viver com isso porque te amo, mas não posso fazer parte disso! Ele pode nem sobreviver e aí então eu realmente vou preferir estar morta!
As palavras de Ella acertaram-lhe como um grande golpe e Haig começou a voltar a si. Ele era perfeitamente capaz de entender o que ela dizia e percebeu que era ele quem estava agindo com egoísmo. Pensava somente em sua dor, a dor de perdê-la.
– Desculpe! Por favor, me desculpe! – ele disse tomando-a nos braços entre lágrimas. – Estou sendo um idiota egoísta, o monstro que talvez eu realmente seja! Às vezes eu permito que o amor que sinto por você me cegue.
Aleh juntou-se a eles no abraço.
– Nós vamos achar um jeito, mãe! Vamos encontrar outra maneira!
Era evidente que Haig estava contrariado, mas amava demais a mulher para obrigá-la a seguir com eles ou impor-lhe qualquer procedimento que ela não aceitasse, então Ella e Doroty retornaram à Mora.
Parte II
Haig, Aleh, George e o cajado seguiram para a região de Abecásia, indo de caverna em caverna a fim de encontrarem o clã, mas na verdade eles é que foram encontrados. Os três foram capturados e não resistiram, já que parecia ser a única maneira de chegar até eles. E assim foram levados ao centro de uma das cavernas da região, obviamente a de mais difícil acesso.
A entrada era estreita e dava acesso a um corredor úmido e quase totalmente escuro, exceto por algumas tochas acesas e colocadas a uma distância uma da outra, o suficiente apenas para que o local não mergulhasse no breu total.
Aleh estava apreensivo, apesar de fazer parte da mesma espécie, não conseguia pensar neles sem que fosse como “criaturas”. Trajavam roupas velhas, eram fortes e grandes e a maneira agitada como se movimentavam dava a impressão de que a qualquer momento seriam devorados, e aqueles olhos totalmente negros, ele procurava nem olhá-los.
Seguiram por esse corredor durante uns vinte minutos até saírem numa espécie de salão que ficava bem ao centro de um círculo onde havia vários buracos nas paredes em volta, uma tentativa clara de imitar portas, sendo que uma delas era exatamente de onde eles acabavam de sair.
Os três foram direcionados para o centro do círculo que era um pouco mais iluminado que a borda, por uma das portas surgiu uma figura encurvada, a roupa que usava era velha assim como a dos demais, porém, não era igual à deles. A imagem lembrava Drácula, porém, sem o glamour contido nos filmes.
– Então... a geração Zirgov!
– Você nos conhece? – perguntou Aleh sob o olhar de reprimenda do pai.
– Sim! Você a menos tempo, rapaz! – o homem riu – Conheço mais seu pai, porém, menos que a seu avô e a sua avó! Ah, e também aquele inimigo chato de seu avô que tentou ficar com sua avó! Nossa, que boa memória a minha!
– Quem é você? – dessa vez foi Haig quem questinou.
– Meu nome é Zurick, estive com seu pai em algumas batalhas, quando tentávamos resgatar nossas mulheres de homens como Androv. Eu sabia que você viria um dia. E eu também sei o que você quer.
– E obviamente você não me daria o que eu quero de graça, não é?
– Inteligente como o pai! Obviamente que não.
– Então me diga logo o que espera em troca.
– O que eu quero é bem simples! Viver isolados nos deu o benefício de certa segurança, nos manteve fortes e com todas as nossas habilidades preservadas, mas também nos trouxe algumas desvantagens.
– E quais seriam?
– Por aqui não nascem Is e se você prestou atenção nossa população está bem reduzida, digamos que somos uma espécie em risco de extinção...
– E o que nós temos com isso? Foram vocês que decidiram que viver assim era melhor!
– E era! Mas os tempos são outros. Essa maldita agência para a qual o seu pai entrou, aliás, matou muitas das nossas mulheres durante muitos anos seguidos, sair à procura delas tonou-se extremamente perigoso durante muito tempo. Ah, esqueci de agradecer pela morte de Alexsander, grande feito!
– Eu não fiz isso por vocês, fiz por mim e minha família! Agora se você puder ser mais direto, estamos cansados, eu estou novamente longe da mulher que amo que, aliás, envelhece a cada dia que passa. Então, como pode ver, não queremos perder tempo!
– Ah, claro! É simples. Quero que guie nosso povo em direção a uma nova era! Se continuarmos a viver assim estaremos condenados.
Enquanto Zurick falava, outros foram saindo pelas “portas”. Eram, em sua maioria, homens, entre eles havia apenas dois garotos. Haig olhou para aquelas criaturas e pensou que o que o homem pedia seria algo impossível de realizar.
– Eu sei que parece impossível – ele disse como se tivesse lido seus pensamentos. – Talvez para alguns até seja, mas temos uns poucos jovens que ainda têm chance.
– E você, como é que sabe de tudo isso, como é que se comunica tão bem?
– Eu sou o mais velho, o que, presumo, parece óbvio. Eu sempre estive de olho em tudo o que acontece pelo mundo. Como? Às vezes passo uma temporada fora, me atualizando, digamos assim. Acredito que é também uma forma de proteção. Procuro passar alguma coisa para os mais jovens de vez em quando, mas nada como alguém de fora, acostumado com a humanidade. Eu também sei que você às vezes pode perder o controle e que seus instintos primitivos como os nossos se manifestam então, por isso, você é a pessoa perfeita para o que eu planejo, só você pode viver e frequentar os dois mundos.
– Tá, digamos que eu concorde com isso, como posso ter o que EU quero?
– Vai precisar trazer sua mulher para cá! Ela precisa não só do sangue do seu filho, mas do meu também, que sou o vampiro vivo mais velho que existe, poderia até ser o pai de todos vocês! E seu filho, esse também vai precisar do meu sangue depois que sua mulher tomar o dele, caso contrário ele morre.
– Tem um pequeno problema aí, não é Haig? – finalmente George se manifestou depois de prestar muita atenção em tudo que occoria no local. – Ella não vai querer vir e muito menos beber o sangue o próprio filho!
– Não se preocupe, meu caro George, ela vai querer beber!
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