Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem!
Bjokas♥

Alexsander ainda não sabia quem era aquela moça, mas uma coisa era certa, se vieram atrás dela significava que era importante, ela certamente era uma “I”. Ele mal podia acreditar, tivera uma “I” nas mãos, depois de tanto tempo. O que mais o irritava era que havia simpatizado com ela era quase como um sentimento paternal.

Ora essa, isso deve ser coisa da idade. Além de enferrujado, sentimentalista agora? Era só o que faltava! Havia perdido o faro? Não conseguia mais identificar uma dessas mulheres e ainda por cima conseguia ter algum sentimento por uma delas? Não! Não era o fim de Alexsander Rhandorvick, ele sentia-se em plena forma, além do que pretendia se aposentar em grande estilo, jamais vencido por uma pirralha e meia dúzia, talvez, de vampiros idiotas, porque atrás delas sempre havia vampiros.

Alexsander trocou a Triton por um utilitário blindado e todo padronizado, com vários compartimentos que deixavam organizadas e sempre à mão armas de vários tipos e calibres, as ampolas de Z42 ficavam enfileiradas em um organizador atrás do painel que se abria ao girar o botão de pisca alerta. No lugar o console, levantando a tampa, estava sua inseparável pistola Desert Eagle .50 dourada e, claro, descansando entre os bancos do motorista e do passageiro, sua espada que ele olhava imaginando quantas cabeças dentuças ainda faria rolar com ela.

Na verdade, ele não estava apenas com a satisfatória ideia de cortar cabeças lhe passando à mente. Toda vez que usava aquela espada, as lembranças do passado emergiam como gêiseres o que só fazia aumentar seu ódio por aquela espécie. Ele lembrava-se daquela espada pendurada à parede de sua casa desde que era muito pequeno.

Quando entrou para o exército, seu avô lhe disse que um dia aquela espada lhe pertenceria, vivia contando a história de como a havia herdado do avô, que, no caso, era tataravô de Alexsander. Como exatamente ela havia ido parar nas mãos da família não se sabia, mas dizia-se que havia pertencido a William Wallace, um herói escocês que viveu entre 1271-1305. Na história, ele ficou conhecido por liderar uma resistência contra a Inglaterra durante a guerra da Independência Escocesa, mas o avô de Alexsander insistia em dizer que, na verdade, ele havia lutado contra uma legião de vampiros. Claro que Alexsander acreditava que devido à idade avançada seu avô estivesse dando sinais de senilidade.

A KGB já estava de olho nele devido a suas extraordinárias habilidades, ele por sua vez acreditando que estava prestes a conquistar uma promoção, costumava anunciar isso em casa. Na ocasião, seu avô já estava muito doente, e pouco antes de morrer lhe chamou e o nomeou guardião da espada. Em virtude do grande afeto que nutria pelo velho, de maneira respeitosa aceitou e agiu como se acreditasse em tudo aquilo.

- Você deve cuidar bem dela, garoto, ela já salvou minha vida algumas vezes e provavelmente vai começar a salvar a sua em breve –abraçou o avô que durante o abraço sussurrou em seu ouvido: – Nunca tenha filhos, você pode não ter a mesma sorte que eu e seu pai – morrendo logo em seguida.

Alexsander não pensava em filhos, ele sonhava com a carreira militar dedicando-se completamente a ela, talvez se casasse um dia, mas era algo que definitivamente não estava nos planos para muito breve.

Numa das voltas para casa, nas raras folgas que conseguia agora que estava sob forte treinamento, o qual iria selecionar os melhores para um tal pelotão especial e sigiloso, uma garota desastrada saiu de uma loja que ficava a um quarteirão da casa de Alexsander. Ela se despedia da atendente que provavelmente era sua amiga e não prestou atenção em quem passava no momento, esbarrando no garoto e sujando sua farda com o creme do biscoito que carregava.

Na verdade, os dois estavam distraídos, ele pensando se havia dado o melhor de si na última semana, e ela despedindo-se alegremente da amiga. Assim que pousou os olhos nela, a irritação do momento se dissipou completamente, como ela era linda! Tinha os cabelos longos ruivos e cacheados e os olhos verde esmeralda. Ele apenas sorriu enquanto ela se desculpava incansavelmente.

Ela havia se mudado para aquela rua enquanto ele estava servindo no exército. A fim de tentar amenizar o constrangimento da moça, ele a convidou para tomar um sorvete. Depois de passado o susto ela também se sentiu atraída pela beleza, inteligência e bom humor do rapaz. A atração foi mútua e instantânea.

Nos poucos dias que se seguiram antes que ele tivesse que retornar a agência, os dois passaram quase todo o tempo juntos. Ele lembra-se que seu pai parecia meio tenso nesse período, mas achou que se devia ao fato de que seu único filho havia escolhido uma carreira que o afastaria da família.

Quanto aos dois jovens, esses pareciam completamente apaixonados e juraram amor eterno no dia da partida de Alexsander, mas tudo isso mudou bruscamente depois do seu retorno ao exército.

Ao final do último teste, os aprovados foram reunidos e ouviram uma extensa palestra sobre a importância daquele pelotão para a segurança do país e para a defesa de assuntos ultrassecretos. Dava-se início a famosa reunião onde o “Dossiê Vermelho” era apresentado e falava-se sobre a real finalidade do recrutamento de jovens habilidosos.

Agora as permissões para ausentar-se do quartel general da agência não seriam tão facilmente concedidas, mas alegando que era o único filho e que a saúde do pai já estava bem debilitada, Alexsander conseguiu uma licença no mês seguinte. Sua intenção, por mais difícil que fosse, era pôr um fim ao relacionamento com Emma e tentar explicar ao pai por que não voltaria para casa com tanta frequência.

Assim que pôs os olhos nele, Emma notou a diferença de comportamento do rapaz, ele estava calado, muitas vezes se dispersava durante uma conversa, mas a mudança total aconteceu no dia em que ela surpreendeu a ele e ao pai numa feroz discussão, foi exatamente nesse dia que o pai de Alexsander lhe contou sobre seus antepassados, sobre algumas mulheres “diferentes” que haviam nascido na família e diante dos relatos do pai não foi difícil para Alexsander chegar à conclusão de que se tratava de “Is” e perceber, definitivamente, que o melhor seria afastar-se de Emma de uma vez. Mesmo sem ter conseguido ouvir e saber do que se tratava toda aquela discussão, ela sabia que era sério.

Naquela noite, ele a convidou para um jantar de despedida em família. Terminado o jantar, seu pai se recolheu, os dois permaneceram na sala, ele estava calado apesar de parecer que tinha muitas coisas para dizer, ela o abraçou e eles se beijaram, ele sabia que era a hora, pois se desse vazão aos sentimentos não teria coragem.

Reunindo toda força que conseguiu encontrar dentro de si, afastou-a delicadamente e começou a falar ao grande amor de sua vida que não poderiam ficar juntos, que ele não era a pessoa certa para ela. Sem entender nada e aos prantos, ela dizia que aquilo não fazia sentido, o que havia acontecido para ele mudar tanto? Ela implorou que ele não a deixasse.

Ele a amava com a mesma intensidade, sentia vontade de abraçá-la, levá-la para um lugar longe de tudo aquilo e recomeçar, mas como poderia? Ela sonhava em ser mãe e ele jamais poderia dar um filho a ela, e isso nem era o maior dos problemas, visto que ainda teriam que viver se escondendo porque ele já sabia demais.

Alexsander se lembra de ter lutado consigo mesmo quase todo o tempo em que tentava convencê-la de que o melhor seria que ela o esquecesse, mas não resistiu ao abraço de despedida. Sem pensar em mais nada a segurou firmemente e a beijou como se quisesse que aquele beijo os salvasse de tão triste destino, tomou-a nos braços e caminhou com ela até seu quarto. Enquanto despia aquela mulher, o sentimento tomou conta dele por completo e ele não sentia mais medo, era como se aquele momento fosse eterno e tudo o mais não tivesse passado de um sonho ruim.

Na manhã seguinte quando Emma acordou, ele não estava lá e nem sua estimada espada estava mais pendurada à parede. No criado mudo, um bilhete que dizia: “Me perdoe, Emma, não tenho o direito de destruir sua vida, mas saiba que a amo e vou amar para sempre!”.

Quando ela finalmente desceu as escadas, depois de ler e reler o bilhete tantas vezes que nem era capaz de contar, o pai de Alexsander estava sentado em sua velha poltrona, fumava um cachimbo enquanto lágrimas furtivas escapavam de seus olhos. Emma deixou-se cair no sofá ao lado e sem poder se conter, ela também chorou e quis saber com o pai dele o motivo.

- Acredite Emma, eu queria muito poder tê-la como nora, mas quando amamos verdadeiramente alguém, sacrificamos nossa felicidade por esse alguém. Não é fácil ver um filho abrindo mão da felicidade sendo tão jovem, mas o melhor para vocês é afastarem-se.

- Eu não entendo, não mesmo! Mas vou esperar por ele, eu sei que ele vai voltar e então tudo será como era antes.

De fato, no mês seguinte, Alexsander retornou para visitar o pai depois de receber uma carta onde ele relatava o agravamento de seu estado de saúde devido ao avanço do diabetes. O filho havia conseguido uma vaga no hospital de base do exército e foi buscar o pai. Chegou discretamente, pois não queria encontrá-la, sabia que uma nova despedida poderia ser ainda mais difícil, mas uma ligação forte já havia sido estabelecida entre eles mesmo que não soubessem disso.

Naquela mesma tarde, Emma foi visitar o velho Arnold Rhandorvicky, ela sabia que ele não estava nada bem e sentia pena em saber que ele vivia sozinho no casarão, preparou-lhe um bolo e foi até lá. Quando tocou a campainha foi atendida por Alexsander ,que não esperava encontrá-la à porta. Ambos ficaram parados olhando-se por um tempo e foi Alexsander quem falou primeiro:

- Oi, Emma, como está? – seu tom era distante e impessoal, ela mal conseguia responder, sentia um nó apertando-lhe a garganta, havia esperado tanto por aquele momento, mas o que fazer agora que ele enfim estava acontecendo?

- Bem, obrigada por perguntar! E você?

Ninguém se moveu, como se estivessem colados ao chão, Emma tinha os olhos marejados, seu coração tinha dificuldades em manter-se batendo no mesmo lugar e ela sentia vontade de gritar.

Alexsander lutava para manter a expressão inalterada, embora por dentro travasse uma luta ferrenha consigo mesmo. Seu sentimento por ela não diminuíra, mas não podia fazer nada, mudara seu destino quando aceitou fazer parte da KGB e o selara quando soube da verdade sobre sua família.

- Você deseja... – decididamente ela não sabia como agir diante de tanta frieza, nem de longe ele parecia o rapaz que ela havia conhecido.

- Bem, eu trouxe um bolo para o seu pai, ele... fica tão sozinho nessa casa e... nunca sai, não fala com ninguém, ele não tem se sentido muito bem e...

- Se é só isso pode deixar, eu entrego! – pegou o bolo das mãos de Emma e virou-se com menção de fechar a porta quando ela o interrompeu:

- Eu estou grávida!

Alexsander paralisou, de costas para ela estava gelado da cabeça aos pés. Como assim grávida? Isso jamais poderia ter acontecido, o que ele fizera? Não devia ter fraquejado naquela noite, não podia! E agora, o que deveria fazer? Voltou-se para ela, desceu o primeiro degrau, segurou-a pelo braço e a puxou para dentro.

- O que é isso? Alexsander, o que está fazendo? Está me machucando!

Ele a puxava escada acima, levando-a em direção ao seu quarto. Chegando lá fechou a porta e a fez sentar-se na cama bruscamente e ficou andando de um lado para o outro, ele estava nervoso quase desesperado, Emma era incapaz de compreender aquela reação. Ele não queria que seu pai, que agora descansava no quarto ao lado, percebesse sua agitação. Ele então começou a falar sozinho.

- O que foi que eu fiz? O que foi que eu fiz? Pense Alexsander, pense! Pense como um soldado, pense na segurança nacional, pense no que fazer com isso, pense!

Nesse momento Emma levantou-se.

- Como assim, o que fazer com isso? Pensar como um soldado? Por que agora você não é mais capaz de pensar como um homem? Como um ser humano? Estamos falando de uma criança, pelo amor de Deus! Não se trata de nenhuma guerra, nenhum holocausto!

Alexsander deu um riso sarcástico enquanto dizia mais para si mesmo do que com a intenção de ser ouvido:

- Criança... – risos. – Espera só pra ver o que vão servir na festa de noivado dela! – disse pensando no dia em que aquela criança crescesse e tivesse que cumprir seu destino unindo-se a um vampiro, então segurou Emma pelos ombros e olhou no fundo de seus olhos dizendo – Emma, eu te amo, te amei desde a primeira vez em que te vi, esse amor nunca acabou ou diminuiu e mesmo que não possamos ficar juntos vou continuar amando você, mas você não pode ter esse filho!

- Olha só, Alexsander, você tem estado muito diferente ultimamente, na verdade, eu nem sei se conheço mais você! Mas tem algumas coisas que você precisa saber a meu respeito, e uma delas é que nunca deixo que ninguém resolva nada por mim!

- Emma, ouça – ele não sabia o que dizer, não poderia contar a ela a verdade porque, ou pensaria que ele era maluco ou se tornaria um alvo certo da agência por saber demais – Eu só queria que você confiasse em mim, tenho sérios motivos para lhe pedir que não tenha essa ... esse... que não leve a gravidez até o fim, eu queria muito poder lhe dizer os motivos, mas para sua própria segurança é melhor que você não saiba de nada, apenas confie em mim. Eu jamais a machucaria, por isso precisei me afastar de você para protegê-la, mas não poderei fazer isso se levar essa ideia adiante.

Emma ria e chorava ao mesmo tempo, quem era aquele homem? Como podia ter se enganado tanto a respeito de alguém? Uma coisa era certa, ele não a deixaria sair de lá se continuasse insistindo naquela ideia, reuniu todas as forças que pôde para fingir que por amor faria tudo o que ele quisesse, mas não permitiria que ele lhe tirasse o filho.

- Me proteger? Então você acredita que assim irá me proteger!

- Eu te amo, Emma, como nunca amei nenhuma outra mulher em minha vida, eu só não posso te dar uma vida como você merece, uma família, filhos, tranquilidade, se eu pudesse, jamais teria deixado você, jamais! Acredite em mim, eu preciso que você acredite e confie em mim!

- Eu acredito em você, se você me disser o porquê disso tudo!

- Infelizmente, eu não posso te dizer nada ainda, Emma, mas quem sabe, se você confiar em mim eu possa confiar em você e aí um dia vou te dizer tudo e você vai entender! – Emma abraçou Alexsander, era um abraço de despedida, naquele demorado abraço, procurava encontrar e acreditar no amor que um dia teve certeza que ele sentira.

- Eu confio em você, vou fazer o que você me pede.

- Ótimo, amanhã bem cedo vamos a uma clínica, não se preocupe, eu arco com todas as despesas e prometo que voltarei assim que puder, tentarei uma permissão para visita no próximo mês, hein, o que acha?

- Eu preferia que você nunca tivesse que ter ido!

- Acreditaria se eu dissesse que eu também? Mas agora já tomei decisões irreversíveis, não posso, infelizmente. Eu prometo que farei o possível para não ficar longe muito tempo. Então amanhã às sete eu te pego, porque tenho que estar de volta ao quartel até às 18 horas então poderei ficar parte do dia ao seu lado, o que acha?

- Tudo bem!

Emma tinha um bolo na garganta e assim que Alexsander a deixou em casa, ela correu para o banheiro e vomitou. Quem era aquele homem? Isso agora não importava, ela tinha que fugir! Da janela do seu quarto, do outro lado da rua, com as luzes todas apagadas e tentando ver através da cortina, ela observou a casa dos Rhandorvick. Assim que tudo ficou escuro, lá pelas duas horas da madrugada, ela pegou sua mochila, umas peças básicas de roupas e saiu pelos fundos, pulando a cerca da vizinha e saindo do outro lado do quarteirão.

Depois de duas horas caminhando pela estrada tentando pegar uma carona, precisava parar, logo à frente havia uma loja de conveniências. Emma entrou e pegou uma garrafa d’água, suas mãos tremiam e ela mal conseguia pegar o dinheiro, um jovem que era o próximo da fila se ofereceu para pagar.

- Não é preciso, obrigada, eu tenho dinheiro!

- Não se preocupe, estou só fazendo uma gentileza, você está se sentindo bem? – ela assentiu com a cabeça, agradeceu e saiu, ele estava bem atrás quando ela passou pela porta e sentiu uma vertigem – Você está se sentindo bem? Parece tão pálida!

- Na verdade não me sinto nada bem, venho andando pela estrada há duas horas sem conseguir uma carona!

- Uau, duas horas, é? Fez algum tipo de promessa? – ambos riram.

- De certa forma! Eu preciso ir para bem longe daqui!

- É, eu entendo, pode apostar!

— O que disse?

- Não, nada! Bom, dependendo para onde vai, talvez possamos lhe dar uma carona.

- Podem? Como assim? Você e quem mais?

- Eu e meu pai! Estamos indo para... bom, não importa, se quiser...

Estavam em frente à porta do estabelecimento quando ouviram o rádio do local anunciar o desaparecimento de uma jovem, ruiva, olhos verdes. O rapaz olhou para ela imediatamente.

- Essa parece com você! Encrenca?

- Olhe só, eu preciso desaparecer, estão querendo me matar!

- Nossa, que coincidência!

- O quê?

- Nada! Bem, me desculpe, mas acho que meu pai não vai querer dar carona para alguém que pode chamar a atenção, mesmo porque, chamar a atenção é tudo o que não queremos nesse momento.

Vendo que o rapaz do caixa a havia reconhecido não sobrou alternativa, ela decidiu dizer logo a verdade já que só teria uma chance de conseguir ajuda.

- Olhe só, eu estou grávida!

- É você sabe mesmo se meter em encrenca! Escute, moça, sem querer ser grosseiro, mas já temos problemas suficientes!

- Não! Espera! Deixa eu resumir, por favor!

- Seja rápida!

- Eu estou grávida, o cara ficou maluco, ele disse que eu não poderia ter esse filho, que qualquer coisa que nascesse dessa gravidez iria acabar comigo, ele queria me levar para fazer um aborto, disse que não poderia me dizer nada, que era tudo questão de segurança nacional, ele... por favor, me ajude!

- Moça, você nem me conhece! Como sabe que eu não sou um bandido ou alguém que pode te fazer mal também? Além do mais, meu pai jamais vai concordar com isso! Eu não te conheço, você não me conhece, não dá! Eu também estou numa encrenca e das grandes e também não te posso falar nada sobre isso, acho que não é uma boa ideia, além do mais, se vier conosco, seus problemas podem aumentar muito, se você quer saber!

- Por favor! — ela seguia o rapaz enquanto ele caminhava – Eu posso me apresentar, meu nome é Emma, bom, na verdade é Emmanuelle, eu não quero perder meu filho! Por favor, me ajude! – ele parou, ainda de costas para ela, respirou fundo antes de se virar.

Se seu pai soubesse dos detalhes da história daquela garota diria que era impressionante a capacidade de Theo em atrair encrenca e conseguir piorar situações que já eram difíceis.

Theo queria muito entrar naquele carro e dar o fora dali como se nunca a tivesse visto e começou a amaldiçoar a hora em que entrou naquela loja de conveniências logo depois dela e ficou a observá-la enquanto ela olhava os biscoitos nas prateleiras, deixou que ela fosse para a fila antes dele só para ficar bem atrás dela e perdeu-se de vez quando aqueles olhos verdes olharam para trás e agradeceram a oferta para pagar sua água, foi amor à primeira vista. Mas o que poderia oferecer a ela, ele também estava metido em encrenca, talvez piores do que as dela. Teria que viver fugindo e grávida?

Fala sério, hein, Theo! Dessa vez você se superou! Dizia para si mesmo.

- Tá bom, meu nome é Theo, Theodoro! Mas isso não muda o fato de que eu não posso ajudar você! – nesse momento ouviram sirenes de carros de polícia – Droga! Droga! Vem comigo, anda!

Quando chegaram à caminhonete e o pai de Theo o viu acompanhado de uma moça, lançou-lhe um olhar de reprovação e balançou a cabeça como se dissesse “nada disso, ela fica”, então Theo teve que ser rápido e não lhe veio nada na cabeça além de:

- Pai, essa é Emmanuelle, eu a conheci mês passado quando estive em Moscou, eu a avisei que ela deveria me esperar aqui, pois a levaria comigo, estamos apaixonados! Ela vai com a gente! Agora se o senhor puder pisar no acelerador, porque ela tem umas pendenciazinhas com a polícia!

Rudolph saiu imediatamente com sua caminhonete 4x4, esperavam que ninguém tivesse acompanhado os dois até a parte de trás de loja onde Rud havia ficado esperando pelo filho que fora reabastecer o estoque de água para a viagem. Eles também estavam fugindo, iam para as florestas de Kalunga.

- Sua namorada? Pendência com a polícia? – Theo se defendia enquanto Rud tentava acertar-lhe uns tapas – Ficou maluco? Seu moleque!

Enquanto seu pai bronqueava, Theo pensava no que fazer a partir dali. Não havia como deixá-la pelo caminho, mas certamente se contasse ao pai sobre a gravidez, Rud surtaria de vez e era bem provável que largasse os dois para trás. Talvez pudessem contar tudo mais tarde, como se fosse uma grande surpresa inclusive para eles próprios.

Emma conseguia sentir-se um pouco aliviada embora soubesse que não estava livre de perigo.