Notas iniciais
Todas as novas descobertas deixaram Ana ainda mais assustada, porém, ela nem imaginava quanto medo ainda poderia vir a sentir de fato.

Ana já não corria, imaginou que, àquela hora da noite, uma garota correndo pelas ruas chamaria a atenção e seria facilmente localizada por alguém que a estivesse procurando. Porém seu caminhar nervoso e sua pressa agitada não passariam despercebidos por alguém treinado e experiente, que estava acostumado a observar pessoas e comportamentos.

Alexsander seguia para seu hotel, mas notou aquela garota que caminhava rapidamente pela calçada e que parecia não saber para onde ir, parecia nervosa e preocupada, tentando lançar discretos olhares ao redor e fazendo menção de olhar para trás. Passou por ela e ainda a observou pelo retrovisor. Pela sua maneira de vestir e andar, como se estivesse perdida, era claro que não era daquela cidade e, muito provavelmente, de nenhuma região muito próxima.

Tentou seguir adiante, pensou que provavelmente se tratava de uma briga de namorados, ou era apenas uma jovem rebelde fugindo dos pais, mas seus instintos aguçados por sua curiosidade e suas observações anteriores quanto ao fato de não parecer de forma alguma uma nativa, lhe picavam a nuca feito percevejos impertinentes fazendo com que desse a volta no quarteirão e novamente passasse por ela. Adiantou-se um pouco, encostou e desligou sua Triton. Desceu encostando-se nela e acendendo um cigarro para esperar que a jovem passasse por ele e lhe permitisse uma análise mais de perto. Assim que ela passou diante de si, não conseguiu manter o protocolo de simples observação e acompanhamento.

- Ei garota! Está tudo bem? – perguntou num tom cordial que não parecia oferecer perigo algum e, como Ana só queria afastar-se dali, acreditou que aquela seria uma boa oportunidade.

- É que... eu ... bem, acabei de ser assaltada e...

- É mesmo? Não notei nenhum movimento estranho, do tipo que acontece quando alguém é assaltado!

- Bom, é que... o bandido me ameaçou com uma arma, o que você queria que eu fizesse, gritasse? E levar um tiro em seguida? Saí andando como ele me recomendou!

- Hahã! E para onde está indo agora? Suponho que ele tenha te levado tudo, documentos, dinheiro... – Ana olhou para aquele homem e pensou em dizer algo sarcástico, mas, ele poderia ser sua única chance de ajuda naquela noite.

- Claro... bom, se já satisfez sua curiosidade... – e fez menção de continuar andando como uma jogada à espera da reação do outro.

- Tem parentes aqui? Amigos? Onde pretende ficar?

- Ei, você é da polícia?

- Por quê? Está fugindo dela?

- Claro que não! Eu sou a vítima, lembra?

- Bom, sei que sua mãe deve ter dito para não aceitar carona de estranhos, mas se estiver meio perdida, se precisar ir a algum lugar, se quiser aceitar minha ajuda...

- Valeu! – disse Ana, dirigindo-se imediatamente à porta do lado do passageiro. Aquela conversa estava demorando demais e logo alguém poderia aparecer à sua procura.

Entraram no carro e Alexsander começou a dirigir. Agora poderia observar mais de perto suas reações e tentar descobrir o que poderia estar acontecendo, algo lhe dizia que havia alguma coisa ali, aquele velho sexto sentido que o tornara o melhor homem da KGB. Precisava de mais tempo com ela então dirigiu-se a seu restaurante preferido, o Texas Longhorn Burgers & Deli, na Rua Södra.

- Para onde estamos indo?

- Bom, você deve estar com fome, eu estou! Vamos resolver esse problema e depois você pode me contar melhor essa história e se quiser me dizer para onde vai, quem sabe posso te ajudar a chegar lá.

Ana pensou que talvez conseguisse fazer com que aquele estranho que parecia não ter más intenções pudesse levá-la de volta a Mora, assim que pensou nisso sentiu um alívio em saber que logo poderia estar de volta, segura sob a proteção de Pedro e os cuidados de Doroty.

Sentados à mesa, estudavam-se enquanto comiam, na verdade, Ana estava mais preocupada em comer e em como iria pedir àquele estranho que viajasse com ela para outra cidade, sobre o que mais poderia inventar a fim de convencê-lo a prestar-lhe mais essa ajuda. Por outro lado, ele a estudava e a cada minuto que passava sentia que aquela história toda de assalto não passava de uma grande mentira, mas que aquela garota estava fugindo de alguém, disso ele não tinha mais dúvidas.

Ela era uma garota linda, olhos verdes esmeralda, cabelos longos e ruivos, alta, corpo esguio, notou que suas mãos eram perfeitas, mãos de alguém que jamais fez qualquer tipo de trabalho manual, certamente ela viera de uma família abastada. Sentiu saudades dos tempos em que era mais jovem e calculou que ela não devia ter mais que dezenove anos, jovem demais, problema demais para um homem prático e tão envolvido com o trabalho como ele, mas sentiu mesmo uma vontade de ajudá-la. Claro que parecia estar com problemas, mas certamente não era nada demais, pelo menos não o que significava “demais” para ele.

- Bom, mocinha, que tal se você me agradecesse agora contando a verdade? De quem estava fugindo e por quê?

- Eu já te disse, fui assaltada!

- Ok! Vamos tentar de novo, quem sabe se começarmos do início. Prazer, meu nome é Alexsander, Alexsander Rhandorvick! E você, como se chama?

Nunca o chão pareceu tão longe de seus pés, nunca antes um sanduíche agarrou-se daquela maneira às paredes de sua garganta. Ela não tinha voz e por alguns instantes sentiu-se colada à cadeira, engasgou e não conseguiu controlar seu corpo que tremia e assim que recuperou o mínimo de controle sobre ele, saiu correndo porta afora do , passando por cima de qualquer coisa ou qualquer um que estivesse na frente.

Alexsander não entendeu aquela reação, mas acabava de ficar claro que estava ficando velho e mole por não dar atenção total à sua intuição, pois sabia agora que tinha diante de si um provável grande problema. Deixou o dinheiro na mesa e correu atrás de Ana. Embora seu porte físico facilitasse na fuga em velocidade, ela não era páreo para um homem como Alexsander, forte, bem treinado e rápido, que alcançou-a após poucas quadras.

Alexsander agarrou-a pelo cabelo que estava preso num rabo de cavalo a fim de pará-la e em seguida aplicou-lhe uma gravata e aos poucos foi diminuindo a pressão em seu pescoço, não sabia o porquê de tanta delicadeza com aquela garota, devia realmente estar ficando ultrapassado, pois aquele não era o seu estilo, mas, decidiu ir devagar até que pudesse saber do que se tratava realmente.

Na tentativa de pará-la e imobilizá-la acabou, inevitavelmente, pressionando um corpo contra o outro e foi então que sentiu que ela carregava algo por baixo da jaqueta, nas costas, e percebeu que ela tentava alcançar.

Ana lutava para tentar pegar o revólver, mas não tinha chances contra aquele homem que era muito maior e mais forte do que ela e que rapidamente conseguiu impedir-lhe os movimentos completamente, torcendo um de seus braços para trás e encostando-a contra o muro com tanta força que o braço livre tentava proteger seu rosto de se esfolar naquela parede.

Enquanto isso, tirou-lhe o revólver e a revistou, encontrando no bolso da calça as balas sobressalentes e nos bolsos da jaqueta duas ampolas com um líquido verde. Alexsander nunca fora tão surpreendido antes, obviamente que ele sabia do que se tratavam as ampolas, mas onde ela as havia conseguido? De onde saíra aquela garota e quem era ela? Bom, isso era algo que ele arrancaria dela de qualquer forma, ainda que tivesse que recorrer às velhas táticas de interrogatório.

Notas finais
Bem , está aí! Espero que gostem! Bjokas♥