Ella - A Verdade Por Trás Da História
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Em Sandviken, enquanto pensavam em uma maneira de descobrir o que exatamente Alexsander Rhandorvick estava procurando ou, o quanto já sabia para estar tão próximo deles e, claro, uma maneira de eliminar seu antigo desafeto, Haig fez uma viagem ao passado lembrando-se de todos os acontecimentos que os levaram até aquele momento.
- Haig, penso que a hora de deixarmos a Rússia está cada vez mais próxima, a agência está fechando o cerco, intensificando as buscas atrás de nós, principalmente de você! – disse Rudolph – as opções de esconderijo estão se esgotando e as rotas de fuga já não são tão seguras. Os de nossa confiança também têm que se esconder e os simpatizantes que ainda permanecem como agentes, não podem fazer mais nada por nós se quiserem salvar a própria pele.
Haig ouvia atentamente tudo o que lhe estava sendo dito. Temia diante do fato de que o futuro agora era campo incerto e perigoso, mas, sabia que tinha diante de si, a única pessoa em quem podia de fato confiar.
- Você tem razão velho Rudolph, como sempre! Mas não tenho ideia do que fazer eu... ainda sinto muita raiva e uma sede de vingança, muita sede... se é que você me entende! – Rudolph riu e bateu no ombro do amigo – há seis meses não teria imaginado que tudo em que eu acreditava acabaria em dois minutos numa única noite. Eu não queria deixar esse país, por mim, iríamos atrás dos responsáveis, isso tem que parar!
- Não Haig, a raiva e a cólera não permitem que o homem pense e o conduzem a seu próprio fim. Tenha isso sempre em mente. Além do mais, meu jovem, não estamos sozinhos, não é só a nossa vida que está em jogo, existem pessoas que precisamos proteger.
- Não sei como alguém feito você Rudolph, pôde ser um agente, pois deles, eu só conheci a traição e a frieza.
- Ah rapaz, eu entrei para a agência muito jovem, tinha acabado de completar 18 anos, justamente quando a KGB estava sendo criada. Seu propósito era substituir as organizações anteriores a ela, consideradas tão cruéis que chegaram a assustar até mesmo seus líderes, entre outros como a espionagem internacional, a proteção de líderes do país, a supervisão de tropas nas fronteiras e a vigilância das populações que faziam parte da União Soviética. Nós entendíamos isso como proteger a pátria. Naquela época não se sabia da existência de sua espécie, para nós, tudo não passava de contos de terror, lendas e histórias inventadas pelos avós. Quando viemos, a saber, a ideia de coexistência também me pareceu possível, porque não procuro ver nas pessoas ou nas coisas as desvantagens em primeiro lugar, mas sim tudo o que se é possível e bom. Participei do processo que envolveu essa aproximação, sempre acreditei que pudesse dar certo, mas também do lado dos seus, haviam aqueles que se opunham, hoje quase penso que estavam certos!
- você é um bom homem, infelizmente, pessoas ruins existem dos dois lados, mas do lado de cá, pessoas que eram boas foram obrigadas a se tornar ruins para poder se proteger.
- Haig, você sabe que seu pai era meu melhor amigo, não sabe?
- Sei sim, e agora que passamos todo esse tempo juntos, consigo entender bem o por que!
- Bem, há coisas em sua vida que ainda precisam ser reveladas e seu pai confiou a mim essa tarefa uma noite antes de ser morto. Ele percebeu que havia uma movimentação estranha na agência, nós já havíamos ouvido falar do desaparecimento de outros colaboradores, mas a culpa sempre recaía sobre a agência de espionagem inimiga. Seu pai começou a achar que havia mais coisa aí. Então na noite anterior, enquanto bebíamos num bar qualquer, ele me deu a maior prova de confiança que já recebi na vida. Ele me contou absolutamente tudo sobre suas origens e me pediu para lhe passar tudo quando estivesse pronto, porque ele estava decidido a descobrir a verdade dentro da agência e não sabia se sairia vivo disso!
- e não saiu! – disse Haig
- é, não saiu. E nós saímos por um milagre! Venha, vou lhe contar tudo.
Sentaram-se sob a varanda de uma velha e rústica casa de madeira embrenhada no mato no meio do nada, em algum lugar remoto na Rússia.
Rudolph narrava a Haig, tudo que se passara em sua vida desde antes de seu nascimento até a morte de seu pai.
A mãe de Haig fora uma mulher muito cobiçada não só por aqueles que pertenciam à espécie de seu pai, como também por muitos humanos no vilarejo onde morava. Iandra nasceu numa vila no final da idade média, por volta do ano de 1480. Desde o século IX, quando se difundiu uma crença popular de que feiticeiros e bruxos existiam, a igreja começou gradualmente a intensificar as penalidades a quem se acreditava praticar bruxaria ou as pessoas que dissessem acreditar em vampiros. Desde que Iandra nascera, sua mãe, avó de Haig, sabia que havia algo diferente com aquela criança e que ela precisava ser protegida.
Naquela época a população vivia aterrorizada, dividia o medo entre a igreja que não admitia ouvir falar em vampiros e a ideia de demônios que andavam à noite matando pessoas e animais de rebanhos, sugando seu sangue, então tudo o que fosse diferente era ferozmente perseguido e eliminado, muitas pessoas inocentes morreram, principalmente as que possuíam qualquer tipo de deficiência física ou mental, ou tivessem aparência exótica como as mulheres ruivas, por exemplo, que eram queimadas em fogueiras como bruxas ou esposas do demônio, os que possuíssem deficiência física eram considerados filhos desse “casal” e queimados ou decapitados.
Quando Iandra atingiu a maioridade aos vinte e um anos, parou de envelhecer e dez anos mais tarde todas as pessoas em sua vila, percebendo isso, desejavam matá-la, pois acreditavam que ela havia sido escolhida como a próxima esposa do demônio. Por volta do ano de 1511 ela fugiu da aldeia e durante a fuga, conheceu Zirgov, por quem se apaixonou e foi imediatamente correspondida, mas haviam outros desesperados para perpetuar a espécie e Iandra acabou sendo raptada por Androv, do qual obviamente, Zirgov tornou-se inimigo mortal.
Após passar quase três anos no encalço do bando de Androv, onde ele parecia estar sempre um passo à frente, Zirgov finalmente conseguiu alcança-lo já na divisa de terras entre Buryatia-Rússia e Selenge-Mongólia
Reza a lenda que, se uma “i” rejeita um vampiro e ele a toma a força, além de gerar um ser humano comum, o vampiro em questão começará a envelhecer e, apesar de continuar sendo um vampiro, morrerá em alguns anos como um ser humano comum. Isso naquela época era levado muito a sério e Androv tinha medo, por isso tentava conquistar Iandra de todas as formas e tinha esperanças de que ela o aceitasse com o tempo, que afinal, não era problema para eles.
Infelizmente, seus planos foram ameaçados quando Zirgov os encontrou e travaram uma luta feroz da qual o pai de Haig saiu vitorioso quando Androv acabou perdendo a cabeça, literalmente.
Apesar de haver vencido seu rival, o casal apaixonado passou anos fugindo dos soldados fieis à memória de Androv, além de que, alguns deles queriam mesmo era tomar Iandra para si. Com o passar do tempo, alguns desistiram quando a fidelidade acabou corroída pelas dificuldades da própria sobrevivência enquanto que outros acabaram mortos em lutas travadas ao longo do caminho ou com o próprio Zirgov.
Por fim, em 1560, Zirgov e Iandra instalaram-se onde hoje é conhecida como Amur Oblast, no leste da Rússia onde conseguiram finalmente viver em paz. O casal protelava o nascimento de um filho, pois ambos sabiam o que isso implicaria para Iandra, perder a imortalidade, visto que uma “I” torna-se imortal aos vinte e um anos de idade e permanece assim até encontrar um vampiro a quem ame verdadeiramente e torne-se mãe de seu filho, após esse acontecimento, seu ciclo de vida torna-se comum a dos demais seres humanos.
O amor de Zirgov por Iandra ia muito além do desejo de perpetuar a espécie, ele não admitia sequer pensar na hipótese de perdê-la, mas, depois de tudo pelo que passaram Iandra tonara-se uma mulher forte e consciente de seu papel, além de que, o amor que sentia por Zirgov era infinito e por isso não deixaria que ele corresse o risco de não dar continuidade a sua linhagem só para tê-la por mais tempo.
Haviam também outros riscos como a possibilidade de batalhas por territórios onde ele poderia acabar morto, ou a possibilidade de que algum outro rival viesse a reivindicar os direitos sobre ela quando soubesse que não tinham gerado um filho. Iandra faria o que pudesse para mantê-lo em segurança e perpetuar o que para ela não era apenas a espécie mas o amor deles sobre a terra.
Sem dizer nada a Zirgov, e cansada de temer por sua segurança, decidiu, sem consultar seu amado que era chegada a hora de gerar um filho, o ano era 1632.
Zirgov ficou furioso e suas preocupações deixaram de ser a proteção de seu território ou a conquista de novas terras ou ainda derrotar inimigos, como um louco alucinado, ele passou a procurar uma forma de poder mantê-la imortal após o nascimento do filho.
- Então, no fundo, meu pai não me queria? Talvez tenha me odiado a vida toda por ter arrancado a chance de viver ao lado dela por toda a eternidade...
- Não, de forma alguma! Bom, digamos que no começo, ele teve um pouco de dificuldades em aceitar que seria pai, ele não compreendeu as razões de sua mãe, mas, no decorrer do tempo foi impossível manter distância, ele se apaixonou por você assim que nasceu e tornou-se um pai zeloso e dedicado, graças a doçura de sua mãe, ela era uma mulher extraordinária!
Os sentimentos de Zirgov mudaram com relação ao filho, ele não o via mais como algo que viria amaldiçoar sua amada, mas continuou incansavelmente com a busca por uma forma de não perdê-la. Ele passava muito tempo viajando e durante suas viagens conheceu George, do qual se tornou amigo e que passou a viajar com ele até o dia em que conheceu sua “i” Makya que retornou junto com eles para as terras de Zirgov, passando a viver todos juntos como uma pequena colônia. Depois disso, enquanto Zirgov viajava, Geoge se encarregava de cuidar e proteger as terras, as mulheres e crianças na ausência do amigo.
Nessas viagens, Zirgov procurava pelas “bruxas”, como ficaram conhecidas as “i”s que viviam escondidas ou fugindo,e viviam escondidas ou fugindo.um filhoecidiu, sem consultar seu amado fez uma viage algumas se iniciaram na arte wicca por volta do século V, mas a busca pela aprendizagem e aperfeiçoamento se intensificou juntamente com o aumento da “caça as bruxas” que teve um início modesto em virtude da tentativa da igreja em oprimir a disseminação dessa crença entre a população por volta do século IX. As perseguições começaram incitadas pela igreja, que foi fielmente seguida pela população mais fanática que não hesitava em denunciar qualquer uma que lhes causasse desconfiança.
O principal objetivo das “bruxas Is” era encontrar uma forma de permanecerem imortais sem ter que abrir mão de gerar filhos. No século XI espalhou-se a notícia de que três delas haviam encontrado uma maneira não só de como manter-se imortal, como também uma forma de passar despercebido pelos vampiros ou outras “i”s, estranhamente a única informação divulgada foi a de como se manter indetectável e mesmo assim, não eram todas as “i”s que conseguiam obter essa informação.
Claro que conseguir manter a imortalidade não resolvia o problema, pois, fixar-se definitivamente numa determinada região era algo impossível, visto que não envelheciam. Começou, mais uma vez, uma caça frenética por essas três mulheres, dessa vez, além da igreja e seus fiéis fanáticos, outras Is assim como vampiros apaixonados também queriam partilhar ou tomar a força, se necessário, o então descoberto, dom da eternidade. Duas foram encontradas e, recusando-se a falar, foram decapitadas e queimadas em fogueiras, da terceira, nunca mais se teve notícias, uns acreditam estar morta e que toda a história sobre terem encontrado a imortalidade era falsa.
- E você, acha que ela morreu? – perguntou Haig
- Talvez sim, talvez não, quem é que sabe? Uma coisa é certa, se sobreviveu, está muito bem escondida e, se quiser, jamais será encontrada.
- E minha mãe, foi envelhecendo até morrer?
Nesse momento, Rodolph realmente não sabia se deveria ou não dizer a verdade, era preciso convencê-lo a deixar a Rússia e maiores revelações nesse momento poderiam atrapalhar os planos de manter Haig, Theodoro e Emanuelle em segurança.
- Filho, seu pai me pediu que as coisas fossem reveladas de acordo com a sua maturidade para recebê-las e, se você confia em mim, espero que reconheça não ser esse o melhor momento.
Haig respirou fundo, não queria deixar nada para depois, tratava-se de sua vida, de sua mãe! Mas as últimas palavras de seu pai ecoavam na memória “confie cegamente em Rudolph, faça o que ele mandar e nunca o questione”. Então Haig se levantou, deu um tapinha nas costas do amigo evidentemente contrariado e retirou-se, precisava se alimentar e colocar as ideias no lugar, com sorte encontraria algum agente russo para sobremesa, pensou rindo ironicamente.
Fale com o autor