Era uma vez uma menina chamada Elizabeth. Ela era muito inteligente, tinha apenas seis anos, mas tinha uma capacidade mental de um adulto. Ela lia muitos livros e aprendeu a ler com dois anos e a falar com apenas um ano. Ela tinha um diário, e era lá que ela dizia como se sentia.

“Querido diário, como é a minha primeira vez que escrevo em você, vou começar me apresentando. Meu nome é Elizabeth, tenho 6 anos e eu sou muito infeliz, porque minha mãe morreu no meu parto e meu pai casou com outra mulher. Se essa mulher com quem meu pai se casou (Dona Sarah) fosse boa, talvez eu fosse feliz, mas não... Ela, quando está perto do meu pai me dá vários presentes e finge ser muito boa, mas quando ele não está por perto, ela briga muito comigo. Há três anos atrás ela me forçava a fazer as tarefas domésticas, sendo que eu tinha apenas três anos, e me batia falando que eu não tinha feito minhas tarefas corretamente e na verdade só se casou com o meu pai porque ele era muito rico. Agora que meu pai morreu, o dinheiro ficou todinho para ela. *Uaah* Eu vou dormir porque já está tarde. Boa noite, diário. Te vejo amanhã.”

No dia seguinte, de noite, ela foi correndo escrever no diário:

“Querido diário, vou contar uma coisinha que não deu para contar ontem. No meu aniversário de três anos, meu pai morreu “supostamente” por conta de um infarto, pelo que a “Dona” Sarah (como se eu fosse idiota de chamá-la de Dona) disse para mim e para todos. Mas eu não sou burra, se é o que ela pensa, de acreditar no que ela diz. É lógico que eu sei que ele foi morto não por um infarto, mas sim por ela mesma. Aquela Sarah do inferno. A rainha dos infernos. Amanhã eu escrevo mais. Boa noite, diário.”

Outra coisa que tornou a menina infeliz era ela ter apenas seis anos, por isso não podia fazer nada a respeito de sua madrasta, como processá-la. Pra falar a verdade, ela não podia fazer absolutamente nada. Não poder fazer nada a respeito da Sarah era só um detalhe para ela. A única coisa que ela podia fazer era escrever livros (escondida, é claro) e lê-los (escondida também). Ela já havia escrito mais de dez livros de aproximadamente quatrocentas páginas sobre suspense e terror com final triste e relido mais de três vezes todos eles depois que seu pai morreu. Eu me lembro direitinho do trechinho do final de um livro dela desta época que ela me mostrou que dizia assim:

“-Não suporto esta vida do inferno! Eu quero morrer e nunca mais ser vista nesse mundo miserável! A minha vida é imprestável! Ninguém vai sentir a minha falta se eu morrer! – a menina disse com uma faca na mão. Então, empurrou a faca em direção ao seu peito, dando um grito horroroso e falando – Adeus, seus... idi... o... tas... – e caiu, deixando para trás apenas uma poça enorme de sangue a sua volta, e seu corpo.”

Então foi assim... Ela escrevendo muitos livros com final triste e falando sobre sua tediosa vida em seu diário. Uma coisa que eu não disse é que sempre que ela escrevia no diário, ela chorava (cada página que ela já tinha escrito tinha pelo menos uma lágrima seca) porque o diário lembrava quando seu pai lhe deu ele. Ele deu para a menina algumas horas antes de ser assassinado pela própria mulher no aniversário de 3 anos de Elizabeth.