Elite da Morte

3 Lucy Di Gana - A escolha - Parte 2


Notas iniciais
Sim, eu demorei bastante pra postar esse capítulo, mas tá aí (uhul!). Ufa! Esse capítulo deu um trabalho, e mesmo assim, a saga Lucy Di Gana ainda não terminou. Num clima mais dramático, esse capítulo é um pouco diferente por trazer algumas lembranças de Lucy. E essa parte tem uma narrativa informal por ser, justamente, algo mais pessoal. É quase como se a própria Lucy narrasse suas lembranças. Hmn, recomendo músicas deprês durante a leitura desse capítulo haha Já falei demais né? Hora de ler a história! Boa leitura e um bjão!

A sala do doutor não era muito grande, mas era bem organizada e agradável.

Marco, porém, continuava sério e isso dava à Lucy uma sensação ruim. Tanta, que não aguentou esperar ele começar a falar.

– Doutor, o que aconteceu? Meu marido melhorou?

– Pelo contrário. – Com a boca aberta pela notícia, a mulher ficou sem palavras. – Senhora Di Gana, por favor, se acalme para que eu possa explicar melhor o estado de seu marido.

Lucy respirou fundo e o doutor desatou a falar. No meio de muitos termos médicos, causas e consequências, ela só entendeu que o traumatismo craniano fez com que Antônio entrasse em coma, e, agora, respirasse através de aparelhos. De acordo com Marco, as chances de Antônio recuperar a consciência eram poucas.

– Lucy – continuou ele, com a maior calma possível -, você tem duas opções: deixar seu marido internado aqui, esperando que um dia ele acorde, ou – Marco fez uma pausa – mata-lo por eutanásia.

– O QUE?! Doutor, eu jamais faria isso com o Antônio! Como você pôde pensar que eu faria algo assim?! – Lucy se descontrolou. Passou a gritar e a gesticular enquanto o doutor continuava como antes. Sentiu-se indignada por ele se manter inalterado.

– Senhora Di Gana! – Desta vez num tom surpreendentemente mais alto. – Acalme-se! A senhora pode sair para espairecer e me procurar mais tarde, ou pode permanecer sentada e me escutar. – O tom calmo voltando aos poucos.

Lucy olhou por alguns instantes para Marco e percebeu que fizera um escândalo desnecessário. Limpou a garganta e disse, envergonhada:

– Me desculpe por isso, doutor. Eu me exaltei.

– Tudo bem, Lucy – suspirou Marco. – Mas preciso que entenda que, como médico, é meu dever expor a situação de meus pacientes. – Ela ouvia de cabeça baixa. – Se me permitir, posso falar mais sobre as opções que lhe dei.

A mulher continuou em silêncio e Marco tomou isso com um “sim”.

– Como já disse, Antônio está em coma. Ele pode acordar um dia. Amanhã, semana que vem, daqui a dois anos ou dez. Porém, como também já disse, as chances são mínimas. Já a segunda opção é um pouco mais delicada. O traumatismo causou insuficiência respiratória em seu marido, por isso o ligamos a aparelhos que realizam esse processo por ele. – Lucy apenas concordava. Olhava fixamente para o chão, desesperada por alguma boa, porém inexistente notícia. – Bem, acontece que, sem a ajuda desses aparelhos... seu marido morre.

Ainda sem levantar os olhos, ela respondeu:

– E-eu... doutor, eu não... não posso. – As palavras teimavam em fugir.

– Lucy, eu sugiro que você vá dar um volta, pensar no assunto.

– É. É uma boa ideia.

– Certo. Então me encontre aqui em uma hora. – Ela já ia saindo da sala quando o doutor chamou. – E, Lucy, por favor, pense bem em tudo que te falei. Preciso que decida ainda hoje.

– Até daqui a pouco, doutor.

–--------- ***** ----------

O hospital era enorme. No andar térreo, na parte externa, havia um belo trabalho de paisagismo que rodeava alguns bancos ali colocados.

Sentada em um deles, Lucy sentia seu coração doer só de pensar em Antônio. Por causa de seu estado, da escolha que ela precisava fazer, mas, acima de tudo, por causa de lembranças.

Era um sábado à noite quando Lucy e Antônio se conheceram.

Na estreia mundial de um filme aguardado o ano inteiro, muita gente iria ao cinema, então ela não se importou em ir sozinha.

Após o ritual de “fila/ingresso”, “fila/pipoca” e “fila/sala”, o drama da vez foi procurar um lugar vazio no meio daquela multidão. Oba!, achou um. O segundo, contando da parede, bem lá no fundo.

Mais algumas pessoas chegaram, ocupando os lugares restantes, inclusive o que estava ao seu lado. A princípio, não gostou nada disso. Revirou os olhos e decidiu ver quem é que tinha sentado ali, mas quando o fez, ficou até sem jeito.

Era um garoto lindo, daqueles que se você olha demais, acaba perdendo o ar. Antes que ele percebesse, Lucy virou o rosto e logo tratou de mexer no cabelo, cruzar as pernas e fazer qualquer coisa que pudesse chamar a atenção dele. Tomada por uma atração boba e repentina, Lucy, na época, adolescente, estava determinada a ser notada pelo “bonitinho ao lado”, só que quando o filme começou, não se importava com mais nada, nem mesmo com o tal garoto.

A história na telona era sobre um jovem bruxo que vivia na casa dos tios e que estudava numa escola de Magia e Bruxaria chamada Hogwarts. Lucy nem citava o nome do vilão, pois ele era aquele que não devia ser nomeado. O nome do filme era “Harry Potter e a Câmara Secreta”, o segundo da saga que prometia ser um sucesso.

A garota, que já tinha visto a primeira aventura de Harry e seus amigos, não desgrudava os olhos do filme um segundo sequer, e quando este acabou, bateu palmas, elogiou e deu uma boa espreguiçada antes de levantar. Ao olhar para o lado, percebeu que o garoto do começo do filme estava rindo (e provavelmente dela). Lucy sentiu as bochechas ficando quentes, mas antes que pudesse sair dali, alguém chamou. Nossa, quem seria?

– E aí, gostou do filme? – Era ele. Um sorriso ainda mais encantador que o próprio rosto.

– Dizer que gostei seria pouco. Eu amei. Adorei. Estou apaixonada. – Respondeu, brincando, mas tímida.

– Percebi quando aplaudiu.

– Ah! – Momento constrangedor 1 x Lucy 0. – Como eu disse, eu adorei. Acabei me empolgando. – Riu, tentando evitar o silêncio.

O garoto sorriu e adotou uma postura de quem lembra algo de repente.

– Perdão. Não me apresentei. Prazer, Antônio Di Gana.

– Prazer, Antônio. Sou Lucy Ruben.

– Então, senhorita Ruben, está acompanhada?

– Não... por quê?

– Porque eu também não estou e adoraria sua companhia para tomar um sorvete.

Lucy sabia que a sorveteria a qual ele provavelmente se referia estava sempre cheia nos sábados à noite. O problema mesmo era a emoção que ela não conseguia conter.

– Um... hã... sorvete? Você... é... – momento constrangedor 2 x Lucy 0. – Claro. Seria ótimo.

–--------- ***** ----------

A sorveteria ficava a cinco minutos do cinema. Lucy e Antônio conversaram durante o caminho, enquanto tomavam o sorvete e por mais algum tempo. Foi ao trocar telefones que ela percebeu como estava tarde.

– Meu Deus, Antônio! Preciso ir. Eu não imaginava que já era esse horário.

– É uma pena que você tenha que ir. Se bem que eu também já deveria estar em casa. – Lucy riu, como fizera a noite toda.

– Vou chamar um táxi, me acompanha?

– Não preciso, mas obrigado. Minha casa é aqui perto. Na Melvin 42, conhece?

– Já ouvi falar nessa rua. Acho que uma amiga da minha mãe mora lá.

– Pois é. Alguns minutos andando e eu já chego em casa.

– Tudo bem. – Lucy sorriu, um pouco decepcionada. – Bem, é melhor nós irmos, não é?

– Sim, claro. Mas, espere um minuto. – Antônio ergueu a manga da camisa e tirou do punho uma pulseira de prata que entregou à Lucy. Enquanto ela observava, ele prosseguiu. – Eu nunca vi ninguém falar com tanta empolgação sobre alguma coisa, como você falava do filme que acabamos de ver, então quero que fique com ela. – Completou, apontando para a pulseira, que era uma espécie de corrente, porém fina, delicada e muito bonita, trazendo em cada uma de suas argolas, um símbolo que remetia à saga do universo mágico.

Os olhos de Lucy brilharam quando viram os pingentes em formas de raio, óculos, coroa, lâmpada, serpente e vários outros. Ela, apesar de ser muito educada, deixou que o espírito de fã falasse mais alto e aceitou o presente sem hesitar, já colocando-o em seu próprio punho, pensando na possibilidade de Antônio querer a pulseira de volta.

Lucy não se aguentava de felicidade e após uma onda de agradecimentos e uma sincera troca de olhares, decidiu fazer o que queria desde que se virou para ver o rosto do abusado que sentara ao seu lado naquela sala de cinema.

Os rostos dos dois cada vez mais próximos, o ar em volta ficando quente, um beijo digno de novela e aquele momento congelado no tempo.

Assim que se afastaram, Antônio ainda disse:

– Eu espero que você se lembre de mim toda vez que olhar para essa pulseira.

– Pode ter certeza que vou. Mas saiba que eu lembraria de você mesmo sem ela.

E foi pensando no olhar profundo de Antônio, em seu beijo e no dia em que se conheceram, que os olhos de Lucy se encheram de lágrimas. Colocou as mãos sobre o peito e, uma por uma, deixou que caíssem.

Então, reuniu a força necessária e esticou o braço direito, sentindo um peso já conhecido, fazendo com que mais lágrimas surgissem. Controlando a respiração, Lucy finalmente tomou coragem para olhar a pulseira presa em seu punho.

Entre soluços, balbuciou:

– Eu me lembro de você agora, Antônio. Lembro como se fosse aquele dia. E me lembrarei para sempre.

E ela ficou ali, observando cada um dos pingentes por incansáveis vezes enquanto esperava aquela uma hora recomendada pelo doutor passar.

Notas finais
E aí, gostaram? Espero que sim. Bem, qualquer coisa, comentem que eu respondo assim que der. "Ai, nossa, e aquela parte ali falando de Harry Potter?". Sim, eu sou fã de Harry Potter. E com muito orgulho. O próximo sai mais rápido que esse, viu? Ah! Obrigada por lerem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.