Elisy Lovefair - One-shots collection
1 The Beginning Of The End
Notas iniciais
“Andei pensando em meu passado e tudo o que me trouxe até aqui, cada elemento que compôs minha interminável jornada. Refleti no quanto uma época em especial me trouxe de volta de algo que me cegava em relação ao mundo e ao que eu convivia.
O inverno de 1750, ano de uma grande revolução industrial, além de um grande inimigo vindo à tona. A época em que iniciei minhas buscas por algo que me assombrou mais que todas as vozes”. Gosto de descrever esta época como “O Começo do Fim.”
19 de Novembro, 1750 – Londres – Inglaterra.
— Já se passaram três décadas, Jakeleine – dizia a elegante jovem ao encarar o horizonte a fora através da imensa janela cristalina, encoberto de neve. – três longas décadas, atrás de algo que poderia ser minha salvação, porém ao em vez disso se tornou meu maior estorvo. – se virou indo em passos curtos até a mulher, a qual parecia estar suando frio devido ao ar ameaçador da jovem seguindo lentamente em sua direção. – E até mesmo, maior que todas as vozes que me perseguem desde meu exílio dentre minhas mais profundas trevas.
— E-eu juro a você, não sei onde se encontra o Grimório de Joseph, Elisabeth. – protestou Jakeleine.
— Oh minha querida, se tem algo que odeio mais que o fato de esconderem algo de mim. – Em um piscar de olhos, Jakeleine estava colada a parede, sentindo a mão firmemente pressionada da jovem em seu pescoço. – É quando mentem para mim. – Elisabeth a encarava profundamente com seus olhos frios – Agora me conte o que sabe, pois eu não hesitaria em ter mais uma alma me perseguindo pela eternidade. – Disse ao soltar bruscamente a mulher.
— O Clã Forbene... – disparou rapidamente, quase sem fôlego – Elas armazenam todo recurso mágico... Perdido durante os séculos, elas podem estar com o livro de Joseph... – Mas te aviso, não mexa com as bruxas.
— Oh querida, claro que não. Apenas se for necessário – logo se direcionou a porta, e virou novamente para Jakeleine. – Já acabamos por agora, tenho mais coisas para resolver. Peço que não se esqueça de suas promessas anteriores, ou será pior para você... e todas as suas seguidoras.
.....
Deixando a sala, se dirigiu para fora do prédio. Logo na entrada avista um jovem impaciente vindo em sua direção.
— Nora ainda não retornou, eu abri uma exceção para ela sair, pois – disse o jovem – ela estava com fome.
— Eu deixei bem claro que ela não poderia andar desacompanhada por estas ruas! – exclamou Elisabeth – São muitas bruxas, não confio em metade delas.
— Mas são apenas bruxas Elisy, que mal poderiam fazer a uma vampira?
— Não são “apenas bruxas” – respondeu a jovem o encarando seriamente. – São clãs sobreviventes da caça na idade média. São extremamente poderosas e odeiam invasores desconhecidos andando por sua área. Digamos que isso aqui é uma reserva para elas, onde podem se exilar de quaisquer ameaças. Se por acaso encontrarem Nora sozinha... Céus, vamos logo Ethan. – logo se avistou o arrastando para o norte da reserva.
Já não era a primeira vez em que Nora ia contra qualquer ordem imposta a ela, e Ethan também não facilitava as coisas, pois sempre queria poupar a irmã mais nova. Elisy chegava a pensar que enlouqueceria por conta dos irmãos caçulas, mas desde sua fuga do reino de Eel, proteger as únicas pessoas em que ainda podia confiar era o máximo que poderia fazer para quitar um débito interno.
— Fique atento aos prédios e becos. – ordenou Elisy – Ela pode ser teimosa, mas é bem previsível em relação a sua caça por sangue...
De repente um grito pairou como uma faca o ambiente pouco movimentado.
Uma pontada fria no peito de Elisy a trouxe de volta a realidade, e logo ela seguiu na direção do som.
— ELISY! – exclamou Ethan.
Mesmo com o irmão a chamando, não virou para trás. Localizou o som vindo de um beco completamente vazio.
“ótimo” pensou ela “fui atraída para um beco”.
Depois de examinar a área deu meia volta, quando de repente sente uma presença desconhecida atrás e, se vira para olhar em seguida. Ela rapidamente avista uma estranha criatura esguia com grandes caninos afiados, de relance a lembrou um lobo, mas ao olhar bem, pensou ter visto uma língua de serpente aparecendo entre os caninos, e em seus braços, estava Nora.
— Elisabeth Lovefair— diz a espécie de lobisomem e cobra — Incrível como o passado pode vir à tona. – o tom de sua voz raspava em seus ouvidos como lâminas.
— Quem é você? – Elisy tenta encarar a criatura, mas não consegue tirar os olhos da irmã.
— Quem sou eu? Ora, digamos que a lembrança de um fantasma do passado.
— Solte ela.
— Oh não, temos assuntos para resolver. – disse.— Ela pode ouvir se quiser, serve para todos. – Ao olhar para o lado solta um leve sorriso travesso. – Junte-se a nós, Ethan. Será divertido.
Elisy localiza o irmão. Já com o receio do que pode vir acontecer, sussurra:
— Fuja.
— NÃO! – exclama a criatura que por um simples olhar, lança Ethan em direção à grade, onde fica empalado por uma longa ponta solta. – Irão ouvir o que tenho a dizer, por bem ou por mal.
— ETHAN! – já em desespero, ela se volta para o bizarro lobo – O QUE VOCÊ QUER? Diga, ou farei questão de resolver isso por mal.
O ar frio do entardecer se fez tornar difícil respirar. Cada segundo encarando seus irmãos naquele estado e sem poder agir, a deixava furiosa consigo mesma. Tanto tempo evitando isso, para um ser desconhecido simplesmente aparecer e destruir o pequeno período de “paz”.
— Tenho um recado, de alguém que conhecem bem. – começou a criatura. – diz a vocês para pararem suas buscas e aceitarem a sentença. Porém, caso irem contra sua vontade, a mesma tratará disso pessoalmente, e garante que será doloroso.
— “A mesma”? – perguntou desconfiada – quem?
— Tome o rumo errado, e irá descobrir.
— Chega de enigmas, fale logo sua besta!
Elisy em seguida sentiu farpadas dentro de sua cabeça, que se tornaram uma dor aguda agonizante, pressionou a cabeça entre as mãos na esperança de abafar a dor, mas sem sucesso. Sentiu diversos sussurros ecoando pela sua cabeça, sussurros nervosos, aterrorizados e cruéis. Vozes que ela infelizmente conhecia bem.
— Garota tola. – disse o lobo com desdém – Vejo que arrumou uma forma de aquietar as almas em sua mente. Mas, fico feliz em dizer que estão livres para lhe fazer companhia novamente.
As vozes.
Quem mais iria saber de sua punição? Ela sempre manterá isso entre ela e seus irmãos, no máximo Jakeleine. Como um desconhecido poderia estar sabendo disso? Para quem ele trabalha?
Elisy começa a se sentir fraca e logo apaga.
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— Isso é loucura mãe, a corte irá descobrir – protesta a jovem – Não quero minha família prejudicada por conta de uma aberração sedenta...
— Não fale assim de sua irmã, Kaily – rosna Lyeanie – Ela merece a família ao seu lado, ela não tem controle, entenda.
Sentada ao lado da cortina que separava os cômodos, ela escutava a mãe e sua irmã discutindo por seu destino. Tudo aquilo deixava a jovem Elisabeth com um grande ressentimento. Sua irmã sempre falará sobre ela com ódio na voz e um incontestável desdém.
— Não tem controle? EU não tenho controle – rebate Kaily – mas eu não saio matando pessoas por isso, ela sabe o que faz, e gosta. ELA que tem que entender não eu.
— Como você se atreve a atacar a própria irmã? O QUE TE AFLINGE?!
— O QUE ME “AFLINGE” É O FATO DELA TER A CAPACIDADE DE DESTRUIR ESTÁ FAMÍLIA E AINDA SER AMADA POR ISSO.
Um breve silêncio emana da sala.
— Talvez seja você quem realmente destruiu esta família. – diz Lyeanie por fim.
Elisy tenta processar tudo o que escutou, paralisada.
— Lizzy? – chama uma voz familiar.
Elias. Ela não deixou de agradecer internamente por ele aparecer.
— Ei, vamos sair um pouco daqui. A corte está em reunião, então podemos sair tranquilamente – diz Elias.
— Claro... Eu preciso de ar puro. Vamos.
Logo acompanha o irmão para fora da pequena casa. Ela e sua família se mudaram para lá depois de serem expulsos das instalações da corte real. Por sua culpa.
Eles logo entram na floresta ali perto. Ela começa a se lembrar das vezes em que saia para fazer trilha junto ao irmão quando crianças, e do quanto costumavam conversar. Dentre todos os seus irmãos, Elias sempre foi o mais próximo a ela, ele sabia como dizer exatamente o que ela precisava ouvir, e com um olhar já sabia o que ela estava sentindo. Ele era seu melhor amigo.
— Kaily está cega pelo poder que conquistou. – ele começa – Ela deixou de se preocupar com a família á muito tempo, ela pensa que te punir seja a solução.
— Engraçado – comenta Elisy – Depois de todo o inferno que causei a vocês... Continuam me protegendo. De uma forma contorcida, até que entendo o lado de Kaily.
— Não deixe Kaily envenenar seus pensamentos – rebate o irmão – você foi transformada a pouco tempo, não possui controle. Você era inteiramente bruxa, seu novo lado predador é insaciável.
Em seguida Elisy para e encara o irmão.
— Ai é que está, Elias. – diz – Nem uma bruxa de verdade eu era, precisava contrair mágica de outras superfícies e criaturas e nem com isso eu possuía controle. Sempre fui essa aberração que apenas traz desgraça para a família. – suspira. – Talvez eu deva encarar o inferno que me foi predestinado. – ela dá uma breve pausa e por fim diz. – Não senti remorso pelo o que eu fiz.
Quando o irmão foi gesticular uma resposta, um estrondoso barulho os chama atenção.
— O que foi isso? – pergunta.
— Não sei – responde ela – Temos que voltar agora.
Sem protestar, os dois voltam rapidamente ao isolado vilarejo.
Ao chegarem a casa, se deparam com uma porta derrubada e cômodos revirados. Elisy começa a chamar por sua mãe e Kaily, mas sem resposta. Depois começa a se questionar do que pode ter acontecido e se lembra dos irmãos adotivos – Nora e Ethan – e entra em desespero. Ao voltar a si, procura por Elias que havia saído do cômodo sem ela perceber.
— Elisabeth Dianne Lovefair, se retire e apresente-se ao conselho. – ordenou uma grave voz vinda do lado de fora.
Desconfiada, ela seguiu para fora da casa e se depara com um enorme grupo e detidos por eles, sua mãe e seus irmãos. O porém é que Kaily estava junto ao grupo, intacta e inexpressiva.
— O conselho decidiu que devido a gravidade de seus atos, uma punição mais severa deverá ser aplicada. – um homem com chifres se pronuncia – E como sua família possui relação com tais ações, será igualmente punida. Exceto Kaily, que mostrou ser útil a corte nos fornecendo informações sobre as inflições da família.
Elisy sentiu um indescritível sentimento de ódio queimar em suas veias.
— Tomamos a decisão unanime de sentencia-los a uma maldição, como forma de punição – diz Kaily.
“Tomamos”?
— Pedimos que a senhorita Merlocy se apresente e inicie o feitiço – continua.
Uma esbelta mulher sai do meio do grupo, seu olhar era vazio e aparentava ser uma anciã por conta de seu traje trabalhado em desenhos em linho e um manto purpura. As bruxas anciãs eram sempre as mais bem vestidas.
De repente dois guardas vão na direção de Elisy e a fazem se ajoelhar. A bruxa retira uma espécie de livro, pela aparência parecia um velho diário. Em seguida um círculo em chamas se ergue.
— Preciso do sangue da garota – diz Merlocy.
Kaily segue rapidamente na direção da irmã empunhando uma adaga, ela pega seu pulso e faz um profundo corte que começa a sangrar no mesmo instante.
— Pegue o quanto precisar – diz Kaily.
A bruxa se aproxima e aperta o pulso de Elisy, fazendo o sangue cair sob o diário. A jovem ruge de dor.
Merlocy começa a pronunciar um cântico em uma língua estranha, e a cada frase o fogo ficava mais alto e ardente.
— De agora, até o seu último suspiro – exclama a bruxa – toda pessoa dentre os mundos ou criatura destas terras que tiver a vida tirada por esta família, suas almas irão persegui-los e assombra-los, até o fim de seus dias. – por fim, diz – e não há reversão alcançável.
Diversas vozes começam a ecoar na mente de Elisy e a mesma começa a gritar em agonia. Eram vozes cheias de ódio. Mas nada daquilo superava a dor que sua irmã causou, a pessoa que estava disposta a tudo para fazê-la sofrer, a todo custo. Tudo isso despertou um sentimento que outrora ela nunca sentiu antes, um sentimento mais agonizante que todas as vozes. Traição.
A partir daquele dia, o ódio por Kaily cresceu, e a sede pelo sangue também.
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— Elisy?
A voz familiar da irmã caçula a traz de volta de sua viagem pelo passado.
Ao abrir os olhos avista o céu estrelado, e instantaneamente lembra de todo o ocorrido e se levanta em um pulo.
— Esta bem? Como se sente? – pergunta a irmã
—Sinto que deveríamos sair daqui. – responde. – onde está Ethan? E a criatura?
— Esta descansando logo ali – diz apontando para o canto do beco. – A criatura se foi assim que você apagou.
— O acorde e o leve para um local seguro, e não se atrevam a sair depois.
Nora se levanta em seguida olhando receosa para a irmã.
— Você não vem? O que aconteceu?
Elisy olha finalmente para ela e responde com um remorso na voz:
— Kaily – diz – Kaily aconteceu.
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