Elfen Lied – Um Novo Futuro

3 Capítulo 3 – Almoçando “Em Família”


Notas iniciais
Lá vai o Terceiro Capítulo... Partiu!

Kouta pegou uma blusa fina branca e uma calça tactel preta para Miguel se trocar.

– Melhor você tomar um banho. – disse Kouta.

– Tá ok. – disse Miguel. – Onde fica o banheiro?

– Te levo lá.

Kouta o levou até a porta.

– Muito obrigado. – disse Miguel.

– De nada.

Ele entrou e Kouta foi para a sala de jantar, esperando pela comida.

– Já tá saindo! – gritou Yuka na cozinha.

Ela preparou tudo junto com Hiromi e levaram à mesa. A comida era arroz, carne cozida com batata e salada. A carne estava com ótima aparência e cheiro. Ambas as cozinheiras estavam usando um avental.

– Isso é Kobe?¹* – perguntou Kouta, muito impressionado.

– Sim. – respondeu Kurama. – Comprei um pedaço especial para hoje.

Todos ficaram admirados com aquilo. Yuka e Hiromi tiraram os aventais e sentaram a mesa.

– Bem, não podemos esquecer que estava na promoção. – disse Hiromi.

– Podia ter omitido essa parte... – suspirou Kurama.

Eles colocaram tudo na mesa e esperaram Miguel.

– Desculpe a demora. – disse ele, entrando no cômodo. Ele olhou em volta e viu que ninguém havia tocado na comida. Ainda usava a corrente no pescoço. – Por que vocês não estão comendo?

– Seria falta de educação não te esperar. – disse Mayu.

Miguel ficou meio constrangido com aquilo. Ele se ajoelhou e eles agradeceram.

– Itadakimasu! – disseram eles.

– Itadakimasu... – disse Miguel bem baixo.

Todos começaram a comer, mas Miguel abaixou a cabeça e fechou os olhos por alguns segundos. Depois, começou a comer.

A cada mordida, a maior sensação de prazer que uma comida poderia dar a alguém.

– Que carne é essa? – perguntou Miguel, maravilhado. – Isso é divino!

– Não é pra menos! – disse Kouta, da mesma forma. – Carne Kobe preparada por duas mulheres boas de cozinha, é claro que ia ficar bom!

Hiromi pareceu nem ligar, mas Yuka ficou corada.

Eles comeram, conversaram e se divertiram.

– Quer dizer que ela caiu em cima de você? – perguntou Kurama, rindo. – Essa Nana...

– Ah, Papa! – disse ela, chateada. – Não fala assim...

Continuaram a conversar e brincar. Mariko estava com cara de sono.

– Quer dormir um pouco? – perguntou Mayu quando a menina bocejou.

– Posso? – perguntou ela, com os olhos cansados. – Onde?

– No meu quarto. – disse Mayu.

Miguel estava caindo de sono também.

– Você também, Miguel. – disse ela, olhando para ele.

– Eu não quero incomodar. – ele bocejou enquanto falava.

– Claro que não. – disse Mayu, levantando.

Ela os guiou até o quarto e colocou cada um em uma cama, uma do lado da outra. Depois, apagou a luz e fechou a porta.

– O que vamos fazer por enquanto? – perguntou Kanae, surgindo ao seu lado. Ela estava apoiada na parede. – Eu queria deitar também, mas eles já estão lá.

– Você pode deitar se quiser. – disse Mayu.

– Junto com um garoto? Não... – ela não gostava nem um pouco da ideia.

– Ele já está dormindo. – disse Mayu, não gostando do que ela disse. Ela também se apoiou na parede. – E se acha que ele faria algo com você, eu tenho certeza que não. Ele parece muito bondoso e inocente pra isso.

Kanae deu de ombros.

– Tanto faz! Vou dormir também...

Ela abriu a porta e ia entrar, mas parou na porta mesmo.

– Por que você parou? – disse Mayu, indo logo atrás dela.

Mariko estava abraçada com Miguel, tremendo, ainda de olhos fechados, e Miguel passando a mão em seu cabelo, ambos deitados.

– Miguel! Onde você está? – perguntava a menina, como se estivesse tendo um pesadelo.

– Estou aqui. – disse ele, em seu ouvido.

– Papai está com você? – perguntou.

– Sim. – disse ele.

– Aqui é escuro. – disse ela, tremendo. – Escuro, frio, assustador. Ouço vozes... – ele cortou a fala dela.

– Não ouça as vozes. – disse ele, tentando acalma-la. – Elas querem te fazer mal. Não ouça o que elas dizem.

– Eu sei! Eu sei! – começou a gritar. – Eu não quero ouvi-las, mas elas não param!

– Fica calma. Pense em seu pai, junto com você, te protegendo. Ele sempre irá te proteger. – ele falava em um tom muito calmo e dócil. – E eu sempre estarei aqui.

– Promete? – perguntou ela.

– Prometo.

Ela foi se acalmando. Começou a dormir tranquilamente e se soltou de Miguel. Ele se levantou e saiu do quarto, deixando ela dormir.

– Vocês viram o que houve? – perguntou, fechado a porta.

Elas assentiram.

– Ela tem tido vários pesadelos ultimamente. Vozes dizem para ela matar a todos, mas ela sabe que não deve. Isso faz com que o consciente dela lute contra seu subconsciente. Assim, ela tem tido pesadelos quase todos os dias. Sempre chama por mim ou pelo pai.

– Isso não tem tratamento? – perguntou Kanae.

– Não. Isso é culpa do vírus, que afeta todo o sistema mental dela. Ela já era uma assassina há algum tempo. Largar isso e ficar comportada de repente fez seu cérebro entrar em curto.

– Que isso! – disse Mayu, assustada.

– Eu dei um jeito por enquanto. Eu fingi estar com sono só pra certeza que isso não ia acontecer, mas aconteceu. Agora ela deve dormir direitinho. Vamos descer pra não acorda-la.

As meninas assentiram.

Lá embaixo, Nana e Kurama estavam conversando, mas parecia que só ela falava e ele escutava.

– ... E o professor apareceu do nada atrás de mim e me deu um susto, falando: “Um monstro? Você não sabe o que é um monstro...”. – disse Nana, como se aquilo fosse verdade.

– Entendo. – disse Kurama. – O Akira sempre foi muito perigoso. Estudei com ele e sei do que ele é capaz...

Miguel se aproximou de Kurama com todo o respeito e cochichou em seu ouvido:

– Aconteceu de novo...

Ele se afastou e Kurama assentiu.

– Bem, se é assim, acho que está na hora de irmos... – disse o homem.

– Já? – perguntou Nana, chateada.

Kurama olhou para Hiromi, que estava conversando com Yuka sobre coisas de mulher e parecia que ia demorar. Mariko ainda estava dormindo lá em cima. Era uma e meia da tarde.

– Bem... Acho que podemos ir daqui a pouco...

Ele se aproximou de Miguel e disse para ele:

– Fique de olho.

– Ok.

Miguel foi até a varanda da frente, onde estava seu par de tênis pretos com listras azuis. Eles estavam sujos por causa dos “acidentes” que aconteceram enquanto brincavam.

Miguel se sentou e pegou o celular, um pouco antigo, no bolço da calça, junto com o fone de ouvido. Ele pôs os fones e ficou lá, olhando o céu azul, sem ter o que fazer.

Mayu e Kanae foram até ele e se sentaram ao seu lado. Wanta, que já estava ficando maior, se deitou em seu colo.

– Parece que está tudo indo bem agora. – disse ele. Depois, se virou para a direita, onde estava Mayu – Posso deitar aqui?

– Claro. – disse ela.

Ele se deitou e ficou olhando para o alto junto com as meninas. Enquanto isso, Lucy estava lavando a louça.

– Sempre assim! Sujam tudo e deixam pra mim! – reclamava ela, enquanto lavava os copos.

– Disse alguma coisa? – perguntou Yuka, na porta da cozinha.

– Não, nada! – mentiu Lucy.

Depois de lavar toda a louça, ela procurou o por Kouta. Olhou nos quartos, na sala, no banheiro, em tudo, e não achou. Então, ela foi até o portão da casa, passando pelas crianças.

– Onde está o Kouta? – perguntou para Mayu.

– Acho que ele saiu. – disse ela. – Ouvi ele dizendo que ia comprar algo que tínhamos esquecido.

Lucy saiu, deixando eles na varanda. Kanae se sentiu um pouco curiosa do porque de Lucy estar procurando seu irmão, mas deixou pra lá. Decidiu descobrir outra coisa.

– O que você está ouvindo? – perguntou ela, tirando um dos fones dele e colocando no ouvido.

– Oficina G3. – disse ele, desencachando o fone e deixando a música tocar baixo. – O nome dessa música é “O Tempo”.²*

A música estava em português, então elas não conseguiram entender a letra. Os instrumentos tocavam muito calmamente e a voz do rapaz que cantava era também muito calma.

– O que ele está dizendo? – perguntou Mayu.

– Ele está dizendo: “O tempo se vai, mas algo eu sempre guardarei... O teu amor, que um dia eu encontrei...” – ele ficou meio sem jeito ao traduzir aquelas palavras. – Bem, o resto da música tem esse estilo mesmo...

Ele ia colocar o fone novamente, mas Mayu o impediu.

– Deixa tocando mais um pouco. – disse ela.

– Ok. – disse ele.

Enquanto isso, Lucy andava pelas ruas da cidade a procura de Kouta.

– Kouta! Kouta! – gritava Lucy pela cidade.

Ela o procurou incessantemente, até o encontrar em uma loja de doces.

– Kouta! – disse ela, abraçando ele por trás.

– Nyu? – perguntou ele. – O que está fazendo aqui?

– Eu estive te procurando. – disse ela, soltando-o.

– Lucy? – perguntou ele.

Ela assentiu. Kouta pagou a conta, pegou os doces e puxou ela para fora.

– Por que estava me procurando?

Ela ficou triste ao perceber que ele havia esquecido.

– Você esqueceu... Você ia me levar no cinema hoje. Você tinha prometido.

– Bem... Eh... – ele ficou sem jeito. – Houve a reunião e tudo mais... Posso te levar amanhã?

– Ok. – ela melhorou um pouco. – Tudo bem.

– Agora, vamos pra casa? – ele estendeu a mão para ela.

– Vamos. – disse ela, dando a mão a ele.

Enquanto andavam, uma duvida surgiu.

– O que você foi comprar?

– Mais doces e alguns biscoitos. – ele levantou a sacola. – As meninas comeram todos os outros.

Eles foram pra casa. Era três e meia da tarde.

Em casa, Mariko havia acordado.

– Miguel? – chamou ela, descendo a escadaria.

– Sim. – disse ele, correndo até lá.

Mariko estava com o rosto sujo de baba. Ela desceu a escadaria e foi até Miguel.

– Como foi o sono? – perguntou ele, limpando a baba dela com um lenço que estava em seu bolço, que ele provavelmente trouxe de casa.

– Bom... – disse ela. – Eu comecei tendo pesadelos, mas ouvi a sua voz e tudo melhorou.

– Entendi. – disse ele, fingindo não saber de nada.

– Você me disse no sonho que sempre estaria comigo. – disse ela. – Promete?

Ela estendeu o dedo mindinho para ele.

– Prometo. – disse, colocando o dedo junto ao dela.

Ele a pegou no colo e levou pra fora.

– Girando! – gritou ele, girando sem parar com ela no colo.

– Eba! – gritou ela.

Depois de alguns segundos, ele a colocou no chão.

– Está na hora de ir. – disse. – Vamos falar com seu pai.

– Já? – perguntou ela, chateada.

Ele foi até Kurama, que estava na sala, assistindo uma partida de baseball.

– Kurama. – disse ele. – Está na hora de irmos.

Kurama tirou os olhos da TV por um instante e olhou para Miguel.

– Nós vamos dormir aqui hoje. – disse Kurama. – Já resolvemos com seu irmão.

– Já? – perguntou ele, assustado.

– Já. Eu e a Hiromi vamos dormir no mesmo quarto. Mariko vai dormir com as meninas. E como sabemos... – ele fingiu tossir para não falar na frente de Mariko. – Você vai dormir com elas também, por falta de espaço.

Miguel ficou boquiaberto enquanto Kurama se voltava para a TV. Miguel seguiu em estado de choque até a varanda, onde estavam Kanae, Mayu e agora Nana, junto com Wanta.

– Meninas. – disse ele. – Eu e Mariko vamos dormir com vocês esta noite.

Elas pareceram achar que era brincadeira, mas ele continuou com cara de sério.

– Como assim? – perguntou Kanae. – Eu que não durmo junto com um homem no mesmo quarto!

Mayu tentou ficar entre os lados, para fazer um acordo.

– Bem, podemos fazer assim: Eu, você e Nana ficamos com um lado do quarto e eles dois ficam com o outro lado.

– Pode ser. – disse Nana. – Eu fico mais perto do lado deles. Uma gracinha e eu derrubo ele.

– Tudo bem. Mas...

Eles chegaram ao fim da discussão. O tempo pareceu passar rápido. Logo estava anoitecendo. As meninas, Hiromi, Yuka e Lucy foram tomar banho. Os rapazes ficaram na cozinha, preparando o jantar.

– Você é bom com isso, Miguel. – disse Kurama, colocando a carne na panela.

– Obrigado. – agradeceu, enquanto cortava as verduras e os legumes. – Eu sempre ajudava minha avó e meu irmão mais novo na cozinha.

Eles preparavam o resto da carne Kobe, enquanto as meninas tomavam banho. Todas estavam sentadas na banheira coberta de espuma.

– Nossa! – disse Nana, cutucando os peitos de Hiromi. – Como faço para ter peitos tão grandes?

– Quando crescer, eles vão aumentar. – disse Hiromi, não ligando para as cutucadas. – Não se preocupe.

Mayu logo olhou para baixo, para seus pequenos seios. Mariko estava brincando na água, perto de Yuka, quando Nyu a pegou por trás e começou a fazer cócegas.

– Para! Para! – gritava ela, tentando se soltar de Nyu.

– Nyu! Nyu! – dizia ela, fazendo cócegas.

– Mãe! Me ajude!

Hiromi levantou as mãos, em sinal de impotência. Nyu era uma força da natureza que não podia ser parada.

Os rapazes levaram 20 minutos para preparar a janta e esperaram mais 20 pelas meninas. Todas estavam de pijamas. Yuka havia emprestado um para Hiromi, de camisa branca e calça rosa. Mariko estava usando uma camisa azul de Kouta como roupão.

– Minha camisa? – perguntou Kouta, triste. – Mais uma?

Todas foram até a sala de jantar, onde a mesa já estava posta.

– Itadakimasu! – disseram todos.

Miguel novamente ficou quieto alguns segundos antes de comer. Depois disso, foi a vez dos rapazes tomarem banho. Eles demoraram 10 minutos e já estavam saindo.

– Ainda não me acostumei com isso de tomar banho de banheira. – disse Miguel, saindo do banheiro e enxugando a cabeça. Estava com um pijama emprestado por Kouta, camisa branca e calça azul.

– Logo você se acostuma. – disse Kurama, saindo logo atrás. Estava com um pijama todo preto, emprestado por Kouta.

Kouta saiu com um pijama verde com branco, tanto a calça quanto a camisa.

Kouta foi para seu quarto. Kurama também. Miguel ficou na frente do quarto, com certo receio de entrar. Ele ouviu algumas coisas estranhas e um grito de Mariko:

– Para! Para!

Ele entrou de olhos fechados. Quando abriu, viu Nyu fazendo cócegas em Mariko, que estava deitada tentando dormir.

– Para com isso!

– Nyu! Nyu!

Ele foi até o outro lado do quarto, onde havia uma cama preparada para ele.

– Boa noite. – disse ele, se deitando.

Mariko se deitou ao seu lado. As outras se deitaram também. Nyu havia decidido dormir com eles naquela noite. Mayu foi à última a deitar, para poder apagar a luz. Ela observou Miguel e Mariko, abraçados no canto do quarto, e se deitou.

Naquela noite, por incrível que pareça, nada aconteceu.

Notas finais
Notas: ¹*: O Bife Kobe é considerado uma das melhores e mais caras carnes do mundo. Ela é produzida no Japão e cada quilo pode custar mais de R$ 500,00. ²*: Eu não sei se posso colocar esse tipo de citação, então, se acharem que não devo, me avisem. Mais alguma dúvida? Perguntem!