Elevador

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Essa história é dedicada a uma grande amiga/irmã/"noiva"/parceira que faz parte da minha vida e que hoje completa aniversário! ( dia 1 de maio)!
Esse é meu presente...Apesar da distância... Que nos separa, o amor e amizade permanecem firmes e eternos se forem verdadeiros!
Parabéns Undertake ( Kawa Mendes) Que tenhas muitos anos de vida e felicidade! Que continue sendo a fofa e amiga que és!

“Encontrei meu amor.

No elevador.

Subindo, descendo,

apertando botões.

Saindo apressado

pelos corredores.

Olhares furtivos, desculpas.” ( amor de elevador)

Caio suspira casando , nem notava o que estava sua frente, estava na sua forma ”zombie” como sempre brincava, mas de fato parecia um, olheiras por debaixo dos olhos verdes cansados , cabelos despenteados , mas do que o normal, afinal seus cabelos eram cacheados e muitas vezes rebeldes e o rapaz simplesmente desistia de penteá-los de manhã...E como sempre perdia o horário para o trabalho , o cabelo despenteado se tornou sua marca registrada... Todavia, aquela manhã era diferente, além disso, sua roupa estava desalinhada, cambaleava pelos corredores da firma meio que desorientado ,agradecia por ser o primeiro a chegar, isso daria tempo para acordar de fato.

- Isso tudo é culpa dele... – Resmunga quando chega ao elevador apertando o botão – Esses prazos malucos que ele impõe ...Parece que tem satisfação de me ver sofrer! Só pode!

Adentra no elevador quando suas portas se abrem, se escora na parede deste e suspira novamente, desta vez de tristeza. “ Ele não era assim no passado...” relembra. Quem era esse tal de “ele” que tanto se referia? Era o seu chefe... E além disso era seu ex-melhor amigo da infância... Caio simplesmente não entendia como ele mudou tanto nos anos em que se afastou de sua cidade natal, quando retornou percebeu que muitas coisas tinham mudado , uma delas era a amizade...Parecia que não existia mais...

- Droga... – Diz irritado dando um soco na parede do elevador, estranhou o fato das portas ainda não terem fechado, busca o botão para que a operação seja desempenhada , contudo antes que o aperte.

- Espere! – Uma voz conhecida o fez interromper a sua ação, Caio olha para porta e percebe o seu “chefe” se aproximando.

“Ah...Não...Não quero encontrá-lo logo de manha ...Principalmente agora que estou tendo meu momento de nostalgia!” Aperta o botão de fechar, mas a mão do chefe impede que as portas fechassem, para a infelicidade de Caio.

- Você por acaso apertou o botão de fechar ...Quando eu disse claramente que era para esperar? – Pergunta o jovem de cabelos loiros e olhos azuis penetrantes , ele era 5 centímetros maior que Caio, algo que o irritava ainda mais , pois no passado era Caio que era o maior.

- Imagina... – Mente descaradamente forçando um sorriso falso – Eu confundi o botão! São tão parecidos!

- Sei... –O chefe adentra e as portas finalmente fecham. Um silencio se instaurou no recinto.

- Então... Hoje vai chover? – Pergunta o chefe quebrando o gelo do momento.

-Ah? – Caio o encarou confuso – E-eu não sei...Afinal...EU não tive tempo de olhar o noticiário ...Digo...Não sei...

- Pois eu também não olhei... Mas sei que vai chover...- Sorri, aquele sorriso fez o menor ficar mais irritado com a presença do outro. “ O que ele quer dizer com isso? É uma pergunta com outro significado?”.

- Por que?

- Caio Rodrigues chegou cedo , antes do horário do trabalho... Impressionante! – Diz simplesmente – Apesar de que o seu modo de vestir continua o mesmo...

- E-eu não pedia sua opinião! Eu talvez tivesse me arrumando mais se não tivesse me mandando um relatório para fazer ontem quando eu estava saindo do escritório para entregar hoje de manhã! Eu passei a noite toda fazendo! – Falou Caio explodindo de raiva, o chefe o olhava impassivo.

- Oh...Então você acreditou mesmo que o relatório era para hoje... – Sorri novamente , aquilo já era o limite ! Caio não podia simplesmente aceitar aquilo! Avança sobre o outro pronto para bate-lo.

As luzes do elevador se apagam e o mesmo começa a balançar, Caio se agarra no outro assustado. Esse seria o seu fim? Morreria virgem com apenas 24 anos?! Não! Tinha tanto ainda para fazer ... Não queria partir desta forma.

- Oi...

Nem tinha entregado os vários DVDs alugados para a locadora, ainda tinha os livros do Senhor dos Anéis para ler, ainda nem saíra do primeiro capítulo do primeiro livro...

- Oi...Caio...

E seu gato? Como iria sobrevir sem ele? Esse seria o fim do gato gordo! Quem iria querer um gato velho e com problemas de obesidade e hipertensão?!

- CAIO!

Uma voz o fez voltar a si, o local ainda estava meio escuro, uma luz de emergência sobre a sua cabeça iluminava o pequeno cubículo. Então não tinha morrido?

- Estamos vivos? – Pergunta confuso, nota o quão abraçado ao chefe, cora, empurra o outro de si – Por que você está abraçado a mim?

-... Foi você que me abraçou ...Idiota... – Resmunga o outro – E respondendo a sua pergunta estúpida ...Estamos vivos!

- M-mas...O que aconteceu?!- Iria ignorar o sarcasmo oriundo do chefe, afinal estavam em uma situação critica.

- O elevador parou, deve ter tido uma queda de energia...

- Ai não! Vamos ficar presos aqui!? Por quanto tempo?! – Caio estava começando a ficar desesperado.

- Não muito... Daqui a duas horas será o horário dos funcionários chegarem, então só teremos que esperar esse tempo, estou sem sinal no celular... – Explica calmamente o outro.

- DUAS HORAS? – Não era possível?! Ele não conseguia ficar nem poucos minutos na presença do seu chefe e agora teria que aguentar duas horas inteiras?!

- Não precisa gritar , sabia? Esse espaço é pequeno e o som da sua voz iria ressoar! – Reclama olhando calmamente seu celular.

- EU POSSO GRITAR O QUANTO EU QUISER! ISSO TUDO É SUA CULPA?- Branda o menor fazendo questão de caprichar no grito.

- Minha culpa? – O loiro tapa os ouvidos – O que eu tenho haver com o fato do elevador quebrar?

- Sim! A sua culpa! Se não tivesse me enganado sobre o relatório eu teria dormindo a noite toda e não teria vindo tão cedo para o trabalho...Logo, não ria ficar preso no elevador com você!

-Entendo, mas o truque do relatório era para ver se chegava cedo... E deu certo! O fato do elevador quebrar e ficarmos presos não está relacionado a mim! – Defende-se.

- C-como não!? Droga... Eu podia estar dormindo!

- Pois nada te impede de dormir aqui... – O liro aponta para chão. Caio o encara irritado.

-Está um-muito escuro... – Resmunga baixo.

- Não acredito....- O chefe começa a rir alto, o moreno fica surpreso, nunca vira o outro rir deste jeito.

-E-ei...Pare de rir!

- V-você ainda tem medo do escuro?! – Fala ainda em meio a sua crise de risos.

“Ele...Ele se lembrou disso?!” Fica pasmo com ofato que ate tinha esquecido que o loiro estava rindo dele...Vem , Caio logo retorna a realidade e a irritação transborda em seu interior.

-Eu não tenho...Só me sinto desconfortável...- Resmunga uma resposta – E eu vou deitar sim!

- Só quero ver! – Provoca o loiro ganhando um olhar enfurecido do menor.

-Pois verá! – Se senta no chão do elevador, tira o seu casaco e dobra formando um travesseiro na qual se deita – Vou dormir! Idiota!

- Não se preocupe ...Vou velar pelo o seu sonho Caio...

“ Por que ...Por que me sinto mais seguro perto dele, se eu tivesse ficado preso no elevador sozinho...Tenho certeza que eu iria endoidar! Mas... Com ele, ate a escuridão parece menos assustadora... Mas o que eu estou pensando?! Ele é o meu chefe! Me enganou! Não deveria me sentir seguro !” Todavia era segura que sentia o que o levou ao sonho.

~lembranças~

- Você não deve ir embora! – Um garoto de por volta 9 anos de idade, bochechas rosadas, continha as lagrimas enquanto olhava para o amigo, outro garoto, um pouco mais alto, de cabelos castanhos encaracolados.

- Sinto muito...E-eu também não queria ir... Mas meu pai foi transferido... – Choraminga o pequeno Caio, lágrimas escorriam de sua face infantil.

- Mas...Mas assim...Não seremos mais amigos!- Agora era vez do loirinho choramingar.

- Não! Eu nunca vou deixar de ser seu amigo! Apesar da distância ! Nunca! – Fala o moreno – Meu pai disse que amizades verdadeiras duram para sempre!

- Sério? – Enxuga as lágrimas – Não vai me esquecer?

- Nunca! – Fala determinado o outro – E você vai me esquecer?

- Nunca! Você é meu melhor amigo Caio... – Sorri.

- Sim...Você é meu melhor amigo também Eduardo ...- Devolve o sorriso – Prometo que iriei retornar ! Você ira me esperar?

- Sim! Sempre irei te esperar! – Confirma o loirinho.

- Caio! Vamos! Temos que arrumar as malas! – Uma voz chama do fundo da casa, Caio sorri tristonho para o amigo que entende a situação, aquilo poderia ser um adeus, mas com a promessa feita o destino e a força de vontade os faria de novo se reencontrar.

~Lembrança~

- Eduardo... – Resmunga em seu sonho Caio , o loiro o fita interessado .

- Faz tempo que não me chamas pelo o meu nome... – Resmunga , isso fez o moreno acordar de sobressalto.

- Ah?! – Encara o outro ainda meio sonolento – O que disse?

- Meu nome... Você nunca diz...

- Oh...- Cora com o fato – Bem... Você é meu chefe... Nenhum de seus subordinados o chama pelo o primeiro nome.

- Mas mesmo fora do trabalho você não me chama pelo o meu nome...

“ O que ele está fazendo? Por que está tão preocupado com o fato de eu não falar o nome dele?” Pensa o moreno.

- E dai? Não é como se fossemos amigos!

- E não somos? –Pergunta como se aquilo o surpreendesse.

- AH? Lógico que não somos...Não mais! Você me abandonou! Quando voltei...Mesmo que tenha passado anos ... Você nem me deu bola...Na escola , na faculdade ...Sempre me evitando – Engole o choro – E por que? Eu ate tentei me aproximar e você sempre me afastava! E agora me vem com essa história de sermos amigos? Você esqueceu a nossa promessa! Você... Eliminou a nossa amizade! E-eu ...Eu te odeio!

Eduardo tapa a boca do outro antes que falasse mais coisas desnecessárias. Um silêncio se estalou no local, a única coisa que o quebrava eram os soluços de Caio.

- Desculpe... – Diz o Loiro quebrando o silencio – Eu tive os meus motivos para não ir ao seu encontro... Eu nunca esqueci a promessa Caio... Nunca! Você voltar foi a coisa mais importante que ocorreu na minha vida!

Caio tenta expressar sua opinião , contudo a boca tapada o impede.

- Você não mudou nada desde aquela época... – Continua a falar o chefe ignorando os resmungos inaudíveis de Caio – Continua sendo relaxado, medroso, chorão...Dócil...Amigo... Perseverante... Mas eu mudei...

A mão foi retirada da boca do moreno, mas este não fala nada...Ainda estava tentando entender o que se passava , digerir as informações novas... Todavia, se sentia feliz em saber que não fora esquecido.

- Como assim...Mudou?

Eduardo sorri de forma amargurada.

- Muita coisa me aconteceu quando você partiu...Minha mãe morreu, meu pai se casou com outra mulher, muito ambiciosa e que já tinha filhos, ela competia com atenção do meu pai , além de propositalmente me afastar dele e colocar os filhos dela em primeiro plano, meu pai pe donos de varias empresas , como sabes... Ela queria quem e os filhos delas fossem os herdeiros... Sofri muito... Ate alguns acidentes para provocar a minha morte...

- Nossa! Como assim? Não! – Caio estava surpreso e aterrorizado com aqueles fatos, como alguém poderia desejar algo mal para Eduardo? Ele sempre fora fofo, compreensivo, educado, tirava as melhores notas da escola! Todos os adultos o adoravam... alguém querer mata-lo...Era tão...Surreal!

- Eu acabei me tornando fechado para relações com outras pessoas.... sentia que não podia confiar em ninguém, a esposa do meu pai gostava de me fazer sofrer... Os poucos amigos que eu tive , alguns se afastavam depois de oferecerem subornos para que não falassem mais comido...Ela queria me enlouquecer... Tudo isso para que meu pai não me escolhesse com herdeiro de suas empresas... Mas , eu não queria isso...Não queria deixar que aquela mulher manipulasse meu pai e nem que destituísse o que era meu de direito...Eu estudei, contra todos obstáculos que ela criara, me destaquei, meu pai me deu um cargo de chefia de uma de suas empresas ... E aqui estou! – Sorri – Não orgulho de muito que fiz...Algumas vezes eu não me reconhecia...Eu não queria que você conhecesse esse outro Eduardo... – O loiro se cala e fica cabisbaixo, finalmente retirara um grande peso em suas costas, iria aceitar qualquer

- Ah? Estás louco!? Por que não iria gostar de você?! – Toca o rosto do outro, fazendo que este o fitasse , Caio sorria – Você continua o mesmo Eduardo...Sempre se preocupando demais e se sacrificando para o bem dos outros...Você mudou...Se tornou sarcástico, um pouco malvado e...Mais alto...- Acrescenta a ultima parte em um resmungo – Mas não deixou de ser meu amigo! Nunca irá deixar!

- Caio... – Fica impressionado com aquilo, não era a reação que esperava – Mas tem mais um problemas...

- Qual?

- Eu não quero ser mais o seu amigo...

- AH?- O moreno o encarou novamente triste, como assim não seriam mais amigos? Por que?

- Com o passar de todos esses anos... A única coisa que parecia real... Que eu podia confiar...Algo que eu desejava...Era você, um amigo verdadeiro...Um companheiro! – Sua mão acaricia a bochecha do outro que com o toque começa adquirir um tom rubro, tal como o rosto de Caio – Não te quero só como um amigo ... Te quero como amante... Eu te amo...

- A-ama!? – O moreno gagueja , Eduardo estava se confessando !?

“ Meu deus...E agora?! Não era algo que ...Eu estivesse preparado para ouvir! Tipo... Eu... Não sei o que responder”

-Eu entendo que estejas confuso... E ...Bem...É muita coisa para absorver em poucos minutos... – Diz nervoso o loiro, mas Caio não estava prestando atenção ao outro, estava imerso em seus sentimentos.

“ Nesses anos todos nunca encontrei alguém que me atraísse ... Sempre pensava no Eduardo, hora com saudades da minha infância , hora o odiando por não prestar atenção em mim”

- Não precisa aceitar isso se não quiser ... – Continua falando o outro.

“ Eu sempre desejei ... Que ele olhasse para mim... Fica feliz ouvindo a sua voz...Mesmo que não fosse direcionado a mim... Olhava minhas fotas da infância quando me sentia solitário...”

- Caio... Você está me ouvindo?

“ C-como pude ser tão idiota! Todos esses anos ... Eu não percebi?”

- Caio...Está bravo comigo?

- Idiota!

- Ah? Ei não precisa ofender! – Resmunga Eduardo.

- Não você bobo! – Ri alto – Eu...

- Agora é minha vez de ficar confuso...

- Eu não percebi... Que ...Eu também comecei a gostar de você...Não como amigo...Mas como... Algo mais...Eu...Eu acho que te amo Eduardo!

Essas palavras foram o suficiente para transformar a expressão irritada e confusa do outro em algo misto de felicidade e alivio.

- Você acha? Caio...Tem que ter certeza... Mas eu vou provar a você ...- Puxa a gola da camisa do menor o trazendo a si , antes que este reclamasse ou perguntasse algo os lábios de ambos se unem ... Aquele era o primeiro beijo... E o primeiro passo para um inicio de uma nova e renovada relação.

***

- Droga... – Resmunga Caio entrando no elevador atrasado para uma reunião, por que sempre tinha que perder os horários? Será que nunca aprendia? – Acho que o relógio não é meu amigo!

As portas do elevador iriam fechar, mas uma mão as impede, Eduardo adentra no local. O moreno cora , olha para os lados e nota que o elevador estava vazio... Não era um bom sinal.

- Está atrasado para a reunião...- Provoca o outro.

-Eu sei...E...E quem seria o culpado disto?

- Não sei... –Aproxima-se do outro, Caio tenta se afastar, todavia a parede do elevador o impede de aumentar a distancia.

- Eduardo! Espero que não faça aquilo que acho que vai fazer! – Ralha o menor tentando parecer irritado.

- O que? – O chefe aciona um botão no painel de controle que faz o elevador parar.

-AH?! Eduardo! Assim eu perco a reunião!

- Eles não podem começar uma reunião sem o chefe...- Sorri o loiro, Caio sente seu coração acelerar...Sabia que aquele sorriso não significava algo de bom – Quero passar um tempo com o meu namorado...Não posso?

-Er...Mas no elevador?!

- Foi aonde começou tudo...Por que não? – Aproxima-se ainda amis do outro, seus narizes se tocando –Esse é nosso lugar especial...

-Seu...Idiota...Só...Só 10 minutos...- Resmunga o menor, não tinha como lutar contra o outro, além disso, também gostaria de passar mais tempo com o outro, e por que não naquele espaço só deles?

- 10 minutos é mais do que suficiente... – O beijo se inicia... Aquilo era o que tinham se tornado...De amigos a amantes... Finalmente estavam juntos... Mais ninguém iria separa-los.

Notas finais
trecho do poema retirado do blog http://trashetc.blogspot.com.br/2012/09/poesia_27.html

Espero que tenham gostado ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!