Eletrocinese

1 Previsão do Tempo


Notas iniciais
Créditos de betagem: @NO0BMASTER69 (SF)
Créditos da capa: @Comedian (SF)

Os céus estavam totalmente nublados, escuros, parecia ser noite em Nova Jersey, somente nuvens carregadas prontas para começar uma chuva a qualquer momento aparentavam estar prestes a desabar ao chão. O ambiente era totalmente monótono, tedioso, parado. O que estaria causando aquilo? Alguma entidade manipuladora do tempo estava transformando-o em seu humor atual? O frio parece ser tão solitário, não é mesmo?

Em uma grande sala estava a maioria dos heróis sentados, aguardando por algo — cujo não se sabe ao certo —. Estavam com muitas dúvidas a respeito de Thor Odinson, pois segundo maioria, era o único com capacidade para manipular o tempo daquela forma, mesmo ele dizendo que a sua real especialidade era a eletrocinese.

— Acho que já está bom, Thor, entendemos o seu humor, mas não podemos fazer nada perante isso — rompendo o silêncio, Natasha disse cruzando os braços e observando as janelas.

— Quantas vezes eu tenho que dizer que isso não é culpa minha? — Já impaciente pelas acusações falsas, conforme falava o tom da voz ia sendo elevado.

— Então só pode ser quem? — questionou Natasha. — Você é o único que tem poderes ligados ao tempo e adivinha só? Está quase chovendo. O perigo é dessa água toda inundar inúmeras cidades.

— Eu não sou o único atmocinético do mundo, deve ser algo feito por outra pessoa. Você sabe que se fosse eu, estaria tendo uma chuva de raios.

Ao mesmo momento que o nórdico disse as tais palavras, rajadas de raios surgiram ao céu fazendo desenhos impecáveis, magníficos, mas como Natasha tinha dito, eram preocupantes. O som das trovoadas ecoando por detrás de Thor quando o mesmo tinha se virado de costas para a janela deixava claro que não havia como ele se defender mais daquela forma. Suspirando profundamente pela incrível coincidência, retirou-se da sala.

— Acho melhor que ele resolva esse problema — disse Clint. — Mesmo não sendo dele, como diz não ser.

Thor não sabia que outro eletrocinético existia naquele mesmo universo que ele e o melhor, não era só um eletrocinético, um manipulador de eletricidade, era como se fosse um manipulador atmosférico também, como se fosse uma pessoa idêntica a ele. E pelo visto, ela funcionava como ele, o ambiente se comportava conforme este manipulador também agia e igualmente não era nada bom ao estado emocional deste. Saindo da base, Thor queria saber quem estava fazendo tais coisas, afinal, sua confiança estava em jogo por qualquer coisa que essa tal pessoa fizesse. Conforme o tempo passava, ele analisava pelos céus a procura desse ser eletrocinético.

Era como se as nuvens o puxassem para o chão, elas eram pesadas e molhadas tal como fossem algodões encharcados, cortá-los seria como ser esmagado por pesos, mas ele ainda seguia para cima das nuvens onde o céu se tornava limpo, onde dava lugar ao Sol. O loiro estava completamente molhado feito uma pessoa recém afogada, ele suspirava fundo com seu martelo em mãos, os sinais de onde aquela magia vinha indicavam para a esquerda, mas nada aparecia. Era como se algo do corpo dele mesmo o fizesse ser atraído até aquela pessoa. Poderia simplesmente ignorar? Claro. O fez? Não.

Como dito, era sua confiança e reputação com todos os Vingadores em jogo.

Ansioso para saber quem era, por tão rígidas nuvens conseguia caminhar, olhando por todos os lados via se encontrava alguém, abaixo, seus pés eram estremecidos pelos raios que caíam. Thor se sentia cada vez mais preparado para descobrir quem era.

Eletrocinese, esse é o poder de manipulação de eletricidade, como criação de raios, trovões e eletricidade de voltagem criada por humanos. Até sendo imune por isso, era como uma bênção para Thor, o qual nascera com aquilo, tornando-se assim o deus daquele feito, o deus do trovão. Atmocinese (a cinesia e o poder de manipular os ventos, a água e etc) era uma habilidade que ele possuía, mas não era bem a que dominava, diferentemente da pessoa a qual ele estava procurando. Acima das nuvens era um lugar belíssimo para se estar, ele se sentia bem com aquela visão maravilhosa. Por que quem estava causando aquelas coisas não se sentia como ele? O que estava acontecendo por ali?

Caminhando mais a frente, em um embate de “cai ou não cai” pelos tremores dos raios, chegou até uma moça que estava sentada entre as nuvens, estática, contemplando a paisagem. Sua pele era como bronze, seus cabelos como as nuvens na primavera ou como a neve no inverno, aproximando-se mais, Thor reparou que a moça se encontrava despida, desprovida de suas vestes, e que seus cabelos eram afiados como lâminas, bagunçados como se estivessem em ruínas em busca de clarear a mente. Não parecia tão efetivo pois os raios não paravam de cair por debaixo das nuvens. Não querendo assustá-la, Thor foi se aproximando sem olhar muito diretamente para o corpo dela, dizendo:

— Hey, é você quem está fazendo isso tudo? — tentava ser o menos agressivo nas palavras e ter o menor contato visual com a moça.

— .... Por que você acha isso? — respondeu à pergunta do nórdico com outra enquanto se virava um pouco para o lado para saber quem era. — Oh, não te conheço, quem és tu?

— Ah... Eu sou Thor, filho de Odin — engolia seco, não querendo ver mais o corpo dela. Não queria ser indecente, afinal, seria fiel a Jane mesmo depois dela deixá-lo. — Você está pondo em risco a Nova Jersey e ainda mais, meus colegas, os Vingadores, pensam que isso é coisa minha.

— Ah, você é o tal deus do trovão, faz sentido pensarem isso de você. Bom, Thor, acontece que eu não consigo controlar muito meu humor, entende? Acabou que o clima ficou assim como ele está, eu só queria me lembrar que o Sol existia...

— É, todos temos dias ruins, mas como eu disse, você está pondo em risco lá em baixo, se puder manipular isso tudo de volta eu agradeceria — sorriu tentando passar um pouco de credibilidade e aparentar não ser tão rude.

— Como sabe que eu posso manipular isso? — A mesma se levantou mostrando seu corpo nu com os olhos borrados de maquiagem escura, como se tivesse chorado litros e litros. — Do que você sabe, Thor, filho de Odin?

— Eu não sei de nada, eu.... Realmente não sei de nada, só queria que os Vingadores parassem duvidar da minha palavra. Senti seu poder, afinal, um eletrocinético consegue sentir outro. — Thor desprendeu sua capa de sua armadura e com o grande pano vermelho em mãos o entregou a moça. — É melhor você... se cobrir.

— .... Meu nome é Tempestade, é assim que me chamam, mas meu real nome é Ororo. Aliás, para que eu devo me cobrir? — questionou, por educação pegando a capa em mãos.

— Bom, você está completamente nua, isso não é casualmente decente, Ororo.

— Não me chame de Ororo, me chame de Tempestade, filho de Odin – envolveu-se com a capa vermelha, suspirando profundamente, ainda recobrando a si depois de tanto tempo chorando.

— Tempestade, você não está bem, certo? O que foi que lhe aconteceu? – colocava a mão direita no ombro da mesma. O loiro havia despertado em si uma curiosidade por aquela moça, possivelmente ela era perigosa, como uma vilã.

Com um olhar de espécie mortal para a mão do mesmo, Tempestade segurou com a sua contrária o pulso do nórdico, o apertando e torcendo. O encarava indiferente, parecia estável, fazia aquilo somente para impor um tipo de respeito.

— Não me toque. Está ouvindo? Nunca deve me tocar. Eu lhe prometo que paro com estas nuvens, com os trovões, com os raios, se me prometer nunca mais me tocar e nunca mais me ver. Você se diz ser eletrocinético, mas parece ser somente um amador. Agora prometa que nunca mais irá me ver – disse enquanto torcia o pulso do homem. Mesmo sendo uma mulher e não sendo uma deusa, tinha força suficiente para fazer aquilo doer.

— Certo, certo, eu prometo, certo. Agora solte meu pulso, solta! Eu te prometo que nunca mais vou atrás de você e nem te chamarei pelo seu nome, nada referente a você... Solte, seja piedosa, solte! — Mesmo sendo enorme, imponente, Thor sentia as dores, mas não querendo contrariar uma dama tão bonita como Tempestade, cedeu-se a ela.

Imediatamente Tempestade – levando a capa de Thor – sumiu pelas nuvens e então não era possível vê-la mais, porém o nórdico ainda a sentia, sentia a eletricidade correndo por suas veias assim como corria nas veias dela.

— Ororo... É um nome bonito, eu gosto.

[...]

Enquanto isso no jornal local:

Olá a todos, a previsão do tempo de hoje é de muita chuva com raios, tomem cuidado quando saírem de casa, ao início da semana teremos suspeitas de nevada, a máxima para hoje e para os três próximos dias é de cinco graus célsius — dizia a moça da previsão do tempo no noticiário.

— Droga, Thor — murmurou Natasha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.