Eletric Power
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O céu estava claro e sem chuvas, Ravena estava meditando repetindo suas palavras de olhos fechados e, em alguns poucos momentos, abria os olhos para sentir a paz que Jump City as vezes possuía. Ensaiou um sorriso, deixando sua parte feliz dançar um pouco na sua cabeça e continuou a meditar, deixando todas as suas emoções aquietadas.
Era o começo de um dia que ela sabia que seria em paz. Ou pelo menos ela gostaria que fosse.
***
Os passos desesperados do garoto de cabelos pretos como carvão ecoavam pelas ruas de uma cidade ainda por acordar. O suor escorria pela sua testa encontrando seus olhos verdes e queimando-os, ofuscando mais ainda a visão torpe que ele tinha. Com uma respiração descompassada, ele virou a direita na primeira rua que pôde encontrar e se viu num beco sem saída. Ele tentou virar e voltar, mas a silhueta que o perseguia já estavam bloqueando a passagem.
Seu perseguidor ergueu a mão e o garoto caiu sentindo como se um piano estivesse o puxando para baixo. Ele tentou gritar, mas novamente sentiu a boca sendo calada por uma força invisível. Suas lágrimas se misturavam com os pingos de suor que desciam por sua bochecha e, em um momento de total e completo descontrole, seus olhos se tornaram amarelos e um raio caiu entre ele e o seu opositor. A forma escura e assustadora sumiu com um gemido de dor e, agradecendo aos céus, o garoto desmaiou.
***
Ravena estava voando, procurando por aquele barulho, luz e explosão que ouvira da torre titã. Nenhum dos seus companheiros haviam acordado e então ela decidira ir sozinha ao local e ver o que havia acontecido. Ela conhecia a cidade inteira e já havia ajudado a reconstruir várias vezes cada uma daquelas ruas.
Ao se aproximar do beco, ela viu um garoto desmaiado e chamuscado com suas roupas com vários rasgos e seus olhos ainda molhados com as lágrimas. Ela passou a mão perto do garoto e sentiu um grande poder mágico vindo dele. Suspirou e levantou o garoto.
- Mais um poderoso na cidade... — reclamou — Espero que esse nos dê menos problemas que a última.
Quando Ravena entrou na sala dos Titãs e jogou o garoto desacordado no sofá, Mutano logo se aproximou subindo em cima do braço do sofá. Olhou para o garoto, olhou para Ravena e suspirou:
- Quem é o novato?
- Não sei – Respondeu nem virando seu rosto para Mutano – Mas ele estava jogado no beco onde vi um raio caindo. Provavelmente ele é o culpado.
- Como você sabe? – Mutano coçou a barba inexistente. Provavelmente era falta de banho ou alguma pulga que pegara quando se transformara em um animal — Ele não tem cara de gente poderosa o bastante para se chamuscar tanto assim.
- Não se iluda, Mutano. – Robin estava descendo as escadas da cozinha. – Eu não pareço tão hábil assim com minhas artes marciais mas eu realmente sou bom nisso.
Ravena suspirou, levitou até a cozinha e sentou na cadeira próxima à geladeira.
- Estou cansada. Ele é pesado. – Antes de que alguém pudesse protestar, ou Mutano criar uma piadinha, o sinal Titã tocou e todos se juntaram em frente ao computador.
- Não temos uma descrição, galera. – Ciborgue falou olhando para os computadores – As escritas genéticas são desconhecidas.
- Ravena, fique aqui com o garoto até que ele acorde. Quando ele já estiver consciente, converse com ele e tente saber o que aconteceu.
Ela assentiu e todos os Titãs saíram da Torre.
***
Era um dia de muito sol e o calor da cidade estava escaldante. As pessoas corriam de um lado para o outro em desespero por causa da explosão que havia acontecido há pouco sem nenhuma testemunha ou alguém preso em flagrante. Os bombeiros já estavam a caminho – Para uma cidade agitada como Jump City, o governo havia aberto mais vagas de emprego para policiais e bombeiros – e sabiam que logo teriam a presença dos Titãs.
Robin odiava quando todos saíam voando e ele ficava para trás. Até Estelar esquecia dele em alguns momentos. Ele esperou que alguém voltasse e ninguém voltou. Andou de um lado para o outro e, em alguns minutos, estava estressado demais para esperar mais. Rodeou a ilha e pegou a lancha que ele mesmo havia construído para ocasiões assim. Ao ligar a lancha, não percebeu o vulto passando perto dele em direção à Torre.
***
Quando Estelar, Ciborgue e Mutano chegaram ao local indicado pelo computador, viram que o fogo já havia sido controlado e a perícia já procurava indícios de alguma atividade criminosa. Mutano suspirou em desânimo por não poder fazer nada e se encaminhou para a pizzaria. Estelar e Ciborgue continuaram a vasculhar o lugar em busca de algo.
- Estranho... – Ciborgue falou cortando o silêncio – Não há nada que mostre o porquê da explosão. E o edifício não era de grande porte e nem pessoas ricas moravam aqui... Não há nada que fizesse sentido para que alguém o explodisse.
- Vai ver foi uma explosão de gás. Isso acontece, não? – Estelar começava a fungar o nariz tentando farejar o cheiro de gás. – Não há nada...
- Deve ter algum motivo... – Ele digitou o endereço do prédio em seu computador no braço e esperou a pesquisa. – Aqui diz que um assassinato aconteceu há menos de três anos e que uma criança está sumida desde então... E... Olhe, Estelar!
A garota voou até Ciborgue e olhou o holograma criado pelo braço do menino-robô. A foto que mostrava era idêntica ao do garoto que jazia desmaiado na sala de estar da Torre.
- Você acha que quem explodiu o prédio está procurando aquele garoto? – Estelar questionou.
Ciborgue pensou um pouco mais, olhando para a foto.
- Só se... Fosse uma distração! Estelar, precisamos ir para a Torre agora! Ele e Ravena estão em perigo!
***Continua***
Fale com o autor