Álvaro desconfiava de que algo terrível estava acontecendo com as garotas. Desde o dia do aniversário de Montserrat que ele havia notado que elas estavam em perigo. Estava muito preocupado, pois não sabia exatamente o que estava acontecendo e não conseguia arrancar nenhuma informação de Montserrat. Entretanto, Álvaro não iria desistir fácil, então resolveu que tentaria conversar com ela mais uma vez.

— Montserrat? – Ele chamou após bater na porta três vezes. Não havendo resposta, Álvaro entrou no quarto e encontrou a moça aflita. – O que está acontecendo? – Ele perguntou a abraçando.

— Álvaro, por favor. Deixe-me protegê-lo. – Ela disse aos prantos.

— Por favor, deixe-me proteger você. – Ele disse calmo.

— Você não pode me proteger, Álvaro. Eu sou culpada pelo o que está acontecendo. Estou sofrendo as consequências dos meus atos. – Ela dizia enquanto chorava.

— Não diga asneiras, Montserrat! – Ele disse sério enquanto a olhava.

— Você precisa sair agora. Vou tomar banho. – Ela disse de costas para ele enquanto enxugava as lágrimas.

— Não sairei daqui até que você me conte tudo o que está acontecendo. – Ele disse decidido e sentou na cama.

— Ótimo Álvaro! Fique e me veja tomar banho! – Ela disse debochada.

— Tudo bem. Tome banho e vá para o meu escritório. – Ele concordou e saiu.

Montserrat não queria envolver Álvaro em seus problemas, principalmente porque isso colocaria a vida dele em risco.

Ela saiu escondida de sua casa e foi para a casa de Katherine. Tinha um plano em mente. Ao chegar, percebeu que sua amiga estava no banho, então não notaria sua presença. Começou a vasculhar o quarto em busca do celular de M.D, mas estava muito bem escondido.

— O que você está fazendo Montserrat? – Perguntou Katherine ao sair do banho e ver sua amiga mexendo em suas coisas.

— Estava procurando um brinco que deixei aqui. – Ela respondeu desajeitada.

— Ah, sim. Deve estar naquela gaveta. – Disse a moça apontando para uma gaveta de seu criado-mudo, em seguida, entrou no banheiro novamente.

Montserrat continuou sua busca. Ela sabia que Katherine não deixaria o objeto em um lugar fácil. Então, lembrou-se de um lugar que ela lhe mostrou uma vez. A garota tinha em seu guarda-roupa um fundo falso, onde guardava seus pertences. Montserrat fuçou o esconderijo e achou o celular.

— Achou os brincos, Montse? – Perguntou ainda no banheiro.

— Achei sim, Kate. Já estou indo. – Ela respondeu apressada e saiu.

Ela já tinha a isca, faltava apenas “jogá-la ao mar”. Sacou seu celular da bolsa, e enviou uma mensagem para M.D marcando um encontro ás 18h00min, em um parque próximo à sua casa. Em poucos segundos o encontro foi confirmado.

No horário marcado, Montserrat estava no parque. Olhava para os lados nervosa. Apesar de estar confiante que o plano daria certo, por dentro estava com muito medo, pois não era confortável a ideia de ficar cara a cara com M.D. Um barulho vindo de um arbusto a assusta. De repente, uma figura preta aparece no mesmo lugar. O coração da moça disparou.

— Estou com o seu celular! – Ela gritou. Sua voz parecia corajosa, mas ela tremia.

A pessoa correu em direção a Montserrat, que em um impulso correu para a floresta. O medo tomou conta de seu ser e ela corria desesperadamente. Após algum tempo, sentiu que não havia mais ninguém a seguindo, então decidiu parar para descansar. M.D silenciosamente aproxima-se dela e a droga com o “boa noite Cinderela”. Procurou na bolsa da garota — que agora estava desmaiada – seu celular e saiu do local.

Após muito tempo, seus olhos abriram-se novamente. Sua vista embaçada conseguiu visualizar apenas o rosto de um homem, que gritou:

— Eu a encontrei!

Ela reconheceu a voz no mesmo instante.

— Álvaro! – Ela disse ainda grogue.

— Vai ficar tudo bem meu amor! – Ele disse enquanto a carregava nos braços.

Álvaro colocou-a na ambulância e foram para o hospital. Ele estava tão preocupado com ela que não saiu de seu lado em nenhum momento. Enquanto ela estava desacordada, ele acariciava seu rosto a observando atentamente. Seu coração ficava apertado só de pensar no que poderia ter acontecido com ela. Só tinha certeza de uma coisa: se quem fez isso com ela for a mesma pessoa que estava ameaçando-a, ele a mataria.

Enquanto Montserrat estava no hospital, Keena, Débora e Katherine junto à polícia, armavam contra M.D. O plano era atraí-la para a casa de Débora e prendê-la. Débora, dando início ao plano, enviou a seguinte mensagem para M.D:

Nós sabemos que foi você que fez isso com nossa amiga. Queremos dizer que isso não nos intimidou! Você não nos põe mais medo!”

Uma coisa que as garotas aprenderam durante todos esses anos foi que M.D era uma pessoa manipuladora e queria a todo custo controlar a vida delas. Se soubesse que havia perdido esse controle, ela faria o que fosse possível para retomá-lo.

Débora tinha acertado em cheio na mensagem, M.D estava irritado o suficiente para ir atrás delas. Mesmo com a segurança policial, as garotas estavam com medo, pois nunca tinham enfrentado M.D dessa maneira.

Havia policiais escondidos na sala onde as garotas estavam. Um barulho veio lá de cima chamando atenção dos policiais, que foram investigar. Em seguida, uma pessoa coberta por roupas pretas parece na sala assustando-as.

— Oh, meu Deus! – Keena grita espantada.

— Você é M.D? – Perguntou Débora com a mão na boca, sem acreditar.

— Não, mas eu a conheço. – Caleb disse debochado.

— Eu sou M.D! – Disse uma voz feminina atrás das garotas.

Elas estavam chocadas com as revelações feitas ali.

— Eu ansiava tanto por esse momento, minhas bonecas! – A moça loira dizia sorrindo.

— Você morreu! – Katherine disse ainda sem acreditar.

— Vocês me mataram! – Ela gritou.

— Nós não matamos você Caroline! – Gritou Débora. – Você pulou da sacada! E você Caleb? Como pôde fazer isso comigo? Eu sou sua irmã! – Débora agora chorava.

— Não Débora, você não é minha irmã! Você e suas amigas foram cruéis com a Caroline! Vocês mereceram tudo. – Caleb gritava furioso.

No primeiro ano do ensino médio, Cecília, Katherine, Keena, Débora e Montserrat tornaram-se amigas. Elas eram as garotas mais populares do colégio e todos queriam ser seus amigos, principalmente Caroline. A moça era atrapalhada, mal vestida e nerd, e por isso era humilhada por Cecília, a líder do grupo. Mas Caroline as idolatrava.

Um dia, Cecília decidiu fazer uma brincadeira com a pobre moça. Chamou-a para uma suposta festa do pijama e a desafiou a pular da sacada pensando que ela não o faria. No entanto, para sua surpresa, Caroline se jogou. Desde então não tinha sido mais vista até o momento.

— Eu não fiz nada! Foi Cecília quem a desafiou! – Débora chorava.

— E todas as vezes que você me humilhou por que eu não me vestia tão bem quanto você, Débora? – Caroline alterou a voz.

— Nós erramos com você, mas isso não justifica o que você fez conosco! – Keena disse.

— Vocês não sofreram nem metade do que eu sofri! – Caroline gritou.

De repente os policiais aparecem.

— Fiquem parados ai! – Gritou um policial apontando uma arma para Caleb e Caroline.

— Plano B! – Gritou Caroline.

Caleb tirou uma bomba do bolso.

— Se vocês atirarem eu ativo esta bomba! – Ele gritou.

— Caleb, por favor. – Implorava Débora.

De surpresa, um policial atrás de Caleb o desarmou. Sendo assim os outros prenderam Caroline que enquanto estava sendo levada prometeu vingança.

— Não acabou ainda minhas bonecas! Eu ainda vou brincar muito com vocês!

Aquele momento foi assustador. Elas não esperavam que M.D fosse Caroline e que Caleb era seu cúmplice. Apesar do choque, estavam aliviadas porque finalmente haviam se livrado das ameaças. Entretanto, Débora estava destruída. Ela chorava nos braços das amigas enquanto elas tentavam consolá-la.

Enquanto as meninas lidavam com as chocantes descobertas, Montserrat estava no hospital. Ela acordou e a primeira pessoa que viu foi Álvaro.

— Ficou comigo esse tempo todo? – Ela perguntou sonolenta.

— Não queria te deixar sozinha nem um minuto. – Ela disse sorrindo enquanto acariciava os cabelos dela.

— Eu te amo Álvaro. Mesmo que você não me ame e não queira estar comigo, eu sempre irei amar você! – Ela disse olhando nos olhos azuis dele.

— Achei que já estávamos namorando. – Ele disse e em seguida riram juntos. – Eu estava com medo de estar com você, de te amar. Mas quando eu te vi, desmaiada naquela floresta, eu percebi que tenho mais medo de ficar sem você.

— Álvaro... – Ela suspirou, mas ele a interrompeu.

— Shiu! Não diga nada meu bem. – Ele disse e a beijou. – Estamos namorando agora. – Ele disse rindo.

— Que ótima notícia! – Disse Katherine fazendo todos rirem.

— Vou deixar vocês conversarem. Cuidem da minha namorada, está bem? – Disse Álvaro e saiu.

— Pode deixar! – Keena respondeu rindo.

— Huummm! – Débora murmurou com malícia.

— Não precisamos falar disso, precisamos? – Montserrat perguntou rindo.

— Depois. – Sorriu Débora.

— E como você está? – Keena perguntou a Montserrat.

— Estou bem! – Ela sorriu. Mas seu sorriso desapareceu quando analisou o rosto de suas amigas. – Mas pelo visto vocês não.

— É que aconteceu uma coisa. – Débora disse com a voz triste.

As garotas, com receio, contaram o ocorrido a Montserrat, que ficou assombrada. Ficou muito decepcionada com Caleb, pois confiava nele.

— Estou chocada! Nunca imaginei uma coisa dessas! – Montserrat disse desacreditada.

— Bom, mas finalmente esse tormento acabou. – Katherine disse e respirou fundo.

Em seguida, os celulares de todas notificam uma mensagem. Elas se entreolham assustadas.

“Seus créditos estão no fim. Por favor, recarregue o seu celular.”

— Ufa! É só a operadora tentando nos roubar! – Débora respirou aliviada fazendo suas amigas rirem.

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