Notas iniciais
Boa leitura

Janice chegou mais perto e perguntou:
- Ô minha filha, por que você está chorando? Conta pra mim...
Eleonora levou as mãos ao rosto e chorou mais ainda, segundos depois passou a mão tentando inutilmente enxugar o rosto e disse:
- Ela descobriu mãe... A Jenifer descobriu que eu gosto dela.
- Tudo que eu não queria era te ver sofrer. Eu sei como o mundo é cruel diante de situações como essa.
- Eu não ligo pro mundo mãe, eu ligo para o que a Jenifer pensa de mim.
- E o que ela está pensando?
- Eu não sei, ela não quer mais olhar pra mim. Tentei por duas vezes falar com ela, mas ela me ignorou... Ela disse que sente nojo de mim mãe – E ao se lembrar dessa dura palavra Eleonora não conteve as lágrimas.
Janice abraçou a filha e afagou os cabelos carinhosamente.
- Léo enxuga seu rostinho e vamos jantar você está muito abatida minha filha.
- Não estou com fome mãe, não quero nada, quero apenas colocar a cabeça no travesseiro.
- De estômago vazio você não vai dormir de jeito nenhum, vou fazer aquele leitinho com canela que você adora.
Eleonora sorriu em gratidão ao chamego da mãe as duas entram abraçadas em casa. Sebastião viu que Eleonora estava com uma expressão triste e perguntou:
- Que foi minha filha? Que carinha é essa?
- Hoje meu dia foi muito difícil pai, eu só quero dormir agora, boa noite — E Eleonora subiu para o quarto.
Sebastião não gostou muito da breve explicação da filha e perguntou para sua mulher o que aconteceu.
- Ela não acabou de dizer que teve um dia difícil Sebastião?
- Mas não me convenceu, aconteceu alguma coisa de mais grave.
- Se aconteceu e ela não quer contar, a gente tem que respeitar né?

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Os dias passaram, dias rápidos para Jenifer, que na tentativa inútil de esquecer Eleonora, se entregava a vida de noitadas junto de Thomas Jefferson deixando o pai e a avó um tanto preocupados. E para Eleonora os dias se tornavam longos e dolorosos, pois, por maior que fosse o esforço, ela não conseguia parar de pensar em Jenifer.

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Era terça-feira dia em que Dafne iria até a casa de Eleonora para saber dela a versão dos fatos. Dafne estava pensativa dentro da sala de aula o que deixou Jenifer intrigada.
- Ei Dafne, seu pensamento anda onde? Te chamei duas vezes e você nem me respondeu.
Dafne balançou a cabeça como se trouxesse do alto os seus pensamentos até sua realidade, ela não queria responder no que pensava, mas também não queria mentir.
- Bom dia classe, vou entregar agora o trabalho sobre osteoporose e queria dizer que o melhores trabalhos que li foram da aluna Jenifer Improtta e do Felipe Oliveira — Disse o professor ao entrar na sala.
“Salva pelo gongo” pensou Dafne.
E o professor deu os trabalhos para que um aluno fosse entregando aos outros enquanto preparava o material daquela aula.
Quando o trabalho de Jenifer pousou em suas mãos, seu coração acelerou. E um filme daquela noite passou na sua cabeça, um impulso a fez levantar da cadeira e sair correndo até o banheiro, as pessoas ao seu redor não entenderam a ação dela, ficaram assustadas. Dafne saiu em seguida atrás de Jenifer e disse ao professor que ela não estava passando bem.
Chegando ao banheiro, Dafne viu Jenifer com as mãos apoiadas na pia e o rosto todo molhado por lágrimas. Sem fazer nenhuma pergunta apenas acolheu a amiga em seus braços. Alguns minutos abraçada à amiga bastaram para que Jenifer se sentisse melhor.
Jenifer abriu a torneira e lavou o rosto, o enxugou e disse:
- Obrigada amiga, obrigada por estar ao meu lado nesse momento tão... Tão difícil pra mim. Vamos almoçar no shopping depois?
Dafne bem que queria continuar na companhia de Jenifer, mas não poderia adiar o compromisso que tinha com Eleonora e sentiu obrigada a contar uma pequena mentira para ela.
- Não vai dar, eu tenho outro compromisso no mesmo horário não posso atrasar.
Jenifer entendeu e as duas voltaram para sala de aula.

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Eleonora chegou em casa com a mesma expressão triste que a acompanhava durante aqueles longos dias de angustia e tristeza.
Todos já haviam terminado o almoço, mas ainda continuavam a mesa, ao ver a filha entrando Sebastião disse:
- Oi minha filha, vem almoçar a comida ainda está quente.
Eleonora não deu ouvidos apenas disse:
- Mãe se uma garota ruiva chamada Dafne vier me procurar fala pra ela subir, vou pro meu quarto.
Janice confirmou com a cabeça e Eleonora subiu pro quarto.