Elements, A Guerra Para A Liberdade
2 Um Novo Ano Letivo - O Primeiro Dia de Aula
Notas iniciais
Alexander Landry ainda era um garotinho quando começou a ajudar os pais no trabalho do Hospital de Elements. Ele sempre se interessou em medicina, e acabou aprendendo tudo ou até mais do que se tivesse estudado, segundo alguns médicos do local. Ser um médico do hospital era um sonho para ele, porém, esse sonho só iria se realizar aos 24 anos, quando terminaria a Escola.
Tinha acabado de fazer 17 anos, uma data especial para qualquer um em Elements. Com essa idade, eles começariam a aprender a controlar seus poderes, e iam ficar na Escola durante sete anos. É um pouco tarde, sim, contudo, todos nessa idade já têm noção de tamanha responsabilidade que eles carregam junto de si. Quando um Elementer usa seus poderes pela primeira vez, estes começam a aparecer conforme suas emoções, e isso é perigoso, muito perigoso, principalmente se for uma criança ou um pré-adolescente. Por isso ficam na Escola até terem dominado eles completamente.
Alex era um garoto típico do Ar, cabelo loiro escuro, olhos marcantes, um sorriso gentil e uma maneira de falar relaxante. Ele e todos os outros garotos da sua idade estavam ansiosos para começar as aulas. Dakota, a Princesa do Gelo, ia começar as aulas junto deles. Ninguém sabia como a princesa seria, mas todos tinham uma ideia: Loira, olhos cristalinos, pálida, mas incrivelmente bela, com um corpo tão atraente quanto o rosto. Entretanto, a personalidade era o que assustava qualquer um. Os habitantes do Gelo são frios e orgulhosos. Não são todos que conseguem fazer amizade com eles, e mais raro ainda são os que conseguem manter.
Alguns garotos poderiam se considerar ansiosos para o Grande Dia, mas Alex estava mais. Fazia contagem regressiva. Nem tanto pela Princesa, mas mais por finalmente estar livre e poder usar seus poderes.
Faltando apenas um dia, ele quase desmaiou com o uniforme e o material que havia chegado, mas parecia ser um nervosismo misturado com ansiedade, o que não resulta em um algo agradável. Ele demorou para dormir a noite, e foi o primeiro a acordar no dia seguinte. Aprontou-se com o maior cuidado, tentando não parecer como se sentia, que se resumia em uma mistura estranha de emoções: ansioso, com medo, confuso, feliz, triste, preocupado,...
Dessa vez foi ele quem preparou o café. Panquecas com caldo de caramelo e suco de laranja. O preferido dele e da família. Queria que fosse especial, afinal, só iriam voltar a se ver depois que o ano letivo acabasse, o que era bem longo. Teriam apenas um mês de férias, durante Julho.
— Bom dia — disse, animado, para seus pais e sua irmã mais nova, Alice. — Preparei o café da manhã.
Para a surpresa de Alex, eles não agradeceram. Não foram tomar o café nem nada. Eles simplesmente ficaram lá, plantados, olhando para ele. Ele ficou sem graça, a timidez o tomara, e acredito que tomaria qualquer um.
Porem, isso não durou por muito tempo. Alice andou calmamente até Alex e o abraçou, com lágrimas nos olhos. Ela tinha apenas sete anos, e isso fez Alex se sentir emocionado... Um pouco mais do que queria ou deveria.
— Vamos sentir sua falta, Alex. — disse.
Ele se abaixou para ficar na altura da garota (um pouco mais baixo, na verdade). Pegou em suas mãos, e olhou em seus olhos, que estavam um pouco vermelhos.
—Também vou sentir a sua, maninha. Aliais, de todos vocês. Mas não é pra sempre, estarei de volta ano que vem.
— Mas demora muito!
— Vai ser mais rápido do que imagina, Alice — Ele deu um beijo em sua testa, se levantando ao mesmo tempo — Prometo, ok?
Ela balançou a cabeça, em concordância, e se sentou à mesa, lançando um olhar triste e fofo para as panquecas.
Ele se voltou para os pais.
— Estamos orgulhosos de você. — disse seu pai. O abraçando.
— Obrigado.
Por fim, abraçou a mãe.
— É melhor eu ir, vou me atrasar. — avisou, se afastando com relutância.
— Até o verão, meu amor — falou sua mãe.
— Até — sussurrou. Pegou as coisas e caminhou rumo a Escola, mas sem olhar para trás. Não podia correr o risco de se emocionar e arruinar seu sonho. Não agora...
***
A Escola podia ser resumida em apenas uma palavra: Gigante. Era um vai e volta de corredores que não acabava mais. Ela foi construída com base nos castelos medievais, e parece mesmo um. A única diferença é que há vários armários em um dos corredores, várias salas de aula, um campo para esportes e há seis torres que ficam em volta do grande Castelo .Elas representam, cada uma, um elemento, identificáveis por sua bandeira. Quando Alex chegou à Escola pela primeira vez, no primeiro dia de aula, depois de descobrir onde estava, a primeira coisa que ele fez foi verificar seu quarto.
“Torre número 3, número 432 do dormitório Masculino”, segundo a carta que havia recebido junto de seu uniforme e material.
Quando entrou no quarto, teve uma surpresa. Imaginou que, com sua "belíssima" sorte, ele iria cair com um colega de quarto barulhento e desorganizado, mas ai se lembrou de que isso não faz parte das características dos Elementers do Ar. Encontrou o quarto no mais perfeito estado.
— Oi? — chamou, seu colega de quarto deveria estar ai. Aquele local não parecia ter sido limpo a muito tempo.
— Olá — respondeu uma voz. Logo, seu dono apareceu. Era um rapaz, aparentemente dois anos mais velho que ele. Tinha cabelos cor de areia e olhos castanhos, iguais o de Alex. Eles se pareciam bastante, o que não era novidade. Parecia levemente confuso com Alex ali.
— Ah, desculpe, Sou Alexandre Landry — apresentou-se, estendendo a mão — Sou seu novo colega de quarto. Soube que o antigo se formou.
Ele agora parecia entender a situação.
— E tem razão, Alexandre. — Ele apertou sua mão — Me chame de Matt, por favor. Agora entre, esse também é o seu quarto agora.
Alex agradeceu, e entrou no quarto. Bom, aquilo de quarto não tinha nada. Parecia mais uma casa! Tinha cozinha, sala de estar e de jantar, uma varanda e, claro, o quarto e o banheiro. Tudo na mais perfeita ordem. Aquilo brilhava.
— Foi você quem organizou tudo? — perguntou.
Ele assentiu.
— Sim, eu sempre mantenho assim, mas hoje mudei algumas coisas por causa de sua chegada. O que achou?
Ele observou o cômodo por um momento. Não conseguia ver uma falha se quer. Estava tudo característico ao local, mas de um jeito divertido. Medieval e atual, ao mesmo tempo. Ele só conseguiu pensar em uma palavra para dizer:
— Incrível — ele soltou uma pequena risada.
— O que foi? — perguntou, meio preocupado.
— Não é nada, é só... — Alex o encarou e sorriu — Você vai ter que me ensinar como você faz isso. Nem minha casa é tão limpa, organizada e divertida assim. E olha que meus pais são rígidos.
Ele riu em resposta.
— É claro, mas você vai ter que me ensinar a dar o nó na gravata. Eu não consigo fazer direito até hoje.
— Fechado.
Eles começaram a rir. Nesse momento, o sinal tocou, informando que as aulas iriam começar.
— É melhor a gente ir, a aula vai começar em cinco minutos — disse Matt.
— Cinco minutos!? — exclamou Alex, preocupado — eu demorei meia hora só para achar esse quarto! Não vou conseguir achar a sala de aula em cinco minutos!
Matt começou a gargalhar.
— Ai, ai, o desespero de um veterano. Lembro que eu era assim também. Mas não se preocupe, não são cinco...
— Ufa...
— ...São dois.
— O quê?!
Ele sentiu vontade de dar um soco na cara de Matt quando viu que o rapaz estava brincando novamente.
— Vamos logo — falou.
***
A ideia daquela escola lotada fez Alex sentir um pouco de tontura. Todos os alunos usavam o uniforme, obrigatório apenas na primeira semana de aula. Ele quase esqueceu o porquê de todos parecerem tão agitados, mas ai lembrou: A Princesa! Deve ser por isso. Afinal, todos vibraram de alegria quando uma garota avisou (ou melhor, gritou) a chegada de Dakota Winneyrs.
Quando ela entrou, todos ficaram em silêncio. Davam espaço para ela passar, com relutância, parecendo que se forçavam a isso, mas Alex ainda não tinha visto seu rosto. E quando viu, ficou paralisado. Assim como todos ficaram.
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