Notas iniciais

Á muitos anos a guerra começou. Primeiro ela era apenas um pequeno conflito entre os governos da Terra21 e não tinha poder envolvido, depois de 3 anos de conflitos os governos descobriram os Elementari e realizaram diversas experiencias com eles testando suas habilidades. Antes de que descobrissem a extensão de seus poderes, os Elementari transferiram seus dons à 5 crianças, já que essa era a única maneira de fracassar o projeto.
Depois de um tempo os testes começaram a dar errado o os governos resolveram montar o Fyt que era uma constituição onde havia cientistas, espiões e rastreadores de todo mundo. Como o projeto não estava saindo como o planejado, os países começaram à incriminar uns aos outros, começando uma guerra. O único governo que não estava em guerra era a Fyt que começou à ser chamado de governo por ter mais da metade da população global. Não adiantava dizer a todos que ia ficar tudo bem, pois todos sabiam que nada iria ficar bem. Quem não concordasse com a Fyt morria ou simplesmente desaparecia misteriosamente no meio da noite e era sempre à noite, independente do clima, e sempre no mesmo horário, ás nove e quinze sem tirar ou acrescentar um segundo sequer.
Eu nasci as nove e quatorze da noite antes de minha mãe desaparecer e meu pai ser capturado para testes da Fyt. Quando a guerra começou eu tinha 5 anos. Morava em uma fazenda no norte dos Estados Unidos já havia 3 anos e gostava de lá,era tranquilo, bonito e calmo, podia fingir que nada daquilo tinha acontecido. Logicamente eu não era a única que morava lá, tinha também um garoto mais velho, ele tinha me acolhido na fazenda que havia sido de seus avós, ele não falava muito sobre à Fyt porque tinha medo de sumir como seus avós no meio da noite. No meu aniversário de 11 anos ele me deu um bracelete com uma opala no meio, no bracelete estava escrito:

O ar é como o tempo, não importa quanto você tente nunca vai capturá-lo.

Eu amei o presente e nunca tirava o bracelete do pulso direito. Depois de um tempo comecei a caminhar ás seis da manhã para ver se havia algo de novo na vizinhança. Em uma dessas caminhadas o bracelete começou à brilhar, era um brilho selvagem que se distorcia em desenhos e imagens desconhecidas para qualquer pessoa menos a mim, logo reconheci as imagens da opala, aquelas eram as que eu via no meus sonhos toda noite, na mesma ordem. Depois de algum tempo as imagens cessaram porém o brilho azul suave persistiu na opala por um bom tempo. Quando eu relatei o ocorrido ao menino ele começou a soluçar e murmurar palavras sem nexo, logo depois que ele parou de soluçar seu rosto ficou visível e eu sinceramente não achei a visão muito bonita, pelo contrario achei a coisa mais dolorosa. Seu rosto estava vermelho e contorcido em arrependimento e horror, havia um sorriso de desculpa nos seus lábios. Mesmo sabendo que ele provavelmente já não tinha consciência do que fazia, me aproximei para ajudar-lhe a levantar do chão. Fui interrompida por quase dez agentes da Fyt que tentavam arrombar a porta do estabelecimento da fazenda onde estávamos. Tudo o que aconteceu depois disso foi muito confuso, uma mistura de confusão, raiva, surpresa e tristeza. O garoto nunca disse seu nome, mas mesmo assim pensei que ele gostasse de mim. Acho que estava enganada.
Ele me deu um papel embrulhado com fitas de seda azuis antes de que um agente o incapacitasse com meu taco de golfe que eu nunca tinha utilizado desde o começo da guerra. Segurei o papel até minha mão doer e sai correndo da casa o mais rápido possível sem me importar com nada que estivesse na minha frente. Enquanto corria visualizei o rosto de alguns agentes e percebi que estavam roxos de raiva por eu ter tentado fugir ''Roxos de raiva, hum até que é um bom começo'' pensei aliviada. O alívio foi pouco. Quando estava a três metros da casa, meu pulso começou a queimar e formou um circulo prata no meu pescoço. O bracelete explodiu em uma luz purpura e criando uma tempestade de redemoinhos no meio da plantação indo atrás dos meus perseguidores e matando-os instantaneamente junto ao garoto que foi aniquilado pelo força do vento. Depois de algumas semanas decidi que iria para o Sul do país onde estaria mais segura da Fyt e de mim mesma.
Eu sai da fazenda às duas da manhã e peguei um ônibus para a cidade vizinha onde eu iria consultar um conhecido que poderia me fazer novos documentos para o sul caso fosse interrogada na fronteira separava as regiões do país. Peguei o ônibus vazio, o que me ajudou a concentrar na minha rota. No meio do caminho eu comecei a ler sobre a guerra e a nossa historia de nosso planeta desde o começo. O livro começava contando sobre a praga que destruiu a Terra original. De acordo com o livro a praga fazia com que o hospedeiro desejasse estar morto no terceiro mês e só piorava, nos estágios finais da doença o hospedeiro falava coisas horrorosas a todos que amava mais e morria de ataque cardíaco dias depois. Vendo que aquele planeta não podia ser salvo a NASA construiu um planeta com as mesmas propriedades da Terra original e à chamaram de Terra21. A vinda para esse novo planeta foi muito bem organizada e demorou 24 anos. Os sobreviventes trouxeram consigo 5 Elementari que tinham ajudado os humanos à tentar controlar a doença. Esses indivíduos tinham poderes sobre os elementos:Terra, água, eletricidade, fogo e ar. O Elementari do ar era o mais poderoso porém o mais novo do grupo. O do fogo era o mais velho e o que havia recebido os poderes primeiro. O da terra era o menos confiável e era o do meio. O da água era o mais amigável e era um dos mais novos. Por fim tinha o da eletricidade e era o mais mal-humorado deles.
Quando os sobreviventes morreram o segredo sobre os Elementari morreu junto com eles. Estava quase no final do livro mas eu não precisava ler resto para saber a historia do nosso povo até agora. O veículo estava quase chegando na fronteira quando adormeci. Sonhei que uma garota de cabelos roxos, jaqueta de couro e calça jeans estava à minha procura. Essa garota estava com um pé de cabra, nocauteando alguns agentes da Fyt em um galpão abandonado, enferrujado e um pouco desgastado pelo tempo. Percebi que ela tinha um bracelete de ouro incrustado de esmeraldas com uma frase ilegível. Depois de derrotar os agentes da Fyt, ela virou para mim como se perguntasse:''Onde você está?''.
Acordei de supetão bem na hora em que o ônibus estacionou no Sul. Peguei a minha mochila e desci para a rua cheia de areia pois muitos lugares do mundo tinham sido atingidos por tempestades de poeira. Pedi orientação à um homem da região ele disse que tinha muita gente que estava me procurando, então eu deveria ser cuidadosa com todos. Segui até a oficina do meu contato, onde pegaria meus novos documentos. Chegando lá encontrei meus documentos e umas roupas em cima da mesa ''Bom'' pensei, estava tudo certo. Peguei tudo de cima da mesa e sai correndo daquele lugar o mais rápido possível. Depois de sair dali,fui para uma floresta, montar um acampamento em uma clareira bem escondida, perto de um rio. Ao chegar no ponto marcado, montei o acampamento e fui explorar a região. Depois de sair do acampamento percebi o quanto bonito era aquele lugar, ás arvores tinham folhas verdes que balançavam quando a leve brisa ás atingiam causando um som bem reconfortante ''Brisa'' pensei inalando aquele cheiro de folhas frescas. Ao pensar na brisa um calafrio percorreu minha espinha, demorou mas eu percebi o que aquilo queria disser. ''Ar'' pensei e logo depois o bracelete emitiu um brilho prata e explodiu naquela luz me desacordando.
Acordei na cabana do meu acampamento me sentido estranha e a cabeça dolorida, sai da cabana e me deparei com a garota do meus sonhos fazendo o café da manhã. Mal me aproximei e ela disse :
-Acordou finalmente, não é?
-Aparentemente sim.
-Bom, hoje começamos seu treinamento-disse ela se virando para mim-Aliás gostei do oque você fez com o cabelo-complementou.
-Quem é você?
-Ah sim, sou Fogo e você deve ser Ar, certo?
-Certo, acho.
Ela ficou um tempo me encarando até me dar um espelho. Me olhei no espelho e vi que meu cabelo que antes era negro agora estava prateado com uma franja azul prata caindo sobre meu olho direito. Realmente gostei do meu cabelo e também da franja. Depois de devolver o espelho, fui para a cabana trocar de roupa e por minhas luvas de couro branco que deixava os dedos de fora para treinar com a Fogo.
Chegando no ponto demarcado por Fogo para o treinamento ela pulou de cima da arvore em que estava e me jogou uma vareta. Bom, digamos que a vareta não era muito aerodinâmica, pois ela se chocou contra meu rosto com tanta força que parecia ser de ferro. Logo depois de me atingir ela caiu no chão, produzindo um baque oco. Peguei a vareta e me posicionei em modo de ataque. Fogo fez com que seu graveto pegasse fogo e o arremessou contra mim com força. Senti muito medo de ser atingida por um graveto em chamas, então sai correndo atrás dele com todas as minhas forças. Fogo ficou pasma pela minha ação mesmo que por pouco tempo. Quando o graveto estava à menos do que três centímetros de distância de mim, eu pulei passando voando pelo graveto. Eu aterrissei em frente à Fogo despenteando ela um pouco. Fogo penteou o cabelo e disse:
-Nunca vi alguém fazer algo assim antes.
-Eu não sei o que deu em mim, acho que agi por impulso, desculpe.
-Não se desculpe, acho você devia repetir isso até se cansar-disse pegando um novo graveto, o incendiando e o lançando em minha direção.
Fizemos isso o dia inteiro, cada vez ficando mais difícil e mortífero. Não fui mais atingida por nenhum graveto nem galho em chamas, então Fogo disse que fui bem. Chegando no acampamento eu fui à minha cabana e Fogo à sua. Fechei a cabana e tirei as luvas para dormir. Logo que adormeci sonhei que uma garota um ano mais nova do que Fogo estava manipulando a terra em frente ao todo conselho da Fyt. ''Não Terra!'' tentei gritar mas o som não saia da minha garganta. Depois da demonstração o bracelete da Terra evaporou e a envenenou gravemente matando-a minutos depois. Logo depois da morte da garota eu sonhei com Fogo que estava dormindo e logo acordou vindo para minha cabana. Depois de ver Fogo acordei e sai da cabana antes que ela pudesse abri-la. Analisei Fogo para ver se ela estava bem e notei confusão em seus olhos. Ela disse:
-Eu estava dormindo e me senti observada. Temos que sair daqui agora.
-Não temos que sair daqui, não-disse.
-Como não, Ar?
-Não temos que sair porque fui eu que estava te observando.
A resposta de Fogo foi um resmungo e um pedido de explicações. Eu contei a ela que eu tinha essas visões e pressentimentos sobre alguns fatos. Também contei para ela que Terra havia traído nós e que ela morrera envenenada pelo bracelete. Quando terminei o relato ela me disse que se você traísse algum Elementari e fosse um deles essa era a penalidade. Se uma nós morresse assim, igual a Terra outra pessoa receberia o bracelete e os poderes. Ela mal terminou de me contar aquelas coisas, quando uma garota saiu mancando e tossindo do meio da floresta. A garota tinha o cabelo azul esverdeado o que deixava claro que ela era a Água. Fogo correu para ajuda-la a andar até o acampamento. Eu fui até minha cabana pegar uma coisa que tinha recebido de meus pais antes de que eles sumissem.
Logo depois de pegar o embrulho fui até a Água e o desembrulharei perto da Fogo. Dentro do embrulho tinha um tênis que eu não peguei e um anel o qual pus no dedo e um pacote de pilulas que deixei ali. Quando coloquei o anel ele começou a brilhar intensamente antes de causar uma leve coceira na marca prateada. Quando a coceira e o brilho acabaram eu coloquei a mão em cima da testa da Água. No principio nada aconteceu mas então fagulhas prateadas envolveram o corpo de Água, formando um casulo prata. Fogo se deu o luxo de ficar pasma com o feito me olhando como se eu fosse um extraterrestre. Tirei a mão da testa da garota e fui para minha cabana terminar de dormir enquanto Fogo iria ficar cuidando da garota encasulada. Meu corpo todo doía e eu estava com uma dor de cabeça insuportável. O anel eu não tiraria de jeito nenhum já que ele era como o bracelete para mim. Guardei o resto do embrulho na mochila e fui dormir.
Quando acordei estava com duas tiras de couro prendendo minhas mão ás barras de ferro da cabana e mais duas tiras prendendo meus pés. Chamei a Fogo para ela me explicar o motivo daquilo tudo. Ela chegou na cabana alguns minutos depois e disse :
-Você está se sentindo bem?
-Estarei um pouco melhor se você me contar o que está acontecendo-respondi.
-Tudo bem então. Você começou a gritar e se contorcer no meio da noite e eu tive que te prender para você não se machucar.
-Boa história,mas está faltando um pedaço,não é?
-Sim,veja por você mesma-disse me dando o espelho.
Peguei o espelho vi que minhas orelhas estavam mais pontudas e meus olhos estavam prateados. Na realidade meus olhos eram aqueles olhos de felinos. Estava parecendo um elfo daquele jeito. Infelizmente aquelas não eram as únicas coisas que haviam mudado. Eu estava mais alta, mais pálida e com os dedos mais logos. Para esconder minha surpresa disse :
-Tire essas tiras de couro de mim, por favor.
-Claro-disse Fogo pegando o espelho e tirando as algemas. Quando ela terminou eu disse :
-Água está acordada?
-Sim, ela queria falar com você.
-Ótimo, vamos todas treinar hoje.
Sai da cabana e encontrei Água do lado esquerdo da porta, me esperando. Ela me agradeceu por eu ter curado ela com o anel. Fui comer um pão e depois fomos para a área de treinamento. Chegando lá Fogo nos contou que era super-rápida e Água podia não respirar pelo tempo que quisesse. Fogo disse que eu poderia voar e fazer mais alguma coisa a qual ela não tinha certeza do oque seria. Treinamos por meses até que um dia eu acordei me sentindo diferente. Foi nesse dia em que eu descobri uma coisa muito importante.
Nesse dia em especial eu estava me sentindo mais leve e ágil. ''Deve ser os treinamentos'' pensei. Levantei, coloquei uma calça branca, uma camiseta preta, um tênis vermelho e minhas luvas brancas de treinamento. Depois de me vestir, fui tomar café com Fogo e Água. Chegando lá vi Fogo brincando com uma bola de chamas e Água pescando uns peixes enquanto comia seu pão de forma com manteiga. Eu não tinha desenvolvido nenhum poder especial, mas tinha mudado tanto de aparência que estava irreconhecível. Logo depois que eu terminei de comer pensei em ir para minha cabana. Quando cheguei na cabana peguei a carta que o garoto tinha me dado a qual eu nunca tive coragem de abrir até então. Abri a carta com cuidado para não rasga-la. Dentro dela tinha um papel com a seguinte mensagem :
11/06/2154 23:00
Se está lendo isso é porque eu devo ter te dado o bracelete de meu bisavô. Os eventos não devem ter seguido como o planejado, não é?
A letra mudou um pouco. A data também mudou.
13/06/2154 06:00
Desculpe,desculpe,desculpe. Eu fiz uma coisa horrível até mesmo para mim, eu vi o brilho no campo e te dedurei para a Fyt. Isso foi a coisa mais maldosa que eu já fiz na vida. Desculpe.
Agora entendi porque porque os agentes da Fyt invadiram a fazenda. Era tudo culpa dele. Tudo. Eu sabia que não era bom para todos se eu ficasse irritada, mas não tinha como não ficar com raiva. Fui até as garotas e disse que iria correr um pouco pelas montanhas. Elas assentiram com a cabeça e eu parti. Ao sair da trilha, eu corri tão rápido que não era muito normal para um Elementari sem ser a Fogo que tinha super-velocidade. Eu estava com tanta raiva que minhas pupilas se dilataram e minhas orelhas se tornaram mais pontudas. Subi as montanhas de maneira ágil e precisa sem fazer barulho algum. Fiquei encima das montanhas até o por do sol. Todas as aves voaram para suas arvores o que era uma coisa muito bonita de se ver. Eu pensei muito no que a Fogo disse, sobre que eu podia voar. ''Bom, vamos testar'' pensei antes de saltar da montanha.
Eu comecei a cair muito rapidamente ou pelo menos mais rápido do que eu pensei que seria. O problema era que nada estava acontecendo. Entrei em pânico e gritei o mais alto possível. Com meu olhar privilegiado consegui ver Fogo correndo em minha direção e saltando no ar me empurrando para uma rocha. Ela caiu ao meu lado e me olhou com ar de desaprovação. Eu fui levada de volta ao acampamento e deixada na minha cabana enquanto Fogo iria caçar comida para o jantar. Eu adormeci e sonhei com um homem que era igual a mim na aparência. ''Ele devia ser o Ar original'' pensei. O homem respondeu dentro da minha cabeça :
''Claro que sou''
''Como você fez isso?''
''Você pode fazer isso também''
''Que legal, tenho mais algum poder mental?''
''Sim,tem a telecinesia e o controle do ar''
''Mas e voar?Eu tentei e quase morri hoje''
''Ah,sim. Esse poder é um dos últimos a se desenvolver em nós''
''E qual é o último?''
''Depende de cada Elementari'' sua imagem tremulou um pouco e ele disse ''Boa sorte com os poderes mentais, Ar. Adeus''
Com essas palavras ele sumiu e eu acordei no meio da noite. Fiquei na minha cabana meditando e tentando falar com Fogo. Como não estava obtendo exito eu gritei mentalmente para Fogo acordar. O anel e o bracelete brilharam,pouco antes de que Fogo abrisse a cabana. Logo depois que o brilho acabou a minha marca ferveu no meu pescoço. A marca deixou um poder para mim. Esse poder me permitia virar qualquer pessoa que eu quisesse. Fogo que não estava entendendo nada perguntou :
-Como você falou na minha cabeça?
''Como você controla o fogo?''disse mentalmente.
-Nossa que legal!!
''É eu sei'' disse.
Fogo ficou na minha cabana me ensinando como manipular o meu elemento. Logo depois a Água veio sonolenta até minha cabana onde perguntou:
-O que eu perdi?
''Muita coisa'' respondi em sua cabeça.
-Que legal agora cada uma de nós tem um poder.
''Na verdade eu tenho dois'' disse.
-Como assim?
''Eu sou mais poderosa do que qualquer uma de vocês. Eu sou Ar lembra?''
-Eu tinha me esquecido disso.
''Pois é''
-Bom,qual é o outro poder?
Em vez de responder eu me tornei ela com mais facilidade do que pensei que era possível. Obviamente ela se assustou jogando uma flecha de água em mim. Antes que ela me atingisse eu a parei no ar e a coloquei no chão com um pensamento, sem toca-la. Fogo e Água ficaram me achando estranha. Eu li seus pensamentos e respondi em suas mentes. ''Não sou mais estranha do que vocês, ok?'' foi a resposta. O comentário gerou ainda mais pensamentos parecidos que ignorei. Enquanto elas ficavam pensando coisas inúteis eu fui para cidade comprar pão, mas não sem antes mudar de forma. Quando virava outra pessoa a marca continuava e queimava em meu pescoço. Era desconfortável? Com certeza, mas era preciso além de tudo. Para chegar na cidade era fundamental não chamar atenção pois tinham agentes da Fyt patrulhando-a como se ela fosse a coisa mais valiosa do mundo. Se eles suspeitassem de você, eles te levavam para o Oeste o que demorava 5 dias e chegando lá demoravam mais 2 dias para te liberar. Nós não tínhamos tanto tempo assim. Bom fui até o mercado com a cabeça baixa, sem chamar atenção para mim. Chegando lá vi um poster meu colado na parede escrito em letras bem redondas ''Procura-se''. Quase tive um ataque de riso no meio do supermercado, pois vi que os guardas estavam sem colete a prova de balas e armados com somente bastões de borracha. Se eles pensavam que iriam nos vencer só com aquilo estavam enganados. Muito enganados.
Peguei previsões para as próximas 4 semanas, paguei e fui em bora de lá sem deixar suspeitas. Ao chegar ao acampamento vi um garoto falando com a Fogo e a Água. Logo que o vi investi um ataque mental nele. O ataque o fez dobrar ao meio vomitando e ofegando. E então eu entrei bem no fundo da sua mente, quebrando qualquer defesa que ele pudesse ter. Em sua mente descobri que ele o Terra. Segundos depois da descoberta eu retirei o ataque deixando ele respirar um pouco. Ainda ofegando ele veio até mim e disse:
-Nos conhecemos, Ar.
-Não nos conhecemos, não.
-Já que você duvida olhe no fundo das minhas memórias.
Olhei no fundo das suas memórias e recebi uma memória muito valiosa. Ele era o Hector. Aparentemente ele estava vivo. Ele sorriu satisfeito com a minha perplexidade. Fiquei paralisada, minha boca não se mexia e meu corpo não me obedecia. Retirei a minha mente da dele e me encolhi nos meus pensamentos. Fogo perguntou :
-Quem é você?
-Bom, eu gostaria que vocês conhecessem minha irmãzinha, Ar-disse apontando para mim.
Água me levou para minha cabana e me deixou o jantar. Eu não comi nada por dias. Ficava só pensando sobre tudo aquilo. Não sabia se a nossa situação era real ou se não era. Não sabia se estava viva ou não. Um dia eu estava refletindo sobre tudo aquilo quando Hector abriu a minha cabana e me levou para a beira do rio. Chegando lá abri os olhos, oque eu não fazia desde a revelação. Todos ficaram me olhando com esperança de que eu falasse algo. Eu vi que Fogo não dormia à dias, pois ficava cuidando de mim. Eu perguntei uma só coisa :
-Para que eu estou aqui ?
-Nós achamos a Eletricidade-disse Água com um sorriso largo. Fogo assobiou e uma garota saiu do meio das folhas. Ela tinha o cabelo amarelo neon com uma mecha preta. Ela tinha telepatia,como eu. Eu disse telepaticamente :
''Não me incomode quando eu estiver pensando, porque eu vou te encher de lamentações e pensamentos infelizes''
''Que seja''
''Imagino que já conheceu todos eles''
''Já, mas eles pensam que eu sou indefesa e fraca. Você pode dar a mensagem de que eu não sou nenhuma dessas coisas ?''
''Porque eu ?''
''Eu não quero falar com eles e só falo com você, porque dentro das nossas mentes temos privacidade''
''Humf, tá bem''
E assim eu dei a mensagem e fui dar uma volta com a Eletricidade. Ela era um pouco ranzinza demais para o meu gosto, mas tinha boas intenções. Quando chegamos perto da montanha, eu parei de repente pois tinha sentido uma onda repentina de tontura. Eletricidade perguntou :
''O que foi ?''
Ao ouvir aquilo minha cabeça começou a latejar e sua voz ficou ecoando na minha mente. Logo depois eu recebi uma torrente de imagens, sons e cheiros. Minha visão ficou turva, então fechei os olhos para evitar desmaiar na hora. A ultima coisa que eu ouvi foi Eletricidade gritando para o grupo vir logo. Logo depois que ouvi aquilo meus tímpanos cederam e pararam de me obedecer me deixando só tendo como observar os acontecimentos. Hector chegou junto à Fogo. Ele me viu e se ajoelhou à meu lado me abraçando. Fogo me levou ao acampamento onde me deixou na enfermaria aos cuidados de Água. Ela escreveu em um papel para eu dormir e me mostrou. Eu obedeci quase que imediatamente, me deixando envolver nas trevas.
Dessa vez sonhei com todos os Elementari originais. Eles perceberam minha presença e disseram :
-Ar, você está muito doente-disse Fogo antes de que Água continuasse.
-Tememos que talvez você não sobreviva.
-Só existe uma cura-disse Terra.
-Ela tem um efeito colateral-continuou Eletricidade.
-Você nunca envelhecerá ou morrerá-disse Ar.
-Não parece uma coisa ruim, mas você irá ver todos que você ama morrerem e nunca poderá casar, dirigir ou falar quantos tem a alguém-disse Fogo-Você ficará sozinha para sempre.
-Queremos saber se você aceita a cura-disse Terra.
Eu sabia que seria sozinha e se tivesse uma opção que não pesasse no ombro de alguém depois, eu teria dado essa resposta. Essa opção não existia. Eu tinha que dar a resposta antes de acordar. Disse :
-Eu aceito a cura.
Eles assentiram e eu acordei. Ao acordar vi Hector me trazendo uma garrafa de água e uma pastilha. Ele me entregou a pastilha e a garrafa. Coloquei a pastilha na boca e tomei a água para engoli-la. Senti um calafrio percorrendo a minha espinha e logo estava cheia de energia. Hector ficou olhando para mim. Tinha uma pergunta que eu queria fazer a ele desde que o vi :
-Porque você se fingiu de morto?
Ele sabia que tinha que responder a essa pergunta de maneira honesta, então disse :
-Porque eu sabia que você seria a Ar.
-Mas isso não justifica me abandonar pensando que estava morto. Eu passei anos sozinha nas ruas, tendo que me lembrar todos os dias que tudo isso poderia acabar, para não acabar me entregando e entrando nas lamentações. Tudo porque você fingiu estar morto.
-Eu não tinha escolha. Você se desviaria do seu caminho se eu estivesse com você. Foi tudo planejado antes.
Eu não aquentava mais aquilo. Eu tinha que seguir em frente e esquecer o passado. Empurrei ele e sai da enfermaria, indo para o meio do acampamento. Chegando lá encontrei a Fogo. Ela virou para mim e eu disse :
-Vamos embora daqui hoje.
-Tudo bem, vou desmontar as cabanas.
Ela estava indo para uma das cabanas quando eu a parei com a telecinesia. Eletricidade entrou na minha mente, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa eu a ataquei mentalmente. Água atirou uma flecha em mim. Doeu um pouco mas logo depois de me atingir ela saiu do meu corpo me deixando intacta. Eu olhei com ódio para Hector falando em sua mente :
''Você me abandonou, enquanto a maioria das pessoas brincava de boneca eu tinha que caçar e sobreviver. Obrigada por criar essa minha personalidade. Você acabou de matar seus amigos''
Dizendo isso eu comecei uma tempestade. Hector pulou e construiu uma ponte de terra até mim. Ele gritou em minha direção :
-Você não é assim! Só está com raiva de mim e está triste com tudo isso! Eu também quero o final disso, mas só podemos fazer isso com você!
Ele tinha razão,eu não era assim. Eu não sabia que tinha duas personalidades até que toquei no assunto com um senhor quanto era pequena. Eu acabei derrubando o senhor e fazendo com que ele pagasse 125 dólares para a Fyt. Essa outra eu se chamava Shanow. Ela era maldosa e mais poderosa do que meu eu normal. Hector me derrubou no chão e me deu uma caixa de suco de maracujá. Eu me acalmei e desfiz a tempestade. Eu era eu de novo. Libertei Fogo e Água e retirei o ataque de Eletricidade. Hector reuniu todo o grupo menos eu. Eletricidade disse em voz alta :
-Se explique. Agora.
-Eu tenho dupla personalidade, uma sou eu e a outra é a Shanow. Shanow é má e extremamente irritante.
-Porque ela quer nos matar ?
-Você ouviu a parte em que eu disse que ela é má ?
-Ela pode me ouvir ?
-Não pode responder, vê o que eu vejo, sente o que eu sinto.
-E mentalmente ela pode?
-Só se eu autorizar.
-Nós temos que partir agora.
Ela deixou tudo para trás e foi embora. Eu me levantei com a ajuda do Hector e a segui com o resto do grupo. Minha ligação com a Shanow estava mais forte. A Eletricidade só parou quando chegamos no Oeste. Todos nós estávamos cansados, pois a viagem tinha durado dias.
Encontramos uma casa abandonada para passar a noite. Por mais que eu tentasse dormir eu não conseguia pois era só eu deitar que minha cabeça doía. Fui até a varanda da casa me distrair um pouco. Foi meio estranho o que aconteceu quando eu levantei. Ao me levantar fiquei grudada no teto. Sim,grudada no teto. ''Meu penúltimo poder'' pensei. Voar era meu o penúltimo poder. Hector veio até meu quarto e me desgrudou do teto.
Ele era muito alto e elegante quando queria. Eu nunca o perdoaria, mas ele era meu irmão, então eu o amava mesmo assim. Eu mal tinha pisado no chão quando Shanow tomou controle sobre mim mesma e saiu voando do quarto. O teto da casa era alto então ela ficou rodopiando no ar até pausar novamente me deixando assumir o controle e dizendo mentalmente :
''De nada''
Ela tinha deixado os poderes se acomodarem a meu corpo para mim. Eu gostava de Shanow, mas as vezes ela era muito agressiva com os outros. Agora eu sentia sua presença dentro de mim e conseguia conversar com ela à vontade. Hector também gostava da minha outra personalidade só não queria admitir para a ela. O poder de voar tinha me tirado a habilidade de me transformar em outras pessoas. Aquilo era ruim, porém não havia nada a fazer. Hector me acompanhou até a varanda, onde me deixou sozinha no frio da noite. Minha outra personalidade me disse uma coisa que, sem que eu soubesse, era muito importante :
''Nunca confie em pessoas que usam capas negras''
''Hã?'' eu perguntei mas ela não respondeu a essa e ás outras 3 vezes.
Como não havia nada para fazer aqui, eu fui voar. Para levantar do chão era só sair correndo e pular. Enquanto estava voando vi uma grande nave vindo em minha direção. Perdi o controle para a Shanow, que rodopiou no céu, em uma tentativa fracassada de confundir o piloto. Eu entrei em pânico, pois logo depois que Shanow terminou suas manobras, a nave atirou dez dardos tranquilizantes em mim. Desses dez, quatro me atingiram, me desmaiando em pleno voou. Comecei a cair em queda livre quando a nave deu uma rasante e me resgatou. Acordei em uma sala branca com dois médicos me observando por uma parede de vidro. ''Eles não sabem com quem estão se metendo'' rosnou Shanow mentalmente. Ela estava no controle e tentou se levantar do chão do lugar. Ela até que tentou mais de uma vez, mas cada vez que tentava, uma onda de tontura nos invadia e caiamos mais uma vez no chão. Aquilo estava me irritando, então tomei o controle do meu corpo e dei uma pirueta no ar, parando em pé. Os médicos me olharam espantados e rabiscaram mais umas anotações. Me dirigi até eles sem dizer uma palavra. Toquei no vidro para sentir sua espessura, mas ao fazer isso tomei um choque de 230 volts. Eles pensaram que eu desmaiaria novamente, pois o chão se transformou em um colchão branco. Como fiquei só olhando para eles com ódio, os médicos fizeram mais algumas anotações e foram embora com seus cadernos. Só depois que eles foram para longe dali, eu percebi que vestia uma camisa branca com um círculo prata no meio do meu tórax, uma calça jeans azul e estava calçando um tênis preto. Também percebi que eles tinham cortado meu cabelo. Meu cabelo estava cortado até a altura do pescoço e minha franja estava até a altura da minha orelha. Aquelas mudanças só me deixaram com mais raiva daquele lugar.
''Dá para acreditar nisso? Eles me sequestram, me desmaiam, cortam meu cabelo, trocam a minha roupa, me deixam em uma sala com vidros elétricos e ainda colocam dois médicos para fazer anotações sobre meu comportamento'' disse para Shanow. Ela estava com mais raiva do que eu, então não precisou responder à minha pergunta. Fui me sentar no fundo da sala onde fiquei por uns dez dias. Na verdade eu não sabia se eram dez dias na realidade, mas tinha o pressentimento que eram.
Descobri que eles mandavam uma bandeja de comida todo dia. Nessa bandeja, tinha um bolo de chocolate, suco de uva, uma carne quase crua e uma sopa de legumes fria. Eu não comi nada nos últimos dez dias, o que causou uma pilha de comida fria e mofada. No décimo primeiro dia uma turma de treze pessoas entraram na sala e tiraram a comida de lá. O cheiro continuava presente no recinto. Logo depois de mandarem a bandeja do dia, um homem de terno preto de grife, entrou na sala. Chegando lá ele empurrou a bandeja para a direita me acertando nos pés. Ele se virou e pude ver seu rosto que era cheio de cicatrizes,seu nariz era empinado e reto. Ele tinha olhos azuis claros que pareciam esferas perfeitas. Seu cabelo era negro e estava cheio de gel.
Ele se dirigiu até mim e chegando perto de mim disse :
-Você é especial, não é?
Eu não respondi, não porque estava com medo dele, mas porque se dissesse algo, ele poderia tirar suas próprias conclusões sobre o que fazer comigo. Ele não ficou satisfeito com aquilo e me obrigou a levantar. Eu sabia que ele me levaria para uma sala de interrogatório, então pulei e dei uma mortal no ar parando atrás dele. Ele se virou e me deu um tiro no braço. O chão se tornou um colchão, mas eu não cai. Ele ficou surpreso e não o devia ter feito, pois eu chutei seu rosto com força. A bala saiu do meu braço e o ponto atingido se regenerou. O homem ficou desmaiado por algumas horas. Ninguém veio busca-lo ou me prender. Quando ele acordou eu fiquei em estado de alerta. Ele acordou e ficou sentado com as pernas cruzadas. Eu imitei o gesto e cantei uma musica para ele mentalmente. Ele não sabia como minha voz era, então ficou procurando alto-falantes pela sala. Quando a musica acabou ele se virou para mim e disse :
-Você me desmaiou. Vou leva-la para o Profissional, ele saberá o que fazer.
Ao dizer isso um menino apareceu ao seu lado por um alçapão. Ele parecia com o homem, só tinha olhos castanhos e o cabelo louro. Outra coisa era que ele não tinha nenhuma cicatriz no rosto. Shanow disse mentalmente :
''Vocês vão ter uma grande amizade''
''Fica quieta'' respondi.
Ele se aproximou e me algemou. Eu tinha que saber quais eram as suas intenções,então eu o segui até o alçapão. O homem fez menção de ir junto, porém o menino disse :
-Você fica para distrair os guardas.
''Distrair os guardas?'' pensei. Isso significava que eles não eram da Fyt. O menino me encarou e seguiu em frente pela passagem. Chegamos em um outro alçapão. O menino o abriu e me vendou. Quando tirei a venda, vi que estava em uma cela com uma cama e uma escrivaninha. ''Ótimo, sai de uma cela para parar em outra'' disse para Shanow, que concordou com um resmungo. Segundos depois de concluir esse pensamento, o menino apareceu em uma tela na parede. Ele disse :
-Não vamos te machucar, se você colaborar.
''E se eu não te ajudar?'' perguntei para ele, sem me importar com a questão da voz. Depois adicionei :
''Qual é seu nome?''
-Me chamo Jonh Gospel e se você não me ajudar, irei te entregar para a Fyt.
Ele sabia sobre meus poderes e habilidades, então devia saber o resto. Acho que eles tinham me dado o soro da verdade, pois senti que tinha que contar tudo a ele. Shanow gritava para eu não fazer aquilo, mas eu fiz. Eu contei tudo a ele. Fiquei pelo o que contei 3 horas, narrando cada detalhe da história. Quando terminei ele ficou me encarando por um bom tempo sem esboçar nenhuma expressão. Eu já sabia o que aconteceria. Eu morreria mesmo sendo imortal, pois os Elementari encontrariam um jeito de anular o efeito da cura. Mas nada aconteceu. Ouvi o Ar original dizendo mentalmente :
''Você contou tudo a ele, Ar. Você deveria morrer, porém o bracelete acha que você fez a coisa certa. Aproveite sua vida com mais cuidado de agora em diante, pois talvez você não tenha tanta sorte dá próxima vez''
Entendi a mensagem e o tal do Jonh me olhou sem nenhuma expressão e disse :
-Você é especial demais para ser entregue à Fyt, então vou te providenciar um quarto na minha mansão.
Ele era só um garoto da minha idade e agia como se tivesse 30 anos a mais. Na verdade isso não importava, porque ele tinha se mostrado ser um amigo até agora. O homem das cicatrizes me levou para um quarto sem janelas ou decorações, que no meio havia uma cama de casal cheia de almofadas. Fui dormir na cama enquanto todos tomavam café da manhã na mesa da sala de jantar. Sonhei com o meus amigos que lutavam contra guardas da Fyt. Eles conseguiram sair de lá quase ilesos. Quase. Água que era sempre amigável e companheira,tinha levado um tiro na perna,de onde saia jorros de sangue. Talvez ela não fosse a minha melhor amiga,mas eu nutria um grande afeto por ela,não queria que tudo aquilo acabasse para ela,só por causa de uma simples briga de uma droga de guerra. O sonho se desfez quando ela desmaiou. Jonh entrou no quarto com um sanduíche e um copo de leite. Quando ele entrou, eu disse :
-Bom dia sequestrador.
Ele levantou a sobrancelha, o que era um jeito informal de discordar com algo para ele. Eu dei risada da sua expressão e ele sorriu. Seu sorriso era perfeito e branco. Ele me estendeu o copo e eu aceitei, bebendo o leite. Ele comeu o sanduíche sem deixar nenhuma migalha no chão. Antes de que ele fosse embora do quarto eu revistei sua mente e descobri que ele tinha muito sofrimento acumulado. Até mais do que eu. Também descobri que ele tinha uma inteligencia quatro mil vezes maior do que uma pessoa normal. Quando terminei a exploração, ele me olhou com um olhar de medo e tristeza, mas logo depois saiu do quarto. Fiquei sozinha pensando no que havia acontecido. Se ele me ajudasse na busca pelos outros membros do grupo, ele poderia descarregar sua tristeza na Fyt e vingar todas as pessoas que sofreram por isso, conosco. Sai do quarto e fui até seu escritório. Chegando lá seu guarda-costas me parou. Ele era muito grande e forte. Jonh abriu a porta e o seu guarda saiu da minha frente. Entrei na sala e fechei a porta atrás de mim. Gospel estava me analisando, quando de repente se dobrou para frente e ficou encarando o chão. Ele estava arfando e lutava para respirar. ''Ataque mental'' pensei. Pouco depois de concluir o pensamento, Eletricidade apareceu do nada e me empurrou para a direita. Eu à ataquei e ela saiu de perto de mim cambaleando, logo antes de cair no chão. O resto da turma chegou e ficou só olhando a situação. Água perguntou :
-Você trabalha para a Fyt agora?
-Já estaria morta se esse fosse o caso-respondi.
Todos assentiram. Ajudei Jonh a respirar manipulando o ar até seu nariz e o mantendo vivo. Fogo percebeu e me perguntou :
-Quem é esse garoto?
-Ele se chama Jonh Gospel e é meu amigo e aliado. Ele tem uma inteligencia fora do normal, talvez seja útil-disse.
-''Talvez'', não. Com certeza está melhor-disse Água, que estava bem.
Liberei Eletricidade, mas ela queria saber se sua mente resistiria a um ataque mental forte. Ele se contorceu e ofegou, mexendo os braços como se estivesse empurrando algo. Eletricidade pediu que eu atacasse também. Eu fiz isso. Ele balançou a cabeça, em uma tentativa frenética de se libertar. Eu senti seu intelecto se apertando como uma esponja. Ele colocou as mãos na cabeça e ficou murmurando palavras estranhas. Ele olhou para o teto e gritou para o nada. Logo depois disso, sua inteligencia aumentou duas vezes mais, tornando seu raciocínio impossível de ser compreendido. Eletricidade não conseguiu atacar seu intelecto depois disso. Eu retirei o ataque mas continuei em sua mente. Em vez de me expulsar igual fez com a Eletricidade, Jonh me envolveu em pensamentos e emoções. Ele se levantou e me olhou nos olhos. Fechei os olhos e vi seus pensamentos. Me deixei envolver com tudo aquilo e vi Jonh ali. Ele segurou a minha mão e eu abri os olhos. Eu estava segurando sua mão, mas não estávamos na sala, estávamos em uma montanha nevada com um rio brotando da ponta de umas delas. Ele me abraçou e pulou da montanha. Eu não voei, ou entrei em pânico, porque eu estava segura, como jamais estaria naquela sala. Fechei os olhos o abracei de volta, tornando a caída mais rápida. Quando estávamos quase chegando no chão, eu pairei e pousei junto com ele. Ele me soltou gentilmente. Quando abri os olhos estávamos de volta à sala. A única diferença era que o relógio marcava cinco minutos antes de que eu entrasse no escritório pela primeira vez. Disse :
-Você tem poderes.
-Na verdade eu tenho uma conexão com você só não sei porque, como ou para que-disse.
-Vamos até a entrada antes de que meus amigos entrem.
Ele foi na frente e eu o segui. Meu grupo chegou logo depois de nós termos saído. Eles olharam confusos para nós dois. Então eu percebi. Gospel estava com um dos olhos prateados, mas não era como o de um felino. Os meus olhos eram humanos e um deles era castanho. Nós tínhamos trocado os olhos.
Minha turma pediu explicações e nós contamos tudo que tinha acontecido desde que eu fui capturada. A reação de Hector no começo da historia foi estranha, ele ficou mudando o peso de um pé para o outro. Eu logo reconheci o motivo do movimento, ele estava nervoso. Depois de terminar o relato todos nós fomos até um restaurante da região. O sol já estava se pondo e quando ficasse de noite iriamos partir para a base da Fyt. Jonh estava com o terno todo rasgado e entrou em sua casa para trocar de roupa. Seu guarda-costas ficou triste com a partida de seu pratão. Eu fui até o banheiro da mansão para trocar de roupa em vez de vestir aquela camisa e aquela calça da Sala, que era como eu chamava o lugar que estivera. Coloquei uma camiseta e uma calça pretas, um casaco sem zíper azul escuro, um óculos escuros e escondi meu cabelo com uma toca roxa escura. Quando sai do banheiro encontrei Gospel com uns coulos escuros me olhando. Eu sabia em o que ele pensava. Ele estava pensando sobre o meu intelecto. Eu gostaria de poder fechar os olhos e entrar em sua mente,mas não havia tempo para isso. Saímos juntos da mansão e nos dirigimos até o restaurante. Fogo chegou primeiro para conferir se o espaço era seguro. Pelo o que ouvi estava tudo bem entrarmos ali. Jonh puxou os óculos escuros para cima dos olhos e foi até o restaurante. Ele estava vestindo uma calça preta e uma camisa branca. Se não estivéssemos em guerra eu poderia ter achado engraçado quando um barulho de gritos invadiu meus ouvidos, me atordoando. Mas naquelas circunstancias eu olhei instintivamente para cima onde pairava uma nave da Fyt. ''Os testes começaram'' pensei. O grito terminou tão rápido como tinha começado e a nave se foi. Caminhei para o restaurante e me sentei ao lado de Jonh e Fogo. O resto da turma chegou um pouco depois. Comemos e fomos até o ponto de ônibus. Só desceríamos ao chegar no ponto mais perto da base. A viagem duraria dois dias. Entrei no banco de trás com Jonh. Ele se virou para mim e tirou os óculos. Eu repeti o gesto e olhei no fundo dos seus olhos desiguais, ele fez o mesmo. Ao olhar no fundo das suas pupilas, vi quem ele era antes da guerra e quem talvez seria depois dela. As imagens vinham em flashes e passavam muito rápido. Senti suas emoções no presente e no passado. De repente tudo acabou e um vazio preto era a única coisa que eu era capaz de ver. Depois de longos minutos vendo apenas escuridão, eu avistei uma pessoa caminhando até mim. Quando a pessoa chegou perto de mim eu percebi que aquele era o Ar original. Ele disse :
-Você e Jonh tem uma ligação.
-Percebi-respondi.
-Quando fomos escolher o novo Ar, não sabíamos era se melhor escolher você ou ele. Nós escolhemos que seria você, porém quando eu transferi os meus poderes para seu organismo, você transferiu uma parte de seus poderes mais superficiais para ele. Seus poderes te conectaram, deixando ele um gênio e você sendo quem é hoje.
-Ele tem poderes?
-Não, mas sem ele você nunca vai ter o seu poder final. Eu descobri qual é seu último poder.
-Qual é?
-Se eu disser ele não irá surgir.
Ele disse aquilo e se foi. Sai da pupila do Jonh com um puxão repentino. Ele estava de olhos fechados e quando os abriu, eles estavam vermelhos. Ele tinha chorado por horas. Quando me viu o encarando me abraçou e começou a soluçar e chorar. Eu o abracei de volta. Depois de algum tempo ele parou de soluçar e sussurrou em meu ouvido :
-A Fyt encontrou minha casa e meu guarda-costas. Ele está morto.
Eu entendia o sentimento de solidão. Já tinha conhecido aquilo comigo mais de uma vez, me lembro de ter passado semanas sozinha, no frio, com fome.
Ele me soltou e mudou de lugar ficando de frente para mim. Ele estava analisando. Podia sentir sua mente trabalhando, tirando dados e os armazenando. O Ar estava certo, eu tinha uma conexão com Jonh. Ele virou a cabeça de lado e espiou pela janela de trás do ônibus. Não devia ter visto nada de interessante, pois se voltou para mim e ajeitou minha franja, que tinha saído da toca. Eu sorri agradecendo. Ele sorriu de volta e tirou um embrulho do bolso da calça. Ele me deu e colocou os óculos escuros de novo. Quando eu abri o embrulho, senti um arrepio na espinha. O objeto era um relógio digital preto. Os segundos não passavam, mas quando eu o toquei sem a luva, ele se transformou em uma luva branca de treino. Minha luva branca de treino. Eu só tinha uma das luvas, mas ao por ela senti que não precisaria da outra. Eu agradeci sem fazer barulho. Ele assentiu alegre de verdade pela primeira fez desde que a guerra começou. Fiquei testando a luva/relógio até chegarmos no ponto. Chegando lá desci do veiculo e segui Fogo até uma casa abandonada perto da base. Chegando lá eu troquei de roupa e fui até o jardim. Mal tinha pisado no jardim quando meu poder de voar se ativou sozinho e me levou até o céu em alta velocidade. Depois de uns dois minutos ele desacelerou até parar. Meu bracelete brilhou em um azul claro ofuscante, o meu anel fez o mesmo. Fechei os olhos para não ficar sega pela luz. Ao fechar os olhos, ouvi milhares de vozes em minha cabeça. Tudo ficou confuso e turbulento. De um segundo para o outro, tudo acabou.
Acordei na cama da casa abandonada com Jonh me olhando preocupado. Eu tinha apagado por horas. Tentei me levantar, mas Jonh me impediu. Ele disse que eu tinha caído cinquenta metros e quebrado a perna. Enquanto ele dizia eu podia ver suas emoções e intenções. Meu último poder era ver as pessoas como elas realmente eram. Como elas se sentiam.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.