Elementos - Da criação à queda
5 Capítulo 2 - As escolhas que fazemos - Parte 3
Dr. Steve andava com muita rapidez, tinha cerca de 40 anos. Trajava um jaleco extremamente branco, de um dos bolsos saltavam luvas de silicone. Seu olhar ao ver os garotos era de tristeza e pena.
— Qual de vocês dois é o filho de Thomas e Emma Mayer? — perguntou o médico ao se aproximar deles.
— Sou eu — Leon Deu um passo a frente. — Por favor, me diga se meus pais estão bem.
— Você precisa manter a calma. — Dr. Steve olhava para Leon. — Seus pais colidiram com um caminhão quando voltavam para casa. O motorista do caminhão não sobreviveu e morreu no local. Seus pais foram trazidos as pressas para os hospital, ambos com vida, porém... — tentava formular a frase da maneira mais sutil possível, não havia como. — Fizemos tudo o que podíamos, mas sua mãe não sobreviveu aos ferimentos, ela faleceu a 15 minutos atrás. Eu sinto muito.
Ouvindo aquelas palavras, Leon sentiu seu chão ruir. As lágrimas desciam sem controle por suas bochechas. Estava prestes a cair quando sentiu uma mão lhe dando apoio, era Ben. Eles se abraçaram e Ben falava algo para dar forças ao amigo.
— Seu pai está vivo, a situação dele é estável — continuava o médico. — Ele deseja te ver.
— Leve-me ao meu pai. — falou Leon virando-se para o doutor.
— Você terá que esperar aqui — disse o médico olhando para Ben. — Só familiares são permitidos.
— Está tudo bem. — respondeu Ben. Notou que Leon queria a companhia dele naquela situação. — Vou ficar esperando aqui fora. Seja forte, Leo.
Então Dr. Steve seguiu na frente com Leon logo atrás. Juntos adentraram o corredor norte. O caminho parecia não ter fim, em ambos os lados do corredor haviam portas numeradas.
— É aqui. — disse o médico parando em frente a uma porta e abrindo-a. — Chame-me se precisar de algo.
A sala era razoavelmente grande. Havia uma cama no centro dela, entre uma mesa com flores artificiais e uma poltrona para os visitantes. Thomas repousava sobre a cama, várias máquinas, produzindo um som agudo padrão, estavam ligadas ao seu corpo.
— Pai! — chamou Leon correndo em direção ao pai.
Thomas conseguiu virar o rosto para ver o filho, seus olhos encheram-se de alegria e na boca formava-se um sorriso. Um dos seus olhos estavam inchados e vários ferimentos estavam espalhados pelo seu rosto e braços, a roupa do hospital certamente cobria o resto dos ferimentos. Leon se assustou ao ver o pai naquelas condições, mas manteve a calma.
— Filho... — balbuciou o Thomas. — Você veio. Achei que não chegaria a tempo.
— A tempo de quê?
— A tempo de nos despedir. — respondeu o pai.
— Mas pai, o médico disse que você está estável, poderá sobreviver! — argumentou Leon. — Já a mamãe...
— Eu sei que ela não sobreviveu — respondeu Thomas. — Desde o momento que colidimos sabíamos que não sobreviveríamos. Por isso me obriguei a sobreviver até agora... — ele tossiu, excretando sangue.
— Vou chamar o médico, pai. Não fale, eu volto...
— Leon, espere! — chamava o pai. — Preciso realizar o último desejo de sua mãe. Preciso me despedi de você por nós dois. — e então moveu a mão devagar para cima, até segurar a mão do filho.
— Não, pai. Você vai sair dessa com vida. — argumentava Leon. Lágrimas se formavam em seus olhos. — Poupe suas energias.
— Escute com atenção. — disse o pai, tossindo novamente. — Sua mãe e eu gostaríamos que você soubesse que te amamos muito, e nunca deixaremos de te amar. Você nasceu para ser parte de algo grande, meu filho. — Thomas soltou a mão de Leon, mas continuava olhando para ele.
As máquinas que outrora se mantinham quietas, agora alarmavam com sons agudos alternados que iam diminuindo. Diminuíam conforme a vida de Thomas diminuía.
— Não, pai! — disse Leon. As lágrimas desciam em grande quantidade dos olhos dele. — Você não pode me deixar sozinho.
Leon correu para a porta e gritou por ajuda. Rapidamente Dr. Steve vinha em direção a ele, acompanhado por duas enfermeiras.
— Saia do quarto, por favor. — dizia uma das enfermeiras que conduzia Leon para fora.
Ele observou do lado de fora enquanto a outra enfermeira aplicava uma seringa com líquido amarelo no pai. Thomas sorria olhando para o filho enquanto murmurava algumas palavras.
— Já vou, querida. — murmurava ele. — Já estou indo.
— Ele está tendo uma parada cardíaca — falou Dr. Steve. — Preparem o desfibrilador e afastem-se.
Mas já era tarde demais. A vida já estava deixando o corpo de Thomas. Ele permanecia na mesma posição, com os olhos fechados e sorrindo para Leon. Então o sorriso se desfez. Ele estava morto.
E Leon acordou.
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