Elementos - Da criação à queda
6 Capítulo 3 - A ascensão das trevas
Sul do Atlântico – dias atuais
O oceano estava calmo. Um navio cargueiro navegava lentamente sobre as águas, que batiam em seu casco.
Então um vortex surgiu sob uma nuvem. A escuridão emanada por tal coisa era muito densa, fazendo com que o sol, que outrora brilhava no céu, não poder ser mais visto. O oceano agitou-se, simulando uma tempestade.
A tripulação do navio observava em silêncio, quando uma massa escura e esfumaçada atravessou o vortex e pairou sobre eles. O portal se fechou em seguida e tudo voltou ao normal, exceto pela massa de trevas que voava acima dos tripulantes.
Por cerca de um minuto, nada aconteceu. Até que da fumaça negra saiu um grito assustado enquanto ela descia em direção ao navio.
— É o fim. — gritava um homem do navio. — É o apocalipse — falava outro. Não havia para onde fugir, certamente aquela coisa negra destruiria o navio antes que eles chegassem em terra firme.
Quando parecia ser o fim, uma criatura surge das nuvens e vai em direção da fumaça das trevas. Parecia um falcão, não, tinha pernas e braços fortes. Seu corpo, que se parecia com o de um homem, era coberto por penas com vários tons de marrom. Trazia nas costas um magnífico par de asas e seus pés, mãos e face se assemelhavam aos de um falcão. A criatura trazia consigo um vendaval, que, de impacto com a fumaça negra, a empurrou para longe do navio. A criatura, com a maestria de uma águia, posicionou-se entre as trevas e o navio, batendo suas asas bravamente.
A essência das trevas se comprimiu até torna-se uma esfera negra do tamanho de uma melancia. E, então, expandiu-se dando forma a um monstro de corpo esguio, semelhante ao de uma cobra, no entanto possuía garras e três pares de asas de couro que batiam velozmente. A cabeça era de um dragão e seus dentes eram afiados como navalha. Era totalmente escuro e tinha cerca de seis metros. Da boca do monstro pingava uma saliva escura que, ao penetrar no oceano, fazia com que os peixes boiassem à superfície, mortos.
A criatura negra rugiu, em seguida lançou uma rajada de chamas com púrpura de sua boca. O fogo voou na direção do homem falcão que se defendeu usando o mesmo fenômeno de antes, o vendaval. Os ventos empurravam as chamas, mas não eram fortes o suficiente. Sem forças para manter o vendaval, o falcão hominídeo foi atingido em cheio pelas chamas, mergulhando e afundando no oceano.
Mas a luta não havia acabado. O homem falcão elevou-se numa explosão de água e voou na direção do monstro, acertando-o com um soco na cabeça. Ele era incrivelmente forte. O impulso feito pelo soco mandou o monstro a dez metros pelo céu. Algumas de suas penas estavam queimadas pelo dano das chamas, mas ele lutava com vigor.
O monstro rapidamente recobrou a consciência. Mais feroz do que antes, desceu numa investida mortal mirando o falcão hominídeo. Seus dentes e garras afiadas triturariam tudo o que estivesse no caminho. O homem falcão preparava-se para o impacto quando foi paralisado pela dor. A mão que tocara no monstro estava sendo consumida devagar pelas trevas, como se ele houvesse mergulhado a mão em ácido.
Não havia como ganhar aquela luta, ele estava ferido e não podia tocar no monstro. A única coisa que ele podia fazer era levá-lo para longe das pessoas, e era isso que ele faria. Foi ágil o suficiente para desviar do monstro sombrio, e então voou em toda velocidade para longe dali. O monstro, que não era dotado de inteligência, o seguiu em seguida.
O homem falcão seguiu voando a oeste do atlântico. A essa altura, já tocava nas nuvens. Não poderia fugir para sempre, o monstro estava a cinco, talvez seis metros de distância dele, e era mais rápido..
A mão doía. Desacelerou e fez menção de cair, mas logo recobrou a velocidade. A criatura agora estava a um pouco mais de um metro dele. O falcão hominídeo sentiu o calor em suas pernas, o monstro estava se preparando para mais um ataque.
Então a boca do monstro explodiu em chamas. Diferentes das outras, estas eram negras. O fogo atingiu as pernas do homem falcão. O humanoide grunhiu de dor, aquelas chamas eram mais quentes que as anteriores, foram criadas para consumir rapidamente o alvo.
Não aguentando mais a dor em suas pernas, o guerreiro voador brilhou e desmaterializou-se. Pó brilhando ocupava o lugar dele agora, que logo foi espalhado pelo vento. Havia conseguido levar o monstro para longe das pessoas.
A criatura das trevas rugia de satisfação, havia ganhado a luta. E então explodiu em trevas que partiram a procura de mais vítimas.
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