Elementos- A Guerra Começou
9 Segredos
Notas iniciais
***POV Daniel***
Após almoçar com meus amigos no refeitório, me despedi deles e resolvi dar uma volta por aí. Fui até o estábulo pegar o meu cavalo. Montei-o e o incitei a andar. Calvaguei pelos arredores fora do acampamento o mais rápido que pude, sentindo a adrenalina e o vento bater forte no meu rosto. Eu me sentia bastante vivo. Então me pembrei do meu amigo Freggy e resolvi dar uma passada na cabana dele. Adentrei na floresta Shwy aos poucos, seguindo a trilha, até chegar a construção feita de madeira. Saí do meu cavalo e o prendi em uma árvore através de uma corda.
–--Ora, ora, ora. A quem devo a honra nossa majestade? --- perguntou Freggy brincalhão.
–--Freg, você sabe que não precisa me chamar assim. --- falei.
–--Você é um princípe! Mas se o senhor pede tudo bem. ---falou rindo.
–--Você é uma figura mesmo, só Daniel já basta. --- falei sorrindo e o cumprimentando com um aperto de mão.
Freggy era um homem alto, gordo, barbudo e maduro. Ele gostava de fazer tudo quanto é tipo de poção. Poções para curar, para envenenar... A sua cabana era pequena, porém confortável, também era cheia de plantas, potes com coisas em conserva, essas coisas.
–--Sente-se jovem princípe. --- falou ele indicando-me uma cadeira.
Acatei ao seu pedido sentando-me na cadeira.
–--Freg... Você tem alguma novidade? --- perguntei.
–--Hm... Aqui em Serdin, pelo que sei, tudo está normal. No continente dos terrinos ouvi boatos de que um homem viu um par de “olhos vermelhos” na escuridão. Esse povo inventa é coisa. É difícil saber.
–--Só isso? Mais alguma coisa? --- indaguei.
–--Bem, ninguém sabe direito o que se acontece no continente dos chamas, poucos têm coragem de ir lá. De vez em quando alguns chamas atacam aldeias, vilas ou cidades de outros lugares. Mas ultimamente eles andaram mais quietos, o que vem deixando as pessoas um pouco temerosas... Porque talvez eles estejam tramando algo sei lá. Não se sabe ao certo.
–--Hm... --- falei.
–--E o senhor? Como está? Sua mãe e seu pai, vossas majestades? --- perguntou-me.
–--Estou bem, as aulas já começaram lá no Acampamento. Sim, eles estão bem, meu pai está de viagem á procura de alianças como sempre e minha mãe passa bem. Fiz uma visita á eles recentemente.
–--Que bom. ---falou Freg sorrindo. --- Mas parece-me que tem algo te incomodando.
Então ele se levantou e foi até um armário.
–--Algo me incomodando? --- perguntei confuso.
–--O senhor ainda tem aquele estoque de poções curativas que te dei? --- perguntou Freg.
–--Ah... Bem, já acabou. --- falei.
Ele remexeu no armário tirando vários potes de lá e uma sacola de couro.
–--Certo, aqui estão. --- falou ele me entregando a mochila.
Olhei dentro do material, vi vários potes, porém teve um que me intrigou: um pote com uma substância verde clara pastosa dentro.
–--O que tem aqui dentro Freg? --- perguntei.
–--Ah, isso aí é uma pasta que acelera a cicatrização dos ferimentos. --- ele falou.
Analisei mais uma vez o pote e o guardei.
–--Obrigado Freg. --- agradeci.
–--De nada jovem. Já está ficando tarde, melhor você voltar para o acampamento. --- falou ele.
–--Tem razão, já estou indo então. Obrigado por tudo. --- apertei a sua mão e saí.
Desamarrei Rubys, montei-o e segui de volta para o Acampamento. Deixei meu cavalo no estábulo, já estava escuro e eu caminhei de volta para o meu Prin... Eu estava quase chegando no mesmo quando começei a ver uma coisa brilhando entre as árvores. Fiquei curioso e fui até lá. Mas quando cheguei ao local desejado eu encontrei a cena mais estranha de toda a minha vida. Eu me perguntava: Porra, por Rhipez, o que estava acontecendo ali? Deixe-me ver se consigo descrever o que vi: Uma garota, com uma ave branca bem perto do seu rosto, eles pareciam estar se olhando ou em algum tipo de conexão sei lá e os olhos dela brilhavam, não dava para ver as orbitas era só... Luz. Uma luz amarela fraca e seus cabelos pareciam meio que flutuar de leve, mas não estava ventando. Eu não sabia o que fazer, simplesmente continuei parado, de boca aberta obvservando a cena.
Então a luz começou a desaparecer de seus olhos e os seus cabelos voltaram ao normal. Então a ave parecia ter piscado para ela (como assim?!) e depois foi embora. Eu reconheci a menina, era... Era... Lucinda. O que ela era? Como conseguiu fazer essas coisas que eu vi?
–--Mas que porra está acontecendo aqui... Lucinda?! --- falei totalmente assustado e incrédulo.
Eu estava com medo dela.
–--Dan-Daniel?! --- ela perguntou assustada por me ver ali --- O que vo-você está fazendo aqui? --- ela indagou temerosa.
–--O que eu estou fazendo aqui? Eu que devo te perguntar o que você está fazendo aqui! --- falei um pouco mais alto.
–--Shh, fale baixo! --- falou ela. --- Por favor, eles não podem ficar sabendo.
–--Eles quem? Greg e Kali? Por Rhipez... Quem é você Lucinda? O que você é? --- perguntei.
Ela ficou em silêncio, parecia estar refletindo a minha pergunta.
–--Eu, eu não sei Daniel. --- ela falou com olhos marejados fixos nos meus.
Quando ela olhou nos meus olhos, eu não sei explicar, eu só... Consegui entender a sua confusão, como um tipo de conexão, entende? Eu senti que ela estava falando a verdade. Mas eu ainda estava com medo dela.
–--Tá bem... Fale para a Kali e o Greg que você vai voltar para o seu Prin. Eu te encontro lá. ---falei.
Estranho eu ter visto o que vi e querer conversar com ela? Sim. Mas eu precisava de uma explicação para aquilo.
–--Mas, mas... --- ela falou ainda aturdida.
–--Vai logo. --- falei, antes que eu desistisse da ideia.
Então ela se levantou, limpou as lágrimas e voltou correndo para o Prin. Peguei um pouco da conversa e da desculpa dela, acho que ela disse que não estava se sentindo muito bem e que ia ficar um tempo só. Assim, ela voltou.
–--Vamos. ---falei.
Ela estava com receio... Acho que posso dizer medo de mim. Talvez de que eu possa contar para alguém o que presenciei. Ela continuou parada. Virei-me e me aproximei um pouco mais dela.
–--Eu não vou contar para ninguém. --- falei sério olhando nos seus olhos que fugiam dos meus. --- Agora venha. --- pedi.
Então caminhamos pela floresta em silêncio até chegar ao Prin dela. Ela entrou primeiramente e depois abriu a porta para mim, fechando-a logo em seguida. Ela sentou na própia cama e me indicou que sentasse ao seu lado.
–--Lucinda, pode me contar o que está acontecendo? Fale-me desde o ínicio. --- eu pedi.
–--Desculpe-me por ter sido grossa com você hoje de manhã. --- ela falou.
Em seguida ela começou a contar-me, tudo, tudo mesmo. Desde quando ela acordou em uma cabana, recebeu os sabres, viu o que ela achou ser um Ancião se desintegrar até quando ela começou a ter estranhos sonhos e visões ou lembranças, ela não sabia direito o que era. Eu ouvia tudo atentamente, era difícil de acreditar na história que ela me contava, mas ela parecia-me estar sendo sincera.
–--E o que foi aquilo que eu vi na floresta? --- indaguei.
–--Eu... Não tenho certeza, acho que foi uma visão, alguma coisa que já aconteceu há muito tempo. --- ela falou.
–--E por que seus olhos brilhavam? E o que era aquele passáro branco? --- perguntei.
Ela ficou realmente com uma cara confusa.
–--Meus olhos o quê? --- ela perguntou atordoada.
–--Seus olhos estavam brilhando! ---falei.
–--Brilhando? Mas eu não percebi nem senti nada! --- ela falou incrédula.
Ela não sabia que os olhos dela estavam brilhando? Agora eu fiquei confuso. E por que estavam brilhando?
Droga Lucinda.
–--E o passáro? --- perguntei.
Ela parou e se pos a pensar chegando á uma conclusão.
–--Foi ele que me mostrou a visão. --- ela falou convicta.
–--Tem certeza? --- perguntei.
–--Sim. --- ela falou. --- Aquele passáro, eu já o vi outra vez. --- disse ela como se estivesse recordando.
–--Não acho que tenha sido um passáro que lhe mostrou a visão... --- falei recordando-me de algo.
–--Como assim? --- ela perguntou.
–--Foi um espiríto perdido. --- falei. --- Os espíritos perdidos podem habitar corpos de animais por um tempo... Foi o que ouvi falar.
–--Estou confusa, Daniel. --- ela falou por fim.
–--Eu também estou Lucinda. --- falei.
–--Você está com medo de mim? --- perguntou.
Sinceramente, não esperava que ela fosse perguntar isso. Levei um choque.
–--Hã... Bem... Um pouco. --- falei.
Ela abaixou a cabeça e começou a fitar os pés.
–--Olha, eu sei que a gente nem se conheçe direito, e que eu não tenho o direito de te pedir isso... Mas por favor, não conte para ninguém tudo o que te falei. Só quem sabe sobre isso é o Sr. Campry e... Bem, agora você. Eu ainda estou tentando descobrir o que sou ou quem eu era não sei. Não quero que as pessoas tenham medo de mim. --- ela falou melancólica.
–--Não se preocupe, não vou contar para ninguém. Tem algo que eu possa fazer para te ajudar? --- perguntei.
–--Sinceramente? Não sei. Eu peguei um livro na biblioteca para ler, para ver se me ajuda, mas ainda não começei a ler. --- falou.
–--Que livro? --- perguntei.
–--Esse. --- ela pegou o tirando de uma bolsa.
Eu sabia que livro era aquele. Era da coleção proíbida da biblioteca, só quem tinha acesso eram as pessoas mais... “Sábias” e as pessoas da realeza, como... Eu.
–--Como conseguiu esse livro? --- indaguei.
–--A moça da biblioteca me emprestou... --- ela falou.
–--Já sei, também não posso contar para ninguém. --- falei.
–--Bem... É. --- ela concordou um pouco envergonhada.
–--Então pronto, amanhã vamos nos encontrar na biblioteca depois da aula teórica. Leve esse livro e não deixe que ninguém o veja. --- falei.
–--Não quero que seja obrigado a me ajudar só porque sabe do meu segredo Daniel. Não quero que perca seu tempo comigo, eu posso tentar achar as respostas sozinha. --- ela falou resistente.
–--Tá, a gente ainda não se conheçe direito, eu sei e você também sabe. Mas agora que eu sei disso tudo, como não vou querer ajudá-la Lucinda? Assim como você pediu-me para não contar á ninguém, peço-lhe que confie em mim a partir de agora. --- falei. --- Você vai descobrir as respostas e eu vou te ajudar. Acordo fechado? --- perguntei estendendo a mão para ela.
Lucinda me encarava como se estivesse pensando se devia ou não confiar em mim.
–--Tudo bem, acordo fechado. --- ela falou apertando a minha mão.
–--Bom, a gente se vê amanhã. --- Falei me levantando.
–--Sim. --- ela falou se levantando e indo até a porta para abri-lá para mim.
–--Boa noite. --- falei já saindo do seu Prin
–--Não sei se a noite será boa para mim, mas com certeza será para você. Então, boa noite, Daniel. --- ela falou já fechando a porta atrás de mim.
Não entendi o que ela quis dizer com “Não sei se será uma boa noite para mim”, mas tudo bem.
Caminhei de volta para o meu Prin ainda confuso com tudo o que vi e o que fiquei sabendo. Quando eu cheguei Kali já estava de saída.
–--Daniel, por onde esteve? --- perguntou ela me abraçando, fazendo Greg me olhar com cara feia.
–--Eu estava... Por aí. --- falei correspondendo seu abraço.
–--Sempre sumido. --- falou ela. --- Está tudo bem com você? --- perguntou.
–--Hã? Ah, sim, está. --- falei tentando convecê-la.
–--Ótimo então, boa noite. --- falou ela e foi-se andando para o seu Prin.
Greg me fitava.
–--Tem certeza de que está bem? --- ele perguntou.
–--Claro parceiro! Vamos entrar? Estou com fome. --- tentei parecer tranquilo.
–--Vamos. ---ele falou, então notei que sua cara estava um pouco ruborizada.
–--Hm... O que aconteceu aqui antes de eu chegar? --- perguntei procurando algo para comer.
–--Bem, ficamos conversando eu, Kali e Lucy. --- falou ele.
–--Sim, mas agora quando eu cheguei só estavam aqui você e Kali. --- falei sorrindo olhando ele.
–--Lucinda foi embora a pouco e... --- ele começou a falar, mas eu já começava a rir. --- Aff, vá se ferrar cara. --- falou ele irritado.
–--Conta logo, Greg! --- falei.
–--Eu cheguei bem perto de contar para ela o que eu sentia... Mas aí Lucinda apareceu dizendo que não estava se sentindo bem e que ia voltar para o seu Prin. Aí agora antes de ir embora Kali me deu um beijo bem perto do canto da boca e foi embora como se nada estivesse acontecido. Porra, que saco. --- ele falou se jogando na cama.
–--Calma Greg, no momento certo você conta para ela. --- falei.
–--Ah, muito engraçado! É fácil você falar não é? Você é o cara mais bonito desse acampamento e ainda por cima é um princípe! As garotas todas se jogam aos seus pés e ficam pedindo para vir para cá de noite “dormir” com você. Qual é cara... --- disse ele. --- E que milagre você pareceu dar um tempo, nunca mais trouxe ninguém para cá... --- ele falou rindo.
–--O que? Eu não trago ninguém, elas que vem para cá! --- falei.
–--Sei, sei... --- ele falou sorrindo.
–--Ainda bem que sabe. --- falei mordendo uma maçã que eu tinha achado.
–--E você? Alguma novidade? --- perguntou Greg.
–--Fui visitar Freggy, por enquanto nada de importante. --- falei. --- Cara, estou cansado, vou dormir. --- disse.
Então me troquei para deitar-me.
–--Certo. --- falou ele. --- Sonhe com Rose. --- disse-me zuando.
–--Vá se ferrar Greg! --- falei já deitando e ele dando risada.
Naquela noite eu não sonhei com Rose ou com nenhuma outra garota. Demorei um pouco para dormir, ainda estava confuso com todas as coisas que vi e fiquei sabendo agora á pouco, e todas vindas de Lucinda. Sim, foi ela quem ocupou meus pensamentos e sonhos naquela noite.
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