Elemento: Vida

4 Primeira Missão


Notas iniciais
Mudei o tipo de narração de narrador-personagem, como no último capítulo para narrador-observador neste capítulo. Espero que isso não atrapalhe a leitura. Esse tipo de atitude minha poderá ser comum, pois assim eu não me volto a algo repetitivo. Boa leitura.

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Algum lugar do Deserto de Sonora, EUA.

A visão de um deserto desses ao meio-dia não podia ser outra: a luz, intensamente refletida pelo solo seco, ofuscava e a poeira bloqueava qualquer tentativa de enxergar nitidamente. Contudo, aquilo não era empecilho ao que acontecia nas redondezas.
No meio de todo o pó havia uma fumaça preta. Um grupo de usuários da terra dançava ordenadamente em volta de uma cabana em chamas. A areia do deserto se movia formando uma vala. As ondas espirais dos grãos de areia, que se afastavam do barraco, levavam galhos secos e pedras. A dança parou no momento em que, muito abaixo do nível do solo, a cabana foi enterrada pela mesma areia.
Quando o grupo se preparava para sair o ambiente mudou. O ar havia ficado úmido, a luz estava se normalizando. Eles não estavam sozinhos. Em sincronia “mergulharam” na areia, mas pararam. Não naturalmente. Algo os controlava. Como estavam perto da superfície, escutaram um grito:
– Vocês não vão fugir tão rápido. Não sabem que é perigoso estar num grupo de apenas um elemento?
Era Nereu. Ele e a equipe chegavam voando sobre o deserto. Ele, que chegava no bloco de gelo, trazia uma nuvem de vapor para garantir água para controlar. Shade carregava com eletricidade o robô de guerra em que vinha, com a ajuda de Mike, que controlava o robô. Lúcio e Lys e Giselle eram carregados por uma bolha sem gravidade criada pela última. Giselle havia parado os usuários de terra controlando a gravidade ao redor deles.
Todos pousaram. Giselle levantou as mãos para levantar os elementares de terra, mas quando subiu só viu areia coberta pelo seu vácuo, então o desfez.
–O quê? Por que só havia areia? – Perguntaram os irmãos
–Se eu soubesse talvez já tivesse resolvido o problema, idiotas. – Giselle estava angustiada por não ter conseguido prendê-los. –
–Calma, gente, eu vou tentar rastrear o campo magnético deles. – Shade, com sua serenidade, tentou acalmá-los.
Primeiro, levantou as mãos na altura dos ombros, depois citou: “Detector de magnetismo” e uma crescente esfera lilás, que parecia ter a “casca” feita de eletricidade, envolveu seu corpo e, logo após, todo o local.
–Não há mais ninguém além de nós aqui. – Sua capacidade não era tão elevada a ponto de cobrir longas distâncias, mas o campo já era bastante abrangente.
–Não acredito que os perdemos. Nossa primeira missão e já falhamos com uma coisa tão básica. – Falou Mike, despontado. –
–Não, nós não perdemos tudo. Lembram-se da fumaça preta que vimos? O que estava queimando não deve estar muito longe daqui. – Nereu deu esperança ao grupo. –
–É verdade, Nereu. Eu posso usar meu robô pra detectar qualquer objeto ao redor.
Mike, tecnopaticamente, usou seu robô pra tentar encontrar qualquer objeto artificial próximo ao lugar em que estavam. O robô conseguiu perceber a presença de metais bem abaixo de onde estavam. Mike avisou aos outros sobre a descoberta.
–Posso tentar afastar a areia e procurar os metais. Só preciso que seu robô me guie. –
–Certo, Giselle. –Mike juntou as mãos como numa oração e seus olhos começaram a brilhar. Talvez aquilo fosse ação de sua tecnopatia. – Escave no lugar em que eu apontar!
Mike mirou num ponto do chão, mas naquele momento todos foram surpreendidos por um terremoto descomunal.
Os movimentos que formava na areia não pareciam naturais. Alguém estava controlando a areia. Então ouviram uma voz distante.
–Não acharam que fugiríamos correndo o risco de vocês nos roubarem, não é? – Seis jovens estavam numa duna fora da espiral, de pé, observando. Eram os usuários da terra. Eles usavam um uniforme amarelo que parecia surrado e sujo pela areia.
– Vocês acham que sua poeira vai nos prender? Só se estivéssemos mortos.
Nereu movimentou os braços como se fosse puxar algo do céu, então as nuvens de vapor d’água se aproximaram da espiral que os enterrava e cobriu o grupo. Novamente mexeu os braços e, num espetáculo à vista, o vapor se condensava e as gotículas que Nereu movia foram trazidas ao solo e começaram a interromper a espiral de areia. Quando conseguiu sair da areia, Giselle enclausurou os usuários de terra em uma esfera com a gravidade muito aumentada. Dessa vez os tinha prendido.
– O que vocês esconderam debaixo da areia? – Giselle se entusiasmou por ter conseguido prendê-los.
– Não banque a burra, sua infeliz! Isso seria a última coisa que faríamos.
–O quê? Nessas condições você tem coragem de me insultar? – Giselle, sem acreditar nos insultos, começou a abusar de sua capacidade. Sua raiva a fez aumentar a força de gravidade na prisão que mantia os usuários de terra. Eles estavam mais apertados do que o suportável.
–Giselle, já chega! Acalme-se ou você irá matá-los! Você não vai conseguir saber o que eles enterraram simplesmente perguntando. – Mike pensou em continuar a procurar o objeto enterrado, mas teria que contar com a ajuda de Giselle.
–Que seja. Para ajudar a escavar e para mantê-los presos terei de me esforçar demais. Não sei se consigo.
–É verdade. Ela ainda não tem treinamento suficiente para fazer esse nível de esforço. Eu posso tentar colaborar. A água que trouxe comigo deve ser suficiente para chegar ao objeto. – Nereu se ofereceu para cavar o buraco. Todos concordaram.
Mike apontou para o mesmo lugar que mostrara a Giselle, então Nereu voltou os braços para a água que tinha usado para escapar da espiral e a levou, com movimentos bruscos, para o local apontado. Lá, a água formou um filete e começou a entrar por um espaço entre os grãos de areia. Nereu juntou as mãos como se fosse amassar algo e, subitamente, separou-as, fazendo com que a água “empurrasse” a areia. Girou suavemente os braços e a água foi formando um redemoinho. Alguns segundos depois a água congelou. Era a capacidade de Nereu, que acabara de formar uma enorme vala.
No fundo da vala era possível observar um objeto enterrado. Mike coordenou o robô para que buscasse o que quer que estivesse enterrado. O robô chegou ao fundo e tirou a areia que cobria o objeto. No momento, o resto do grupo chegou à borda da enorme vala e olhou para o fundo a fim de identificar o que poderia estar lá. Uma cabana queimada. Para confirmar se a cabana era o que estavam procurando, Mike se comunicou com o robô, que confirmou ser o objeto que buscavam. Giselle foi falar com os usuários presos:
–Satisfeitos? Mesmo sem sua ajuda, conseguimos o que queríamos. Agora vamos levá-los para um interrogatório.
Mike, apreensivo sobre a cabana, falou:
–Não se vanglorie agora, Giselle. Não sabemos se o que queremos está mesmo dentro desta cabana.
–Então peça ao seu robô para ver, né?
A equipe concordou que o robô deveria quebrar a cabana e ver o que havia dentro. Mike informou ao robô que este poderia procurar o que havia dentro da cabana. Sem demora, o robô estendeu o braço direito. As garras se juntaram e começaram a girar, formando um pequeno perfurador. A madeira cedeu facilmente. Dentro o robô encontrou uma pequena caixa de madeira, intacta, lacrada com uma etiqueta dourada brilhante.
–Há uma caixa dentro da cabana. – Mike afirmou e Nereu pediu:
–Mande o robô trazê-la! Ela deve ser o que o Dosho nos pediu.
–Como quiser.
Mike ordenou ao robô que subisse com a caixa e este assim o fez. Pegou a caixa, saiu da cabana e voou até o grupo. Quando o robô pousou, Nereu pôde desfazer o movimento com a água, então pediu para que todos se afastassem. Quando o fizeram, elevou os braços em direção ao céu. O gelo da vala sublimou e voltou a virar uma nuvem de vapor, enquanto a areia se acomodou novamente, cobrindo a cabana e determinando o fim da primeira missão da equipe. Todos se prepararam para partir. A última foi Giselle, que criou uma pequena bolha de gravidade ao redor de si e dos gêmeos. Ela demorou porque esperou Nereu formar uma bola de gelo ao redor dos usuários de terra para substituir a prisão degravidade.
A viagem de volta seguiu por pouco mais de uma hora, quando chegaram ao prédio da ESA em New Samhain. Na calçada da torre Dosho os esperava com uma equipe de usuários da ESA que prenderia os usuários para um interrogatório. Nereu, que chegava trazendo os usuários, levou a bola de gelo até uma sala subterrânea do prédio. Aquela era a primeira vez em que entrava pela parte esquerda do arco de entrada do prédio.
Assim que passou pela porta de madeira, acompanhado pela equipe e pelos seguranças da ESA, avistou um corredor imenso com várias passagens de vidro. As passagens eram bloqueadas com diversos tipos de armas contra vários elementos. Dosho passou por Nereu e foi encarar os usuários presos na bola de gelo. Logo após se virou e voltou os olhos a um identificador de íris. A máquina, pregada na parede, desativou a armadilha e abriu a porta de vidro SR 5096, material extremamente resistente a impactos, permitindo a entrada na sala seguinte. O processo se repetiu até a quinta sala, onde havia dez portas, cinco de cada lado da parede, dando acesso às áreas de interrogatório. As outras salas restritas levavam a portas que mantinham prisioneiros, guardavam objetos capturados, instrumentos mágicos e as salas de controle.
Todos chegaram a um quarto branco, com uma espécie de pequeno labirinto com janelas de vidro fumê, também SR 5096. Passaram pelo labirinto, que exibia, em pedaços polidos de vidro pregados na parede, algumas peças extraídas de usuários em outros interrogatórios. A mais chamativa era uma estatueta de leão feita de mármore, que guardava um amuleto usado em tempos remotos.
No fim do labirinto havia cinco poltronas de madeira postas num formato de meia-lua. À frente ficava uma janela de vidro também em fumê e com resistência aumentada. Ao lado havia uma sequência porta/corredor/porta, que mantinha seguros os externos e trancava os réus.
–Vocês, equipe 77, concluíram a captura dos suspeitos. Onde está a caixa que havia pedido? – Dosho parecia contente pelo resultado da missão.
–Aqui está, senhor. – Mike a entregou
–Ótimo. Está na hora de sairmos daqui. Nereu, solte-os na sala. Ela é à prova de fugas. Vamos subir para a nossa sala de visitas.
Nereu obedeceu e todos foram à sala. Lá, Dosho os falou:
–Equipe, vocês já são a septuagésima sétima equipe de nível 1 da ESA de New Samhain. Essa missão provou a qualificação de vocês. Como recompensa, o conteúdo desta caixa será compartilhado para todo ogrupo.
–Mas o que há na caixa, Dosho? E por que nos mandou buscar numa missão como essas?
–Calma, Giselle! Em breve todos saberão.
Dosho sabia do lacre especial da caixa, então pegou uma ampulheta com areia escura, que estava numa gaveta da mesa da pequena sala branca.
–Esta ampulheta marca o tempo em que a caixa deverá ser aberta. Diferente das ampulhetas comuns, ela tem areia do solo em que foi plantada uma árvore de Aquiles. O que está na caixa só pode ser aberto no tempo determinado pela ampulheta, que, como vocês já devem ter notado, é muito mais lenta que as comuns.
–Mas o que há realmente na caixa? – Perguntou Nereu
Dosho respondeu:
–A caixa contêm...

Notas finais
Talvez os parágrafos não tenham começado com o espaçamento necessário. Espero que não tenha comprometido a leitura.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.