Elemento

1 Capítulo Único


Elemento

— Eu tenho medo de como ele pode reagir.

— Medo? – Ele riu do outro lado da linha – Pensei que a situação estivesse bem entre vocês.

— É pois é, você sabe como eu sou, e eu sei como ele é, e sempre existiu um motivo pra que não fossemos amigos no colegial, e se estamos juntos agora foi porque mudamos muito, mas isso não significa que tenhamos virado outras pessoas.

— Certo, isso significa que brigaram de novo.

— Eu queria dizer que foi só uma, mas ele anda com os nervos a flor da pele por estar perto de conseguir a promoção pra Tenente, e eu ando louca porque Luiza vem me deixado louca por estar grávida, eu tenho que dar apoio constante a ela o que significa escutar constantemente as reclamações dela sobre a vida e eu não tenho saco pra escutar as dele quando chego em casa, o que de acordo com ele faz de mim uma egoísta hipócrita.

Gabriel suspirou de forma pesada.

— Eu sinto muito por você ter de carregar esse fardo sozinha da Luiza, eu queria estar ai para ajudar mas não posso abandonar o curso de forma nenhuma, ou esses últimos seis meses vão para água abaixo.

— Eu sei – Gabrielle se jogou no sofá se sentindo tremendamente cansada. Gabriel tinha conseguido um cargo importante no trabalho, mas para mantê-lo deveria fazer o curso de um ano em Londres, que era onde estava agora. Luiza a irmã caçula dos dois tinha engravidado do namorado de trabalho, que agora havia tomado um chá de sumiço depois que ela anunciara a gravidez. Sem a quem recorrer, Gabrielle se encarregou de apoiar a irmã, por mais que as rixas entre as duas fossem mais do que severas.

O relacionamento com D era uma coisa inconstante, Elemento fazia questão de que morassem juntos, mas ela jamais abriria mão da casa que herdara da mãe como ele não sairia do apartamento que lutara tanto pra comprar, podia se lembrar com clareza como fora difícil chegar a uma conclusão e como no final das contas os dois lotados de trabalho não tinham condição alguma de planejar mudança acabaram por decidir revezar a moradia de finais de semana.

Temporariamente resolvidos, o mês que se passou pareceu ser uma lua de mel, antes de Rita, a ex namorada de longa data surgir das cinzas do inferno como costumara dizer.

O mundo se tornou um caos, Gabrielle não se considerava uma mulher ciumenta até então, mas Angela sempre a convidava para os almoços de domingo e o modo como ela ria e se esfregava nele parecia um ataque constante a sua sanidade, e orgulhoso como já era de se esperar, ele afirmava que não passava de coisa da cabeça dela. Foi uma única discussão na madrugada que a fez descer os oito lances de escada e caminhar até sua casa.

Ficaram um mês sem se falarem. Gabrielle concluiu que aquele tinha sido o final definitivo, que deveria admitir que tudo o que tinha acontecido fora temporário e que as coisas voltariam a ser como eram, mas na tarde de uma quinta ela o encontrou na volta pra casa sentado na soleira da porta, abatido e sério como se algo mais do que grave tivesse acontecido.

Ah sim, estava preparada para dar fim aquele sofrimento, mas Rita tinha se declarado pra ele e ele a colocou a par de seus sentimentos o que a fez ir e não voltar, e no final da semana o pai tinha tido um ataque do coração, e ele estava ali dois dias depois atrás de perdão e consolo pois o enterro seria na manhã seguinte.

Outro mês horrível tinha de admitir, não houve mais almoços de domingos e Gabrielle começou a duvidar da boa saúde de Angela, que surpreendentemente se manteve firme quando o luto diminuiu.

E depois outro mês de paz, e como se fosse algum tipo de rotina de mês bom mês ruim. Agora tinha mais essa, faltava poucas semanas para Luiza dar a luz, esta que morava na casa da mãe das duas depois que o namorado trocara a fechadura do apartamento dos dois, e sem condições de manter a própria sanidade dividindo o mesmo teto se mudara para o apartamento de Elemento, temporariamente.

Ele teria ficado mais do que contente, pensara, se não passasse mais de noventa por cento do tempo estudando ou trabalhando para a promoção.

— Vai ter de contar pra ele de qualquer jeito, antes ele sabendo por você do que adivinhando ou descobrindo por outra pessoa.

— Não estamos numa fase boa, brigamos ontem porque eu reclamei que ele não passa tanto tempo em casa e um assunto levou ao outro que levou ao outro, eu não sei quem anda mais paranoico ele, ou eu, ou Luiza.

— Talvez os três, não culpo Luiza, são os hormônios, talvez no seu caso seja muito cedo, já no caso dele acho que devia ser um pouco mais paciente, você sabe que ele só esta fora por causa da promoção, depois as coisas vão melhorar.

— Gabriel eu estou com três meses, ele mal toca em mim por causa desses malditos livros, eu estou começando achar que aluguei um quarto de um desconhecido.

Ele gargalhou.

— Nisso eu também não posso ajudar, sinto muito.

— Você não tem sido muito útil.

— Não mesmo, mas prometo levar uma mini-cabine telefônica pra você.

— Vai se ferrar — E com isso desligou o telefone.

Gabrielle fechou os olhos cansada, ultimamente parecia que tudo a cansava, coisa que não passara despercebida por Elemento e serviu de reclamação nas discussões. O dia tinha sido comprido.

Estava escurecendo, observou pela janela, o que fazia de mais uma noite decisiva entre discutir ou se entender de vez.

— Gabrielle? – Ele não parecia contente quando entrou no apartamento, a mochila com a farda e outros pertences nos ombros.

— Na cozinha. – Podia sentir suas mãos transpirarem, como se a partir do momento em que ele a olhasse nos olhos pudesse ler todos os seus pensamentos, descobrir todos os seus segredos. Permaneceu encostada a pia quando ele se aproximou beijando-a na testa abrindo as portas dos armários a procura de qualquer coisa comestível.

— O dia foi horrível, e o seu?

Inspirou fundo quando ele encontrou o pote de bolachas que tinha escondido.

— Já tive melhores.

— Nós precisamos conversar.

— Isso é verdade – Ele suspirou como se soubesse de tudo – Mas antes, quer jantar fora? Ganhei no jogo contra os caras no almoço.

Era isso? Ele sabia e a estava chamando para jantar. Se estava sério era porque não estava feliz, então seria só uma maneira educada de coloca-la pra fora dizendo que não assumiria responsabilidade por criança alguma.

— Não.

Ele ergueu o olhar surpreso e ficou de pé.

Gabrielle cobriu a barriga com as mãos, a Academia tinha feito bem a ele tinha de admitir, semanas de exercícios pesados que tinham no tornado maior, e que ela se dava conta agora que o via de cara fechada a sua frente.

— Certo conte de uma vez o que tem pra me dizer, mas já vou avisando que se quer discutir alguma coisa, eu não estou disposto.

Ele não sabia de nada.

— Seu ogro – Empurrou-lhe o peito com força para tira-lo do caminho, ainda que não tivesse adiantado muito não precisava que ele a desconcentrasse enquanto gritava para arrasta-la até o quarto e virarem a noite acordados em silêncio um do lado do outro.

Porque o orgulho não os deixava se tocarem e se recusavam a discutir mais.

— Você não tem um pingo de educação não é mesmo?

— Eu não tenho um pingo de educação? Estou tentando conversar com você e tudo o que você consegue fazer é me acusar, como se eu amasse passar horas discutindo com você não é mesmo?

Ele jogou a cabeça para trás enquanto bufava alto. Estava certa, não contarei hoje, pensou e lhe deu as costas.

— Vou passar a noite na minha casa com minha irmã – Se desse sorte quando chegasse ela estaria dormindo e então poderia chorar sozinha.

— Não, não – Ele resmungou da cozinha enquanto ia atrás dela e a impediu de continuar andando quando a abraçou por trás, os braços presos na cintura fina – Vai com calma ok? Estou ouvindo.

D mergulhou o rosto nos cabelos castanhos, sentindo a fragrância doce tomar posse de seu corpo como um anestésico. Como sentia falta de abraça-la, quando não estavam discutindo estava exausto demais para qualquer coisa. Só precisa tê-la calma por um tempo.

O que também tinha de admitir vinha parecendo impossível, era como se ela andasse constantemente com os nervos a flor da pele, e então durante as conversas ele dizia alguma coisa que a fazia explodir e ficava a ouvindo dizendo besteiras sem entender o que acontecia, e por mais que quisesse que ela ficasse quieta pelas próximas horas não podia deixa-la ir.

— Você não quer trocar de roupa primeiro? – Ela murmurou, apesar de manter-se tensa embaixo de seus braços.

Inspirou fundo antes de soltá-la, ignorando a brisa gelada que pareceu passar por si quando começou a se afastar,o único barulho vindo dos coturnos pesados batendo no chão. Tirou a camisa do uniforme enquanto entrava no quarto no fim do corredor, abandonando-a numa cadeira ao canto, sentando ao pé da cama.

— Pronto.

Gabrielle encarou-o de onde estava sentindo as ondas do nervosismo lhe percorrer o corpo. Arrastou-se até o quarto e fechou a porta atrás de si. Por onde começaria?

Suas mãos estavam geladas e tremulas, podia sentir a pressão do olhar no seu rosto.

— O que aconteceu? – Ele perguntou paciente no escuro.

Não, desse jeito não conseguiria, caminhou até o banheiro do quarto acendendo a luz e fechando a porta atrás de si.

O escutou suspirar do outro lado e respirou fundo uma porção de vezes.

— Gabrielle? – Ele não costumava chama-la pelo nome.

— Eu estou grávida.

Abraçou a si mesma antes de abrir a porta, pois precisava ver sua expressão em seus olhos. Ele se mantinha na mesma pose, as mãos juntas, os cotovelos apoiados nas coxas.

É agora pensou, que ele levantaria dizendo que não acreditava perguntando se era alguma pergunta boba, uma brincadeira de mau gosto, e quando ela dissesse que não ele rasgaria e diria que era impossível porque não estavam dormindo juntos a um bom tempo e ele não tinha tempo, que ela o estava traindo e ele não assumiria filho dos outros.

— Eu não entendi.

Depois de todo o trabalho que tivera pra dizer na primeira vez seria obrigada a repetir?

— Você entendeu sim.

Ele ficou de pé a meia luz, parte do peito iluminado, o brilho da desconfiança no olhar enquanto pendia a cabeça de lado.

— Você está falando serio, não esta brincando?

Fechou os olhos sentindo seu estomago se contorcer, e permaneceu com eles fechados quando sentiu-o colocar as mãos quentes em seu rosto.

— G, olhe pra mim.

Abriu os olhos com dificuldade sentindo as lagrimas que custaram tanto pra segurar escorrerem pelo rosto. Ele sorriu radiante.

Foi tudo muito inesperado é claro, mas na cabeça de Gabrielle em nenhuma das suas hipóteses miraculosas sobre aquele momento ele sorria pra ela, seu cérebro travou é claro, porque não era muito capaz de ser racional quando ele sorria daquele jeito, estando tão perto, tão colado.

Ele inclinou o corpo rodando os braços em suas coxas, erguendo-a no colo com a mesma facilidade de sempre. O que estava acontecendo? Não conseguia explicar, não conseguia encontrar uma resposta.

Ignorou baque do próprio corpo sobre o colchão macio e a rapidez com que ele ficou sobre si e a beijou.

Ah é, não era um simples beijo de boa noite, como não era um beijo demorado de encontro no almoço, como também não era um beijo de te vejo depois. Era o mesmo beijo dos primeiros meses.

Aquele onde seu pulmão parava de funcionar porque toda a atenção de seu corpo era dedicada a boca dele na sua, no modo como se encaixavam, como se misturavam, como procuravam fazer parte uma da outra.

No modo como ele passava a língua nos seus lábios antes de mordê-los com força para depois beijar com toda a graça e carinho do mundo.

Não soube qual parte de si que conseguiu funcionar, comandando os braços fazendo pressão em seus ombros para que se afastasse. Ele abriu os olhos tão surpreso quanto ela.

Gabrielle deu uma golfada de ar antes de começar a falar.

— Por que está sorrindo? Você deixou bem claro que nunca quis ter filhos.

— É verdade – Ele ponderou – Mas desde que tenho estado com você tenho pensado no assunto.

— É mentira – Negou com a cabeça, porque ele só podia estar caçoando dela.

— É verdade – Voltou a afirmar, insatisfeito de ser contrariado – Só não tive coragem de contar antes.

Ele estava planejando ter filhos?

— Por que não?

Ele ficou apreensivo e demorou um bocado para responder, como se criasse coragem e depois desistisse, rolou para o lado dela, voltando a bufar alto.

— Não achei que quisesse ter filhos comigo.

Gabrielle se sentou com rapidez, sentindo a falta de ar lhe abater outra vez, não de modo bom.

— Por que achou isso?

Ele suspirou colocando os pés para fora, e desfazendo os nós do cadarço.

— Porque sim G, porque eu não sou uma pessoa amável o suficiente, eu tenho dias onde sei que sou insuportável. Não sou legal suficiente, não sou – Ele suspirou outra vez – Não sou suficiente pra você.

Gabrielle ficou de pé dando a volta na cama, sentindo o coração bater no rosto.

— De onde tirou essa ideia ridícula?

Ele ergueu o rosto com um meio sorriso.

— Você é uma garota exigente G.

Claro, fazia todo sentido, fazia sentido que ele andasse mais malcriado do que de costume, mais afastado, mais superficial.

— Achou que eu fosse deixar você? – Sentiu sua voz falhar.

— Você vem querendo ter essa conversa há muito tempo, o que esperava que eu pensasse? Foi o que todo mundo com quem conversei achou também.

Sentiu seu peito apertar, como se o coração de repente caísse no fundo do estomago.

Riu.

Elemento fechou os olhos sentindo o pesar do cansaço outra vez.

— Do que você está rindo agora Gabrielle? – Ficou de pé, porque se ela estava mesmo para terminar, ela não tinha direito algum de rir.

— Você é um idiota.

— Ah com certeza – Jogou as mãos pra cima em desistência enquanto voltava a abrir a porta do quarto, caminhando a passos largos – Essa é de longe uma ótima resposta, é só isso mesmo que você tem pra me dizer Gabrielle? – Ele recolheu um casaco pendurado na cadeira da cozinha – Porque eu acho que vou dar uma volta.

Gabrielle teve de correr para alcança-lo, entrando em sua frente poucos segundos antes dele estender a mão para a maçaneta. Tentando evitar que ele passasse pela porta como conseguiu.

— Espera, vamos começar de novo está bem?

— Eu disse o que disse e você riu, por que é engraçado pra você? – Ele colocou uma das mãos na porta ao lado de sua cabeça – Você me conhece o suficiente pra saber que eu não me abro com frequência e ainda assim você ri de mim.

— Eu não estava rindo de você – Ergueu as mãos de forma exasperada – Eu estava rindo da situação toda. Eu sei que eu tenho implicado muito com você, mas você também tem, achei q fosse pelo mesmo motivo, mas acabo de descobrir que eram motivos diferentes, eu não culpo você.

Elemento bufou enquanto deixava a cabeça cair, mentalmente cansado demais.

— Davi, por favor.

Seu estomago se contorceu quando ela a chamou pelo primeiro nome. Negou com a cabeça uma serie de vezes antes de forçar saída e fechar a porta atrás de si.

Gabrielle cambaleou com os olhos fechados, os ombros caídos. Oh meu Deus, ele simplesmente me deu as costas.

Deu um salto quando a porta voltou a se abrir, e ele entrou como se nada tivesse acontecido.

— Boa noite – Se aproximou como sempre fez, o beijo carinhoso no topo da testa – Você já comeu?

— Não – Respondeu aturdida enquanto o via caminhar de volta ao quarto e agir como se nada da última meia hora tivesse acontecido.

Vamos começar de novo, está bem?

— Alguma novidade?

— A promoção vai sair, antes da semana acabar com certeza.

Fechou os olhos com força, se amaldiçoando por dentro, era um momento pra se comemorar, aquele inferno de ir trabalhar sem ter hora pra voltar ia finalmente terminar, e ele tinha a chamado pra comer fora justamente para dar a noticia, pra que não discutissem antes exatamente como aconteceu.

— Isso é – Sentiu como se seus sentimentos fossem um baque contra o corpo, uma bola de neve sendo jogada com força contra o peito, e se apoiou no sofá ao lado enquanto tentava manter o equilíbrio – Maravilhoso.

— Tinha pensado em sairmos pra comemorar, mas acho melhor fazermos isso em casa. – Ele voltou a caminhar e Gabrielle jogou a cabeça pra trás — Você está bem? – Ele voltou a surgir a sua frente, os olhos estreitos, usava a roupa de que mais gostava, a camisa branca lisa no corpo, o moletom cinza no comprimento certo.

Seus olhos se encontraram aos dele, e voltou a sentir o mesmo frio na barriga de sempre, as mesmas borboletas procurando uma saída de quando trocavam olhares daquele jeito, a aflição de querer estar mais perto, ter os corpos colados.

— Eu estou grávida – Voltou a repetir, sabendo que tinha sua total atenção, cobriu a barriga com os braços como havia se viciado a fazer – Vai fazer três meses semana que vem, e sua mãe já sabe.

Ele não se mexeu, nem um músculo se quer, a respiração permaneceu constante e por uma fração de segundo considerou se tinha dito aquilo tudo mesmo da boca pra fora ou só pra si mesma no pensamento.

— Você me ouviu?

Ele umedeceu os lábios, num processo vagaroso em total bem-estar.

— Por que não me contou antes? – Ele meneou a cabeça enquanto dava um passo a frente, colocando as mãos em seu rosto.

Gabrielle sentiu suas pernas tremerem.

— Eu tive medo de que não acreditasse em mim – Sua voz falhou.

— Você me fez prometer que nunca duvidaria da sua palavra, por que a desconfiança?

— Porque – Fechou os olhos quando lagrimas pesadas quiseram escapar – É o que eu teria feito.

Ele pareceu surpreso e depois sorriu.

— De quem?

A raiva possuiu seu corpo.

— De você seu idiota – O empurrou com força o que não pareceu afetá-lo, mantendo o sorriso sacana no rosto – Como você tem coragem de fazer esse tipo de pergunta pra mim? – Sentia os olhos arderem.

Ele segurou seus pulsos com facilidade.

— Eu preferia brigar com você a noite toda do que nunca te ter na minha vida.

Os protestos cessaram. Gabrielle sentiu como se seu peito afundasse, como se o coração caísse na boca do estomago, quis retrucar, responder, mas a voz sumiu. Elemento a trouxe para mais perto, prendendo-a nos braços.

— Você é uma garota difícil de lidar Gabrielle, demorei pra me adaptar a isso. Não vai se desfazer de mim tão fácil, eu me apaixonei o que significa que aguentei todos os seus berros e birras desnecessárias ate agora porque eu quis. – Ela quis retrucar mas ainda era incapaz de falar – Mas precisa confiar em mim Gabrielle, ou todos os meus esforços até agora foram apenas perda de tempo.

— Eu confio em você – Suspirou exasperada.

— Ótimo – Ele concordou com a cabeça, com um sorriso travesso nos lábios antes de erguê-la de surpresa no colo – Isso facilita as coisas.

— Espera – Gabrielle tentou se soltar, falho – Quer dizer que estamos de bem?

De pé frente a cama Elemento estreitou os olhos.

— Nós estávamos de mal?

Elemento observou sua respiração falhar e a voz sumir outra vez. Ela fechou os olhos em derrota e seu corpo cedeu em seus braços. Com apenas a luz do banheiro acesa não teve dificuldades em fazê-la deitar e sentiu os próprios músculos tremerem com a ansiedade.

Tinha esperado demais, tinham ficado longe demais. Escutou-a suspirar deliciada quando lhe lambeu os seios turgidos por cima da camisa fina e seu corpo respondeu na mesma intensidade.

O corpo de Gabrielle arqueou a procura demais e Elemento a forçou contra o colchão outra vez, queria não parecer desesperado, queria dar a ela todo o carinho que tinha no peito antes de se satisfazer, mas era uma batalha difícil que não tinha tempo suficiente.

Ela também não parecia disposta a esperar. As mãos femininas abriram e empurraram seu jeans e cueca com habilidade obrigando-o a tomar uma decisão. E como se pudesse ler seus pensamentos ela segurou em seu rosto obrigando a encara-la.

— O que foi?

— Acho que a amo – Murmurou surpreso.

Gabrielle riu e esticou o pescoço para beija-lo outra vez.

— Ótimo, isso facilita as coisas.

Notas finais
Obrigada por ter chego tão longe, beijos e até a próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!